domingo, 9 de março de 2014

A CONTINUIDADE DA VIDA DA ALMA, APÓS ESTA VIDA







A CONTINUIDADE DA VIDA DA ALMA, APÓS ESTA VIDA
Geziel Andrade

“Ninguém te aconselha a fazer da existência o culto inveterado da morte, mas é imperioso caminhes na convicção de que a vida prossegue...” (Emmanuel, no livro “Justiça Divina”, psicografado por Chico Xavier.)

“Do ponto de vista espiritual, a morte significa o retorno para o lar, donde se procede, antes de iniciada a viagem para o aprendizado na escola terrena.” (Manoel Philomeno de Miranda, no livro “Loucura e Obsessão”, psicografado por Divaldo P. Franco.)

“A morte física é pura mudança de capítulo no livro da evolução e do aperfeiçoamento.” (André Luiz, no livro “Missionários da Luz”, psicografado por Chico Xavier.)

O Espírito de Verdade, em orientação a respeito dos preparativos necessários para a grande e inevitável viagem, publicada por Allan Kardec na “Revista Espírita” de julho de 1862, alerta-nos que as provisões para se obter o sucesso e a felicidade são as boas ações que servem de passaporte e de carta de recomendação.

Essa orientação do Espírito de Verdade foi sendo constantemente reafirmada e exemplificada em relatos e depoimentos espontâneos feitos por muitos Espíritos, através de diversos médiuns, em diferentes partes do mundo e em épocas distintas.

As revelações dos próprios Espíritos sobre o que se passa durante e após a grande transição para a vida espiritual, em continuidade da vida imortal da alma, encontram-se reunidas não só nos livros de Allan Kardec, mas também nas obras de Léon Denis, Ernesto Bozzano, Chico Xavier, Divaldo P. Franco, Yvonne A. Pereira, Eurícledes Formiga, Vera Lúcia Marinzeck Carvalho, dentre muitos outros.

Quem estuda esses relatos e depoimentos coincidentes dos Espíritos sobre as fases do pós-morte, logo percebe que cada caso de desencarnação tem particularidades próprias e características peculiares.

Embora isso, podem ser facilmente detectadas e estabelecidas as principais fases bem definidas, que se seguem à perda, pela alma, de seu envoltório corporal.

A morte impõe à alma o seu retorno à vida espiritual, onde foi criada por Deus, conservando, porém, o seu corpo espiritual (perispírito), mantendo as suas faculdades intelectuais e morais e determinando as ocorrências abaixo, que nos levam a profundas reflexões sobre a complexidade e grandeza da Obra do Pai Eterno:

1 – NO MOMENTO DA MORTE DO CORPO MATERIAL, A ALMA EXPERIMENTA, DE IMEDIATO OU NÃO, DEPENDENDO DO TIPO DE MORTE (NATURAL, VIOLENTA, SUICÍDIO, DOENÇA, ETC.), UM SONO, DESMAIO, TORPOR, INCONSCIÊNCIA OU PERTURBAÇÃO.

DEPOIMENTOS DOS PRÓPRIOS ESPÍRITOS, ATRAVÉS DE DIFERENTES MÉDIUNS: “Senti um escurecimento; depois não sei o que se passou. Minhas ideias não ficaram claras senão muito tempo depois. ” (...) “Cai em um longo desmaio.” (...) “Mergulhei em um estado de inconsciência ou de sono por um período bastante longo.” (...) “ Irresistível desejo de dormir assaltou-me. Entreguei-me sem resistência e perdi a noção de espaço e tempo no sono abençoado e reparador.” (...) “Um torpor invencível veio a mim e desmaiei.” (...) “Deus quer poupar ao Espírito as angústias do momento da morte; por isso lhe tira toda lembrança e toda sensação.”

2 – COM A MORTE, OS LAÇOS QUE PRENDEM A ALMA AO CORPO MATERIAL PRECISAM SOLTAR-SE, DESATAR-SE. ESSE DESPRENDIMENTO DA ALMA DO CORPO MATERIAL É FÁCIL APENAS PARA AQUELA QUE REALIZOU AS BOAS OBRAS E OBTEVE ELEVAÇÃO MORAL. PARA A ALMA DETENTORA DE VIRTUDES E VALORES MORAIS O DESPRENDIMENTO É FÁCIL E AGRADÁVEL, SENDO APENAS UM SONO PASSAGEIRO, SEM SOFRIMENTOS E COM UM DESPERTAR SUAVE E FELIZ, ESTABELECIDO PELA JUSTIÇA DE DEUS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Meu Espírito não chegou muito facilmente a se libertar do corpo.” (...) “Retido no corpo pelos laços materiais, meu Espírito teve grande trabalho para se desprender, o que foi uma primeira e rude angústia.” (...) “Minha viagem foi um sono calmo e a ruptura natural.” (...) “Esgotado por longos sofrimentos, meu corpo não teve que passar por uma grande luta. Minha alma destacou-se dele como fruto maduro que cai da árvore. O aniquilamento completo do meu ser impediu-me de sentir a última angústia da agonia.” (...) “Errante em volta do meu leito, não podia afastar-me, e via-me retida, ou pelo menos ao que me parecia, por um último laço àquele invólucro corporal, que tanto me havia feito sofrer.” (...) “Quando chega o instante fatal, o corpo etéreo que penetra o corpo carnal, começa gradualmente a se libertar deste último, à medida que a vitalidade o vai abandonando. Desde que o corpo etéreo se haja libertado do corpo carnal, outros Espíritos intervêm para auxiliar o recém-desencarnado.” (...) “Disse a irmã que havia sido genitora do moribundo-, ajude-nos a retirar meu pobre filho do corpo esgotado. Há muitas horas, estamos à espera de alguém que nos possa auxiliar neste transe.” (...) “Aqueles filamentos luminosos ainda me prendiam ao mundo dos vivos, entorpecendo-me o espírito. Os Espíritos me informaram de que iam ajudar-me, com seus conselhos, para me facilitarem a ruptura dos filamentos luminosos que ainda me ligavam ao corpo.” (...)”Morte e nascimento são operações da vida eterna que demandam trabalho e paciência. Além disso, há companheiros especializados no serviço da libertação última. A eles compete o toque final.” (...) “Espíritos especializados no processo de desencarnação precisam retirar o corpo perispiritual de alguns falecidos, desligando-o dos despojos, até que fique preso apenas por um cordão, que é cortado, tal como se dá com os nascituros terrenos.” (...) “Surpreendi-me novamente fora do corpo, apesar de a ele estar atada por fortes cordões que não impediam que me distanciasse.” (...) “Fiquei uns cinquenta centímetros acima da cama. Tonto, olhei para baixo e me vi, estava feio, branco, magérrimo, olhei para minha mãe, que estava me soltando, tirando-me do leito; ela desligava-me da matéria.” (...) “Aquele grilhão tênue a unir-me com os despojos era bem um fio de forças vivas, jungindo-me à matéria densa, semelhando-se ao cordão umbilical que liga o nascituro ao seio feminino.” (...) “Hoje sabemos que esse cordão fluídico-magnético que liga a alma ao envoltório carnal e lhe comunica a vida, somente deverá estar em condições apropriadas para deste separar-se por ocasião da morte natural, o que então se fará naturalmente, sem choques, sem violência. Com o suicídio, porém, uma vez partido e não desligado, rudemente arrancado, despedaçado quando ainda em toda a sua pujança fluídica e magnética, produzirá grande parte dos desequilíbrios, senão todos.” (...) “Depois da ação desenvolvida sobre o plexo solar, o coração e o cérebro foi desatado o nó vital, afastando completamente o Espírito do corpo físico e fazendo brilhar o cordão fluídico-prateado, com formosa luz. Uma hora depois da desencarnação foi cortado o apêndice luminoso.”



3 – O ESPÍRITO DESPERTA DO SONO DA DESENCARNAÇÃO EM LUGARES MUITO DIVERSOS, DEPENDENDO DE SUAS BOAS OU MÁS OBRAS TERRENAS, DE SEUS MÉRITOS E SUAS VIRTUDES, CONQUISTAS E CONDIÇÕES MORAIS E ESPIRITUAIS. O ESPÍRITO QUE SE VINCULOU AO MAL E AOS VÍCIOS, POR NÃO TER CULTIVADO E REALIZADO O BEM DURANTE A SUA VIDA TERRENA, DESPERTA NA CROSTA TERRENA OU NAS REGIÕES INFERIORES DO PLANO ESPIRITUAL. TRATA-SE DA JUSTIÇA DIVINA DANDO “A CADA UM SEGUNDO AS SUAS PRÓPRIAS OBRAS”.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Passados oito dias em os quais o companheiro se demorou em sono profundo, foi conduzido à Colônia, onde despertou em estado de inquietação e dor.” (...) “O pobrezinho era excessivamente apegado ao corpo físico e veio para a esfera espiritual após um desastre, oriundo de pura imprudência. Esteve durante muitos dias, ao lado dos despojos, em pleno sepulcro, sem se conformar com situação diversa.” (...) “Eu me encontrava num cemitério, sentindo todos os fenômenos da decomposição cadavérica.” (...) “Tão logo cerrei os olhos físicos, meus irmãos que eu supunha mortos se fizeram visíveis à minha frente, transformados em vingadores. Ladearam-me o túmulo; atiraram-me o crime no rosto; cobriram-me de impropérios e flagelaram-me sem compaixão.” (...) “Despertei sonolento em casa, com a senhora a gemer e a gritar por mim.” (...) “Muitos Espíritos, por efeito da ignorância em que se acham, do medo que os assalta, passam o tempo a frequentar, ou antes, a assombrar, o meio onde viveram e ao qual se vêem psiquicamente presos. Consequentemente eles se encontram na câmara mais baixa do plano astral, fora do mundo e no mundo, por causa da adesão tenaz que mantêm as opiniões e paixões terrenas.” (...) “Acordei num quarto de hospital, arejado e reconfortante.” (...) Ao primeiro despertar, que admiração! Como tudo é novo, esplêndido, maravilhoso!” (...) “A sensação que a gente experimenta ao despertar é de um sono profundo. Esse despertar é mais ou menos lento e difícil, em razão direta da situação moral do Espírito, e nunca deixa de ser fortemente influenciado pelas circunstâncias que acompanham a morte.”

4 – O CORPO ESPIRITUAL CONSERVA A MESMA FORMA E APARÊNCIA HUMANA, O QUE DIFICULTA O ENTENDIMENTO DO PROCESSO DE TRANSIÇÃO PARA A NOVA FASE DA VIDA IMORTAL DA ALMA.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Guardava a mesma aparência e não percebia a morte do corpo material porque pensava, via e ouvia em um corpo semelhante na forma.” (...) “Não tenho mais o corpo que tanto me fez sofrer; mas tenho a sua aparência.” (...) “Constato a minha individualidade por meu perispírito, que é a forma que eu tinha neste mundo.” (...) “Achei-me curada miraculosamente. Vi-me tal como era no curso dos melhores anos da minha mocidade, porém, infinitamente mais exuberante de vida, mais lúcida de espírito, mais ditosa.” (...) “Agora, tanto a nossa Egle, fulminada pelo acidente vertiginoso, quanto eu mesma, portadora de uma doença longa, estamos íntegras em nossa forma, sem qualquer constrangimento ou alteração.” (...) “Meu corpo adquiriu a harmonia que eu sonhava, meus pés estão perfeitos, meus braços bem postos e minha voz está fácil, como não poderia imaginar acontecesse.” (...) “Se bem me haja conservado, substancialmente, a mesma personagem, vi desenvolverem-se em mim faculdades e potencialidades, que me abriram novo campo, imenso, de atividades inimaginadas.” (...) “Um dos meus primeiros pensamentos de estranheza foi o de compreender que havia morrido e, ao mesmo tempo, conservar o meu corpo, o qual, segundo o bom senso, fora entregue à Terra.” (...) “Acordara num corpo em tudo semelhante àquele que perdera.” (...) “Me via num corpo em tudo semelhante àquele que me havia servido.” (...) “Compreendi com tristeza a enorme diferença do meu corpo perispiritual com o de carne. Ninguém encarnado me via e fugi dos grupos desencarnados que encontrei.” (...) “Observando o corpo diferente, mas igual ao que usara no mundo físico, fiz várias perguntas à minha avó.”

