terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM "O LIVRO DOS ESPÍRITOS": RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO III: RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL

Geziel Andrade

1 – A ALMA APÓS A MORTE

No instante da morte do corpo material, a alma retorna ao mundo dos Espíritos, de onde havia saído temporariamente para progredir em termos intelectuais e morais.

Assim, a alma conserva a sua individualidade após a morte e jamais a perde.

Com a perda do corpo material, a alma constata a sua individualidade pela manutenção de seu corpo fluídico, chamado de perispírito, que é formado com elementos sutis da atmosfera do planeta e tem a mesma aparência da sua última encarnação.

Ao deixar a vida material, em decorrência da morte, a alma leva consigo a lembrança dos acontecimentos e dos atos praticados, experimentando o desejo de ir para um mundo melhor.

Após ter entrado no mundo espiritual, essa lembrança que leva da sua vida corpórea é cheia de doçura ou de amargor, segundo o emprego bom ou mal que deu à sua jornada terrena.

Quanto mais elevada e pura for a alma, menos se prende às coisas materiais que deixou na Terra e mais rapidamente compreende a futilidade delas.

As comunicações que os Espíritos podem manter com os homens, através de médiuns, atestam a imortalidade, a sobrevivência e a individualidade da alma após a perda do seu envoltório corporal.

Essas comunicações dos Espíritos revelam sua inteligência, suas qualidades próprias, a consciência do eu e uma vontade distinta.

Efetivamente, os Espíritos são seres individuais e distintos porque são bons ou maus, sábios ou ignorantes, felizes ou desgraçados. Assim, apresentam-se aos homens alegres ou tristes, levianos ou sérios, etc.

Os Espíritos dão ainda aos homens provas de sua individualidade quando:
• Revelam sua identidade através de sinais incontestáveis;
• Recordam detalhes pessoais relativos à sua vida terrena, os quais podem ser constatados;
• E manifestam-se tais quais foram, quando de suas aparições.

Portanto, a vida do Espírito é eterna. Já a sua vida corpórea é transitória.

A morte apenas promove a volta da alma à vida eterna.

2 – SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO MATERIAL

A morte do corpo material não causa sofrimento para a alma que vê chegar ao fim o seu exílio na vida corpórea.

A morte promove o desprendimento da alma do seu corpo transitório, pois rompe os liames que a retinham na vida material.

Mas, esse desprendimento ocorre gradualmente. Então, o Espírito vai se desprendendo pouco a pouco, à medida que os liames se soltam.

Dessa forma, para a alma, a morte é apenas a destruição do corpo material. Ela se separa do corpo com a cessação da vida orgânica; mas leva consigo o seu perispírito que a ligava ao corpo e que se soltou.

A lentidão com que se processa o desprendimento da alma do seu corpo material é variável segundo cada indivíduo.

Para a alma que praticou o bem e as virtudes na vida material, o processo de libertação é bastante rápido, podendo ocorrer mesmo na agonia, com o corpo material mantendo apenas a vida orgânica.

Já para a alma que se prendeu às coisas materiais e à sensualidade, o desprendimento é mais demorado, podendo durar, às vezes, alguns dias, semanas e até mesmo meses.

Esse desprendimento lento é devido à afinidade criada entre o perispírito e o corpo material, em razão da preponderância que a alma deu às coisas materiais.

Dessa forma, quanto mais a alma estiver identificada com as coisas materiais, mais sofrerá para se separar do corpo material.

No caso específico de morte por suicídio, esse desprendimento é, geralmente, bastante complicado.

Quando o Espírito que fez o mal durante a vida terrena se vê no mundo dos Espíritos, sente-se envergonhado de o haver feito.

Já para a alma que cultivou as atividades intelectuais e morais e que manteve os pensamentos elevados, o desprendimento começa mesmo durante a sua vida corpórea, a ponto de ser quase instantâneo.

Essa alma, quando sente que os liames que a prendem ao corpo material estão se desprendendo, emprega seus esforços para apressar a sua libertação.

Uma vez parcialmente separada da vida material, consegue antever o seu futuro e gozar por antecipação do estado de Espírito.

E a alma do homem justo se sente aliviada por não recear na nova fase da vida nenhum olhar perquiridor.

Uma vez no mundo dos Espíritos, a alma reencontra as pessoas que conheceu na vida material e que morreram antes dela, segundo a afeição que reciprocamente mantiveram.

Quase sempre, os Espíritos amigos vêm recebê-la na sua volta ao mundo dos Espíritos e a ajudam a se libertar das faixas da matéria.

A alma que retorna à vida espiritual reencontra muitos amigos que tinha perdido de vista durante a sua passagem pela vida material. Vê também os Espíritos que se encontram na vida espiritual e pode ainda visitar os Espíritos que se encontram encarnados.

Cada tipo de morte do corpo material causa um impacto diferente no momento do desprendimento da alma.

Na morte violenta, o perispírito estando fortemente ligado ao corpo material e as forças vitais estando bastante ativas, os liames que unem o envoltório material ao perispírito são mais tenazes e o desprendimento completo torna-se mais lento.

3 – PERTURBAÇÃO ESPÍRITA

Em seguida à morte do corpo material, a alma, geralmente, não tem consciência imediata de si mesma. Ela fica perturbada por algum tempo.

Mas, a duração dessa perturbação depende da elevação moral da alma.

Quando ela já se depurou e se desprendeu das coisas materiais durante a sua vida corpórea, reconhece-se quase imediatamente. A perturbação que se segue à morte do corpo material nada tem de penosa para a alma do homem de bem que mantém a sua consciência pura.

Por outro lado, a alma do homem que se prendeu às coisas materiais e não manteve a consciência pura conserva por muito mais tempo a impressão da matéria.

Dessa forma, a alma que compreende antecipadamente as realidades da vida espiritual experimenta menor perturbação com a morte do corpo material e entende mais depressa a sua nova posição; mas são a prática do bem e a pureza de consciência que reduzem a duração dessa perturbação decorrente da morte.

Portanto, toda alma que deixa o seu corpo material em decorrência da morte precisa de algum tempo para se reconhecer na vida espiritual. Tanto a lucidez das ideias, quanto a memória do passado voltam à medida que a influência da matéria vai se extinguindo.

Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc, a alma tem maior dificuldade em aceitar e reconhecer que o seu corpo material morreu. Ela mantém a ilusão de que continua na vida corporal.

Somente depois do completo desprendimento do Espírito, reconhece o seu novo estado; compreende que não mais faz parte do mundo dos vivos; continua a pensar, a ver e a escutar; e se percebe num corpo sutil semelhante ao que deixou na Terra.

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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

O Espiritismo faz uma clara distinção entre o universo material, no qual a alma entra com o nascimento do seu corpo transitório obtido pela lei da reprodução, e o universo espiritual, no qual foi criada por Deus e para o qual retorna com a morte após ter cumprido a sua jornada evolutiva.

Assim, o Espiritismo mostra que o homem não é apenas um corpo material perecível. É formado também pela alma imortal, que detém todas as faculdades intelectuais e morais em permanente processo de desenvolvimento; e pelo perispírito, que é o seu corpo espiritual, que inclusive a permite unir-se ao seu envoltório corporal durante a sua vida terrena.

Com os princípios do Espiritismo, aprendemos a:
• Fazer um bom uso da vontade e do livre-arbítrio na vida corporal para cumprir adequadamente a programação evolutiva;
• Progredir escolhendo as atividades intelectuais e morais nobres que garantem a ascensão na hierarquia espiritual, que é a verdadeira;
• Suportar com coragem, resignação, esperança e confiança em Deus as missões, provas, tribulações e sofrimentos da vida terrena, pois são experiências que educam e aprimoram a alma imortal;
• Praticar as virtudes e o bem em observância às Leis de Deus para o indispensável crescimento moral;
• Ter desapego das coisas materiais e da sensualidade para evitar os condicionamentos e as influências nefastas da matéria e não comprometer a evolução da alma;
• Manter os sentimentos e pensamentos elevados para melhorar o mundo íntimo e manter as atitudes, condutas e ações elevadas;
• Ter a preocupação de registrar na memória apenas bons atos praticados conscientemente com a realização das boas obras;
• E conservar a consciência pura pelo cumprimento honesto e responsável dos deveres morais e pela prática da justiça, do amor e da caridade.

