quinta-feira, 9 de abril de 2009

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": PROLEGÔMENOS


“O LIVRO DOS ESPÍRITOS”: PROLEGÔMENOS. PRINCIPAIS LIÇÕES.

Geziel Andrade

“A Doutrina dos Espíritos é um novo edifício que vai reunir os homens num sentimento de amor e caridade”.

Allan Kardec, no longo prefácio dos princípios gerais da Doutrina Espírita, ressaltou que as manifestações e comunicações dos Espíritos revelam a ação de uma vontade livre e inteligente. É mais uma prova de que todo efeito inteligente tem uma causa ou força inteligente.

A causa dos fenômenos espíritas, uma vez interrogada sobre a sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais. Tratava-se da manifestação da alma dos homens, despojada do corpo material pelo fenômeno da morte, a revelar a Doutrina dos Espíritos.

Portanto, as comunicações estabelecidas com os Espíritos, através dos médiuns, não eram sobrenaturais. Eles eram as almas dos homens vindo anunciar que os tempos marcados pela Providência para a sua manifestação universal tinham chegado. Os Espíritos, como ministros de Deus e agentes de Sua vontade, cumpriam a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração moral da Humanidade.

“O Livro dos Espíritos” reuniu, então, os ensinamentos dados pelos Espíritos superiores, através de diferentes médiuns. Sua elaboração obedeceu a ordem desses Espíritos, visando estabelecer os fundamentos de uma nova filosofia racional, isenta dos prejuízos de qualquer espírito de sistema.

“O Livro dos Espíritos”, dessa forma, tornou-se a expressão do pensamento de diversos Espíritos superiores que viveram em diferentes épocas na Terra, pregando e praticando a virtude e a sabedoria.

COMENTÁRIOS DOS PARÁGRAFOS DA MENSAGEM QUE OS ESPÍRITOS SUPERIORES DIRECIONARAM A ALLAN KARDEC, ORIENTANDO-O A ESCREVER E PUBLICAR “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”:
· “Ocupa-te, com zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, porque esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e um dia deverá reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos a fim de controlar todos os detalhes”. Allan Kardec, com zelo e perseverança, e sob a orientação dos Espíritos superiores, erigiu o novo edifício chamado Espiritismo, para reunir os homens num sentimento de amor e caridade.
· “Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudar nos demais trabalhos, porque esta não é mais do que uma parte da missão que te foi confiada e que um de nós já te revelou”. Allan Kardec, aliado aos Espíritos superiores, cumpriu paulatinamente a missão que lhe foi confiada. Então, estabeleceu a Doutrina dos Espíritos na Terra.
· “Entre os ensinamentos que te são dados, há alguns que deves guardar somente para ti, até nova ordem; avisaremos quando chegar o momento de os publicar. Enquanto isso, medita-os, a fim de estares pronto quando te avisarmos”. Allan Kardec usou de extrema sabedoria e prudência ao publicar, no momento certo, as revelações inéditas e revolucionárias que lhe foram confiadas pelos Espíritos superiores. Assim, edificou o novo edifício com bom senso e segurança.
· “Porás no cabeçalho do livro, o ramo de parreira que te desenhamos porque é ele o emblema do trabalho do Criador. Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o Espírito nele se encontram reunidos: o corpo é o ramo; o Espírito é a seiva; a alma ou o espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o Espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos”. Allan Kardec apresentou o emblema acima publicado, que foi elaborado pelos Espíritos superiores retratando a obra de Deus. Ele representa o Espírito ligado ao corpo material para trabalhar e progredir; expressa o trabalho indispensável ao aperfeiçoamento do Espírito pelas experiências e pelos conhecimentos que são adquiridos.
· “Não te deixes desencorajar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre as pessoas interessadas em trapaças. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, pois aqueles que não são completamente desmaterializados procuram, muitas vezes, semear a dúvida, por malícia ou por ignorância. Mas prossegue sempre; crê em Deus e marcha confiante: aqui estaremos para te sustentar e aproxima-se o tempo em que a verdade brilhará por toda parte”. Allan Kardec enfrentou muitos percalços no comprimento de sua missão, mas com coragem, perseverança, fé em Deus, confiança em si mesmo e apoio dos bons Espíritos, cumpriu a sua tarefa com sabedoria e nobreza moral e espiritual.
· “A vaidade de certos homens, que crêem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes; mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem e se unirão por um laço fraterno que envolverá o mundo inteiro; deixarão de lado as mesquinhas disputas de palavras para somente se ocuparem das coisas essenciais. E a doutrina será a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem as comunicações dos Espíritos superiores”. Allan Kardec adotou os princípios da Doutrina de Jesus para estabelecer as bases morais do Espiritismo, valorizando a prática das virtudes do amor e da fraternidade, que unem os homens e estabelecem a concórdia e a paz. Assim, o novo edifício ganhou bases sólidas e unidade em seus fundamentos.
· “É com perseverança que chegaremos a recolher o fruto dos teus trabalhos. A satisfação que terás vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será para ti uma recompensa cujo valor total conhecerás, talvez, mais no futuro do que no presente. Não te inquietem pois, os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus espalharão no teu caminho; conserva a confiança; com ela chegarás ao alvo e merecerás sempre a nossa ajuda”. Allan Kardec fortaleceu-se e sentiu-se altamente recompensado com o desenvolvimento de seus trabalhos perseverantes. Jamais lhe faltou a ajuda dos bons Espíritos para a propagação da Doutrina e para fazê-la compreendida e aceita em seus princípios por parte do público. Assim, viu a Doutrina Espírita ser estabelecida em bases sólidas e conquistar adeptos em todas as partes do mundo.
· “Lembra-te de que os Bons Espíritos só assistem aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e repudiam a qualquer que procure, no caminho do céu, um degrau para as coisas da Terra; eles se afastam dos orgulhosos e dos ambiciosos. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; são um véu lançado sobre as claridades celestes e Deus não pode servir-se do cego para fazer que compreendamos a luz”. Allan Kardec serviu a Deus e aos Espíritos superiores com humildade e desinteresse material. Assim, contou com a assistência dos Espíritos superiores para o cumprimento de sua difícil missão.
· “São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc. etc. ” Estes foram os Espíritos sábios e virtuosos que apoiaram e ajudaram Allan Kardec. Assim estabeleceu o Espiritismo na Terra, abrindo a era do Espírito para a Humanidade.

LEITURA COMPLEMENTAR SUGERIDA: Prezado leitor, não deixe de ler a Segunda Parte do livro “Obras Póstumas”. Ela contém textos escritos pelo próprio Allan Kardec, a respeito de sua iniciação no Espiritismo, seu Guia espiritual, sua missão, e da realização de suas obras.

Um comentário:

Jussara disse...

Parabéns à autoria deste artigo, já que o tema é pouco explorado e até mesmo a palavra PROLEGÔMENOS é praticamente desconhecida pela sociedade e, principalmente, pelos mais jovens.
Márcio da Silva Neiva
kody@terra.com.br
Curitiba - PR