5 – O ESPÍRITO REVÊ NA HORA OU DEPOIS DA MORTE DO CORPO MATERIAL OS MÍNIMOS FATOS OCORRIDOS DURANTE A SUA EXISTÊNCIA TERRENA, PODENDO JULGAR SEUS PENSAMENTOS, SENTIMENTOS E ATOS COM REFLEXOS NO SEU ESTADO DE CONSCIÊNCIA. ASSIM, NENHUM ESPÍRITO CONSEGUE FUGIR DO TRIBUNAL DA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA E DO ACERTO DE CONTAS COM A JUSTIÇA DE DEUS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Revi, como num panorama, os acontecimentos de toda a minha existência. Vi e ouvi tudo que fizera, dissera e pensara.” (...) “Revi todos os acontecimentos da minha vida, em os quais me comportara mal. Tinha a vontade de retomar todo o passado, a fim de purificar os maus dias.” (...) “De repente, lembrei-me de meu nascimento, de minha juventude, de minha idade madura. Toda a minha vida avivou-se claramente em minha memória.” (...) “Os mais insignificantes e mais ridículos acontecimentos de minha existência também se apresentaram muito vivazes em meu cérebro. Loucuras, prazeres, dores, tudo o que fizera no curso da minha vida sobrevinha sem ser chamado, não sei donde, para fazer ato de presença.” (...) “Como se a memória fosse possuída de um admirável poder retrospectivo, comecei a ver todos os quadros da minha infância e juventude, relembrando um a um os mínimos fatos da minha existência relativamente breve.” (...) “Reviu apressadamente o passado. Todas as cenas da infância, da mocidade e da madureza reapareceram de inesperado no templo da memória, como que a convidá-la a escrupuloso exame de consciência.” (...) “Vi-me diante de tudo o que eu havia sonhado, arquitetado e realizado na vida. Insignificantes ideias que imitira, tanto quanto meus atos mínimos, desfilavam, absolutamente precisos, ante meus olhos aflitos, como se me fossem revelados de roldão, por estranho poder, numa câmara ultra rápida instalada dentro de mim.” (...) “Pude ver, como numa grande tela cinematográfica, o desenrolar dos fatos que representavam a minha existência, em miraculoso retrospecto, repetindo-se em vertiginosa celeridade, sem omissão de qualquer detalhe. Coisas e acontecimentos mortos em minhas lembranças surgiam-me com seus contornos e nitidez impressionantes, gritando-me à memória em brasa os erros e gravames das atitudes nem sempre dignas de antes.” (...) “Numa sequência de fatos revi toda a minha existência. Recordando meu passado, senti paz; nada fizera de mal, ou errado, estava em paz com Deus e com minha consciência.”

6 – O ESPÍRITO PRECISA DE ALGUM TEMPO, MAIS OU MENOS LONGO, PARA SE CONVENCER QUE PERDEU MESMO O CORPO MATERIAL E QUE CONTINUA VIVO EM UM NOVO MUNDO GRANDIOSO MANTENDO SEU CORPO ESPIRITUAL E SUAS FACULDADES E CARACTERÍSTICAS PESSOAIS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Julgava-me mais vivo do que nunca. Via-me tão real e tão reais via os vivos que não chegava a fixar ideia sobre a grande mudança que se havia operado. A ideia de que estava morto jamais me acudiu ao Espírito. Foi a minha defunta mulher que me comunicou a terrificante notícia de que estava morto e me encontrava no meio espiritual.” (...) “Vi homens a me carregar e disse de mim para mim: eu não estou morto! Então esses médicos imbecis não vêem que eu vivo, respiro, ando, olho-os, sigo-os, a eles que vêm ao meu enterro! Que é então o que enterram? Não estou morto! Não me escutavam, não me viam. Assim se passaram três dias; eu estava desaparecido do mundo, e eu me sentia mais vivo que nunca.” (...) “Desde que me convenci de estar morto, as coisas mudaram. Vi-me cercado de Espíritos que pareciam desejosos de me assistirem.” (...) “Tenho a obrigação de assegurar-lhe que não mais pisamos a Terra que nos era comum e sim um departamento da vida espiritual.” (...) “Tudo se mostrava diferente, mas acreditávamos ainda na continuação da nossa própria existência física.” (...) “Não era crível que eu tivesse morrido. Sentia-me viva, não obstante as dores que cruciavam. Encontrava-me lúcida, raciocinava, sofria... Não podia estar morta.” (...) “Bons Espíritos vieram buscar-me para receber orientação no Centro Espírita. Lá fui convidada a falar através de um médium; fiz isso um tanto encabulada, mostraram-me o acidente em que morrera e meu enterro. Explicaram que desencanara e que tinha necessidade de ir para uma escola, onde receberia orientação de como viver desencarnada.” (...) “Entendi que ali era um Centro Espírita. Morri e vagava. Os espíritas não mexiam com almas penadas, ajudavam-nas, não tinham medo, orientavam-nas, estavam fazendo para mim a maior caridade que já recebera.”

7 – ALGUNS ESPÍRITOS, POR ALGUM TEMPO, CONTINUAM SENTINDO NO CORPO ESPIRITUAL OS REFLEXOS DA CAUSA DA MORTE DO CORPO FÍSICO, DIFICULTANDO, ALGUMAS VEZES, O RECONHECIMENTO DE SUA NOVA SITUAÇÃO E NÃO ENTENDENDO E COLABORANDO COM A AJUDA RECEBIDA DOS BONS ESPÍRITOS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Os acessos de soluços, a asma e outros sintomas bronquiais que me haviam atormentado no momento da morte continuavam a afligir-me quando abri os olhos para a vida espiritual. Assim, impossível me era acreditar na minha morte.” (...) “Queixava-se da ferida aberta, do coração descontrolado, dos sofrimentos agudos, do grande abatimento. Sabia, porém, que não se encontrava mais no círculo da carne, embora semelhante verdade lhe custasse angustioso pranto. –Tranquilize-se –disse-lhe o meu orientador, com inexprimível bondade -, sua situação é difícil, mas poderia ser muito pior. Há suicidas que permanecem agarrados aos despojos cadavéricos por tempo indeterminado, assistindo à decomposição orgânica e sentindo o ataque dos vermes vorazes.” (...) “A enfermidade demorada deixou impressões profundas. Continuou, assim, apresentando os sinais do cansaço.” (...) “Guardo integral impressão do corpo que acabei de deixar –respondeu ele, delicadamente. –Noto, porém, que, ao desejar permanecer ao lado dos meus, e continuar onde sempre estive durante muitos anos, volto a experimentar os padecimentos que sofri; entretanto, ao conformar-me com os superiores desígnios, sinto-me logo mais leve e reconfortado.” (...) “Encontrava-me quase feliz, se bem que as impressões físicas não me houvessem abandonado e eu conservasse ainda as sensações que me eram comuns na roupagem material.” (...) “Não tive mais dores. Logo estava a andar, voltara a ser forte, sadio, como era antes de adoecer, com aparência dos meus trinta e quatro anos. Em pouco tempo saí do hospital, fui para uma escola aprender a viver no Plano Espiritual.” (...) “Recuperei-me. Meus cabelos ficaram como antes da minha doença, fiquei rosada, sadia. Agradeci feliz minha recuperação e recebi alta do hospital.”

8 – O ESPÍRITO RECÉM DESENCARNADO REENCONTRA, SOB FORTES EMOÇÕES, OS ESPÍRITOS FAMILIARES E AMIGOS QUE O ANTECEDERAM NA GRANDE VIAGEM DE RETORNO À VIDA ESPIRITUAL, QUE É A VERDADEIRA E ONDE FOI CRIADO POR DEUS. ENTÃO, SEUS MOMENTOS DE INCERTEZA E PERTURBAÇÃO ACABAM COM GRANDE TRANSFORMAÇÃO PARA MELHOR.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Minha mãe veio me receber ao entrar no mundo dos Espíritos.” (...) “Inundou-me a alegria; revi rostos queridos, que supunha perdidos para sempre.” (...) “Vi-me cercado por numerosos e fieis amigos. Parentes, amigos, conhecidos vieram todos receber-me nas portas da existência verdadeira.” (...) “Reconheci-me imediatamente; estava rodeada de amigos”. (...) “Reconheci minha mãe e meu pai, que me receberam ao despertar. Iniciaram-me na nova vida.” (...) “Não há palavras que te possam descrever a felicidade que experimentei, quando vi que vinham ao meu encontro ora uma, ora outra das pessoas a quem mais amei na Terra e que todas acudiam a me dar as boas-vindas nas esferas dos imortais.” (...) “Vi-me acolhido, reconfortado e ajudado por pessoas que eu conhecera na Terra e que me precederam na grande viagem. Mas, o que constituiu para mim a alegria daquela ora foi o encontrar-me com a querida companheira de toda a minha existência.” (...) “Ergui repentinamente o meu olhar e, -oh, maravilha!- vi minha mãe a contemplar-me com a melhor das expressões de ternura e amor.” (...) “Tia Carminha não era mais nossa. Partira para Deus. Foi a Tia Carminha quem se ergueu e veio a mim, dizendo: -Pedrinho, você com medo? Por quê? Não nos conhece mais? Então compreendi tudo e chorei muito... E aceitando a bondade da Tia, dormi.” (...) “Sara, minha esposa, havia desencarnado há muito tempo, sofri muito com a separação, nos queríamos muito bem. Sara entrou na enfermaria, sorrindo. Ver Sara foi uma felicidade, abraçamo-nos contentes, conversamos muito.” (...) “Vovó entrou no quarto de mansinho. Estava diferente, mais bonita, esperta e sem seus grossos óculos. Beijou-me na testa e nos abraçamos demoradamente. Senti alegria em vê-la, mas, também, tive a certeza que realmente tinha desencarnado.”

9 – O ESPÍRITO PERCEBE, MESMO DISTANTE, O QUE SE PASSA EM SEU ANTIGO AMBIENTE TERRENO, RECEBENDO DISSO INFLUÊNCIAS BOAS OU MÁS DE SEUS FAMILIARES QUE CONTINUARAM ENCARNADOS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “As crises de dor exageradas de meus familiares retinham-me no meio terrestre.” (...) “Vi perfeitamente, qual se estivesse dentro de mim, as filhas queridas e alguns poucos amigos, que deixara no mundo, dirigindo-me palavras de saudade e carinho.” (...) “Via tudo o que nos chegava de casa e a visão de papai desesperado me enlouquecia; as preces da senhora me auxiliavam.” (...) “Vemos o que se passa à distância e, além disso, suas vozes, mãezinha, nos alcançam por todos os meios.”

10 – OS ESPÍRITOS GOSTAM DE RECEBER AS PRECES DOS ENTES QUERIDOS QUE DEIXARAM NA TERRA.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “A prece refresca o nosso coração, é balsamo inefável, é caridade aos infelizes do outro mundo, dos quais sou um.” (...) “Minha muito querida esposa, tenho visto teus suspiros e tuas lágrimas. Choras sempre! Também tenho visto tuas preces. Deixa que as agradeça.” (...) “Rogai a Deus, nosso soberano Senhor, que me conceda perdão e o esquecimento de minha inutilidade na Terra.” (...) “Alguns companheiros ofertavam-me os recursos da prece santificante. Tamanho foi o meu contentamento que quase me ajoelhei, feliz.” (...) “Não me demorei a registrar-lhes as orações em meu auxílio.” (...) “As orações de minhas filhas chagavam até mim, motivando-me.” (...) “Recebo suas orações; receber orações sinceras é como receber cartas, presentes, são lembranças carinhosas que nos fazem tão bem. Principalmente no período de adaptação, receber orações com otimismo ajuda-nos muito.”

11 – O ESPÍRITO QUE PARTIU PARA A VIDA ESPIRITUAL SENTE MUITAS SAUDADES DOS ENTES QUERIDOS QUE FICARAM ENCARNADOS NA CROSTA DA TERRA.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Sentia a saudade do lar, o apego à família que ficara distante. Desejava ardentemente rever a esposa muito amada, receber de novo o beijo dos filhinhos.” (...) “Convertera-se num poço de memórias sobre a esposa e a filha.” (...) “Não mais suportava as saudades do marido e dos pais.” (...) “Sei que todos somos filhos de Deus, mas ainda não consigo renunciar à certeza de que sou filho de meus pais terrestres e irmãos de meus irmãos, acima de tudo.” (...) “A saudade dos meus doía-me. Chorava de saudade.” (...) “Senti muita falta de minha casa, do meu esposo, dos filhos e netos.”