Com isso, atingimos o verdadeiro objetivo da vida material; alcançamos o rápido desprendimento da alma do corpo material, independentemente do que possa causar a sua morte; passamos de modo breve pela perturbação que se segue à morte, sendo apenas um sono leve com um despertar feliz; obtemos a libertação, a volta da lucidez e o reconhecimento na vida espiritual sob o amparo dos Espíritos bons, amigos e familiares; e experimentamos de modo sereno, alegre e feliz a continuidade da vida da alma após o seu retorno ao mundo espiritual, mantendo atividades nobres.

Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deu ao Espiritismo as bases cristãs que permitem ao homem conquistar o progresso religioso e moral e os méritos que lhe garantem desfrutar das bem-aventuranças na continuidade da vida da sua alma no reino dos céus.

E no livro “O Céu e o Inferno”, detalhou os aspectos do retorno da alma à vida espiritual, demonstrando:
• A situação dos Espíritos de todas as classes na hierarquia espiritual;
• Como o perispírito desempenha o papel de agente da justiça divina ao permitir com que cada alma receba de forma justa na vida espiritual segundo as suas próprias obras terrenas;
• Como a perturbação que se segue à morte do corpo material varia bastante, dependendo do grau de evolução moral e espiritual de cada alma que desencarna;
• A enorme variedade de ocorrências que as almas experimentam em função de seus méritos ou vícios, classificando os Espíritos como felizes, de condição mediana, sofredores, suicidas, criminosos arrependidos e endurecidos no mal;
• As fases que a alma enfrenta com o despertar na vida espiritual, após a perturbação, passando pela: visão do próprio corpo material inerte; reencontro com os amigos e familiares já falecidos; revisão de todos os fatos que marcaram a sua jornada na vida corporal; constatação da forma humana e aparência da última encarnação no perispírito; melhoria das percepções; satisfação decorrente do cumprimento dos deveres morais; arrependimento e sofrimentos decorrentes da prática do mal; entendimento das expiações sofridas na vida terrena em função dos erros cometidos em vidas passadas; e aceitação das atividades incessantes que precisam ser mantidas na vida eterna.

Dessa forma, temos todos os mistérios da vida da alma após a morte do corpo material desvendados, com base nas revelações concordes feitas pelos próprios Espíritos, através de diferentes médiuns.

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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

Os artigos com as principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Espíritos” foram publicadas neste mesmo blog e podem ser consultadas nas seguintes datas:
Introdução = 30/janeiro/2009.
Prolegômenos = 09/abril/2009.
Capítulo I: Deus = 07/julho/2009.
Capítulo II: Elementos Gerais do Universo = 08/fevereiro/2010.
Capítulo III: Criação = 18/junho/2010.
Capítulo IV: Princípio Vital = 09/setembro/2010.
2ª. Parte, Cap. I: Dos Espíritos = 01/abril/2011.
2ª. Parte, Cap. II: Encarnação dos Espíritos = 04/outubro/2011.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

OS ANIMAIS SOB O ENFOQUE ESPÍRITA















OS ANIMAIS SOB O ENFOQUE ESPÍRITA

Geziel Andrade

O acervo literário do Movimento Espírita enriqueceu-se, em 2011, com o lançamento do livro interessante e muito bem elaborado intitulado “O Evangelho dos Animais”.

A autoria desse livro é da médium Sandra Denise Calado e da psicografia da Equipe Espiritual da ASSEAMA: Associação Espírita Amigos dos Animais, com sede em São Paulo-SP, (www.asseama.com.br).

Trata-se de um estudo aprofundado das questões complexas que envolvem a existência da alma nos animais, a sua sobrevivência à morte do corpo material e o seu destino determinado por Deus.

O trabalho extenso foi elaborado de forma habilidosa, propiciando ao leitor momentos agradáveis e instrutivos de leitura, bem como reflexões sérias acerca das criaturas no contexto amplo da grandeza, justiça e obra do Criador.

O livro tem base sólida na análise detalhada que efetua dos princípios e ensinamentos contidos nas obras de Allan Kardec, Léon Denis e em alguns livros dos Espíritos Emmanuel, André Luiz e Joanna de Ângelis, dentre outros.

O estudo aborda com muita propriedade, através de diálogos didáticos e instrutivos mantidos entre os personagens do enredo, assuntos interessantes e complexos, com o fim de ressaltar as soluções espíritas para as questões intrincadas relativas à espiritualidade dos animais e as suas características e capacidades, envolvendo principalmente sentimentos, emoções, comportamentos inteligentes, controle dos instintos, capacidade de aprendizado, possibilidade de comunicação e relacionamento através de sons, sinais e linguagem rudimentares, certo discernimento e certa vontade, tomada de decisão simples e liberdade de escolha e ação.

O livro abre a nossa consciência para a razão da existência, a imortalidade e a estrada evolutiva que a alma do animal está percorrendo para alcançar a humanidade num futuro bem distante.

Em função disso, conscientiza-nos a auxiliar a alma dos animais em sua jornada evolutiva, ao dedicarmos-lhes respeito, entendimento, amparo, compaixão, benevolência, trabalhos educativos e, sobretudo, amor.

O livro levanta ainda alguns temas relevantes com enorme perspicácia e bom senso, permitindo-nos assumir posições claras sobre:
• As faculdades existentes na alma imortal dos animais;
• A importância do combate severo à caça, aprisionamento, crueldade, maltrato, abandono, experimentos dolorosos, extermínio e matança;
• A melhoria nas relações com os seres primitivos da Natureza com a prática da responsabilidade, piedade e bondade;
• O emprego digno e respeitoso dos animais superiores nas atividades humanas, propiciando-lhes aprendizado e evolução;
• O acesso mais fácil aos recursos da medicina veterinária para curar as doenças, socorrer, proteger e aliviar as dores e os sofrimentos;
• As opções de alimentação com a dieta carnívora ou a dieta a base de vegetais, dentro das teorias do carnivorismo ou do vegetarianismo.
• A dedicação dos bons Espíritos para com as almas dos animais quando encarnam, suportam a experiência carnal e desencarnam;
• Os renascimentos sucessivos das almas das criaturas primitivas criadas por Deus, para que o princípio inteligente se aprimore e evolua, até que sofra a transformação que o torna Espírito e entre no período da humanidade, deixando para trás a fase da animalidade.

Enfim, o livro é muito importante e exige uma leitura atenta e raciocinada, para que as contribuições prestadas sejam bem avaliadas e assimiladas em seu objetivo de aprofundar e aclarar os princípios do Espiritismo a respeito da dinâmica que envolve a vida imortal e a evolução da alma dos animais.

Sem qualquer dúvida, a leitura desse livro eleva o estado de nossa consciência acerca da espiritualidade nos animais, nos permitindo melhorar as condutas perante essas criaturas de Deus que estão ainda percorrendo os estágios da infância espiritual.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO E O "HINO A ALLAN KARDEC"



JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO E O “HINO A ALLAN KARDEC”
Trabalho realizado em conjunto por Alex S. C. Guimarães, Geziel Andrade e Hélio Dias da Silva

Trabalho divulgado simultaneamente nos blogs:
www.alexscguimaraes.blogspot.com

www.gezielandrade-espiritismo.blogspot.com

O vídeo da execução da música executada pelo Coral foi postado, além desses blogs, também no Youtube: link:

http://www.youtube.com/watch?v=K2eU2dv1JvQ&feature=email

NOTA: Veja, no final deste artigo, o vídeo da execução do "Hino a Allan Kardec", pelo Coral da Mocidade Espírita de Mogi Mirim Alcides Hortêncio, com arranjo de Maria Angela Marchioro Finazzi, em outubro de 2004, em comemoração aos 200 anos do nascimento de Allan Kardec.