12 – O ESPÍRITO PODE VOLTAR AO ANTIGO LAR PARA VISITAR E VER SEUS ENTES QUERIDOS, AMENIZANDO AS SAUDADES QUE SE INSTALARAM EM SEU MUNDO ÍNTIMO.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Decorriam já três anos da minha desencarnação, quando a querida Zélia me acenou com a possibilidade de um retorno ao Lar, em visita, por oito dias.” (...) “Voltei à nossa casa. Revi a todos. Muitas vezes voltei depois ao antigo lar para visitá-los; muito os ajudei.” (...) “Estava ao vosso lado. Ah! Como vos abracei a todos, emocionada e recolhida. Como achei pequenino o nosso antigo lar e como me penalizou o quadro das vossas dores e dificuldades!” (...) “Trabalhei, então, intensamente. Consagrei-me ao estudo sério, ao melhoramento moral de mim mesma, busquei ajudar a todos, sem distinção, em nosso antigo lar terrestre.” (...) “Tempos levei para poder visitar meus familiares; só tive permissão quando estava realmente bem e adaptada.” (...) “Pude ir em casa, em nossa casa mesmo. Revi todos.” (...) “Já fui à nossa casa, muitas vezes, e agradeço as preces de todos.”

13 – OS ESPÍRITOS QUE SE ESCRAVIZARAM AO MAL E AOS VÍCIOS, PELO MAU USO DA VONTADE E DO LIVRE-ARBÍTRIO, SOFREM MUITO NO MUNDO ESPIRITUAL AS CONSEQUÊNCIAS DISSO, DETERMINADAS PELAS LEIS E PELA JUSTIÇA DE DEUS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Oh! Se todos os homens pudessem saber o que há além da vida! Saberiam quanto custa fazer o mal; não haveria mais assassinos, mais criminosos, nem malfeitores. Experimento hoje muito remorso. Compreendo agora a enormidade de meus erros.” (...) “Vi-me mergulhado nas mais profundas trevas. Era uma situação terrificante. Nada via em volta de mim, senão sombras silenciosas e indiferentes... ainda sofro!” (...) “Tenho sempre presente a iniquidade de minha vida, que para muitos foi motivo de escândalo.” (...) “Ajudai-me: eu fiz tanto mal! Oh! Quanto sofro! Quanto sofro! Eu me alegrava com o mal praticado. Oh! Orai por mim.” (...) “Sofro! Quanto vos maldigo, horas culpadas, horas do egoísmo e de esquecimento em que, desconhecendo toda caridade, todo devotamento, eu só pensava no meu bem-estar!” (...) “Não sou suficientemente evoluído para gozar de uma felicidade moral. Experimento um mal-estar indefinível; preferiria sofrer as misérias da vida a esta ansiedade que me acabrunha.” (...) “Meu Espírito se precipita no abismo dos remorsos. A minha iniquidade se ergue diante de mim, como fantasma perseguidor, a me proclamar o mais miserável dos pecadores.”

14 – O ESPÍRITO SUICIDA EXPERIMENTA SOFRIMENTOS NA VIDA ESPIRITUAL EM CONSEQUÊNCIA DE TER ABREVIADO INDEVIDAMENTE A SUA EXPERIÊNCIA EVOLUTIVA, INFRINGIDO AS LEIS E MENOSPREZADO A VALIOSA CONCESSÃO DE DEUS. EMBORA ISSO, CONTA COM A MISERICÓRDIA DE DEUS E A AJUDA AMOROSA E FRATERNA DOS BONS ESPÍRITOS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Errei abreviando a vida. Deveria suportar tudo antes que acabar prematuramente. Por isso sou infeliz. Sofro! Estou cheio de dores. Experimento sofrimentos agudos e grande abatimento. Tenho o coração doente e a cabeça ainda bastante desorientada. Ignoro como conseguirei rearticular o meu organismo, agora dilapidado.” (...) “Quis morrer e atirei-me... Oh! Meu Deus, que momento! Orai! Eu vos peço que oreis por mim.” (...) “Meu corpo lá estava, inerte e frio e eu planava em volta dele; chorava lágrimas quentes. Sim, eu chorava, porque acabava de reconhecer a enormidade de meu erro e a grandeza de Deus!” (...) “Eu cai numa tremenda escuridão. O que se passou, não tenho vocábulos para contar. Quanto tempo me arrastei naquelas sombras densas, arrependido e infeliz, não sei dizer.” (...) “Verá que nada acaba com a morte do corpo e que seu inferno se inicia. Agora como suicida nem seu protetor poderá ajudá-la. É nossa! Anos esperamos sua vinda. E você nos facilitou, matando seu corpo!” (...) “Fui informada pelas bondosas pessoas que me atendiam, que desencarnara e que estava numa enfermaria de recuperação num hospital de socorro a suicida.”

15 – O ESPÍRITO MORALMENTE INFERIOR NÃO VÊ OS ESPÍRITOS QUE LHE SÃO SUPERIORES NA HIERARQUIA VERDADEIRA, PELA DIFERENÇA DE VIBRAÇÃO DO CORPO ESPIRITUAL E PELA IMPOSSIBILIDADE DE PERCEBER AS VIBRAÇÕES MAIS SUTIS DO MEIO ESPIRITUAL MAIS ELEVADO. MAS ISSO NÃO O IMPEDE DE SER AJUDADO FRATERNALMENTE PELOS BONS ESPÍRITOS.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Hoje sei que naqueles angustiosos momentos da morte muitos seres se conservavam, embora intangíveis, ao meu lado, amparando-me com seus braços tutelares e compassivos; porém, não os distinguia. Precisava adquirir uma espiritualidade suficiente para estar em condições de perceber os Espíritos-guias.” (...) “Meu pai e minha mãe já deixaram o meio onde me encontro. Imagino que a razão por que se nos tornaram invisíveis é terem seus corpos espirituais atingido o grau máximo de purificação, conciliável com as condições da nossa esfera de existência.” (...) “Eram Espíritos que estendiam a fraternidade ao extremo de se materializarem o suficiente para se tornarem plenamente percebidos à nossa precária visão e nos infundirem confiança no socorro que nos davam.” (...) “Não percebeu minha presença espiritual, nem a assistência desvelada de outros amigos nossos. Tendo gasto muito anos a fingir, viciara a visão espiritual, restringira o padrão vibratório, e o resultado foi achar-se tão só na companhia das relações que cultivara irrefletidamente, pela mente e pelo coração.”

16 – AO PERDER O ENVOLTÓRIO MATERIAL, O ESPÍRITO SE ENCONTRA NUM MUNDO REAL, SEMELHANTE AO MUNDO MATERIAL, PORÉM MAIS APERFEÇOADO E ESPIRITUALIZADO.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Enquanto encarnada, não supunha fosse o mundo dos Espíritos algo tão concreto.” (...) “Fiquei profundamente admirado em face da realidade. Os Espíritos existem em condições análogas às terrenas, porém, com uma transformação para melhor.” (...) “Embora a natureza deste mundo difira enormemente da Terra, os dois mundos se assemelham, com a diferença, porém, de que o mundo espiritual é infinitamente mais apurado, mais sublime, mais etéreo: eis tudo.” (...) “O Além-túmulo acha-se longe de ser a abstração que na Terra se supõe, ou as regiões paradisíacas fáceis de conquistar com algumas poucas fórmulas inexpressivas. Ele é antes, simplesmente a Vida Real, e o que encontramos ao penetrar suas regiões é Vida. Vida intensa a se desdobrar em modalidades infinitas de expressão.” (...) “Temos matérias de conhecimentos gerais, ensinamentos de como viver desencarnado, como é o Plano Espiritual, estudamos o Evangelho, recebemos orientações de como se comportar diante dos problemas e de como ajudar os nossos irmãos.” (...) “Imagina a Terra, cheia de suas belezas naturais, porém, moralmente mais aperfeiçoada e terás a imagem dessa segundo esfera que me serve de habitação. Temos casas, pássaros, animais, reuniões, institutos como os das famílias terrenas, onde se agrupam os Espíritos através das mais santas afinidades. A arte aqui é mais linda e mais perfeita e, como o culto a Deus faz parte integrante de todas as coisas de nossa vida, há muita alegria entre nós.”

17 – OS ESPÍRITOS PODEM SE COMUNICAR NA VIDA ESPIRITUAL ATRAVÉS DA TRANSMISSÃO DO PENSAMENTO

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Comunicamo-nos entre nós pelo pensamento. A transmissão do pensamento é a forma normal de conversação entre nós, os Espíritos. Nossas trocas de ideias se operam diretamente, pela transmissão dos pensamentos.” (...) “Os habitantes mais elevados da colônia dispõem do poder de volitação; e nem todos precisam de aparelhos de comunicação para conversar a distância, por se manterem, entre si, num plano de perfeita sintonia de pensamentos. Os que se encontram afinados desse modo, podem dispor, à vontade, do processo de conversação mental, apesar da distância.” (...) “Permutavam impressões, telepaticamente, reconhecendo com mais clareza que lhes era possível conversar pelo idioma do pensamento, de modo espontâneo.”

18 - AS COISAS QUE OS ESPÍRITOS PRECISAM PODEM SER CRIADAS PELA VONTADE E FORÇA DO PENSAMENTO, QUE TÊM GRANDE PODER NO MUNDO ESPIRITUAL.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “No mundo espiritual o pensamento é tudo. É pela força do pensamento, combinada com a vontade, que podemos criar todas as coisas de que temos necessidade.” (...) “As nossas vestes são também criações do nosso pensamento e constituídas de elementos tirados do meio onde existimos.” (...) “As habitações são construídas por Espíritos que se especializaram em modelar, pela força do pensamento, essa matéria espiritual.” (...) “No mundo dos Espíritos, a força do pensamento cria todas as comodidades desejáveis. O pensamento e a vontade são forças por meio dos quais se pode criar o que se deseje. ”

19 – O ESPÍRITO PODE SE LOCOMOVER NO MUNDO ESPIRITUAL MUITO RAPIDAMENTE, POR UM ATO DE SUA VONTADE.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “O que sobretudo me surpreendeu era a rapidez com que me transportava. Pensava em me achar num dado lugar e no mesmo instante lá me encontrava.” (...) “Experimentava a capacidade de volitação. Num momento, ganhava grandes distâncias.” (...) “Sentia-me na posse das faculdades volitivas, que obtivera com o meu desprendimento da vida carnal.” (...) “Saltamos com a rapidez do relâmpago, através do espaço. Em menos de um segundo estávamos ao lado de minha avó. Ela vive com meu avô e com o meu tio Walter, a quem não conheci na Terra.”

20 – OS ESPÍRITOS CONSEGUEM SE LEMBRAR DE SUAS EXISTÊNCIAS CORPORAIS ANTERIORES.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Lembro-me de minhas existências anteriores e acho que estou melhorado.” (...) “Recordo-me das fases de existências encarnadas, anteriormente à que acabei ultimamente.” (...) “Outros Espíritos com os quais tenho tido ensejo de falar deste assunto, me informaram que se lembravam claramente de todas as existências que viveram no planeta Terra.” (...) “Nesse sono, vi os diferentes corpos que meu Espírito animou, desde um certo número de encarnações, e todos trabalharam na ciência médica, sem jamais se afastar dos princípios que o primeiro havia elaborado.” (...) “Ricardo e eu ficamos, então, senhores de trezentos anos de memória integral. Compreendemos, então, quão grande é ainda o nosso débito para com as organizações do planeta!”

21 – OS ESPÍRITOS MANTÊM OCUPAÇÕES, TRABALHOS E ATIVIDADES INCESSANTES NA VIDA ESPIRITUAL.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “Acho-me aqui ativamente ocupado. O mesmo se dá com todos.” (...) “Continuo trabalhando e estudando. Aprendi a ser útil.” (...) “A morte não interrompe o trabalho sadio e edificante. Os ideais nobres possuem suas verdadeiras razões na vida espiritual e, além do túmulo, podemos continuar o serviço que se afina com as nossas tendências e esperanças.” (...) “Estava longe de ser a decantada “Mansão do Repouso” com que tanto sonhamos na Terra. A palavra trabalho não era apenas um vocábulo, mas sim uma realidade construtiva e ativa em todos os lados.” (...) “A morte não me ceifara a felicidade de trabalhar. Ao contrário, desdobrara-me as possibilidades de produzir. A vida que não cessa é acionada pelo trabalho que não pára.” (...) “Estudei, passei a trabalhar e estou muito feliz.”

22 – OS ESPÍRITOS DEDICADOS AO BEM E MORALMENTE ELEVADOS DESFRUTAM DE GRANDE FELICIDADE NA VIDA ESPIRITUAL.

DEPOIMENTOS DOS ESPÍRITOS: “A gente se encontra num mundo onde tudo é alegria e grandeza. Como sou feliz. Sou feliz porque tenho a consciência de ter bem vivido. Admiro, contemplo, bendigo, amo e me inclino ante a grandeza, a sabedoria e a ciência do nosso Criador.” (...) “Minha felicidade atual consiste naturalmente na satisfação que me proporciona a lembrança do pouco bem que fiz, e na certeza do futuro que ele me promete.” (...) “Como sou feliz! Não sou mais velho nem enfermo; meu corpo era apenas um disfarce imposto.” (...) “O belo, o infinito, o impalpável, todos os mais puros sentimentos, eis o apanágio dos que desprezam os tesouros humanos, querendo marchar na via santa do bem, da caridade e do dever. Tenho minha recompensa e sou muito feliz.” (...) “Fui transportado para um lugar repleto de alegrias e saudades, de onde regresso para dizer-lhes que estou bem.” (...) “Tenho a felicidade de contemplar os horizontes novos e viajar sem dificuldade.” (...) “Sobreveio para mim a hora gloriosa do despertar e, recuperando a consciência, tive a benfazeja certeza de haver efetivamente passado da morte no meio terrestre à vida em a morada espiritual: “a uma vida que é realmente vida”, como diz a Bíblia. E a alegria, a paz, a calma me invadiram e proporcionaram um estado de que nunca suspeitara, a suprema felicidade.”



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

ATITUDES E AÇÕES QUE NOS PERMITEM VIVER MELHOR




ATITUDES E AÇÕES QUE NOS PERMITEM VIVER MELHOR

Geziel Andrade

Este artigo foi elaborado com base no conteúdo do excelente livro “VIVA BEM SEM DEPRESSÃO”, de autoria do valoroso confrade Severino Barbosa, e de edição da Editora EME, de Capivari–SP.

Trata-se de um livro de autoajuda. Os conceitos e preceitos evangélicos e espíritas ressaltados pelo autor destinam-se especialmente às pessoas que querem evitar o mal-estar depressivo, angustiado, amargurado, triste, frustrado e marcado pelo medo e sentimento de culpa e arrependimento. Atinge, portanto, um público imenso.

As lições apresentadas pelo autor nos ajudam a gerenciar as emoções, os sentimentos e as condutas e, assim, obter o que mais procuramos: o bem-estar.

Severino faz recomendações oportunas e dita providências corretas para nos ajudar a eliminar muitos infortúnios e males da alma, que se refletem, com o passar do tempo, nos órgãos do corpo físico.

Certamente, aplicando-as com força de vontade no cotidiano conseguimos transformar o mundo íntimo e garantir as boas atitudes que constroem uma vida próspera, sadia e feliz.

Os comentários que foram apresentados a seguir de forma livre procuram apenas dar uma idéia, embora pálida, das valiosas contribuições prestadas por Severino.

Esta crônica não tem, de forma alguma, a pretensão de dispensar a leitura do livro, que foi escrito de forma habilidosa, entrando em profundidade na análise de questões importantes e sempre complexas que decorrem notadamente do estado mental e psicológico.

1 – O CONTROLE DAS EMOÇÕES
As boas emoções nos propiciam momentos muito agradáveis e felizes.

Por isso, devemos controlar o temperamento, mantendo-o estável e regido pela temperança, para que a raiva não se torne um hábito prejudicial. A raiva jamais é uma boa companheira.

O controle da carga emotiva negativa evita enfermidades da alma e seus reflexos no corpo material, porque impede os desequilíbrios decorrentes do ressentimento, medo, complexo de culpa, mágoa e frustração.

Por isso, devemos sempre usar o poder mental para manter o controle sobre os impulsos emotivos.

Quando há o controle do estado de espírito não vivemos com os nervos à flor da pele, o que cria o isolamento e origina muitos problemas de saúde.

Quando exercemos o controle sobre o mecanismo de autodefesa não tratamos os outros de modo hostil, nem permanecemos em permanente estado de alerta ou defesa, o que gera desgaste emocional.

Mantendo as emoções equilibradas, atingimos a maturidade mental e psicológica. Então, conseguimos desabafar do modo certo e na hora certa, com educação, paciência, bom senso, prudência e moderação.

Esse controle das emoções realmente faz a diferença para atingirmos um viver melhor e mais feliz.

2 – O DOMÍNIO DA ANSIEDADE
Um pouco de ansiedade até que favorece o cumprimento das tarefas. Mas, não podemos deixar que a ansiedade nos domine.

A ansiedade descontrolada leva a nossa alma, que detém todas as faculdades, a um estado de tensão, enfermidade e infelicidade.

Por isso, devemos usar a calma e a serenidade perante as tribulações e para realizarmos os nossos afazeres e cumprirmos as nossas obrigações.

Não devemos permitir que as nossas responsabilidades, tarefas, preocupações, nem que os acontecimentos constrangedores gerem ansiedade em excesso. Esta cria um estado permanente de tensão e aborrecimento, sem razão de ser.

Por isso, devemos ter sempre a serenidade e a paciência como recursos para o domínio da ansiedade.

Além disso, a ansiedade excessiva desencadeia o medo infundado.

Então, quando sentirmos insegurança, analisemos as suas causas para vencê-la.

Adicionalmente, é importante também que contenhamos a imaginação para dominar o medo imaginário e não agravar ainda mais o estado de ameaça e ansiedade em que vivemos.

Outras atitudes indispensáveis para o nosso domínio da ansiedade são: manter a mente ocupada com a leitura de um bom livro relaxante; ouvir boa música; cultivar pensamentos otimistas; procurar companhias agradáveis; conversar sobre assuntos elevados; fazer preces; e confiar em Deus e em nós mesmos.

Vivendo relaxados, seguimos o valioso ensino de Jesus:
“Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.”

Com esse domínio da ansiedade, certamente vivemos bem melhor.

3 – O MEDO DE TUDO

O medo é importante para que consigamos preservar as condições seguras de vida. Mas, quando o medo se torna descontrolado, damos asas à imaginação para as coisas ruins que podem acontecer. Então, esse medo alimenta distúrbios, fobias, ansiedade e depressão.

Por isso, é importante determos a insegurança quando formos realizar o nosso trabalho ou as nossas atividades. Ela nos perturba e contamina as pessoas que nos cercam, prejudicando as amizades, relacionamentos e a produtividade.

Portanto, jamais deixemos que o medo se torne doentio; nem vivamos amedrontados pelos fatos ruins que podem acontecer; nem com a imaginação fixa nos acontecimentos ruins que já aconteceram; nem com o temor do que não tem a mínima possibilidade de acontecer.

Devemos, sim, concentrar a mente nas experiências que engrandeceram ou que estão engrandecendo a nossa vida. Então, a coragem nos sustentará no aproveitamento das oportunidades que nos fazem evoluir materialmente e espiritualmente.

Ainda, devemos sustentar a esperança e fortalecer a coragem orando a Deus que está em toda parte e zela por Seus filhos com amor. Com a prece pedimos a Ele bênçãos, proteção, orientação e inspiração para agir com sabedoria na vida. Então, sentiremos a confiança aumentar em nós mesmos (autoconfiança), melhorando as atitudes e ações.

Ao eliminarmos o medo infundado, preservamos as energias psíquicas, mantendo o equilíbrio íntimo e agindo de modo mais sadio e próspero.

4 – O MEDO DA MORTE
Devemos nos preparar para partir desta para a vida melhor adquirindo o conhecimento religioso, moral e espiritual que Jesus nos legou sobre Deus, o Reino dos Céus e o resultado da prática das virtudes.

Além disso, as lições da Doutrina Espírita complementam o nosso saber sobre a imortalidade da alma e as boas condições da continuidade da existência da alma no mundo espiritual. Então, nos sentimos preparados para a grande transição e a inevitável vida futura, onde receberemos, pela Justiça de Deus, segundo as próprias obras.

Ainda, vencemos o medo da morte com a prática persistente do bem e as conquistas morais e espirituais que nos garantem a paz na consciência e os méritos para a alma desfrutar das bem-aventuranças na vida futura.

Devemos somar a isso a confiança no amor, na sabedoria e justiça de Deus. Então, vivemos sem qualquer medo da morte, aproveitando as oportunidades para evoluir e cumprir com nobreza a jornada na escola terrena.

5 – A SUPERAÇÃO DA AMARGURA
Alguns momentos de angústia penosa aparecem quando suportamos fatos constrangedores. Mas, devemos encará-los com paciência e entendimento da finalidade evolutiva, em termos intelectuais e morais, da passagem de nossa alma pela vida material. Assim, ante as provas difíceis devemos exercitar a serenidade, coragem, otimismo e sabedoria, para não sentir amargura.

A amargura abre caminho para o insucesso. Por isso, não devemos nos prender aos fatos tristes que aconteceram, tais como: separação conjugal; ausência do filho que partiu do lar para trabalhar fora; morte de um ente querido; a perda financeira com um mau negócio; a oportunidade que passou sem ser aproveitada, etc.

Cada acontecimento deixa uma experiência valiosa. Por isso, devemos ver sempre o lado positivo das experiências adquiridas e buscar o crescimento em maturidade, sem dar brecha para que a amargura se instale na alma.

Libertando-nos desse mal, com a boa reação mental, ficamos também livres da idéia fixa nos acontecimentos tristes. Com isso, fortalecemos o mundo íntimo e trilhamos o caminho do sucesso contínuo sentindo alegria e bem-estar.

6 – O FIM DA TRISTEZA

Certos períodos de melancolia surgem com as decepções e os abalos emocionais que sentimos. Mas, por que mantermos a recordação persistente dos acontecimentos tristes e constrangedores que já passaram, deixando experiências? Por que cultivarmos a amargura, apatia, solidão e infelicidade? Devemos por na mente que a tristeza não remove mal algum. Apenas agrava a situação difícil.

Com o perdão verdadeiro oferecido àqueles que nos fizeram algum mal, conforme Jesus nos ensinou, conseguimos até orar pelo bem dos que nos causaram decepção, frustração e tristeza. Além disso, conseguimos até ajudar fraternalmente as pessoas que nos prejudicaram, retribuindo com o bem o mal recebido. Essa é a forma eficiente da libertação dos inimigos e dos acontecimentos desagradáveis que nos causaram tristeza.

O perdão sincero ao inimigo converte em otimista e claro o nosso modo ver as pessoas, coisas e acontecimentos.

Além disso, aflora as potencialidades que Deus colocou em nossa alma, permitindo-nos vencer as dificuldades que causam tristeza com a energia surpreendente que adquirimos para realizar as boas ações que nos tornam construtivos, úteis, sadios e prósperos.

A tristeza não tem o poder de barrar a força de vontade que supera contrariedades, melhora as condições de vida e aproveita as bênçãos que Deus nos concedeu nesta escola para subir para a vida superior.

7 – A LIBERTAÇÃO DA CULPA E DO REMORSO
Qual o benefício de nos prendermos às lembranças amargas dos erros cometidos? Por que vivermos recordando e lamentando as faltas graves cometidas? Por que cultivarmos a culpa e o remorso na mente, sabendo que são as fontes da dor, sofrimento e doença?

Eliminemos já o complexo de culpa pedindo perdão a Deus pelos deslizes cometidos e, se possível, pedindo desculpas aos semelhantes pelas faltas praticadas. Em seguida, passemos a reparar logo os prejuízos que causamos aos outros. Fazendo o bem a quem prejudicamos, ou causamos algum mal, pomos em prática a recomendação evangélica: “Reconciliai-vos o mais depressa possível com o vosso adversário.”

Agindo assim, deixamos de lado a autopunição e tiramos da mente o sentimento de culpa que prejudica o mundo íntimo e estaciona o progresso porque desestimula a realização das tarefas diárias que engrandecem a vida.