SOBRE JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO
Jerônimo Mendonça Ribeiro nasceu em Ituiutaba-MG, no dia 01 de novembro de 1939, na família simples de Altino Mendonça e Antonia Olímpia de Jesus.

Passou a ter uma atuação notável no Movimento Espírita, desde jovem, quando se tornou espírita, após ter conhecido os princípios do Espiritismo.

Mesmo suportando as complicações no estado de saúde, decorrentes de uma artrite reumatóide progressiva, a partir dos 18 anos de idade, que o obrigou a usar muletas, cadeira de rodas e ficar imobilizado numa cama ortopédica, não se sentiu impedido de se locomover e de trabalhar pelo ideal espírita.

Além disso, não se sentiu detido nem pela perda gradual da visão, que o deixou cego, e nem mesmo pelos crescentes problemas cardíacos.

Superando extremas limitações físicas e grandes dificuldades de todas as ordens, manteve sempre:
O bom ânimo, o bom humor, o riso e a alegria;
Jamais perdeu o gosto de conversar e de dar bons conselhos;
Continuou com afinco os seus estudos do Espiritismo;
Manteve a frequência assídua em reuniões espíritas;
Aceitou fazer palestras espíritas, mesmo tendo que viajar para cidades distantes;
Fundou Centros Espíritas e uma Creche;
E escreveu diversos livros.

Em função disso, foi apelidado por amigos e ficou conhecido como “O Gigante Deitado”.

Jerônimo Mendonça Ribeiro desencarnou na cidade em que nasceu, em 26 de novembro de 1989, deixando exemplos de vida e um legado importante para o Movimento Espírita.

Nesta oportunidade, estamos divulgando o artigo abaixo, que mostra o gosto que Jerônimo Mendonça Ribeiro tinha pela música “Hino a Allan Kardec”.

Em complemento a isso, estamos apresentando também a partitura dessa música, a letra da música e a execução da mesma pelo Coral da Mocidade Espírita de Mogi Mirim Alcides Hortêncio.

Esperamos, dessa forma, registrar o gosto que esse notável vulto do Espiritismo tinha pela música e pelo canto.

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HINO A ALLAN KARDEC: A MÚSICA QUE JERÔNIMO MENDONÇA RIBEIRO E AMIGOS GOSTAVAM DE CANTAR

Por HÉLIO DIAS DA SILVA

AS REUNIÕES ESPÍRITAS EM ITUIUTABA-MG
Nas reuniões espíritas que eram realizadas na casa do Bolivar Gomes Campos, na Avenida 13, esquina com a Rua 30, na cidade de Ituiutaba-MG, nos anos de 1958, 1959, 1960, 1961, participavam a Sra. Idalides e seu esposo Antonio Ribeiro, Sra. Aparecida e seu esposo Francisco, Sra. Lázara e sua filha Elza, Sra. Silas e seu marido Euclides, Srta. Leone Gonçalves, e outros companheiros como Jerônimo Tibúrcio Nogueira (Jeromão), o jovem Aramitan, Srta. Ruth Scobar, Jerônimo Mendonça Ribeiro, eu e alguns vizinhos cujos nomes no momento não consigo precisar.

Todas essas pessoas a quem me refiro fizerem parte, na época, das reuniões doutrinárias da União da Mocidade Espírita de Ituiutaba.

Esse grupo que se reunia na casa do Bolivar era muito unido e teve essa amizade construída nas reuniões da Mocidade Espírita de Ituiutaba.

As reuniões da Mocidade aconteciam aos domingos, às 09 horas da manhã, no Grupo Espírita Amor Fraterno, localizado na Av. 7, entre Ruas 16 e 18, cujo salão foi gentilmente cedido pelo seu presidente Gabriel da Rocha Galdino, um dos grandes mentores do Jerônimo Mendonça Ribeiro, na sua iniciação ao Espiritismo e pessoa de forte atuação no Movimento Espírita local.

O GOSTO PELA MÚSICA ESPÍRITA
Ninguém era músico, nem contávamos com a ajuda de qualquer instrumento musical.

A cantoria acontecia sempre após as reuniões espíritas do culto do Evangelho no lar, de maneira espontânea e natural.

Geralmente, quem puxava a cantoria eram, ora o Bolivar Gomes Campos, ora o Jerônimo Mendonça Ribeiro. Os dois eram os mais animados, os mais entusiastas e sempre puxavam a cantoria, enquanto os outros iam se juntando gradativamente.

Nem sempre as músicas eram espíritas. Outras composições como “Foi Deus Quem Fez Você” e “Chuá Chuá” eram cantadas quase todos os dias. Essas músicas não são espíritas, mas são bonitas e profundas, principalmente, “Foi Deus Quem Fez Você”. Desta música o Jerônimo Mendonça não participava, mas ouvia com muita atenção e respeito.

Eles tinham facilidade para iniciar a empolgação do grupo. Tinham voz mais afinada, cantavam melhor e mais bonito. As músicas espíritas “Alegria Cristã” e “Hino a Allan Kardec” ficavam muito bonitas quando havia a participação de todos.

Quando eles começavam a cantar, se juntavam todos naquele clima de alegria e verdadeira fraternidade.

As músicas que mais cantávamos eram realmente “Alegria Cristã” e o “Hino a Allan Kardec”.

OS LIVROS UTILIZADOS NAS REUNIÕES ESPÍRITAS
As reuniões espíritas na casa do Bolivar aconteciam todos os dias, às 18 horas. Nelas, o Jerônimo Mendonça tomava parte participando dos comentários, juntamente com o Bolivar e a Geni, sua esposa.

Outras pessoas presentes também participavam, manifestando opinião sobre o que entendiam do assunto tratado.

Os livros utilizados nas reuniões eram “O Evangelho Segundo O Espiritismo”, “O Livro dos Espíritos”, “Agenda Cristã” e outros de mensagens.

Esse hábito de oração foi cultivado pela família de Bolivar durante o tempo que morou em Ituiutaba.

A MUDANÇA DA FAMÍLIA DE BOLIVAR PARA GOIÂNIA
Quando mudei para Ituiutaba, em 1958, a família do Bolivar já morava nesse local, Av. 13, com a Rua 30, e lá permaneceu morando durante muitos anos.

O Bolivar era alfaiate e conhecido também como “Bolivar Alfaiate”.

Ele mudou para Goiânia em meados da década de 60, quando vendeu sua Alfaiataria e alguns imóveis que possuía em Ituiutaba.

A MUDANÇA NAS REUNIÕES ESPÍRITAS
Com essa mudança de Bolivar e sua família para Goiânia, houve mudança também em relação às reuniões espíritas que eram realizadas em sua casa.

Elas passaram a ser, semanalmente, em casas diferentes, de cada um dos membros da família, já que todas as irmãs da Geni, esposa do Bolivar, mudaram também para aquela capital, acompanhadas de seus maridos e filhos.

MINHA VISITA A GOIÂNIA
Quando estive em Goiânia, na casa do Bolivar, participei de uma de suas reuniões espíritas.

Foi uma emoção muito grande, porque revivia um sentimento e uma vibração que durante muitos anos foi o clima da nossa convivência na cidade de Ituiutaba.

Essa visita aconteceu em 1980, quando estive em Goiânia resolvendo assuntos profissionais.

Desculpe se não respondi a todas às indagações.
Um grande abraço!
Hélio Dias

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LETRA DO HINO A ALLAN KARDEC

Letra e Música de CECÍLIA AMARAL ABREU

PRIMEIRA VOZ:
Allan Kardec bom mestre,
Vimos teu nome exaltar.

SEGUNDA VOZ:
Allan Kardec bom mestre,
Vimos te exaltar.
PRIMEIRA VOZ:
Te imploramos numa prece
Proteção espiritual.

SEGUNDA VOZ:
Te imploramos numa prece
Proteção.

PRIMEIRA VOZ:
Batalhador da verdade,
Da seara do Senhor.

SEGUNDA VOZ:
Batalhador da verdade,
Da seara do Senhor.