Isso se chama autoperdão. É a caridade para conosco mesmos para restabelecer a paz na consciência, pondo em prática a lição bíblica: “O amor apaga a multidão de pecados”.

8 – O FORTALECIMENTO DA AUTOCONFIANÇA
A realização das boas atitudes e ações exige que tenhamos confiança em nós mesmos.

Então, com a confiança fortalecida, sustentamos as boas realizações que geram resultados benéficos, não dando margem para qualquer complexo de inferioridade.

Com a autoconfiança restabelecida o nosso trabalho diário é realizado com eficiência; as potencialidades, habilidades, capacidades, experiências e criatividade afloram com facilidade solucionando quaisquer problemas surgidos e garantindo o sucesso e bem-estar.

Por isso, cabe-nos tornar cada vez mais vigorosa a segurança que sentimos em bem agir, para que as boas semeaduras sejam feitas, permitindo-nos obter boas colheitas nas vidas presente e futura.

Além disso, cada boa obra realizada, por sua vez, repercute-se no aumento da nossa autoconfiança: a persistência nos estudos; o cultivo dos bons hábitos e relacionamentos; a responsabilidade no cumprimento das atividades profissionais; a prática da fraternidade para com o próximo, etc.

Por isso, Allan Kardec nos legou a seguinte lição que jamais devemos menosprezar: “A confiança no cumprimento de uma coisa dá a certeza de que ela vai ser realizada.”

9 – A IMPORTÂNCIA DO BOM CONVÍVIO E BOM RELACIONAMENTO
Ter boa convivência e manter bom relacionamento com os familiares e amigos garantem a conquista do sucesso, da alegria e do bem-estar.

A base para isso está em tratarmos os semelhantes com respeito, justiça, bondade, honestidade, gentileza e simpatia. Com esse bom caráter garantimos as companhias agradáveis, amigas e fraternas, que nos dão momentos felizes.

Então, as pessoas que nos cercam devem ser colocadas acima das coisas materiais, eliminando o egocentrismo e fazendo surgir as afinidades morais e espirituais que engrandecem a nossa vida e tornam o nosso cotidiano bem melhor.

10 – O PLANO DE VIDA A SER CUMPRIDO
Não estamos dispensados de alcançar metas evolutivas; trabalhar para progredir em termos materiais, espirituais e morais; estudar para crescer em conhecimentos e sabedoria; praticar o bem para cumprir as Leis de Deus; e cumprir o objetivo superior que Deus estabeleceu para a vida imortal da nossa alma.

Isso, evidentemente, exige que estejamos sempre ativos, produtivos, organizados, fraternos e saudáveis.

Mas, o cumprimento desses planos evolutivos deve ser feito com paciência, persistência, dedicação, ordem, disciplina, esperança e coragem. Então, teremos encontrado a fórmula do progresso, do sucesso e da melhoria constante nas nossas condições de vida.

11 – A VIGILÂNCIA SOBRE AS ATITUDES E AÇÕES
As boas atitudes na vida, que nos tornam prósperos e felizes, dependem da vigilância que exercemos sobre a nossa vontade; da cautela que tomamos nas decisões; do cuidado que empregamos as faculdades da alma; da prudência com que fortalecemos o caráter; e da segurança com que adotamos os bons hábitos.

Por isso, a importantíssima lição nos legada por Jesus: “orai e vigiai”. Com a oração pedimos a Deus amor e sabedoria. Com a vigilância, melhoramos o modo de ser, sentir, pensar, falar e agir, para desfrutar realmente do progresso e da felicidade.

12 – A CONQUISTA DE UMA VIDA PRÓSPERA E FELIZ, SEM DEPRESSÃO
A terrível depressão nos assombra quando enfrentamos males tais como: desemprego; perda irreparável; acidente sério; desestruturação da vida familiar; morte de um ente querido; competição exacerbada no ambiente de trabalho; agitação incessante imposta pela vida moderna; enfermidade prolongada; falta de esperança ou perspectiva, etc.

Nesses momentos de infortúnio precisamos exteriorizar a confiança nos Atributos de Deus. Então, mesmo abalados e sofrendo, adotamos as reações sábias e positivas, que nos permitem superar os acontecimentos ruins e as provas, sem dar qualquer chance para as causas da depressão.

A confiança nos Desígnios de Deus desperta em nós a coragem, esperança, autoconfiança e o otimismo que precisamos ante as dificuldades da vida. É assim que conseguimos vencer as missões e provas evolutivas, vendo nelas oportunidades para o desenvolvimento das faculdades da alma, o progresso intelectual e moral e a ascensão na hierarquia verdadeira.

Quando temos a certeza de que estamos sob o amparo do Pai Eterno na escalada evolutiva para a angelitude, sustentamos o nosso estilo de vida nobre, produtivo, alegre e saudável. Então, superamos as dificuldades, sem conhecer traumas ou a depressão.

Conseguimos esse fortalecimento da confiança em Deus, com a espiritualização, evangelização e moralização que nos liga Àquele a quem tudo é possível.

Então, unidos a Deus pelos laços da confiança, cultivamos as virtudes, trabalhamos com honestidade; praticamos o bem sem esperar reciprocidade; exercitamos a elevação do modo de ser, pensar, sentir, falar e agir; tratamos os semelhantes com a fraternidade, simpatia e gentileza com que gostamos de ser tratados; mantemos os pensamentos elevados, os sentimentos amorosos, as emoções controladas, as expressões verbais bem empregadas e as atitudes e ações sábias e fraternas.

Com esse bom senso, vamos engrandecendo cada vez mais o modo de vida, sem sentir qualquer ameaça da depressão.

CONCLUSÃO
Eis ai, em poucas palavras, um resumo simples das atitudes elevadas recomendadas por Severino Barbosa, para alcançarmos um viver cada vez melhor.

Aplicando-as em todas as circunstâncias da vida, descobriremos, de fato, o que é realmente progredir, viver em boas condições de vida e ser sadio, alegre e feliz. VALE A PENA EXPERIMENTAR!


domingo, 5 de janeiro de 2014

ELOGIOS AO LIVRO "KARDEC: A BIOGRAFIA", DE MARCEL SOUTO MAIOR




ELOGIOS AO LIVRO “KARDEC: A BIOGRAFIA”, DE MARCEL SOUTO MAIOR

Geziel Andrade

O ano de 2013 ficou marcado, especialmente para nós espíritas, pelo lançamento, pela Editora Record Ltda., do livro “Kardec: a Biografia”, de autoria do notável jornalista e escritor Marcel Souto Maior, muito conhecido no meio espírita por já ter publicado antes um dos mais importantes livros sobre a vida de Chico Xavier.

Marcel, desta vez, nos leva para Paris, a partir de 1855, para acompanharmos, numa linguagem clara, elegante, agradável e instrutiva, os fatos importantes que envolveram a codificação do Espiritismo por Allan Kardec.

Marcel trabalhou muito bem os fatos históricos levantados em suas pesquisas, analisando-os tanto sob os primas dos pioneiros do Espiritismo, como também dos seus contraditores, ressaltando os fenômenos espíritas, as polêmicas e controvérsias havidas e levando o leitor a reflexões e conclusões próprias.

A experiência de jornalista fez a diferença na elaboração do livro, porque Marcel retratou, com precisão e de modo imparcial, a conjuntura inusitada, os esforços do codificador e as contestações que Kardec teve que enfrentar, conseguindo agir sempre com sabedoria e bom senso.

O autor dividiu o livro em partes, procurando ser bem didático, para situar o leitor nos acontecimentos, períodos ou fases que o codificador da Doutrina Espírita percorreu até o final do cumprimento de sua missão:

• As mesas girantes e as manifestações físicas dos Espíritos.

• A cautela para descortinar o mundo invisível, analisando cuidadosamente as manifestações inteligentes dos Espíritos, através de diferentes médiuns.

• As manifestações dos Espíritos superiores fazendo predominar os rumos filosóficos e morais na Doutrina Espírita.

• A dura batalha contra os opositores e detratores ferrenhos, a partir do lançamento de “O Livro dos Espíritos”.

• A perspicácia e o método correto empregado para distinguir as verdades das mentiras, a autenticidade dos fenômenos espíritas das fraudes e mistificações feitas por aqueles que queriam autopromoção e ganhar dinheiro.

• Os médiuns autênticos preocupados com o bom uso da sua mediunidade e os médiuns interessados apenas no alarde e na exploração da sua mediunidade.

• O apoio e o companheirismo de sua esposa Amélie-Gabrielle Boudet desde os primeiros contatos com os fenômenos espíritas.

• A aceitação por parte do público e a expansão do Espiritismo por toda parte, embora as artimanhas e ataques crescentes por parte de alguns religiosos, jornalistas, mistificadores e opositores.

• Os grandes aliados que se juntaram ao codificador para defender e propagar os princípios espíritas.

• A grande quantidade de correspondências vindas de todas as partes, tomando precioso tempo para as respostas.

• As viagens para o contato direto com os espíritas de outras localidades.

• Os abalos no estado de saúde, comprometendo a plena dedicação aos estudos e trabalhos de codificação dos ensinos dos Espíritos.

• Os bastidores de certos acontecimentos que estimularam o lançamento de outras obras, edificando o Espiritismo em alicerces sólidos e legando aos seus adeptos e à humanidade um patrimônio inovador e transformador das ideias religiosas, filosóficas e morais.

O livro de Marcel sobre Allan Kardec, destinado ao público em geral, veio em momento muito oportuno, pois vivemos numa época em que os livros de biografias de personalidades famosas enchem e brilham nas prateleiras das livrarias.

Mas, notadamente para nós espíritas, essa nova contribuição literária de Marcel veio beneficiar o movimento espírita, por levantar, analisar e clarear fatos importantes, revelando o ambiente complexo e polêmico que permeou o trabalho inovador de Kardec na constituição do Espiritismo.

Esse livro deve, portanto, ser visto por nós espíritas, não como uma simples biografia de Kardec, mas um livro de leitura indispensável e de estudo da origem e formação do universo espírita, ampliando e fortalecendo o nosso entendimento da história do Espiritismo.



domingo, 1 de dezembro de 2013

LIÇÕES EM "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": CAP. IX: BEM-AVENTURADOS OS MANSOS E PACÍFICOS



PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO IX: BEM-AVENTURADOS OS MANSOS E PACÍFICOS

Geziel Andrade

INJÚRIAS E VIOLÊNCIAS

“Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra.” (Mateus, V: 4.)

“Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mateus, V: 9.)

Jesus estabeleceu como lei a doçura, moderação, mansuetude, afabilidade e paciência.

Em decorrência disso, condenou a ira, violência, cólera, descortesia e até mesmo palavra ofensiva que exprima sentimento contrário à lei de amor e caridade que deve regular as relações entre os homens, mantendo a união e a concórdia.

Assim, Jesus tornou lei a benevolência recíproca, fraternidade, humildade perante Deus e caridade para com o próximo.

Desse modo, o homem deve limitar a sua ambição e não dar aos bens terrenos mais importância do que aos bens do Reino dos céus.

Quando a lei do amor e da caridade for vigente na humanidade, o egoísmo e a violência perderão força.

Então, a Terra, com a lei do progresso e a promessa de Jesus, será transformada num mundo feliz, pela expulsão dos maus.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A AFABILIDADE E A DOÇURA”, DO ESPÍRITO LÁZARO, DITADAS EM PARIS, EM 1861:
A afabilidade e a doçura são manifestações de benevolência para com os semelhantes. Esta, por sua vez, é fruto do amor ao próximo.

A educação pode dar as aparências dessas qualidades às pessoas que se mostram doces, mas contanto que ninguém as moleste; que mordem à menor contrariedade; que falam palavras venenosas por trás dos outros; que são benignas fora de casa, mas tiranos domésticos com o seu orgulho e despotismo. Como o coração não participa de seus atos, vivem na hipocrisia.

Porém, aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, jamais se desmente. É sempre o mesmo para o mundo ou na intimidade, porque sabe que se pode enganar os homens, pelas aparências, não pode enganar a Deus.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A PACIÊNCIA”, DE UM ESPÍRITO AMIGO, DITADAS EM HAVRE, EM 1862:
A dor deve ser considerada uma bênção de Deus Todo Poderoso, porque serve de instrumento para a alma obter a glória no Céu. Portanto, não deve ser motivo de aflição. Deve ser encarada com paciência, que também é a caridade ensinada pelo Cristo, enviado de Deus.