PRIMEIRA VOZ:
Guia a pobre humanidade,
Pra paz, pro bem e o amor.

SEGUNDA VOZ:
Guia a pobre humanidade
Pra paz e o amor.

SEGUNDA PARTE DA MÚSICA
PRIMEIRA VOZ:
Glória, Glória Allan Kardec.
Sublime emblema de luz.

SEGUNDA VOZ: Glória, Glória,
Emblema de luz.

PRIMEIRA VOZ:
Glória, Glória Allan Kardec.
Que nossas almas conduz.

SEGUNDA VOZ:
Glória, Glória
Nossas almas conduz, conduz.

PRIMEIRA VOZ:
Salve, Salve Allan Kardec.
Mestre de exemplo e de amor.

SEGUNDA VOZ:
Salve, Salve Mestre de Amor.

PRIMEIRA VOZ:
Caminharemos seguindo
Teus passos até o Senhor.

SEGUNDA VOZ:
Caminharemos seguindo
Ao Senhor.

RETORNO AO INÍCIO DA MÚSICA
PRIMEIRA VOZ:
Kardec mestre altaneiro,
Exemplo de caridade.

SEGUNDA VOZ:
Mestre altaneiro,
Exemplo de caridade.

PRIMEIRA VOZ:
És o fiel timoneiro,
Da nossa felicidade.

SEGUNDA VOZ:
És timoneiro
Da nossa felicidade.

PRIMEIRA VOZ:
Caminharemos contentes,
Sempre firmes, sem temor.

SEGUNDA VOZ:
Caminharemos contentes,
Sem temor.

PRIMEIRA VOZ:
E um dia alcançaremos
As moradas do Senhor.

SEGUNDA VOZ:
Alcançaremos as moradas
Do Senhor.

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A EXECUÇÃO DO “HINO A ALLAN KARDEC”,
PELO CORAL DA MOCIDADE ESPÍRITA DE
MOGI MIRIM ALCIDES HORTÊNCIO,
OCORREU EM OUTUBRO DE 2004,
EM COMEMORAÇÃO AOS 200 ANOS DO
NASCIMENTO DE ALLAN KARDEC.

O ARRANJO É DE MARIA ANGELA MARCHIORO FINAZZI.

video

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

EDUCAÇÃO PARA O BOM APROVEITAMENTO DO TEMPO














EDUCAÇÃO PARA O BOM APROVEITAMENTO DO TEMPO

Geziel Andrade

Já temos o bom hábito de avaliar, todo momento, nosso passado, presente e futuro; nosso ontem, hoje e amanhã; nosso antes, agora e depois; nosso pretérito, momento atual e porvir.

Mas, com a educação espírita, fazemos isso conscientes de que somos Espíritos imortais e perfectíveis, criados por Deus em um determinado momento do tempo infinito.

Desde então, estamos:
• Sujeitos à sucessão de acontecimentos, que nos propiciam conhecimento, experiência e desenvolvimento das faculdades;
• Submetidos à Lei de Causa e Efeito, que dá a cada um de nós de acordo com as nossas obras;
• E vinculados à Lei do Progresso incessante, que tudo modifica, transforma e aperfeiçoa.

Pelos Desígnios e pelas Vontades e Leis de Deus, como Filhos, estamos sempre caminhando para a perfeição intelectual, moral e espiritual, ora como homens em um mundo material, ora como Espíritos na vida espiritual, que é a verdadeira.

Assim, temos um passado longínquo e estamos vivendo o momento presente para chegar ao futuro glorioso estabelecido por Deus.

O próprio planeta Terra, que ora nos serve de habitação e escola, quando não de hospital, cumpre a sua escalada evolutiva no decorrer do tempo.

ONTEM: Mundo primitivo.
HOJE: Mundo de provas e expiações.
AMANHÃ: Mundo feliz.

Nas inúmeras reencarnações, na Terra ou em outros mundos habitados, contamos com o tempo, que é sempre a concessão divina valiosa que nos permite:
• Desenvolver as faculdades e as potencias da alma;
• Conquistar conhecimentos, experiências e habilidades;
• E aproximarmo-nos da perfeição espiritual, que atingiremos um dia, conforme determinação do Criador de todas as coisas.

ONTEM, passamos a infância espiritual na animalidade, governados pelos instintos, pelas necessidades materiais e pelos mecanismos automáticos das Leis de Deus, vencendo as primeiras etapas evolutivas, sem a consciência do destino venturoso que nos aguarda.

HOJE, na juventude espiritual:
• Trazemos no subconsciente as vivências e as conquistas intelectuais, morais e espirituais do passado;
• Exteriorizamos o que fizemos ontem de nós mesmos;
• Dilatamos a consciência acerca de Deus, de quem somos Filhos e do futuro grandioso que nos espera;
• Enfrentamos novas provas difíceis e cumprimos missões complexas visando o aprimoramento do mundo íntimo e a conquista de sempre melhores condições de vida;
• Empreendemos esforços para vencer principalmente as imperfeições morais e conquistar a sabedoria e o amor;
• Valorizamos os tesouros espirituais e a bagagem evolutiva, que vamos tornando repleta de virtudes e boas tendências;
• Atuamos no campo do bem e realizamos as boas atitudes, ações e obras para criar o futuro melhor;
• Percorremos de aprendizado em aprendizado, de qualidade nobre em qualidade nobre, de aprimoramento em aprimoramento, de conquista em conquista, de trabalho em trabalho visando a construção de um amanhã mais venturoso;
• Reunimos conhecimentos novos e conquistas imperecíveis para atingir o porvir feliz;
• Aproveitamos o tempo na edificação de um futuro mais saudável, alegre e feliz, pelo bom uso das faculdades da alma e pela semeadura do bem que garante a boa colheita do amanhã.

BEM MAIS À FRENTE, já amadurecidos e evoluídos em termos intelectuais e morais, na Espiritualidade Superior ou Angelitude, cumpriremos as tarefas reservadas por Deus para os Espíritos que já cumpriram a longa jornada evolutiva, desfrutando das bem-aventuranças.

LIÇÕES DE ALLAN KARDEC

Allan Kardec nos ensinou o seguinte a respeito do passado, do presente e do futuro:

“A vida terrena não passa de um ponto no longo percurso da alma, que é o ser pensante e essencial. Ela possui uma existência que remonta a um passado longínquo e que se estende indefinidamente pelo futuro. A vida presente é uma necessidade para a alma realizar no mundo material as funções que lhe são designadas pela Providência e buscar o desenvolvimento de sua inteligência e o seu adiantamento moral e espiritual.” (“Revista Espírita”, de julho de 1862.)

“Cada existência corpórea representa para o Espírito uma ocasião de progredir, de obter um acréscimo de experiência e de instrução, se souber se conduzir bem.” (Questão 191 de “O Livro dos Espíritos”.)

LIÇÕES DOS BONS ESPÍRITOS

Aqui no Brasil, os bons Espíritos nos enviaram, através de diferentes médiuns, as seguintes lições acerca do bom aproveitamento que devemos fazer hoje do tempo:

“Ontem, retaguarda. Hoje, oportunidade adequada a corrigir falhas havidas e executar o serviço à frente. Amanhã, o porvir.” (Emmanuel/F.C. Xavier, no Cap. 67 do “Livro da Esperança”.)

“Agora é o momento decisivo para fazer o bem. A boa semente plantada agora é garantia da produção valiosa no porvir.” (Emmanuel/F.C.Xavier, no Cap. 119 do livro “Fonte Viva”.)

“O ontem ter-nos-á trazido a luz da experiência. O amanhã decerto que nos sugere luminosa esperança. A melhor oportunidade, entretanto, não se chama ontem, nem amanhã. Chama-se hoje. Hoje é o dia.” (Emmanuel/F.C.Xavier, no Cap. 1 do livro “Estude e Viva”.)

“O passado passou, não se muda. É preciso construir o presente e o futuro”. (Espírito Patrícia, no livro “Vivendo no Mundo dos Espíritos”, psicografia de Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho.)