A caridade que consiste em dar esmolas aos pobres é a mais fácil de ser praticada. Existe uma forma de caridade mais penosa e, consequentemente, bem mais meritória. Trata-se de perdoar os que Deus colocou como prova no caminho, servindo de instrumento para o sofrimento e exercício da paciência.

A vida é difícil porque se constitui de mil bagatelas que se assemelham a alfinetadas que chegam a ferir. Mas, quem cumpre os deveres impostos vê as consolações e compensações serem obtidas. Vê que as bênçãos são mais numerosas que as dores.

O Cristo é modelo de coragem. Sofreu bastante, sem nada ter de acusá-lo. Porém, de nossa parte, temos que expiar o passado e nos fortalecer para o futuro. Assim, cabe-nos ser pacientes e cristãos.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “OBEDIÊNCIA E RESIGNAÇÃO”, DO ESPÍRITO LÁZARO, DITADAS EM PARIS, EM 1863:
A doutrina de Jesus ensina sempre a obediência e a resignação.

São duas virtudes companheiras da doçura, que não devem ser confundidas com a negação do sentimento e da vontade.

A obediência é o consentimento da razão. A resignação é o consentimento do coração.

São duas forças ativas que sustentam no alto o fardo das provas; ao passo que a revolta insensata o deixa cair.

O medroso não consegue ser resignado; assim como o orgulhoso e o egoísta não conseguem ser obedientes.

Jesus foi exemplo de obediência a Deus e de resignação ante a sua missão divina.

A geração atual tem como virtude a atividade intelectual; mas como vício a indiferença moral.

Porém, a grande lei do progresso impulsiona a geração atual, despertando o espírito preguiçoso que fecha o seu entendimento dos ensinos dos bons Espíritos. Por isso, bem-aventurados são os espíritos mansos que dão ouvidos aos seus ensinamentos dóceis.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A CÓLERA”, DE UM ESPÍRITO PROTETOR, DITADAS EM BORDEAUX, EM 1863:
A cólera decorre do orgulho ferido. Este leva o homem a repelir as observações justas e a rejeitar os conselhos sábios.

Então, surge a impaciência ante as pequenas contrariedades, causando má impressão nos outros.

Por isso, em respeito a nós mesmos, devemos nos esforçar para vencer essa má tendência que nos torna dignos de piedade.

A cólera nada resolve. Ela altera a saúde e compromete a própria vida. Além disso, prejudica os entes queridos que nos cercam com o acesso de fúria que pode causar. Então, um ato colérico pode nos condenar por toda a vida.

Além disso, a cólera nos impede de fazer o bem e pode mesmo nos levar a fazer muito mal.

Portanto, devemos fazer esforços em dominá-la, pois é contrária à caridade e à humildade cristãs.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A CÓLERA”, DO ESPÍRITO HAHNEMANN, DITADAS EM PARIS, EM 1863:
O homem inclinado à cólera quase sempre desculpa esse seu temperamento com a ideia falsa que não pode reformar a sua própria natureza.

Com isso, se julga dispensado de fazer esforços perseverantes para corrigir seus defeitos.

Desse modo, atribui a Deus e ao seu organismo os seus próprios defeitos.

Um Espírito pacífico, mesmo num corpo bilioso, será sempre pacífico. Um Espírito violento, num corpo linfático, não seria dócil.

O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem; como não dá outros vícios.

Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. Nisto está o mérito e a responsabilidade de cada um.

Todo Espírito pode modificar o que diz respeito ao Espírito com sua vontade firme, que pode promover transformações verdadeiramente miraculosas.

De outra maneira, a lei do progresso não existiria para o homem.
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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Jesus trouxe à Terra, em cumprimento à missão que lhe foi confiada por Deus, a doutrina de amor, caridade, fraternidade, humildade, perdão e mansuetude.

Com isso, em seu convívio e relacionamento com os homens, ensinou e exemplificou-lhes o modo de melhorarem as relações entre si, mantendo-as num clima de benevolência, paz e harmonia, para que sejam considerados filhos de Deus.

Das virtudes ressaltadas por Jesus em sua missão evangélica decorrem muitas outras que precisamos praticar: a paciência, sinceridade, responsabilidade, obediência, resignação, coragem ante as provas e dores e perseverança na prática do bem.

Graças à doutrina de Jesus, estamos conscientes de nossos deveres morais perante Deus, os semelhantes e nós mesmos.

Então, temos por dever moral empreender esforços para corrigir nossos vícios e maus hábitos para melhorar o mundo íntimo, exteriorizar boas atitudes e ações para estabelecer condições agradáveis de vida, acumular méritos espirituais e merecer as bem-aventuranças na vida futura da alma no Reino dos céus.

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MENSAGEM DE NATAL: Aos amigos deste blog desejamos Feliz Natal e próspero ano novo.
Que essa mensagem de Jesus trazida à Terra seja a luz do farol a nos guiar no dia a dia para que suportemos as ondas agitadas e não venhamos a naufragar nas águas revoltas e perigosas da jornada terrena que nos permite a conquista do progresso intelectual e moral.
Que ante as comemorações materiais do Natal, tenhamos sempre em mente que existe um outro lado que começou numa simples manjedoura, atestando a humildade de Jesus, e foi marcado por grandes lições e exemplos religiosos e morais que devemos praticar para obter a nobreza espiritual e as bem-aventuranças para a alma na sua volta ao Reino dos céus.

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DATAS DA PUBLICAÇÃO, NESTE MESMO BLOG, DOS ARTIGOS CONTENDO AS PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”:
27/fev/2009 = Prefácio e Introdução.
12/maio/2009 = Cap. I: Não vim destruir a Lei.
01/set/2009 = Cap. II: Meu reino não é deste mundo.
01/abril/2010 = Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai.
04/ago/2010 = Cap. IV: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.
28/junho/2011 = Cap. V: Bem-aventurados os aflitos.
10/novembro/2011 = Cap. VI: O Cristo Consolador.
02/abril/2012 = Cap. VII: Bem-aventurados os pobres de Espírito
01/Nov/2013 = Cap. VIII: Bem-aventurados os puros de coração.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

LIÇÕES CONTIDAS EM "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO



PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO VIII: BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO

Geziel Andrade

DEIXAI VIR A MIM OS PEQUENINOS

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mateus, V: 8.)

“Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham.” (Marcos, X: 13-16.)

Jesus tomou a infância como símbolo da pureza de coração, que envolve humildade e simplicidade e exclui todo pensamento de egoísmo e orgulho.

Isso porque a criancinha na infância terrena manifesta inocência e candura, embora sua alma possa ser um Espírito encarnado muito antigo, que ainda não se despojou das imperfeições nas suas existências precedentes.

Só o Espírito que já atingiu a perfeição serve de modelo da verdadeira pureza.

Além disso, Jesus não disse de maneira absoluta que o Reino de Deus é para elas, mas sim para os que se lhes assemelham.

Tudo é sábio nas Obras de Deus. A criancinha conta com os cuidados e a ternura materna; precisa se adaptar ao desenvolvimento dos órgãos na nova existência terrestre e perder a fragilidade; se sujeita ao esquecimento das vidas passadas, embora suas faculdades se conservem em estado latente e permaneça com a intuição da experiência adquirida; e desfruta da oportunidade de progredir em inteligência e moralidade com a tarefa educativa dos pais. Após o período da inocência, o Espírito encarnado retoma gradualmente as suas ideias, acompanhando o crescimento do corpo material.

PECADO POR PENSAMENTO E ADULTÉRIO

Jesus frequentemente empregava a palavra adultério num sentido amplo para designar o mal, o pecado e os maus pensamentos.

Por outro lado, a verdadeira pureza está nos pensamentos e atos. Quem tem pureza de coração jamais pensa no mal, nem o pratica.

Todo pensamento mau resulta da imperfeição da alma, pelo qual ela se torna responsável.

Mas, a alma avança, se esclarece e se despoja das suas imperfeições pouco a pouco, à medida que usa melhor a sua vontade e o seu livre-arbítrio.

Em decorrência disso, o homem que não concebe um pensamento mau é porque já fez o seu trabalho e nele o progresso já está realizado.

O homem que tem um pensamento mau, mas o repele, é porque o seu trabalho está ainda por fazer e o seu progresso em vias de se cumprir. Mas, ao não ceder à tentação de satisfazer um mau desejo, por ter resistido e repelido o mau pensamento, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória e avanço.

O homem que tem um pensamento mau, e nele se compraz, é porque o mal ainda está em sua alma com a toda a sua força.

Mas, Deus que é justo, faz perfeita distinção entre as características dos homens, impondo-lhes a responsabilidade dos pensamentos e atos.

VERDADEIRA PUREZA. MÃOS NÃO LAVADAS.

“Porque do coração é que saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as fornicações, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias. Estas coisas são as que fazem imundo o homem. O comer, porém, com as mãos por lavar, isso não faz imundo o homem.” (Mateus, XV: 1-20.)

Para o homem, é mais fácil se apegar à prática dos regulamentos estabelecidos e dos atos exteriores, do que promover a sua reforma moral.

Em sentido evangélico, é mais fácil para o homem lavar as mãos do que limpar o seu coração.

Isso ocorre porque ele considera que a sua salvação espiritual está assegurada mais pelas práticas exteriores, do que pelas boas ações morais.

Então, no sentido evangélico, não basta ter as aparências da pureza. É preciso antes de tudo ter a pureza de coração.

O homem não chega a Deus, enquanto não se fizer perfeito. Para isto, conta com a religião que o torna melhor.

ESCÂNDALOS. SE VOSSA MÃO É UM MOTIVO DE ESCÂNDALO, CORTAI-A.

“Porque é necessário que sucedam escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo.” (Mateus, XVIII: 6-11.)

O escândalo, no sentido evangélico, envolve tudo o que choca ou ofende a consciência do próximo; resulta dos vícios, das imperfeições e más reações. Envolve, portanto, sempre um mal moral.

O escândalo é sempre uma decorrência das imperfeições humanas. Assim, os homens inclinados a fazer o mal são semelhantes a árvores que dão maus frutos.

Mas, sendo responsáveis por seus pensamentos e atos, estão sujeitos às expiações, com as quais punem a si mesmos no seu contato com os vícios. Então, compreendem os seus inconvenientes.

Desse modo, os escândalos servem, muitas vezes, de provas para quem os suporta; mas também de expiação para os que cometeram faltas.

O escândalo deixará de existir na Terra quando o homem tiver extirpado o mal de seu coração; tiver eliminado dele qualquer sentimento impuro que é a fonte dos vícios.

Quando os homens tiverem se tornados bons e só fizerem o bem ao próximo, se tornarão felizes e promoverão a transformação moral da Humanidade.

Essa é a condição dos mundos avançados, de onde o mal foi excluído. Essa será a condição da Terra, quando o homem tiver obtido suficiente progresso moral e os Espíritos imperfeitos, rebeldes e obstinados no mal tiverem sidos rejeitados para habitar mundos ainda primitivos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS”, DO ESPÍRITO JOÃO, O EVANGELISTA, DITADAS EM PARIS, EM 1863:

Ao dizer “Deixai vir a mim as criancinhas”, Jesus não fazia apelo apenas às crianças, mas também às almas desesperadas e à infância intelectual formada pelos fracos, escravos, viciosos.

Jesus queria que os homens se entregassem a ele com a confiança dos pequeninos para esclarecê-los sobre a verdade moral e espiritual e os fortificar e consolar.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “DEIXAI VIR A MIM AS CRIANCINHAS”, DE UM ESPÍRITO PROTETOR, DITADAS EM BORDÉUS, EM 1863:

Jesus chamou a si os fracos para fortificá-los; os tímidos e débeis para lhes dar amparo e consolo; os ignorantes para iluminá-los; os sofredores, aflitos e infelizes para lhes curar as feridas.

O amor e a caridade, ensinados por Jesus, são os bálsamos poderosos que curam todas as chagas do coração.

Eles fortalecem a alma no atendimento da vontade e dos desígnios do Senhor; despontam a coragem para que os acontecimentos, dores, tribulações, maldades e perseguições sejam suportados; e levam a alma até o seio do Senhor.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊM OS OLHOS FECHADOS”, DO ESPÍRITO VIANNEY, CURA DE ARS, DITADAS EM PARIS, EM 1862, NA OCASIÃO EM QUE UMA PESSOA CEGA LHE PEDIA A CURA:

A oração e a paciência ajudam a suportar os momentos de sofrimento e de aflição, enquanto se espera a cura que depende sempre da vontade do bom Deus.

A pessoa aflita deve pedir ao Pai, através da oração, o fortalecimento de sua alma. E Deus, que sempre ouve a prece, dá força e coragem; e talvez dê também a cura como recompensa à confiança e abnegação.

Mas, muitas vezes, o sofrimento é expiação que impede a alma de cair em escândalo. Além disso, ela pode viver completamente a vida no amor, o que a permite subir a Deus e viver com Ele.

NOTA DE ALLAN KARDEC: “Quando uma aflição não é a consequência dos atos da vida presente, é necessário procurar a sua causa numa vida anterior. Isso que chamamos caprichos da sorte nada mais são que os efeitos da justiça de Deus. Ele não aplica punições arbitrárias, pois quer sempre que entre a falta e a pena exista correlação. Se, na sua bondade, lança um véu sobre os nossos atos passados, entretanto, nos aponta o caminho, ao dizer: Quem matou pela espada, pela espada perecerá; palavras que podemos traduzir assim: “Somos sempre punidos naquilo em que pecamos”. Se, pois, alguém é afligido com a perda da visão, é que a vista foi para ele uma causa de queda. Talvez também tenha sido causa da perda da vista para outro; pode alguém ter ficado cego pelo excesso de trabalho que lhe impôs, ou ainda em consequência de maus tratos, de falta de cuidados, etc., e sofre agora a pena de talião. Ele mesmo, no seu arrependimento, pode ter escolhido esta expiação, aplicando a si próprio estas palavras de Jesus: “Se vosso olho for motivo de escândalo, arrancai-o.”
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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Jesus, com seu amor, humildade e benevolência, jamais discriminou ou fez distinção de qualquer pessoa: homem ou mulher, pobre ou rico, sábio ou ignorante, sadio ou doente, criança ou idoso, judeu ou estrangeiro...

Sempre tratou as pessoas com bondade, sabedoria, estima e consideração, oferecendo-lhes ensinos e exemplos religiosos, morais e espirituais e a esperança de uma vida melhor no Reino de Deus se a alma tivesse pureza de coração.

Jesus ensinava que a alma da pessoa que enfrentasse as tribulações da vida material praticando as virtudes desfrutaria das bem-aventuranças no Reino dos céus. Isso dava coragem, consolo e resignação às pessoas simples, sofredoras e aflitas.

Jesus, ao dizer que o Reino de Deus é para aqueles que se assemelham às criancinhas, ressaltou a importância da humildade, simplicidade e inocência.

São essas as qualidades que nos levam a agir em consonância com a vontade de Deus.

Essas virtudes nos permitem viver praticando o bem, subordinados às vontades e aos desígnios do Senhor da Terra e dos Céus; dispensar os aparatos materiais e os atos de ostentação que nos ressaltam perante os outros para fazer esforços na acumulação dos tesouros imperecíveis que acompanham a alma após a sua passagem pela vida terrena; relacionarmo-nos bem com os semelhantes; e ajudar o próximo em suas dificuldades, praticando a caridade material e moral.

Dessa forma, ao valorizar as características infantis, Jesus nos estimulou a não perder a modéstia, descontração, ingenuidade e alegria, que nos possibilitam principalmente conviver bem com os familiares, amigos e parceiros, oferecendo-lhes os gestos de gentileza, tolerância, cordialidade e fraternidade.

Então, já na vida material, ao agirmos desse modo elevado, vivemos ligados ao Pai celestial.
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DATAS DA PUBLICAÇÃO, NESTE MESMO BLOG, DOS ARTIGOS CONTENDO AS PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”:
27/fev/2009 = Prefácio e Introdução.
12/maio/2009 = Cap. I: Não vim destruir a Lei.
01/set/2009 = Cap. II: Meu reino não é deste mundo.
01/abril/2010 = Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai.
04/ago/2010 = Cap. IV: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.
28/junho/2011 = Cap. V: Bem-aventurados os aflitos.
10/novembro/2011 = Cap. VI: O Cristo Consolador.
02/abril/2012 = Cap. VII: Bem-aventurados os pobres de Espírito

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

REFLEXÕES SOBRE O BOM CARÁTER DO ESPÍRITA



REFLEXÕES SOBRE O BOM CARÁTER DO ESPÍRITA

Geziel Andrade

“O caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza, seria o do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus; porque praticaria também o amor ao próximo e a caridade, sem os quais não há a verdadeira justiça”. (“O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, Questão 879.)


“As exortações, os conselhos dos Espíritos, suas descrições da vida de além-túmulo vêm a influir em nossos pensamentos e atos e operam lenta modificação em nosso caráter e em nosso modo de viver”. (Léon Denis, no Capítulo 11 do livro “No Invisível”.)

“Cada irmão de luta é examinado pelas suas características. O melhor demonstra as virtudes que lhe são peculiares”. (Espírito Emmanuel, no Cap. 92 do livro “Fonte Viva”, psicografado por Chico Xavier.)

“O caráter de um homem é formado pelas pessoas que escolheu para conviver.” (Sigmund Freud. Fonte: Internet.)

“Semeie um ato e você colhe um hábito. Semeie um hábito e você colhe um caráter. Semeie um caráter e você colhe um destino.” (Charles Reade. Fonte: Internet.)

“As pequenas atitudes denunciam o homem de bom ou de mau caráter. Nas coisas pequenas, o homem revela seu caráter.” (Autor desconhecido. Fonte: Internet.)

“Preocupe-se mais com o seu caráter, do que com a sua reputação. O seu caráter é o que você realmente é; enquanto que a sua reputação é apenas o que os outros pensam (ou dizem) sobre o que você é.” (Autor desconhecido. Fonte: Internet.)


O bom caráter da pessoa espírita decorre dos conhecimentos que adquiriu com os princípios da Doutrina Espírita sobre Deus, Sua Obra da Criação e Suas Leis; bem como das lições que aprendeu sobre as realidades religiosas, morais e espirituais: existência da alma e sua sobrevivência à morte do corpo material; contexto evolutivo em que está inserida na vida; lei de ação e reação a que está submetida; e destino venturoso que precisa edificar com esforços próprios para a vida futura.

O bom caráter da pessoa espírita decorre ainda dos bons hábitos de praticar o bem que fixou em si mesma em função da educação moral cristã que recebe nas reuniões espíritas.

Então, o espírita esforça-se em agir sempre com sabedoria e praticar as virtudes, notadamente ante as provações e situações constrangedoras que aparecem na vida, para ser bem sucedido e feliz.

O espírita aprende com a Doutrina e ter a firme preocupação em aprimorar cada vez mais o seu caráter, pelo cumprimento fiel dos seus deveres morais perante Deus, os semelhantes e a si mesmo.

Assim, define como prioridade a prática da Lei de justiça, amor e caridade em toda a sua extensão; bem como usar corretamente as suas faculdades em benefício dos semelhantes, elevando o seu modo de ser, sentir, pensar, falar e agir.

O bom caráter do espírita sustenta-se, ainda, na ampla compreensão que tem das Leis Morais, contidas na Terceira Parte de “O Livro dos Espíritos”, e na importância que dá a elas na sua aplicação no cotidiano.

Adicionalmente, o espírita aprende com a Doutrina que Jesus é o modelo de perfeição no caráter. Então, dedica-se, permanentemente, a absorver as lições evangélicas contidas em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, com vistas a aprimorar cada vez mais o seu caráter.

Jesus, para o espírita, é a nobreza moral e espiritual, exteriorizada através da benevolência. Então, espelha-se na sabedoria e no amor do Cristo para fazer o bem e ser gentil e útil para o próximo.

Assim, o espírita vai moldando o seu caráter na educação moral cristã; equiparando o seu progresso moral ao seu progresso intelectual; e agindo sempre com amor, honestidade, responsabilidade, humildade e benevolência ante as obrigações familiares, profissionais e sociais.

Portanto, com suas boas qualidades, seus bons hábitos e seu bom caráter, a pessoa espírita esforça-se em atender o convite evangélico: “Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito”.

Especificamente para os espíritas brasileiros, concorrem ainda para o fortalecimento de suas boas características os exemplos de caráter legados por Dr. Adolfo Bezerra de Meneses, Eurípedes Barsanulfo, Chico Xavier, dentre muitos outros.

Esses espíritas dedicaram suas vidas ao trabalho honesto; estudo incessante; cultivo das ciências, artes e religião; aplicação de suas faculdades e seus conhecimentos em benefício do próximo; dedicação às virtudes cristãs para melhorar as circunstâncias da vida; disseminação do amor, da caridade e justiça para atender os deveres de fraternidade e solidariedade; disciplina e persistência na formação dos bons hábitos que melhoram as características pessoais; valorização dos ideais superiores e das ações dignas; vigilância sobre os próprios sentimentos, pensamentos e comportamentos; emprego de uma linguagem elevada; tomada de decisões sábias e corretas para a realização dos empreendimentos que beneficiam a todos e melhoram a vida em sociedade.

Em suma, com seu bom caráter, o espírita busca insistentemente ser o homem de bem, que vive com a sua consciência em paz, desfrutando do progresso, da saúde, alegria e felicidade.


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DEUS, À LUZ DO ESPIRITISMO



DEUS, À LUZ DO ESPIRITISMO

Geziel Andrade

Com a vinda de Jesus para a Terra, enviado pelo próprio Deus para dar continuidade às revelações das verdades religiosas, morais e espirituais, houve uma reformulação completa do nosso entendimento sobre:

• Os Atributos do Criador de todas as coisas e o Senhor do Céu e da Terra.

• A complexidade da Obra da Criação que abrange o reino material e o reino dos céus.

• E as formas corretas de amarmos e glorificarmos o Pai Eterno, pela prática do bem.

Jesus estabeleceu que as nossas relações com Deus devem estar pautadas na:

• Pureza de coração (os limpos de coração verão a Deus).

• Mansuetude (os pacíficos serão chamados de filhos de Deus).

• Adoração em espírito e verdade (os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e verdade, porque Deus é Espírito).

• Busca da perfeição (sedes perfeitos, como perfeito é o nosso Pai que está nos céus).

• Prática do perdão (perdoai os erros e os pecados dos semelhantes para merecerdes o perdão do Pai Celestial).

• Certeza da Justiça (bem–aventurados os famintos e os sequiosos de Justiça, pois que serão saciados).

• Observância dos deveres e das Leis (Deus sabe recompensar o servo bom e fiel).

• Confiança na bondade do Senhor (Deus que é bom e que é o Pai Celestial sabe dar boas coisas aos filhos que lhe pedem).

• Fé no poder infinito do Criador (a Deus tudo é possível).

• Distinção entre as coisas divinas e as coisas materiais (não deveis servir a Deus e a Mamon).

• Exteriorização do amor a Deus (amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças).

• Revelação de amor ao próximo e mesmo aos inimigos, porque todos somos Filhos de Deus (O Pai faz nascer o sol sobre os bons e maus e vir a chuva sobre os justos e injustos).

• Oração em secreto e com humildade (a exemplo da prece do Pai Nosso).

Portanto, Jesus promoveu uma revolução completa no nosso entendimento e nas nossas relações com Deus e com os
semelhantes.

Com isso, dilatou a nossa visão sobre Deus e Sua Obra, a ponto de poder ser dividida em antes e depois do Cristo.

DEUS, EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

Allan Kardec dedicou o Capítulo I de “O Livro dos Espíritos” à ampliação do nosso entendimento sobre os Atributos, as provas da existência de Deus e as características da Obra da Criação, com base nas revelações feitas pelos Espíritos superiores, através de diferentes médiuns.

Ficou definido que “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”.

A prova da Sua existência pode ser encontrada num axioma que é aplicado às nossas ciências: “não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e vossa razão vos responderá”.

“Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da criação. O universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pode fazer alguma coisa.”

Quanto aos Atributos do Criador, sob o ponto de vista dos homens, que possuem inteligência, linguagem, ideias, sensações e expressões limitadas, podemos dizer que “Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo poderoso e soberanamente justo e bom”.

DEUS, ESPÍRITO E MATÉRIA

Segundo as revelações dos Espíritos superiores, Deus criou apenas dois princípios elementares, dos quais tudo decorre no Universo:

• O ESPÍRITO, que é o princípio inteligente do Universo. A inteligência é, portanto, um atributo essencial do Espírito.

• O FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL OU MATÉRIA ELEMENTAR PRIMITIVA, que existe no Universo em diferentes estados de transformação, modificação e condensação. Ela existe desde os estados etéreos e sutis, que os homens ignoram e não conseguem perceber por falta de sentidos apropriados, até o estado de alta densidade ou materialidade, formando o universo material.

A INTERDEPENDÊNCIA E A INTERRELAÇÃO ENTRE O ESPÍRITO E A MATÉRIA
O Espírito e a Matéria não são totalmente independentes.

O Espírito usa a Matéria em seu próprio benefício. Ele exerce sobre ela a sua ação inteligente.

Quando o Espírito está unido à matéria orgânica, através do processo da encarnação propiciado pela Lei da reprodução, ele manifesta o seu grau de inteligência para organizar a matéria em seu próprio interesse.

A TRINDADE UNIVERSAL

Dessa forma, segundo o Espiritismo, existem três elementos gerais no Universo:

• Deus, o Pai e o Criador de todas as coisas, com Seus Atributos acima citados.

• Espírito, ser inteligente da Obra da Criação; Filho de Deus, submetido à Sua Vontade, às Suas Leis e aos Seus Desígnios.

• Matéria elementar primitiva (ou fluido cósmico universal), que se presta a muitas transformações e modificações, assumindo diferentes propriedades e estados de condensação para formar os inúmeros seres orgânicos e inorgânicos que existem no Universo, que é único. O estado de pureza absoluta, eterização, sutileza e imponderabilidade é o ponto de partida do fluido cósmico universal. Assim, o universo material não passa de um dos estados de transformação, modificação e condensação da matéria elementar primitiva. Mesmo o universo espiritual, invisível para os homens, é também formado por diferentes estados de transformação, modificação e condensação da matéria elementar primitiva. A diversidade de matérias que forma o Universo, incluindo o princípio vital, decorre, portanto, de uma única matéria elementar primitiva. Assim, todos os corpos existentes na Natureza decorrem das transformações e modificações ocorridas nessa matéria universal.

A CRIAÇÃO DOS ESPÍRITOS

Deus cria permanentemente seus Filhos. Dessa forma, o Pai jamais cessa de criá-los.

Porém, Deus cria os Espíritos simples e ignorantes, mas perfectíveis.

Dessa forma, eles passam por um longo progresso de desenvolvimento intelectual e moral, através das encarnações em diferentes mundos materiais habitados.

Então, vão percorrendo paulatinamente as diferentes ordens espirituais e se aproximando da perfeição espiritual a que foram destinados pelos Desígnios de Deus.

Alguns Espíritos, pelo longo tempo de existência, já atingiram a perfeição intelectual e moral. São os Espíritos puros, denominados pelos homens de Anjos.

Outros Espíritos, mais jovens, estão ainda progredindo no meio da hierarquia espiritual. São os chamados bons Espíritos.

Outros Espíritos, ainda na infância espiritual, encontram-se empreendendo os primeiros esforços evolutivos, libertando-se da ignorância, dos instintos materiais e das imperfeições morais, mas fazendo aquisições intelectuais e morais importantes e caminhando sempre para a perfeição, que inevitavelmente alcançarão um dia.

Assim, nenhum Filho é deserdado pelo amor do Pai.

Todos os Espíritos são, portanto, criados iguais por Deus. A todos o Pai lhes concedeu o mesmo ponto de partida, as mesmas aptidões, obrigações e liberdade de ação para progredir e conquistar o seu destino feliz.

Assim, Deus concedeu ao Espírito o livre-arbítrio, com aptidão para o bem ou para o mal. Dessa forma, são os próprios Espíritos que podem se tornar bons ou maus por atos da livre vontade própria.

Embora dotado de livre-arbítrio, o Espírito é responsável pelos seus atos, recebendo suas consequências dentro da Lei de causa e efeito; de ação e reação.

Pela Justiça e Leis de Deus, ao Espírito cabe sempre fazer o bem no limite de suas forças para ter méritos e receber os benefícios dos bons esforços e trabalhos que realizou.

Assim, o Espírito responde até mesmo por todo mal que haja resultado por não houver praticado o bem.

A prática da caridade para com os irmãos, Filhos do mesmo Pai, é dever moral para os Espíritos. Assim, desenvolvem o amor à família de Deus a que pertencem e ao próprio Criador.

Em sua bondade e sabedoria, Deus concedeu aos Filhos a consciência como sentinela vigilante. Ela assimila as Leis, distingue o bem do mal, o verdadeiro do falso e julga e dá bons conselhos para as atitudes e ações. O lado moral da consciência evolui constantemente com o progresso moral que o Espírito vai conquistando em suas relações com os semelhantes.

O MUNDO DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos são criados por Deus no mundo espiritual, que possui diferentes graus de densidade, inclusive bem diferentes da do mundo material.

A matéria sutil que forma o mundo espiritual tem a mesma origem na matéria elementar primitiva que forma o Universo. Este pode ser dividido em universo espiritual e universo material, porque o mundo dos Espíritos possui propriedades próprias, com matéria em estados diferentes de sutileza ou de condensação.

Esse mundo espiritual é preexistente ao mundo material. Ele sobrevive a tudo o que possa acontecer a este mundo.

Na realidade, o mundo material poderia até deixar de existir, sem que alterasse em nada a essência do mundo espiritual, onde o Espírito foi criado por Deus e desfruta de sua vida verdadeira.

Na vida espiritual, Deus concede ao Espírito um corpo espiritual (perispírito), que o reveste e permite a sua manifestação e ação inteligente sobre a matéria sutil.

O perispírito está sempre em harmonia com o grau de adiantamento moral do Espírito e se modifica de acordo com os progressos morais que ele realiza.

Disso decorre que o perispírito é diferente em grau de densidade para cada Espírito, em função do seu grau de elevação moral.

Assim, os Espíritos ainda inferiores, pelo grau de densidade do perispírito, não conseguem ter acesso às esferas superiores da vida espiritual. Geralmente, eles nem mesmo conseguem se afastar da superfície da Terra.

Por outro lado, os Espíritos superiores, graças à sutileza do perispírito formado com matéria bem sutil, têm acesso aos ambientes elevados do mundo espiritual, onde desfrutam das bem-aventuranças.

INTERDEPENDÊNCIA DOS MUNDOS ESPIRITUAL E MATERIAL

Os mundos espiritual e material mantêm uma relação incessante entre si, atuando constantemente um sobre o outro.

Pelo nascimento, os Filhos de Deus surgem no mundo material, através dos pais terrenos, com um corpo obtido pela Lei da reprodução que os permite exercer sua ação inteligente sobre a matéria densa, para cumprir missões, provas ou expiações e, assim, evoluir em termos intelectuais e morais.

Com a morte, os Espíritos encarnados voltam ao mundo espiritual, de onde se ausentaram temporariamente para adquirir conhecimentos, experiências, exercitar e desenvolver as faculdades, e assim, progredir na hierarquia espiritual, que é a verdadeira.

Nesse processo incessante de encarnação e desencarnação, o Espírito participa ativamente na Obra da Criação, cumprindo trabalhos e deveres que o ajudam a se aproximar da perfeição espiritual.

A AÇÃO INVISÍVEL DOS ESPÍRITOS SOBRE OS HOMENS

Embora invisíveis para os homens, os Espíritos exercem uma ação indireta permanente sobre eles.

Os Espíritos atuam sobre os pensamentos dos homens, que são Espíritos encarnados, dando-lhes ideias, sugestões e inspirações, que os levam a agir em todos os campos da vida material. Assim, os Espíritos bons e protetores ajudam os homens a progredir.

Além disso, na condição de Espíritos encarnados, quando dormimos, nossa alma se liberta parcialmente do corpo material, estabelecendo relações mais diretas com os Espíritos, conservando, algumas vezes, pelos sonhos, lembranças das experiências adquiridas e instruções recebidas. Assim, o Espírito, mesmo encarnado, jamais perde seu contato com a vida espiritual.

Adicionalmente, os Espíritos, através dos médiuns, conseguem se manifestar e comunicar com os homens, exercendo uma ação mais direta no mundo material. Exemplos disso, encontramos nas passagens evangélicas em que os Anjos se manifestaram por ocasião do nascimento de Jesus e em que os Espíritos de Moisés e de Elias apareceram para ele cheios de majestade, na transfiguração, e falaram da sua saída deste mundo, a se cumprir em Jerusalém.

A COMPLEXIDADE E BELEZA DA OBRA DE DEUS

Portanto, como vimos acima, à luz do Espiritismo, a Obra de Deus é muito complexa e maravilhosa, revelando e confirmando os Seus Atributos.

Abrange uma dimensão que foi muito bem retratada por Jesus na “Parábola do mau rico e o pobre mendigo chamado Lázaro” e nas palavras “Há muitas moradas na Casa do Pai.”
Adicionalmente, em seu livro “A Gênese”, Allan Kardec legou-nos ainda as seguintes lições sobre Deus e essas Suas grandiosas Obras:

• O completo entendimento de Deus só será alcançado quando tivermos obtido a depuração espiritual.

• Com Seus Atributos, Deus não criou o mal. O mal é obra do livre-arbítrio dos Espíritos ainda imperfeitos que estão encarnados ou desencarnados, mas em processo evolutivo. Assim, não existe um opositor eterno a Deus. Com as Leis do progresso e da reencarnação, todos os Espíritos imperfeitos estão evoluindo e caminhando para a perfeição espiritual destinada a eles por Deus.

• A visão de Deus é privilégio dos Espíritos purificados, que possuem o mais elevado grau de desmaterialização do corpo espiritual (perispírito), em decorrência da elevação moral que alcançaram.

• Para Deus nada é impossível. Mas, Ele não derroga as Suas Leis harmoniosas que regem o conjunto grandioso da Obra da Criação. Deus age sem se afastar das Leis imutáveis e perfeitas que criou.

LIÇÕES DE LÉON DENIS SOBRE DEUS

Léon Denis, na primeira parte de seu notável livro “O Grande Enigma”, legou-nos ainda as seguintes lições sobre Deus:

• Deus é nosso Pai, nosso guia, nosso condutor e nosso melhor amigo. Ele é o grande Ser, absoluto, eterno, que conhece as nossas necessidades, ouve o nosso apelo, as nossas preces, e que é sensível às nossas dores.

• Somos a criação e a expressão de Deus, que é a fonte do Bem. Mas esse Bem, nós o possuímos no estado de gérmen, e a nossa tarefa consiste em desenvolvê-lo. Nossas vidas sucessivas, nossa ascensão na espiral infinita das existências, não tem outro fim.

LIÇÕES DO ESPÍRITO EMMANUEL SOBRE DEUS

No Espiritismo, temos incontáveis lições a respeito da grandiosidade de Deus. Mas, para exemplificar, vamos recorrer apenas às seguintes lições do Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier, contidas no livro “Palavras de Vida Eterna”:

• Não olvides a palavra do Mestre quando nos afirmou que a Deus tudo é possível, e, garantindo o teu próprio descanso, refugia-te em Deus.

• O amor de Deus nunca falta. Para toda ferida haverá remédio adequado. Para todo desequilíbrio aparecerá reajuste.

• Mesmo que não entendas, de pronto, os desígnios da Providência Divina, recebe a provação como sendo o melhor que merecemos hoje, em favor do amanhã, e, ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma toda, rende graças a Deus.

• A Bondade Suprema deixa livres as criaturas para a aquisição do conhecimento. A vontade do Espírito é acatada pela Providência, em todas as manifestações, incluindo aquelas em que o homem se extravia na criminalidade, esposando obscuros compromissos.

• Em qualquer dificuldade, arrima-te à confiança, trabalhando e servindo, na certeza invariável de que Deus te abençoa e te vê.
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NOTA: Em complemento a este artigo, por favor, consultar os seguintes artigos já publicados neste mesmo blog nas datas abaixo:
• Deus: Capítulo I de “O Livro dos Espíritos = 07/julho/2009.

• Deus: Lições de Allan Kardec a respeito = 03/maio/2010.

• As Leis e a Justiça de Deus, à luz do Espiritismo = 01/julho/2013.