“Será o amanhã, segundo idealizamos hoje, tanto quanto hoje é o reflexo de ontem. Por isso, devemos centralizar as energias na direção dos objetivos que nos propomos alcançar.” (Espírito Ismael Souto, na mensagem “Tudo é Atração”, psicografia de F.C.Xavier.)

“Não basta o contentamento de apenas hoje. É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.” (André Luiz/ Waldo Vieira, no Cap. 2 do livro “Estude e Viva.)

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA LEVANDO-NOS HOJE AO INDISPENSÁVEL BOM APROVEITAMENTO DO TEMPO

Em decorrência das lições acima sobre o bom aproveitamento do tempo, a educação espírita conscientiza-nos acerca do grandioso contexto em que estamos inseridos na condição de Espíritos imortais, criados por Deus.

Além disso, educa-nos eficientemente para fazermos hoje o bom aproveitamento do tempo que antecipa o nosso amanhã feliz.

Para tanto, educa-nos para:
• O bom uso da vontade e do livre-arbítrio, colocando a nosso favor os mecanismos das Leis do Progresso e de Causa e Efeito;
• A realização das boas obras que garantem o nosso crescimento intelectual, moral e espiritual e a consequente vitória na vida;
• A acumulação dos recursos pessoais que edificam um futuro radiante com as próprias boas ações;
• A semeadura das boas sementes no campo fértil do relacionamento e da convivência com os semelhantes para colhermos os bons frutos agora e no porvir;
• O emprego dos minutos e das horas na conquista das virtudes que ficam permanentemente na alma gerando o bem-estar e a felicidade;
• O cumprimento das obrigações e dos deveres morais, para que a consciência esteja em harmonia com as Leis de Deus e não tenhamos que gastar tempo em expiações e reparações dolorosas;
• O aproveitamento das oportunidades que o trabalho e o estudo nos oferecem para o progresso e a construção do porvir próspero e venturoso que Deus destinou para nós.

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NOTA: ARTIGOS ANTERIORES DESTA SÉRIE SOBRE A EDUCAÇÃO ESPÍRITA PUBLICADOS NESTE MESMO BLOG EM:

26/out/2008 = Educação para a Fraternidade.

12/dez/2008 = Educação para o Trabalho.

11/jun/2009 = Educação para Ser Útil.

01/out/2009 = Duas Asas da Educação Espírita.

04/jan/2010 = Roteiro para a Educação da Alma.

26/maio/2010 = Educação da Vontade.

05/nov/2010 = Educação para a Paz.

20/maio/2011 = Educação para Lidar com os Cascalhos.

12/set/2011 = Educação para o Desperdício Zero.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

JESUS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO















JESUS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO

Geziel Andrade

Allan Kardec registrou em suas obras, principalmente em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, lições importantes a respeito de Jesus e de seus ensinamentos religiosos, morais e espirituais.

Com isso, caracterizou o Espiritismo como uma doutrina essencialmente cristã.

Na compilação a seguir apresentada reunimos as principais lições de Allan Kardec a respeito de Jesus. Essas lições falam por si, dispensando comentários adicionais.

1 – JESUS É PARA O HOMEM MODELO DE PERFEIÇÃO MORAL E SUA DOUTRINA É A MAIS PURA EXPRESSÃO DA LEI DE DEUS:
“Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de Sua Lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra.” (O Livro dos Espíritos, questão 625.)

2 – JESUS VEIO CUMPRIR A LEI DE DEUS:
“Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe seu verdadeiro sentido e adequá-la ao grau de adiantamento do homem. É por isso que se encontra nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que é a base de sua doutrina.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. I.)

3 – JESUS, EM SUA MISSÃO DIVINA, VEIO CUMPRIR PROFECIAS E ENSINAR AOS HOMENS AS COISAS DO REINO DOS CÉUS:
“Jesus veio cumprir os profetas que tinham anunciado sua vinda. Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e de sua missão divina. Veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a da Terra, mas a do reino dos céus; ensinar-lhes o caminho que para lá conduz, os meios de se reconciliar com Deus, e preveni-los sobre o andamento das coisas que virão, para que se cumpram os destinos humanos.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. I.)

4 – JESUS PROMETEU AOS POBRES DE ESPÍRITO O REINO DOS CÉUS:
“Por pobres de espírito, Jesus não entende os homens desprovidos de inteligência, mas os humildes; ele diz que o reino dos céus é deles, e não dos orgulhosos.”

“Dizendo que o reino dos céus é dos simples, Jesus entende que ninguém nele é admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acredita mais em si mesmo que em Deus. Em todo caso, ele coloca a humildade na classe de virtudes que nos aproximam de Deus, e o orgulho entre os vícios que dele nos afastam. Isto por uma razão muito natural, a de que a humildade é um ato de submissão a Deus, enquanto o orgulho é uma revolta contra ele. Mais vale, portanto, para a felicidade futura do homem, ser pobre em espírito, no sentido do mundo, e rico em qualidades morais.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. VII.)

5 – JESUS ENSINOU A PRÁTICA DO PERDÃO ILIMITADO:
“Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que se perdoe a seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete.”

“Mas há duas maneiras bem diferentes de perdoar. Uma grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem segunda intenção, que delicadamente poupa o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, mesmo sendo ele quem está de todo errado. A segunda, pela qual o ofendido, ou aquele que julga sê-lo, impõe ao outro condições humilhantes, e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita em vez de acalmar.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. X.)

6 – A DOUTRINA MORAL DE JESUS SE RESUME NA PRÁTICA DA CARIDADE E DA HUMILDADE:
“Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna.”

“Se Jesus coloca a caridade no primeiro lugar entre as virtudes, é por ela conter implicitamente todas as outras: a humildade, a doçura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc. E também porque ela é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo.”

“Caridade e humildade, este é, portanto, o único caminho da salvação. Egoísmo e orgulho, este é o da perdição.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XV.)

7 – JESUS COLOCA A PERFEIÇÃO NA PRÁTICA DO AMOR, ATRAVÉS DA CARIDADE:
“Em que consiste a perfeição? Jesus o disse: “Amar a nossos inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam, rezar pelos que nos perseguem”. Mostra, com isso, que a essência da perfeição é a caridade em sua mais ampla acepção, porque ela implica a prática de todas as outras virtudes.”

“O amor ao próximo –aquele que chega ao ponto de amar aos inimigos-, não podendo aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, sempre é, por isso mesmo, o indício de uma maior ou menor superioridade moral. Do que resulta que o grau de perfeição está em razão da extensão desse amor. É por isso que Jesus, depois de ter dado a seus discípulos as regras da caridade, no que ela tem de mais sublime, disse-lhes: “Sede, pois, perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito”.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVII.)

8 – AS PALAVRAS DE JESUS SÃO VERDADEIRAS E ETERNAS:
“As palavras de Jesus são eternas, porque são a verdade. Elas não são apenas o salvo-conduto à vida celeste, mas também a garantia de paz, de tranquilidade e de estabilidade nas coisas da vida terrestre. É por isso que todas as instituições humanas –políticas, sociais e religiosas- que se apoiarem em suas palavras serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens irão conservá-las, porque encontrarão nelas sua felicidade.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, cap. XVIII.)

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NOTA: Os artigos anteriores desta série, publicados neste blog, foram os seguintes:

03/maio/2010 = DEUS: Lições de Allan Kardec a respeito.

04/janeiro/2011: O HOMEM: Lições de Allan Kardec a respeito.

05/agosto/2011: O ESPIRITISMO: Lições de Allan Kardec a respeito.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO", CAP. VI: O CRISTO CONSOLADOR
















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO VI: O CRISTO CONSOLADOR

Geziel Andrade

“Vinde a mim todos vós que sois aflitos e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós, e aprendei comigo que sou dócil e humilde de coração, e encontrareis o descanso de vossas almas; pois meu jugo é suave e meu fardo é leve.” (Mateus, cap. XI, v. 28 a 30.)

Jesus ensinou-nos que os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas e perdas de entes queridos encontram consolação na fé no porvir e na confiança na justiça de Deus.

Aquele que nada espera após a existência na vida material ou que simplesmente duvida da continuidade da vida da alma no mundo espiritual sente o peso das aflições e não dispõe da esperança para amenizar a amargura.

Por isso, Jesus disse: “Vinde a mim todos vós que estais fatigados, e eu vos aliviarei.”

Todavia, Jesus impõe uma condição para que os aflitos mereçam a sua assistência e desfrutem da felicidade: o cumprimento da lei de amor e caridade que ensinou.

CONSOLADOR PROMETIDO

Jesus prometeu: “Se vós me amais, guardai meus mandamentos, e eu rogarei a meu Pai, e Ele vos enviará um outro consolador, a fim de que permaneça eternamente convosco: O Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e não o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele permanecerá convosco e estará em vós. E o consolador, que é o Espírito Santo que meu Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas, e vos fará relembrar tudo o que eu vos disse”. (João, cap. XIV, v. 15, 16, 17, 26.)

Jesus sabia que os homens não estavam ainda maduros para conhecer o Espírito de Verdade que o Pai lhes enviaria para ensinar todas as coisas e para relembrar as suas palavras.

Se Ele prometeu a vinda do Espírito de Verdade para ensinar todas as coisas é porque não havia ensinado tudo e porque sabia que o que ensinou seria esquecido ou mal compreendido.

O Espiritismo veio no tempo certo cumprir essa promessa de Jesus.

O Espírito de Verdade presidiu o seu estabelecimento, chamando os homens à observação da lei de Deus; ensinando todas as coisas; e levando os homens à compreensão do que o Cristo disse por parábolas.

Quanto às palavras de Jesus: “Que ouçam os que têm ouvidos para ouvir”, o Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, pois ensina sem recorrer a sentido figurado e sem usar alegorias.

O Espiritismo levanta o véu deixado de propósito por Jesus sobre certos mistérios.

Além disso, traz a suprema consolação aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, ao revelar uma causa justa e um objetivo útil a todas as dores, cumprindo a promessa do Cristo: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”.

O Espiritismo mostra que a causa do sofrimento está nas existências corporais anteriores da alma e que a Terra serve de local para o homem expiar o seu passado.

O Espiritismo revela ainda que os sofrimentos são crises salutares que promovem a cura e a depuração da alma, assegurando a felicidade nas suas futuras existências.

Então, o homem compreende porque merece sofrer e acha justo seu sofrimento; sabe que o sofrimento ajuda em seu progresso intelectual, moral e espiritual, à semelhança do operário que aceita o trabalho duro que lhe garante o salário.

Dessa forma, o Espiritismo dá ao homem uma fé inabalável no futuro, extinguindo de sua alma a dúvida pungente; leva-o a ver as coisas terrenas e espirituais de um ponto elevado; reduz a importância que dá às vicissitudes terrenas, ante o vasto e esplêndido horizonte criado por Deus; e abre-lhe a perspectiva da felicidade no porvir, fortalecendo a paciência, a resignação e a coragem de chegar ao fim do caminho terreno.

Portanto, o Espiritismo realiza o que Jesus disse a respeito do consolador prometido: leva o homem ao conhecimento de todas as coisas; a saber de onde vem, aonde vai e porque está na Terra; a cumprir os princípios da lei de Deus; e a ter consolação pela fé e a esperança.

TRANSCRIÇÃO NA ÍNTEGRA DAS INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: ADVENTO DO ESPÍRITO DE VERDADE
Venho, como outrora dentre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora minha palavra, deve relembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar a planta e eleva as ondas. Revelei a doutrina divina; e, como um ceifeiro, atei em feixes o bem disperso pela humanidade, e disse: Vinde a mim todos vós que sofreis!

Mas os homens ingratos desviaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai, e desgarraram-se pelos ásperos atalhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana. Quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos pela carne, pois a morte não existe, socorrei-vos. E que não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a voz dos que não estão mais aqui, se faça ouvir, para clamar-vos: Orai e acreditai! A morte é a ressurreição, e a vida é a prova escolhida, durante a qual vossas virtudes cultivadas devem crescer e desenvolver-se como o cedro.

Homens fracos, que estais limitados às trevas de vossas inteligências, não afasteis a chama que a clemência divina coloca em vossas mãos para iluminar vosso caminho e para conduzir-vos, filhos perdidos, ao seio de vosso Pai.

Sinto compaixão por vossas misérias e vossa imensa fraqueza em não estender uma mão segura aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. Acreditai, amai, meditai as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio ao bom grão, as utopias às verdades.

Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades são encontradas no Cristianismo; os erros que nele criaram raiz são de origem humana. E eis que, além do túmulo, em que acreditáveis o nada, vozes vêm clamar-vos: Irmãos!, nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade! (Espírito de Verdade, Paris, 1860.)

Venho ensinar e consolar os pobres deserdados; venho dizer-lhes que elevem sua resignação ao nível de suas provas; que chorem, pois a dor foi consagrada no Jardim das Oliveiras; mas que esperem, pois os anjos consoladores virão secar suas lágrimas.

Operários, riscai vosso sulco; recomeçai no dia seguinte a rude jornada da véspera; o labor de vossas mãos fornece o pão terrestre a vossos corpos, mas vossas almas não estão esquecidas; e eu, o divino jardineiro, cultivo-as no silêncio de vossos pensamentos. Quando a hora do descanso tiver soado, quando o arado escorregar de vossas mãos e vossos olhos se fecharem à luz, sentireis brotar e germinar em vós minha preciosa semente. Nada é perdido no reino de nosso Pai. Vossos suores e vossas misérias formam o tesouro que deve tornar-vos ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas, e onde o mais desprovido de todos vós será, talvez, o mais resplandecente.

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem seus irmãos são meus bem-amados. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e que vos ensina o objetivo sublime da prova humana. Como o vento varre a poeira, que o sopro dos Espíritos dissipe vossas invejas contra os ricos do mundo, que por vezes são bastante miseráveis, porque suas provas são mais perigosas que as vossas. Eu estou convosco, e meu apóstolo vos ensina. Bebei na fonte vida de amor, e preparai-vos, cativos da vida, para um dia lançar-vos, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfeitos, e que quer que modeleis vossa maleável argila, a fim de vós mesmos serdes os artesãos de vossa imortalidade. (Espírito de Verdade, Paris, 1861.)

Sou o grande médico das almas, e venho trazer-vos o remédio que deve curá-las; os fracos, os sofredores e os enfermos são meus filhos prediletos, e eu venho salvá-los. Vinde a mim, pois, todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados, e sereis aliviados e consolados. Não procureis alhures a força e a consolação, pois o mundo é impotente para dá-las. Deus, através do Espiritismo, faz um apelo supremo a vossos corações; escutai-o. Que a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade, sejam extirpados de vossas almas doloridas, pois são monstros que matam a sede em vosso sangue mais puro, e que quase sempre vos ferem mortalmente. Que no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis sua lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor. Invocai-O do fundo do coração, e então Ele vos enviará seu Filho bem-amado, para instruir-vos e dizer essas boas palavras: Eis-me aqui; eu venho a vós porque me chamastes. (Espírito de Verdade. Bordeaux, 1861.)

Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que a pedem. Seu poder cobre a Terra, e em toda parte, ao lado de uma lágrima ele colocou um bálsamo que consola. O devotamento e a abnegação são uma prece contínua, e encerram um ensinamento profundo; a sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam os Espíritos sofredores compreender essa verdade em lugar de protestar contra as dores e os sofrimentos morais que aqui são vosso quinhão. Tomai, pois, por divisa, estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido dar-vos-á o descanso ao espírito e a resignação. O coração bate melhor, a alma se acalma e o corpo não mais fraqueja, pois mais ele sofre quanto mais profundamente é atingido o espírito. (Espírito de Verdade. Le Havre, 1863.)

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

O Espírito de Verdade manifestou-se, pela primeira vez, a Allan Kardec, em uma reunião espírita realizada na casa do senhor Baudin, no final do mês de março de 1856, quando já trabalhava na codificação do Espiritismo. Então, comprometeu-se a protegê-lo e a ajudá-lo nos trabalhos em andamento.

Porém, logo, Allan Kardec constatou que era sua a responsabilidade de cumprir a tarefa assumida, pois não tinha esse Espírito ao seu inteiro dispor, nem podia recorrer ao seu auxílio por qualquer motivo ou dificuldade encontrada.

A respeito do Espírito de Verdade, Allan Kardec escreveu o seguinte:
“A proteção desse Espírito, cuja superioridade eu então estava longe de imaginar, jamais, de fato, me faltou.”
“A sua solicitude e a dos bons Espíritos, que agiam sob suas ordens, se manifestou em todas as circunstâncias da minha vida, quer a me remover dificuldades materiais, quer a me facilitar a execução dos meus trabalhos, quer, enfim, a me preservar dos efeitos da malignidade dos meus antagonistas, que foram sempre reduzidos à impotência.”
“Se as tribulações inerentes à missão que me cumpria desempenhar não me puderam ser evitadas, foram sempre suavizadas e largamente compensadas por muitas satisfações morais gratíssimas.” (“Obras Póstumas”, Segunda Parte.)

Dessa forma, sob a orientação sábia e amorosa e a proteção ativa do Espírito de Verdade, que comandava uma equipe de Espíritos superiores, Allan Kardec codificou o Espiritismo, permitindo-nos compreender que Deus está, realmente, como nos havia ensinado Jesus, acima de todas as coisas, por ser o criador dos Espíritos, que estão submetidos às Suas vontades e leis; e da matéria primitiva, que forma o Universo, dividido em universo espiritual e universo material.

A complexidade dessa Obra da Criação, decorrente da evolução dos Espíritos e transformação da matéria elementar primitiva, permitindo a formação de tudo o que existe de material, revela-nos claramente a existência e a grandiosidade dos Atributos de Deus.

Ainda, com a publicação de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, o Espiritismo permitiu-nos compreender o grande valor das máximas morais da Doutrina de Jesus, para a sua aplicação no dia a dia; obter explicação e complementação para os ensinos do Cristo, notadamente os dados com sentido figurado e de forma alegórica; conhecer as bem-aventuranças que existem no reino dos céus para as almas que suportam bem as atribulações da vida terrena, conseguindo o desenvolvimento das faculdades, a conquista de experiências e a promoção do progresso intelectual, moral e espiritual; descobrir o destino venturoso estabelecido por Deus para todos os Seus filhos, graças a lei da reencarnação e a existência de muitas moradas na casa do Pai; e, principalmente, observar e aplicar no cotidiano as regras da moral cristã, melhorando as relações sociais e construindo a felicidade na vida presente e na continuidade da existência na vida espiritual.
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DATAS DA PUBLICAÇÃO NESTE MESMO BLOG DOS ARTIGOS CONTENDO AS PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”:
• 27/fev/2009 = Prefácio e Introdução.
• 12/maio/2009 = Cap. I: Não vim destruir a Lei.
• 01/set/2009 = Cap. II: Meu reino não é deste mundo.
• 01/abril/2010 = Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai.
• 04/ago/2010 = Cap. IV: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.
• 28/junho/2011 = Cap. V: Bem-aventurados os aflitos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"O LIVRO DOS MÉDIUNS", PARTE 2, CAP II: MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES



















IMAGENS: MÉDIUNS FAMOSOS DE MANIFESTAÇÕES FÍSICAS DE ESPÍRITOS: Daniel Dunglas Home (Escócia); Eusápia Paladino (Itália); Carmine ou Carlos Mirabelli (Brasil); e Peixotinho (Brasil).

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE: DAS MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS, CAPÍTULO II: MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES

Geziel Andrade

As manifestações físicas dos Espíritos ocorrem através dos ruídos, movimento e deslocamento de corpos sólidos.

Algumas dessas manifestações físicas ocorrem espontaneamente, sem a vontade humana. Outras podem ser provocadas.

O movimento circular de uma mesa foi o primeiro tipo desse fenômeno a ser observado e provocado, tendo merecido a designação de mesas girantes.

Porém, todos os gêneros de manifestações dos Espíritos já eram conhecidos há muito tempo. São efeitos naturais porque se produziram em todas as épocas.

Os fenômenos das mesas girantes serviram para o entretenimento de pessoas frívolas, mas também chamaram a atenção de pessoas sérias e observadoras, que passaram a se preocupar com as consequências muito importantes que delas resultaram.

As mesas girantes foram o ponto de partida da Doutrina Espírita.

A produção do fenômeno das mesas girantes exigia a participação de uma ou de muitas pessoas dotadas de aptidão especial e designadas pelo nome de médiuns.

Os médiuns gozam de maior ou menor poder na produção dos fenômenos espíritas, pois produzem efeitos mais ou menos pronunciados.

Um médium possante pode produzir muito mais do que vinte outros reunidos.

Basta um médium possante colocar a sua mão sobre uma mesa para que ela, no mesmo instante, se movimente, se eleve, revire, salte ou gire com violência.

Não há nenhum indício da posse da faculdade mediúnica numa pessoa. Somente a experiência pode revelá-la.

Nas reuniões de experiências com as mesas girantes, bastava a pessoa se sentar em torno de uma mesa e colocar as suas mãos espalmadas sobre ela, sem pressão, nem contensão muscular, nem alternância dos sexos, nem contato de pessoas para forma uma espécie de cadeia ou de corrente ininterrupta. Também eram indiferentes a forma e o material da mesa, a presença de metais, as vestes dos assistentes, o dia e a hora, a obscuridade, a chuva, etc.

A única precaução realmente obrigatória é a do recolhimento, do silêncio absoluto e, sobretudo, a paciência quando o efeito demora. Pode acontecer que ele se produza em alguns minutos; mas pode demorar mais de meia hora. Isso depende da capacidade mediúnica dos participantes na reunião.

O peso da mesa pode ter alguma importância, quando a potência mediúnica não é suficiente para movê-la.

Quando existe a potência mediúnica, basta uma pessoa, até mesmo uma criança, para erguer uma mesa de cem quilos.

Quando não existe a potência mediúnica, nem mesmo doze pessoas reunidas conseguem mover uma mesinha de centro.

Quando o fenômeno começa a produzir-se é muito freqüente ouvir-se um pequeno estalo na mesa; sente-se um estremecimento como prelúdio de movimento. Parece que a mesa luta para se desamarrar. Depois tem início o movimento de rotação da mesa, que adquire uma aceleração que os assistentes se vêem em apuros para segui-lo.

Desencadeado o movimento, a mesa pode ser deixada livre que continua a mover-se em várias direções, sem o contato humano.

Algumas vezes, a mesa se ergue e se firma, ora num pé, ora noutro, e depois retoma suavemente sua posição natural.

Outras vezes, a mesa se balança para a frente e para trás e de um lado para outro, imitando o balanço de um navio.

Outras vezes, quando existe considerável potência mediúnica, a mesa se levanta inteiramente do soalho e se mantém em equilíbrio no espaço, sem qualquer apoio, chegando mesmo, em certas ocasiões, até o forro, de maneira que se pode passar por baixo dela.

Depois, a mesa desce lentamente, balançando-se no ar como uma folha de papel, ou cai violentamente e se quebra.

Isso prova, de maneira evidente, que não houve uma ilusão de ótica.

Outro fenômeno físico que se produz com muita frequência, conforme a potência mediúnica do médium, é o das pancadas no cerne da madeira, no seu interior, sem provocar qualquer movimento da mesa.

Esses golpes na madeira, às vezes, são bem fracos; mas, às vezes, são muito fortes, e estendem-se a outros móveis do aposento, às portas, às paredes e ao forro.

Quando os golpes se produzem na mesa, provocam uma vibração muito perceptível pelos dedos e pelo ouvido aplicado contra a mesa.

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LEITURA COMPLEMENTAR: PALAVRAS DE ALLAN KARDEC SOBRE DANIEL DOUGLAS HOME, PODEROSO MÉDIUM DE MANIFESTAÇÕES FÍSICAS DOS ESPÍRITOS

Allan Kardec, na “Revista Espírita” dos meses de fevereiro, março e abril de 1858, escreveu os seguintes parágrafos a respeito das manifestações físicas dos Espíritos que eram produzidas pelo famoso médium Daniel Dunglas Home:

“Vindo à França, o Sr. Home não se dirigiu ao público: ele nem gosta nem procura a publicidade. Se tivesse vindo com propósito de especulação, teria corrido o país, servindo-se da propaganda; teria procurado todas as oportunidades para manifestar-se, e no entanto, ele as evita; teria estabelecido um preço às suas manifestações, ao passo que nada pede a ninguém.”

“A França, ainda em dúvida no que concerne às manifestações espíritas, precisava que lhe fosse desferido um grande golpe; foi o Sr. Home quem teve esta missão e, quanto mais alto foi o golpe, maior foi a sua repercussão. A posição, o crédito, as luzes dos que o acolheram e que se convenceram pela evidência dos fatos, abalaram as convicções de muita gente, mesmo entre as pessoas que foram testemunhas oculares. Terá, pois, sido a presença do Sr. Home um poderoso auxiliar na propagação das idéias espíritas; se não convenceu a todo mundo, lançou sementes que frutificarão tanto mais quanto mais se multiplicarem os médiuns.”

“O Sr. Daniel Dunglas Home nasceu a 15 de março de 1833, perto de Edimburgo. Tem, pois, atualmente 24 anos. Descende da antiga e nobre família dos Dunglas da Escócia, outrora soberana. É um moço de estatura mediana, louro e cuja fisionomia melancólica nada tem de excêntrica; é de compleição muito delicada, de costumes simples e meigos, de caráter afável e benevolente, sobre o qual o contato das grandezas nem lançou arrogância nem ostentação. Dotado de excessiva modéstia, jamais faz praça de sua maravilhosa faculdade, jamais fala de si mesmo e se, numa expansão de intimidade, conta casos pessoais, o faz com simplicidade e jamais com a ênfase própria das criaturas com as quais a malevolência procura compará-lo. Muitos fatos íntimos, de nosso conhecimento pessoal, provam seus sentimentos nobres e a elevação de sua alma; nós o constatamos com tanto maior prazer quanto mais se conhece a influência das disposições morais sobre a natureza das manifestações.”

“Como o nosso fim é o estudo sério de tudo quanto se liga à Ciência espírita, fechar-nos-emos na estrita realidade dos fatos constatados por nós mesmos ou por testemunhas oculares dignas de fé. Podemos, pois, comentá-los com a certeza de que não estamos raciocinando sobre coisas fantásticas.”

“O Sr. Home é um médium do gênero dos que produzem manifestações ostensivas, sem excluir por isto as comunicações inteligentes; mas as suas predisposições naturais lhe dão para as primeiras uma aptidão toda especial. Sob sua influência ouvem-se os mais estranhos ruídos, o ar se agita, os corpos sólidos se movem, levantam-se, transportam-se de um lado a outro, através do espaço, instrumentos de música produzem sons melodiosos, aparecem seres do mundo extra-corpóreo, falam, escrevem e por vezes não abraçam até produzir dor. Muitas vezes ele próprio é visto, em presença de testemunhas oculares, elevado a vários metros de altura, sem qualquer sustentáculo.”

“Geralmente o Sr. Home inicia suas sessões pelos fatos conhecidos: pancadas numa mesa, ou em qualquer outra parte do apartamento, pela maneira por que já o descrevemos. Vem a seguir o movimento da mesa, que se opera, a princípio pela imposição de mãos, dele só ou de várias pessoas reunidas, depois à distância e sem contato: é uma espécie de ensaio. (...) Muitas vezes, após várias oscilações e balanços, a mesa de destaca do solo e eleva-se gradativamente, lentamente, por pequenos impulsos, não apenas alguns centímetros, mas até o teto e fora do alcance das mãos; depois de haver ficado suspensa no espaço durante alguns segundos, desce como havia subido, lentamente, gradativamente.”

“A suspensão de um corpo animado não ocorreu só em Paris, mas em vários lugares, tanto em Florença quanto na França, principalmente em Bordéus, em presença das mais respeitáveis testemunhas. Como a mesa, ele foi elevado até o teto e desceu do mesmo modo.”

“De todas as manifestações produzidas pelo Sr. Home, a mais extraordinária é, sem dúvida, a das aparições, razão por que nelas mais insistimos, à vista das graves consequências daí decorrentes e da luz que elas lançam sobre uma porção de outros fatos. O mesmo se dá com os sons produzidos no ar, instrumentos de música que tocam sozinhos, etc.”

“Um outro gênero de manifestações não menos notável, é o dos instrumentos de música que tocam sozinhos. Em geral são pianos ou acordeons. Em tais circunstâncias vêem-se distintamente as teclas se moverem, bem como o fole. A mão que toca ora é visível ora invisível. A ária que se ouve pode ser conhecida e tocada a pedido. Se o artista invisível é deixado à vontade, produz acordes harmoniosos, cujo efeito lembra a vaga e suave melodia da harpa eólica.”

“Em casa de um de nossos assinantes, onde tais fenômenos se produziram muitas vezes, o Espírito que assim se manifestava era o de um moço falecido há algum tempo, amigo da família e que, quando vivo, revelava notável talento musical. A natureza das árias que preferia tocar não deixava a menor dúvida quanto à sua identidade para todos aqueles que o haviam conhecido.”

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NOTA DO AUTOR DESTE ARTIGO
Na Itália, a notável médium Eusápia Paladino participou, em 1892, em diversas sessões de manifestações físicas de Espíritos, para estudos e pesquisas de César Lombroso, Aksakof, Richet, Giorgio Finzi, Ermacora, Broffério, Gerosa, Schiaparelli e Du-Prel, com resultados surpreendentes, que foram registrados por Lombroso no livro “Hipnotismo e Espiritismo”, de edição LAKE.

No Brasil, tivemos dois médiuns extraordinários de manifestações físicas de Espíritos:

Carmine Mirabelli, natural da cidade de Botucatu-SP, com suas realizações documentadas no livro “Mirabelli, Um Médium Extraordinário”, de autoria do pesquisador e escritor Lamartine Palhano Júnior, e de edição CELD;

e Francisco Lins Peixoto ou “Peixotinho”, cujas realizações foram documentadas no livro “Materializações Luminosas” de Rafael A. Ranieri, de edição LAKE, e no livro “Dossiê Peixotinho: Uma Biografia do Mais Famoso Médium de Materializações no Brasil”, de autoria de Lamartine Palhano Júnior e Walace Fernando Neves, de edição Lachâtre.

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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
O interesse de Allan Kardec em estudar profunda e seriamente as manifestações dos Espíritos surgiu numa reunião espírita, em maio de 1855, na casa da senhora Plainemaison, onde eram provocados os fenômenos das mesas girantes.
Sobre essa reunião espírita, Allan Kardec escreveu:

“Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas idéias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.”

Depois disso, Allan Kardec passou a frequentar diversas outras reuniões espíritas, tendo entrado em contato com muitos médiuns que se dedicavam às comunicações com os habitantes do mundo espiritual. Então, constatou que os Espíritos podiam responder com sabedoria e precisão às perguntas complexas que lhes eram formuladas. Daí surgiu a ideia de elaborar “O Livro dos Espíritos”, constituindo o Espiritismo que revoluciona o entendimento humano sobre Deus e a Obra da Criação.

Dessa forma, as mesas girantes foram, realmente, o ponto de partida da Doutrina Espírita.

A partir daí, com as comunicações estabelecidas por Allan Kardec com as inteligências desencarnadas através da escrita mediúnica, ele obteve valiosos ensinamentos que despertaram o interesse de homens conscienciosos e sérios; que permitiram a constituição da inovadora Doutrina dos Espíritos; e que revolucionaram o saber humano nos campos da ciência, filosofia, religião e moral.

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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.
26/abril/2011 =SEGUNDA PARTE, CAP. I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA.