quarta-feira, 1 de maio de 2013
CENTENÁRIO DAS PRIMEIRAS REVELAÇÕES DETALHADAS SOBRE A VIDA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
CENTENÁRIO DAS PRIMEIRAS REVELAÇÕES DETALHADAS SOBRE A VIDA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
Geziel Andrade
Em 2013, completam-se 100 anos de existência das revelações dos Espíritos contidas no livro "A Vida Além do Véu".
Esse livro foi psicografado pelo respeitável reverendo G. Vale Owen, vigário de Orford, Lancashire, Inglaterra, e publicado no Brasil pela Federação Espírita Brasileira -FEB, com tradução de Carlos Imbassahy.
Esse livro inovador reúne as comunicações escritas pelo Espírito da senhora Owen, mãe do vigário, falecida em 1909, com 63 anos de idade, bem como as de outros Espíritos amigos, em sessões realizadas na mesa da sacristia da igreja de Orford. Portanto, num local sagrado.
Nunca, durante a sua vida terrena, em Birmingham, a senhora Owen demonstrou qualquer interesse pelas comunicações espíritas.
As comunicações dos Espíritos contidas no livro foram dadas no curto período de 23 de setembro de 1913 a 31 de outubro de 1913.
Completam, portanto, neste ano, seu centenário, merecendo homenagens no Movimento Espírita, pelas importantes contribuições que prestaram.
As revelações feitas pelos Espíritos, através da psicografia do reverendo Owen, desvendam as condições de vida existentes na vida espiritual para as almas dos homens, de um modo aberto e claro, como nunca tinha acontecido antes.
As regiões do Reino dos Céus foram descritas de modo tão pormenorizado, surpreendendo mesmo os estudiosos e pesquisadores experientes na vida da alma após a morte do corpo material.
Sir Artur Conan Doyle, famoso escritor e espírita, na Introdução do livro, deu o seu aval às narrativas dos Espíritos feitas através da mediunidade do reverendo de Orford. Ele empregou as seguintes palavras:
“Somente de Espíritos puros poderemos obter ensinamentos puros, e, entretanto, esta história do Céu parece-nos a mais completa que as condições dos mortais permitem.”
“Subverte ela nossas antigas crenças? Mil vezes, não! Amplia-as, define-as, embeleza-as, preenche o vácuo que nos fazia descaminhar; e, exceção feita para os pedantes pouco esclarecidos, que perderam o contacto com a Espiritualidade, ela é infinitamente reconfortante e elucidativa.”
(...) “Eu próprio publiquei em dois pequenos volumes uma descrição geral do outro mundo, colhida em grande número de fontes. E era tão independente da do Sr. Vale Owen como a dele é independente da minha.”
“Nenhuma tinha relação possível com a outra. E, no entanto, ao ler esta concepção, muito maior e mais pormenorizada, não encontro um único ponto importante em que eu dela me afastasse.”
“Como poderia dar-se essa concordância nas ideias gerais, se não fosse inspirada na verdade?”
E no prefácio da primeira edição desse livro, há a seguinte preparação do leitor para o que ele vai encontrar nas narrativas surpreendentes, feitas pelos próprios Espíritos, sobre as coisas existentes na continuidade da vida da alma do homem no mundo espiritual:
“Devemos dizer que estas mensagens promanam da Esfera de Luz, aquela que está mais próxima à Terra, e onde habita a principal mensageira, a mãe do vigário, consoante ela própria declara.”
“Diz-nos ela que aqueles que partiram da vida terrena habitam as mais próximas esferas do nosso globo e se vêm circundados de coisas não inteiramente dissemelhantes às que conheceram no mundo; que entraram, com a morte, no círculo mais apropriado ao nosso desenvolvimento espiritual. Não há mudança repentina em nossa personalidade. Não mergulhamos no esquecimento. Um ser não se transforma em outro ser.”
“Na primeira Esfera de Luz encontramos árvores e flores, como as que nascem nos jardins da Terra; flores e árvores mais belas, que não emurchecem, que não morrem, que formam parte integrante de nossa vida.”
“Em torno de nós há pássaros e animais. Conservam-se ainda amigos do homem, de quem estão mais próximos. São mais inteligentes e já não sofrem os temores nem padecem as crueldades que experimentam no Planeta.”
“Encontramos casas e jardins, porém, de substância, cor e atmosfera mais de acordo conosco. A água borbulha com sonoridades musicais; há maior harmonia de cores. Tudo é mais radiante, mais alegre, mais interessantemente complexo, e, não obstante estar a nossa atividade multiplicada, é a nossa vida mais remansosa”.
Para exemplificar o que os Espíritos comunicantes falaram em detalhes a respeito das realidades que as almas dos homens encontram na sua vida futura no mundo espiritual, elaboramos os seguintes pontos:
1 - DEUS:
Deus não é visível para os Espíritos nas esferas inferiores do mundo espiritual, como não o é na Terra para os homens.
Mas, Seus Atributos podem ser conhecidos, pois se manifestam através da Natureza que está ao derredor deles.
Tudo o que existe no Universo está nos planos de Deus para o bem de Seus Filhos.
A sabedoria de Deus revela-se na beleza complexa do reino que Ele criou com o Seu poder e amor.
O amor do Pai torna-se compreensível para os Filhos à medida que progridem em humildade e amor.
As esferas criadas por Deus para a habitação dos Espíritos são maravilhosas em beleza, luz e glória.
Em toda parte Deus estende Seu terno amor para todos os Seus Filhos.
Todas as esferas espirituais estão repletas do amor de Deus.
2 - ESFERAS SUPERIORES DO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos que habitam as esferas superiores, embora pertençam à alta hierarquia, vêm, continuamente, às esferas inferiores para animar aqueles que ainda enfrentam sua jornada ascendente.
Eles tornam-se visíveis e podem ser vistos pelos Espíritos inferiores, dependendo do seu estado de adiantamento e dos serviços que eles vêm prestar.
Mas, nem sempre os Espíritos inferiores vêem os mensageiros que vêm das esferas mais altas.
Eles só se tornam verdadeiramente visíveis, quando preparam seus corpos espirituais para essa visibilidade.
Assim, as manifestações dos habitantes e celebridades das regiões celestes mais elevadas e das esferas mais altas verificam-se da forma mais nítida possível nas regiões inferiores.
Os Espíritos superiores passam pelas adaptações necessárias às condições das esferas inferiores.
Ainda, à medida que os Espíritos imperfeitos vão se adiantando tornam-se mais belos e podem subir a uma esfera de luz mais alta.
Então vêem e ouvem as coisas dos planos superiores.
A falange angélica das esferas superiores manifesta-se sempre através do amor, sabedoria e bondade. Essas virtudes guiam todos os seus trabalhos.
Os Espíritos que habitam as regiões celestes superiores são gloriosos e belos.
Porém, acima e além das esferas espirituais superiores que circundam a Terra, existem as esferas interplanetárias e interestelares, que os Espíritos vinculados ao nosso planeta pouco sabem ou nada sabem de positivo a respeito.
3 - REGIÕES INFERIORES OU DAS TREVAS:
No reino de Deus, todas as esferas e regiões espirituais estão interligadas.
Assim, existem caminhos e pontes que ligam as regiões da luz às regiões das trevas.
As regiões da escuridão são desprovidas de beleza e estéreis; são cheias de rochedos e de tristezas para os seus habitantes.
Os caminhos e as pontes permitem que os Espíritos que já expiaram os erros cometidos na vida terrena possam procurar a luz e sair da terrível região escura, com o auxílio e a direção de guias, que os levam para casas de descanso, repouso e tratamento.
Esses guias tornam-se visíveis aos Espíritos sofredores, em desconforto, desespero e fraqueza espiritual na proporção das luzes que conseguiram desenvolver em seus corações.
As regiões inferiores das trevas são muito extensas e os bons Espíritos prestam socorro fraterno aos seus irmãos, Filhos do Pai Celestial, que verdadeiramente se arrependeram de terem praticado o mal na vida terrena.
Por isso, se condenaram aos horrores e as influências nocivas dos Espíritos malignos que habitam na escuridão.
Os poderes da luz e do bem atuam organizados e vigilantes. Os pedidos de socorro são analisados e examinados na ciência do amor.
Então, o auxílio é enviado da melhor forma e de acordo com o mérito daquele que suplica.
4 – A PROMOÇÃO DE UMA ESFERA ESPIRITUAL PARA OUTRA:
À medida que os Espíritos progridem das esferas inferiores para as superiores perdem a materialidade do corpo espiritual pouco a pouco e passam para condições melhores de vida.
Quanto mais alto o Espírito chega, mais elevado se torna o ambiente em que ele pode viver.
Assim, as esferas espirituais são habitadas por seres de acordo com a sua elevação intelectual e moral.
Mas, os Espíritos estão sempre progredindo de uma esfera para outra mais alta, conforme adquirem conhecimentos, experiências e virtudes.
Portanto, as esferas espirituais são habitadas por seres, de acordo com o seu grau de adiantamento, santidade e poder.
5 - ESFERAS E REGIÕES INTERMEDIÁRIAS DO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos que praticaram o bem e cultivaram as virtudes na vida terrena geralmente habitam as regiões intermediárias do mundo espiritual.
No Reino dos céus, a colheita é rigorosamente de acordo com a semeadura feita na vida material.
A justiça e o amor de Deus acompanham os Seus Filhos em seus caminhos.
Assim, é a bondade na alma que torna o corpo espiritual radiante e os vestuários brilhantes; que situa os bons Espíritos nas esferas e regiões intermediárias.
Estas esferas são dirigidas por governadores e contam com organizações e instituições, nas quais são cultivados todos os ramos das ciências e artes.
Os trabalhos, ocupações e atividades são incessantes na vida espiritual.
Nela, as preces dos homens dirigidas a Deus e aos Espíritos são registradas, analisadas e atendidas de acordo com a fé, a pureza e o merecimento.
Os Espíritos que já conquistaram o amor vivem uma vida mais espiritual, num ambiente em que tudo é muito mais bonito do que na Terra.
6 - SEMELHANÇAS DA TERRA COM AS ESFERAS ESPIRITUAIS:
O mundo espiritual é, de certo modo, a Terra aperfeiçoada.
A Terra é o Céu em embrião.
O Céu é a Terra purificada.
As belezas criadas por Deus na Terra contêm traços e semelhanças das que são encontradas nas esferas espirituais.
A Terra é uma manifestação remota das esferas espirituais.
Se assim não fosse, a comunicação entre os dois mundos não seria possível.
A esfera chamada Terra é o centro, pois as esferas espirituais estão em círculos concêntricos em torno dela.
As esferas inferiores são as que estão mais próximas da superfície do planeta e as demais esferas aumentam em poder e iluminação à proporção que se afastam dele.
A Terra é o centro de muitas esferas espirituais e está cercada por todas elas.
A Terra é a manifestação material de todas as esferas espirituais que a circundam.
A Terra é envolvida e influenciada pelos poderes espirituais de vários graus e classes dos Espíritos que habitam as esferas criadas por Deus e que a cercam.
7 - MUITOS ESPÍRITOS ELEVADOS ESTÃO EM CONTATO COM A TERRA E AS REGIÕES LIMÍTROFES DA ESFERA TERRESTRE:
Espíritos missionários assistem os Espíritos encarnados que estão prestes a passar para o outro lado da vida, bem como os recém chegados à vida espiritual e que não compreendem ainda que já atravessaram a linha divisória entre a Terra e o mundo dos Espíritos.
Muitos deles não percebem que o corpo material morreu, porque se sentem vivos e com um corpo espiritual semelhante ao que tinham.
Então, precisam ser convencidos de que não mais se acham na vida terrena.
Os que vêm da Terra, depois de terem vivido uma vida sem progresso, se encontram em esferas tão grosseiras, que não conseguem distingui-las da própria Terra.
Precisam então ser convencidos de que mudaram de estado.
Somente as almas esclarecidas sobre as coisas espirituais compreendem de pronto que passaram para o mundo espiritual.
Os Espíritos elevados que estão em contato com a Terra têm a capacidade de desvendar o mais íntimo na alma do homem.
Eles vêem além do corpo material e do cérebro mecânico que nada mais é que uma roupagem envolvendo a alma.
8 – A FORMA HUMANA DOS ESPÍRITOS:
Os Espíritos, que são as almas dos homens que perderam o corpo material com a morte, habitam as regiões do mundo espiritual, com um corpo que conserva a forma humana masculina ou feminina.
Então, os Espíritos aparentam diversas idades.
Muitos velhos ainda não progrediram o suficiente para se tornarem novamente moços e vigorosos e muitos moços ainda não puderam alcançar um completo desenvolvimento.
As crianças são bem cuidadas, para que tenham um crescimento saudável, conheçam as coisas das esferas espirituais e adquiram as experiências que não tiveram na curta vida terrena.
Embora o corpo espiritual não seja constituído de osso, carne e sangue, é tão real como o corpo material que foi abandonado na Terra.
Além disso, esse corpo espiritual corresponde com eficiência ao caráter e ao grau de elevação moral do Espírito.
9 - MEIO AMBIENTE EXISTENTE NO MUNDO DOS ESPÍRITOS:
No mundo espiritual existem montes, cadeias de montanhas, água, fontes, rios, lagos, regatos, cachoeiras, vegetação, plantas, grama, relvas, arbustos, árvores, bosques, florestas, jardins, flores, fauna e flora, formando belíssimas paisagens naturais.
A matéria sutil que forma essa Natureza tem características próprias e sofre variações para cada esfera espiritual, mas nas esferas mais elevadas as maravilhas dos reinos celestiais tornam-se insuperáveis.
10 - ANIMAIS NO MUNDO ESPIRITUAL:
Na vida espiritual existe bela fauna, com algumas espécies conhecidas na Terra e outras estranhas para os homens.
São pássaros com linda plumagem; animais diversos como cavalos, bois, faunos, antílopes e outros quadrúpedes; peixes diversos, etc.
Eles não temem uns aos outros porque não podem ser maltratados nem mortos.
Eles são usados de forma útil pelos Espíritos e se distraem com os seus trabalhos e gostam de desempenhar tarefas.
11 - CASAS, PALÁCIOS, EDIFÍCIOS, ESCOLAS, BIBLIOTECAS, LABORATÓRIOS, SALÕES DE CONFERÊNCIA, RUAS E CIDADES EXISTENTES NO MUNDO ESPIRITUAL:
As edificações existentes no mundo espiritual foram construídas pelos Espíritos que antecederam aqueles que continuaram as suas lutas na vida terrena.
Quando estes vierem para o mundo espiritual, encontrarão tudo pronto e preparado para recebê-los.
As construções são feitas pela força de vontade dos Espíritos que gozam de grande poder criador nesse campo.
12 - MÚSICA NO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos entoam lindos cantos, acompanhados por instrumentos musicais.
Eles sentem-se felizes com as harmonias da doce música vocal e instrumental que é produzida pelos Espíritos músicos.
Essa música se torna mais sublime quanto mais adiantado for o plano de vida.
Os Espíritos músicos fazem chegar a inspiração musical àqueles que, na Terra, têm vocação para compor músicas.
Assim, muitas músicas celestes são transmitidas através do véu até a esfera terrestre.
A música celeste tem um papel acentuado na vida espiritual.
CONCLUSÃO
Essas são, em síntese, as revelações contidas nas comunicações do Espírito da senhora Owen, mãe do reverendo G. Vale Owen, bem como de outros Espíritos amigos dela.
Elas estão completando seu centenário neste ano de 2013, merecendo comemorações no Movimento Espírita.
Elas inauguraram, a partir da Inglaterra, a fase das revelações e descrições muito detalhadas feitas pelos Espíritos sobre as coisas existentes na vida espiritual, para orientarem os homens sobre a continuidade da vida da alma.
Depois disso, as comunicações reveladoras continuaram a ser feitas em outras partes do mundo, mas principalmente aqui no Brasil, notadamente através da mediunidade de Chico Xavier.
Essas comunicações reveladoras complementaram, de modo inovador, as revelações que os Espíritos superiores fizeram na França, a Allan Kardec, e que permitiram a Codificação do Espiritismo.
Com isso, o Espiritismo descortinou de modo surpreendente os mistérios da vida da alma do homem após esta vida terrena.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
MULHERES NA CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
MULHERES NA CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
Geziel Andrade
Imagem: Allan Kardec com Amélie Boudet Rivail. Fonte: Wikipédia.
Mulheres tiveram participação notável no surgimento, na codificação e na divulgação do Espiritismo, demonstrando coragem, ausência de preconceitos e espírito inovador, como veremos a seguir:
1 - SENHORA PLAINEMAISON
Em maio de 1855, em Paris, na França, o famoso professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, mais tarde, adotaria o pseudônimo de Allan Kardec, estava numa reunião de amigos na casa da senhora Roger.
Lá, se encontrou com dois velhos conhecidos, o senhor Pâtier e a senhora Plainemaison.
Logo, esses dois amigos direcionaram a conversa para o assunto que estava na moda na França: os fenômenos das mesas girantes ou falantes.
O senhor Pâtier era um funcionário público de certa idade e uma pessoa muito instruída, de caráter grave, frio e calmo.
O senhor Pâtier narrou ao professor Rivail os fatos surpreendentes que vinha presenciando em sessões das mesas falantes, despertando-lhe viva impressão sobre o assunto.
Para que o professor Rivail pudesse comprovar pessoalmente a autenticidade dos fenômenos e pudesse eliminar suas possíveis dúvidas ou descrenças, o senhor Pâtier convidou-o para assistir as experiências que eram realizadas na casa da senhora Plainemaison.
O convite do senhor Pâtier foi aceito imediatamente.
A respeito dessa primeira sessão espírita na casa da senhora Plainemaison, o professor Rivail, mais tarde, escreveu o seguinte:
“Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida.”
“Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta.”
“Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa.”
“Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.”
Portanto, foi graças a essa sessão espírita realizada na casa da senhora Plainemaison, que foi pioneira na realização desse tipo de reunião, que o professor Rivail constatou pessoalmente a veracidade dos surpreendentes fenômenos das mesas girantes e decidiu estudá-los a fundo, dando um novo rumo na história do Espiritismo.
Após ter decidido pesquisar seriamente o fenômeno das mesas girantes, o professor Rivail passou a frequentar assiduamente as reuniões que eram realizadas habitualmente na casa da senhora Plainemaison.
Portanto, esta mulher, que já se dedicava, de modo pioneiro, em sua própria casa, às comunicações com os Espíritos, introduziu o professor Rival em seus estudos dos fatos e fenômenos espíritas.
2 - SENHORITAS CAROLINE BAUDIN, DE 16 ANOS, E JULIE BAUDIN, DE 14 ANOS.
Foi numa das reuniões espíritas realizadas na casa da senhora Plainemaison, que o professor Rivail conheceu o senhor Baudin, que também realizava sessões espíritas em sua própria casa.
Notando o grande interesse que o professor Rivail tinha em estudar de forma séria os fenômenos espíritas, o senhor Baudin convidou-o para observar e analisar os fatos que ocorriam nas sessões que realizava em sua residência.
Nessas reuniões espíritas com regularidade na casa do senhor Baudin, um fato notável prendeu a atenção do professor Rivail: as duas filhas do senhor Baudin, as senhoritas Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14 anos, serviam de médiuns, com uma habilidade extraordinária.
Elas intermediavam a escrita dos Espíritos numa ardósia, com o auxílio de um lápis (tipo giz) preso numa cesta. As meninas colocavam as mãos nas bordas da cesta para que os Espíritos pudessem escrever suas mensagens ou fazer suas revelações.
Como as meninas não tinham contato direto com o lápis, era impossível qualquer intromissão das suas ideias nas palavras escritas pelos Espíritos.
Era dessa forma que os Espíritos respondiam a todas as perguntas que lhes eram dirigidas, inclusive as formuladas mentalmente. Isso tornava evidente que não havia nas respostas qualquer intervenção das ideias das médiuns ou das pessoas que estavam presentes nas reuniões.
Foi graças a esse trabalho mediúnico extraordinário realizado por duas meninas, Caroline e Julie Baudin, que o professor Rivail:
• Aprofundou seus primeiros estudos sérios de Espiritismo.
• Fez observações minuciosas dos fatos e fenômenos espíritas.
• Comparou acontecimentos, percebendo suas consequências filosóficas e religiosas.
• Obteve a comprovação e provas irrefutáveis de que os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra.
• Convenceu-se, de forma inabalável, que a alma no homem, de fato, sobrevive à morte do corpo material, conservando todas as suas faculdades intelectuais e morais, e podendo inclusive se comunicar com os homens através dos médiuns.
Portanto, foi graças ao trabalho mediúnico de duas jovens, Caroline e Julie, que o professor Rivail teve condições de dedicar-se arduamente às investigações espíritas, levando, inclusive, para as sessões espíritas algumas questões previamente formuladas e preparadas para serem apresentadas aos Espíritos.
As questões formuladas aos Espíritos pelo professor Rivail eram respondidas com sabedoria, precisão, profundeza, clareza e lógica.
Então, o professor Rivail instruiu-se acerca das condições da alma do homem na vida espiritual, despertando, ao mesmo tempo, nas pessoas que frequentavam as reuniões, um vivo interesse pelos assuntos tratados e discutidos.
Com o decorrer do tempo e aprofundamento das investigações, o professor Rivail percebeu que:
• As respostas dadas pelos Espíritos, através das duas médiuns, sobre os mais variados assuntos, tinham interesse geral para a expansão do saber humano.
• Por isso, se elas fossem reunidas num livro, de uma forma ordenada, ganhariam o formato de uma Doutrina inédita.
Portanto, foi graças ao extraordinário trabalho mediúnico realizado pelas jovens Caroline e Julie que o professor Rivail entrou, de forma inusitada, em contato útil, sério e instrutivo com os Espíritos.
Foi dessa mesma forma que conheceu o seu Espírito protetor, o Espírito de Verdade. Este passou a orientá-lo em seus estudos; a auxiliá-lo na solução de alguns problemas complicados; a facilitar-lhe a execução de certos trabalhos espíritas; e a protegê-lo da malignidade dos antagonistas das ideias espíritas.
Sobre a participação das senhoritas Caroline e Julie na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, publicado em 18 de abril de 1857, constituindo o Espiritismo, o professor Rivail, já com o pseudônimo de Allan Kardec, escreveu:
“Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas Baudin, cuja boa vontade jamais nos faltou.”
“O livro foi quase todo escrito por intermédio delas e em presença de numeroso público que assistia às sessões, nas quais tinham o mais vivo interesse.”
Portanto, os primeiros trabalhos de Allan Kardec na codificação do Espiritismo foram concretizados graças às duas jovens: as senhoritas Caroline e Judie Baudin, cujos pais, o senhor e a senhora Baudin, as haviam integrado no Movimento Espírita nascente, apesar da pouca idade que as duas filhas possuíam.
3 - SENHORITA RUTH CELINE JAPHET, COM 20 ANOS DE IDADE
Além da presença nas reuniões espíritas realizadas na casa do senhor Baudin, o professor Rivail passou a frequentar ainda as sessões que eram realizadas na residência do senhor Roustan.
Lá, conheceu a extraordinária médium senhorita Japhet. Esta excelente médium permitiu-o ampliar o contato e a comunicação com muitos outros Espíritos.
Foi através da mediunidade da senhorita Japhet, que o professor Rivail:
• Obteve dos Espíritos a resposta para inúmeras questões embaraçosas e complexas que pretendia incluir no livro em elaboração.
• Recebeu a orientação dos Espíritos superiores que fizesse uma revisão completa no seu trabalho, em reuniões particulares, servindo-se da mediunidade da própria senhorita Japhet.
• E ficou sabendo de modo convincente que tinha uma importante missão a cumprir no campo religioso e espiritual.
Sobre a notável participação da senhorita Japhet, com o seu excelente trabalho mediúnico, na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec escreveu o seguinte:
“Os Espíritos recomendaram uma revisão completa do livro em sessões particulares, tendo-se feito, então, todas as adições e correções julgadas necessárias.”
“Esta parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, a qual se prestou com a melhor boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que marcavam dia e hora para suas lições.”
“A senhorita Japhet, que é também uma notável sonâmbula, tinha seu tempo utilmente empregado; mas compreendeu que também lhe daria uma aplicação proveitosa ao se consagrar à propagação da Doutrina.”
Portanto, a codificação do Espiritismo, contida em “O Livro dos Espíritos”, foi concretizada também graças ao extraordinário trabalho mediúnico de outra jovem: a senhorita Japhet.
4 - SENHORITA ALINE CARLOTTI, COM 20 ANOS DE IDADE
A senhorita Aline, médium de psicografia e psicofonia, foi quem serviu de intermediária para que o Espírito de Verdade confirmasse ao professor Rivail que ele tinha uma missão importante a realizar com o seu trabalho de codificação dos ensinos dos Espíritos.
O Espírito da Verdade escreveu-lhe o seguinte, através da mediunidade da senhorita Aline:
“Confirmo o que te foi dito a respeito da tua missão, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem.”
“Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se.”
“Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.”
“A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário.”
“Previno-te de que é rude a tua missão, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro...”
Portanto, outra mulher, a senhorita Aline, participou de modo grandioso na codificação do Espiritismo, ao intermediar muitas comunicações e revelações dos Espíritos.
5 - SENHORITA ERMANCE DUFAUX, COM 14 ANOS DE IDADE
A senhorita Ermance Dufaux, juntamente com a sua mãe, atuavam como médiuns nas sessões espíritas que eram realizadas em seu próprio lar, sob a direção do senhor Dufaux.
Portanto, toda a família Dufaux estava integrada no Movimento Espírito nascente, com participação muito importante das mulheres.
A mediunidade de Ermance Dufaux impressionou profundamente Allan Kardec porque ela, com apenas 14 anos de idade, já tinha psicografado um trabalho literário de fôlego.
Tratava-se de uma obra inédita e completa, contendo uma infinidade de detalhes pouco ou nada conhecidos sobre a vida da heroína Joana D’Arc.
Devido ao seu grande interesse em intermediar as comunicações com os Espíritos, Ermance Dufaux se dispôs voluntariamente a ser a médium principal nas reuniões espíritas que eram realizadas na casa de Allan Kardec.
Sobre isto, ele escreveu:
“Havia cerca de seis meses, eu realizava, em minha casa, à rua dos Mártires, uma reunião com alguns adeptos, às terças-feiras.”
“A senhorita Ermance Dufaux era o médium principal. Conquanto o local não comportasse mais de 15 ou 20 pessoas, até 30 lá se juntavam às vezes. Apresentavam grande interesse tais reuniões, pelo caráter sério de que se revestiam e pelas questões que ali se tratavam.”
Portanto, a senhorita Ermance Dufaux também teve uma participação muito importante no trabalho de codificação do Espiritismo.
6 - SENHORA MARIE ALEXANDRINE DIDELOT DELLANE (MÃE DE GABRIEL DELLANE)
O senhor Alexandre Delanne e sua esposa Marie tornaram-se grandes amigos de Allan Kardec, depois que se converteram ao Espiritismo.
A senhora Delanne havia desenvolvido a sua mediunidade no grupo espírita mantido por Allan Kardec em sua própria casa.
Depois disso, nesse mesmo grupo espírita, a senhora Delanne passou a trabalhar com dedicação como médium de psicografia.
Mais tarde, ela e seu marido decidiram realizar reuniões espíritas em seu próprio reduto doméstico. Porém, transmitiam a Allan Kardec tudo o que acontecia ali sobre as comunicações, manifestações e revelações dos Espíritos, municiando-o de informações independentes para a Codificação.
Nesse ambiente espírita, nasceu e cresceu Gabriel Delanne, que desenvolveu também grande amizade com Allan Kardec e se tornou, quando adulto, um dos grandes vultos do Espiritismo.
Portanto, outra mulher, a senhora Dellane, desempenhou um papel importantíssimo, tanto na codificação do Espiritismo, quanto na formação da nova geração espírita, com a educação espírita que deu ao seu filho Gabriel.
7 - OUTRAS SENHORAS QUE TIVERAM PARTICIPAÇÃO NOTÁVEL NA FORMAÇÃO DO ESPIRITISMO
Para a codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou ainda com o concurso de muitas outras mulheres, dentre elas:
• A senhora Canu, médium sonâmbula inconsciente.
• A senhora Leclerc, médium psicógrafa.
• A senhora Clement, médium de psicografia e de incorporação.
• A senhora Roger, médium clarividente.
8 – A PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DA SENHORA ALLAN KARDEC: AMÉLIE GABRIELLE DE LACOMBE BOUDET RIVAIL
A senhora Allan Kardec desempenhou um papel relevante e especial na codificação do Espiritismo pelo grande incentivo, enorme apoio e notável colaboração que prestou na realização dos trabalhos espíritas de seu marido.
Sem esse apoio, certamente, Allan Kardec não teria conseguido realizar a sua inovadora e grandiosa obra espírita.
Sua esposa apoiou-o desde as suas primeiras participações em sessões espíritas e principalmente para realizar reuniões espíritas em sua própria residência.
O próprio Allan Kardec reconheceu o papel importante que a sua esposa desempenhou em sua vida, ao escrever as seguintes palavras:
“Quando concebi a ideia do “O Livro dos Espíritos”, minha intenção era não me pôr em evidência e ficar desconhecido; mas logo ultrapassado, isto não me foi possível: tive que renunciar aos meus gostos de retiro, sob pena de abdicar da obra empreendida e que crescia prodigiosamente; mas foi preciso seguir-lhe o impulso e tomar as rédeas.”
“Foi a obra de minha vida: a ela dei todo o meu tempo, sacrifiquei meu repouso, minha saúde, porque o futuro estava escrito em minha frente em caracteres irrecusáveis.”
“Fi-lo por meu próprio movimento e minha mulher, que nem é mais ambiciosa nem mais interesseira do que eu, concordou plenamente com meus pontos de vista e me secundou na tarefa laboriosa, como o faz ainda, por um trabalho por vezes acima de suas forças, sacrificando sem pesar os prazeres e distrações do mundo, aos quais sua posição de família a tinham habituado.”
Portanto, a senhora Allan Kardec teve um espírito aberto, participativo e abnegado ao envolver-se nas tarefas e atividades de seu marido, que resultaram na codificação, estruturação e divulgação do Espiritismo.
E mesmo depois da morte de Allan Kardec, sua esposa manteve sua importante participação tanto no Movimento Espírita, quanto no fortalecimento e na divulgação do Espiritismo.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Em conclusão, numa época (1850 a 1890) em que os preconceitos contra as mulheres eram muito fortes, (notadamente os lançados pelas religiões tradicionais e os impostos pelos interesses econômicos e sociais masculinos), algumas mulheres os ignoraram completamente e desempenharam corajosamente papeis importantíssimos na comunicação com os Espíritos, na codificação do Espiritismo e no desenvolvimento do Movimento Espírita.
E mesmo na atualidade, principalmente aqui no Brasil, onde a Doutrina Espírita tem o maior número de adeptos do mundo, as mulheres são a maioria dos espíritas, desempenhando funções importantes tanto nos Centros Espíritas, quanto influindo na educação espírita dos maridos e dos filhos.
É que os princípios espíritas pregam absoluta igualdade entre a alma do homem e a alma da mulher, aceitando a livre participação e colocando as mulheres no Movimento Espírita, sem qualquer restrição, seja no trabalho fraternal de direção, operacionalização, engrandecimento, divulgação e expansão do Espiritismo, bem como na formação das novas gerações de espíritas.
No Espiritismo, os seguintes princípios espíritas colocam as mulheres no Movimento Espírita em plena igualdade com os homens:
• Deus criou todas as almas iguais e semelhantes.
• As supostas desigualdades existentes entre as almas masculinas e femininas estão fundadas pela ignorância e pela força bruta. Portanto, desaparecerão com o progresso e o reinado da justiça.
• As almas ou Espíritos não têm sexo.
• Os sexos só existem no organismo material. São necessários à reprodução dos seres vivos.
• Os Espíritos, filhos e criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros. Razão por que os sexos são inúteis no mundo espiritual.
• Os Espíritos são criados por Deus simples e ignorantes para progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos. Então, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a passar por diferentes gêneros de provas para evoluir.
• É, por isso que os Espíritos, alternativamente, nascem ricos ou pobres, senhores ou servos, operários intelectuais ou da força bruta, homens ou mulheres.
• Assim, o princípio da igualdade entre homens e mulheres se acha fundada sobre as leis mesmas da matéria.
• É com esse mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos.
• Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofre-lhes as provas para progredir em termos intelectuais e morais.
• Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo material, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e às exigências impostas pelo mesmo organismo.
• Pode ainda acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa.
• Somente quando chegado a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos.
• Os Espíritos que se nos apresentam como homens ou como mulheres, é para nos lembrar a existência em que os conhecemos.
• Dessa forma, não existe diferença entre o homem e a mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo.
• Mas quanto ao Espírito, à alma, o ser essencial, imperecível, a diferença não existe, porque não há duas espécies de almas.
• Quis Deus a sua justiça para todos os Seus filhos, para todas as Suas criaturas.
• Dando Deus a todas as almas um mesmo princípio e um mesmo destino, fundou a verdadeira igualdade.
• A desigualdade só existe temporariamente no grau de adiantamento intelectual, moral e espiritual de cada Espírito em evolução. Mas, todos os Filhos de Deus estão progredindo, graças às incontáveis reencarnações na Terra ou em outros mundos habitados, a caminho da conquista da perfeição espiritual.
• Então, todos os Espíritos têm direito ao mesmo destino. Cada um chega ao destino glorioso estabelecido pelo Criador por seu trabalho, porque Deus não favoreceu ninguém às custas dos outros.
• Com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher é um direito fundado nessas leis da natureza.
• Dando a conhecer estas leis, o Espiritismo abriu a era da emancipação legal da mulher, como abriu a da igualdade e a da fraternidade.
segunda-feira, 4 de março de 2013
"O LIVRO DOS MÉDIUNS": TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO IV: TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
IMAGENS: Daniel Dunglas Home (1833 – 1886), potente médium de manifestações físicas dos Espíritos.
Geziel Andrade



Uma vez demonstrada a existência dos Espíritos, pelo raciocínio e pelos fatos, bem como a possibilidade deles agirem sobre a matéria, cabe agora entender como conseguem mover mesas e outros corpos inertes.
Foram os próprios Espíritos que deram a explicação de como conseguem produzir suas manifestações físicas, contrariando as ideias que os homens tinham a esse respeito e oferecendo solução para numerosos fatos que não tinham uma explicação satisfatória.
O Espírito possui o perispírito (corpo espiritual ou envoltório semimaterial) que tem a forma humana. Mas, o Espírito não se serve de suas mãos, nem de seus braços para girar ou erguer uma mesa.
Ele se serve do fluido universal, o qual, no ambiente terrestre, está bastante modificado em relação à simplicidade absoluta em que é encontrado nas regiões elevadas habitadas pelos Espíritos puros.
É esse mesmo fluido universal modificado que se presta à formação da matéria compacta que rodeia os homens na vida terrena.
É esse mesmo fluido universal modificado que forma o perispírito do Espírito, numa espécie de condensação em torno dele. Então, as faculdades pertencem ao Espírito e não estão nesse corpo fluídico semimaterial que sofre modificações.
Porém, esse fluido modificado que forma o perispírito não possui todas as propriedades da matéria densa. Ele tem características próprias, permitindo a formação do perispírito, que é invisível para os homens no seu estado normal.
Então, quando um Espírito quer mover um corpo sólido existente na vida terrena, ele combina uma porção do fluido universal modificado que compõe o seu perispírito com o fluido mais denso que se desprende naturalmente de um médium apropriado a produzir os denominados fenômenos de efeitos físicos.
Assim, quando uma mesa ou qualquer outro objeto se move sob o comando inteligente de um Espírito é porque este está usando os fluidos que combinou, dando ao objeto uma vida factícia ou artificial.
O Espírito, usando os fluidos que elaborou, prepara a mesa para poder movimentá-la sob a ação de sua vontade. Então, os fluidos que o Espírito combinou têm uma influência decisiva na produção do fenômeno da manifestação física.
Geralmente, os Espíritos inferiores são mais aptos à produção dos efeitos físicos, porque agem com mais facilidade sobre os fluidos materiais que se desprendem do médium.
Os Espíritos superiores, que possuem a força moral, quando necessitam produzir efeitos materiais, servem-se dos Espíritos inferiores, porque estes possuem a força física.
Quando a massa do objeto material que o Espírito deseja mover é muito pesada, ele pede ajuda para outros Espíritos que possuem a sua mesma condição. Quase sempre, são Espíritos semelhantes que acodem e ajudam espontaneamente.
Por sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito, detentor de todas as faculdades, não pode agir diretamente sobre a matéria grosseira. Para atuar sobre ela, ele precisa de seu perispírito, do seu corpo fluídico que é de natureza semimaterial.
Portanto, no perispírito está a chave, a explicação para todos os fenômenos espíritas, incluindo as manifestações físicas do Espírito.
Como se deduz das explicações acima, a densidade do perispírito não é a mesma para todos os Espíritos. Ela varia de acordo com os mundos e as características dos indivíduos.
Nos Espíritos moralmente adiantados, o perispírito é mais sutil e se aproxima do dos Espíritos elevados.
Nos Espíritos inferiores, o perispírito aproxima-se da matéria densa. Dessa forma, eles mantêm as ilusões da vida terrena, pensam e agem como se ainda estivessem na vida terrena, sustentando os mesmos desejos e padrão de sensualidade.
A densidade maior do perispírito dos Espíritos inferiores estabelece maior afinidade com a matéria densa. Por isso, os Espíritos inferiores são mais aptos a produzir as manifestações físicas.
Portanto, o perispírito, que é para o Espírito o que o corpo material é para o homem, tem uma densidade que está de acordo com o seu grau de inferioridade ou de superioridade.
A maior densidade do perispírito dá ao Espírito inferior maior poder de atuação sobre os fluidos que são necessários para que as manifestações físicas sejam realizadas.
Reafirmando: em decorrência disso, se um Espírito elevado, que possui um perispírito de natureza mais sutil ou etérea, quiser produzir efeitos físicos, precisa recorrer a Espíritos aptos a realizá-los.
Conforme citado anteriormente, quando o Espírito vai produzir manifestações físicas, ele anima a matéria densa de uma vida artificial.
Para isso, ele precisa do médium de efeitos físicos, que forneça o fluido que vai combinar com o do seu perispírito.
O fluido que o Espírito combinou serve de instrumento para que ele anime e movimente uma mesa, por exemplo. Então, ela se move em obediência à vontade do ser inteligente.
Portanto, na produção de manifestações físicas, é indispensável que o médium forneça o fluido que o Espírito vai unir ao seu. Então, com o fluido combinado, a mesa adquire uma vida artificial e momentânea, a qual se extingue quando a quantidade do fluido já não é suficiente para animar o móvel.
O Espírito não precisa do consentimento do médium para obter o fluido material alheio e produzir efeitos físicos. Ele pode agir à revelia do médium, tirando dele, como de uma fonte, o fluido animal de que necessita para produzir fenômenos espontâneos.
É dessa forma que há movimentação do objeto malgrado ou contra a vontade do médium. A causa do fenômeno é independente do desejo deste.
Provas disso estão nos movimentos e deslocamentos espontâneos de objetos que ninguém pensou em provocar.
Desse modo, muitas pessoas ajudam os Espíritos na realização de certos fenômenos espíritas sem o saberem.
Porém, a vontade do médium em produzir um determinado efeito físico pode aumentar sua doação de fluidos e a potência do fenômeno.
A potência das manifestações físicas depende não só do organismo do médium, mas também da maior ou menor facilidade que o Espírito encontra para combinar os fluidos.
Além disso, influi ainda na realização do fenômeno a maior ou menor simpatia que o Espírito tem pelo médium de quem tira o fluido que necessita.
Algumas pessoas são inteiramente refratárias à produção de manifestações físicas dos Espíritos. Outras só conseguem as manifestações pelo esforço da sua própria vontade. Outras participam do fenômeno de forma tão natural e fácil que nem percebem que serviram de instrumento para os Espíritos. Participam dele sem saberem ou perceberem.
Em função do acima exposto, certas pessoas não se prestam nem mesmo para que uma mesinha de centro seja movimentada. Por outro lado, basta que certas crianças apenas ponham os dedos numa mesa pesada para que ela se agite e movimente rapidamente.
Há ainda o caso de certas pessoas terem a capacidade de tirar de si mesmas o fluido necessário à produção de certos fenômenos materiais. Então, podem agir sem o auxílio dos Espíritos. Todavia, isso não impede que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais para produzir determinadas manifestações físicas.
Portanto, no perispírito do Espírito e no perispírito do médium, (que é um Espírito encarnado) estão os fluidos que permitem a um Espírito produzir fenômenos materiais, como, por exemplo, mover mesa ou corpos sólidos.
Os fluidos combinados, sob a ação inteligente do Espírito, agem sobre a matéria densa ao penetrá-la e se identificarem com ela.
O mesmo ocorre na produção de batidas. O Espírito combina o seu fluido com o do médium e os põe em ação pela sua vontade. Da mesma forma, pode agir também sobre o ar para produzir sons articulados ou imitar todos os tipos de sons ou ruídos materiais.
No caso específico de mãos que aparecem dedilhando teclados, movimentando teclas e produzindo sons, o Espírito penetra a matéria com os fluidos que combinou. Então, se identifica com ela, dando-lhe uma vida artificial. Dessa forma, ele anima a matéria densa e consegue que a tecla obedeça a sua vontade. Dessa forma, faz vibrar a corda do instrumento musical, que emite sons de forma organizada e inteligente.
Para esclarecer melhor a participação do médium nas manifestações físicas dos Espíritos, o perispírito do médium emite um fluido diferente do emitido pelo perispírito do Espírito. Isso porque o perispírito do médium está ligado à matéria do seu corpo material.
O médium, que é um Espírito encarnado, está unido temporariamente ao corpo material pelo seu perispírito. Então, o seu perispírito emite um fluido mais denso que aquele do perispírito do Espírito.
Assim, há uma espécie de emanação de substância do perispírito do médium, devido as condições especiais da sua organização física. Isto caracteriza as pessoas que podem atuar como médiuns de efeitos físicos mais ou menos possantes.
Já o Espírito, nas suas manifestações físicas, serve-se de seu próprio perispírito para combinar os fluidos. Ele comanda os processos com o poder de sua vontade.
Portanto, quando um Espírito move, ergue ou atira um objeto material, ele não usa as suas mãos. Ele satura o objeto com um fluido combinado e o põe em movimento com a sua vontade.
Dessa forma, o objeto fica momentaneamente vivificado ou com uma vida artificial. Então, obedece ao impulso da vontade do Espírito.
Esta teoria foi estabelecida a partir das revelações feitas pelos próprios Espíritos. Ela veio lançar luz sobre uma infinidade de fenômenos espirituais que eram até então inexplicáveis. Ela revelou uma nova lei natural até então desconhecida, contrariando a pretensão dos homens em conhecer todas as leis da natureza.
Por sinal, muitas outras propriedades do fluido universal, (que é o elemento básico que permite a formação da matéria, a qual pode ser classificada em incontáveis tipos), continuam ainda desconhecidas.
Adicionalmente, se um Espírito pode erguer e movimentar uma mesa pesada pelo modo acima exposto, ele pode também erguer qualquer outro objeto material. Pode inclusive erguer uma pessoa sentada, quando obtém uma força suficiente para isso.
Este fenômeno foi obtido inúmeras vezes pelo médium senhor Home, consigo mesmo e com outras pessoas. Com isso, deu provas de que era um médium de efeitos físicos muito potente.
Para provar aos assistentes que o fenômeno não se tratava de ilusão de ótica, o senhor Home fazia no teto um sinal a lápis e deixava que as pessoas passassem por baixo de si mesmo.
Esse poder dos fluidos combinados em movimentar objetos materiais, sob a direção de um Espírito, torna-se facilmente aceito, quando se observa o poder dos gases, da eletricidade e dos fluidos imponderáveis. Como sabemos, eles têm o poder de realizar grandes trabalhos materiais pesados.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
A explicação acima apresentada para as manifestações físicas dos Espíritos é uma decorrência natural:
1 – Da criação por Deus do fluído cósmico universal (ou matéria primitiva elementar), que, ao assumir diversos graus de condensação e passar por modificações, transformações e combinações, permite a formação tanto da matéria sutil existente no universo espiritual, bem como da matéria densa existente no universo material. Portanto, toda matéria existente no Universo (de incontáveis tipos), tem a origem única no fluido cósmico universal. Isto permite que relações naturais sejam estabelecidas entre os inúmeros tipos de matéria.
2 – E da composição tríplice do homem, que é um Espírito encarnado. O homem é constituído do Espírito, filho de Deus, (que possui todas as faculdades), do perispírito, (que é um corpo fluídico permanente, de natureza semimaterial e invisível para o homem no seu estado natural) e do corpo material (que é formado pela lei da reprodução e hereditariedade) para permitir a manifestação do Espírito na vida corporal.
Com a morte, o Espírito e o perispírito se desprendem do envoltório material, (este permitiu a encarnação temporária dele para progredir), determinando a volta do Espírito, com o seu perispírito, para a vida verdadeira. Nesta, ele continua mantendo suas faculdades e atividades e obtendo maior progresso intelectual e moral, em acordo com os Desígnios e as Leis de Deus.
O médium, na condição de Espírito encarnado, está com o seu perispírito unido fortemente ao seu corpo material. Dependendo das características dessa união, o perispírito do médium emite fluidos invisíveis diferenciados que podem ser usados pelos Espíritos na produção de suas manifestações físicas.
Nada há, portanto, de sobrenatural nas relações que são estabelecidas entre os Espíritos e os homens, entre a vida espiritual e a vida material, em decorrência das Leis de Deus. Tudo está interligado na Obra da Criação.
Os homens, Espíritos encarnados, não perdem jamais o contato e as relações com os Espíritos e a vida espiritual. Durante o sono, o Espírito encarnado desprende-se parcialmente do corpo material e mantém contato e relações com os Espíritos e a vida espiritual. Muitos sonhos são recordações imprecisas disso.
Os Espíritos, como seres inteligentes que agem sobre os diferentes tipos de matéria originados do fluido cósmico, inclusive podem se servir dos fluidos emitidos pelos médiuns para realizem inúmeras manifestações físicas, as quais estão narradas nos livros religiosos e nas histórias populares de todas as épocas e de todos os povos.
Com isso, dão provas da existência e imortalidade da alma, bem como das características do lado invisível do Universo (Reino dos Céus).
No perispírito do Espírito e no perispírito do homem estão muitos elos que permitem as relações da vida espiritual e dos Espíritos com a vida material e os seres humanos.
Portanto, as manifestações físicas dos Espíritos são decorrências naturais claramente enquadradas no princípio espírita de que tudo o que existe decorre da trindade universal: Deus, Espírito e matéria.
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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”
As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.
26/abril/2011 =SEGUNDA PARTE, CAP. I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA.
19/outubro/2011 = SEGUNDA PARTE, CAP. II: MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES.
15/março/2012 = SEGUNDA PARTE, CAP. III: MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
OS DEPARTAMENTOS DA MENTE
OS DEPARTAMENTOS DA MENTE
Geziel Andrade
O Espírito Emmanuel escreveu, através da psicografia de Chico Xavier, o importante livro “Pensamento e Vida”, publicado pela Federação Espírita Brasileira: FEB.
Nesse livro, o Espírito Emmanuel compara a mente humana a um grande escritório subdividido em diversas seções de serviço.
Os Departamentos da Mente coexistem entre si; estão interligados, mantendo relação constante, cooperação mútua e influenciação recíproca.
A partir das principais lições do Espírito Emmanuel sobre os Departamentos da Mente, contidas nos diversos Capítulos do livro acima citado, compusemos as suas características e funções.
Com isso, conseguimos entender e conhecer melhor a nossa mente, bem como seguir corretamente nossa trajetória evolutiva:
1 - INTELIGÊNCIA
O departamento da inteligência reúne os patrimônios da evolução intelectual e da cultura do Espírito. Eles estão sendo adquiridos durante a sua longa jornada evolutiva.
Como os demais departamentos da mente, o da inteligência precisa também estar sempre bem orientado, comandado e conduzido:
• Pela vontade sadia, para não cair na criminalidade.
• Pelo bom caráter, para não espalhar a miséria, a crueldade e o vício.
• Pela sabedoria, para o Espírito buscar na vida o caminho do bem.
• Pela bondade, para o Espírito usar a sua inteligência em benefício do próximo.
• E pelo amor, para o Espírito realizar o bem. O amor no sentimento comanda para o bem as potências intelectuais.
Se o Espírito usar a sua inteligência para a crueldade, perseguição, abuso do poder, desregramentos e vícios, menosprezando seus deveres morais, sentirá, pela Lei de causa e efeito, as consequências que lhe são impostas naturalmente, exigindo um recomeço difícil, pelo instituto da reencarnação.
Dessa forma, o Espírito que promove o desvirtuamento no uso da sua inteligência sente em si mesmo os reflexos dos desgostos, sacrifícios, padecimentos, inibições e flagelação que impôs aos semelhantes.
Portanto, o Espírito experimenta males pelo mau uso da sua inteligência. Eles são reflexos das suas próprias ações inconsequentes, exigindo retificação dos sentimentos, das emoções e idéias, para o devido reajuste da inteligência na corrente do bem.
O Espírito evita muitos males para si mesmo, cultivando a inteligência com a aquisição do conhecimento, saber, bondade e virtude e com a produção do bem.
É dessa forma que o Espírito:
• Obtém o burilamento intelectual.
• Realiza o trabalho de conquistas nobres na esfera da inteligência.
• E ascende na hierarquia espiritual.
2 – SABEDORIA
O departamento da sabedoria vai se fortalecendo à medida que o Espírito cresce na aquisição do conhecimento e com as lições e influências que recebe dos vanguardeiros do progresso.
Ainda, para acelerar a conquista da sabedoria, o Espírito precisa:
• Da educação, que dá grandeza moral e espiritual.
• Da escola e da cultura intelectual, que propiciam a elevação do saber.
• Da instrução e do estudo, que ampliam o estado da consciência.
• Do livro, que reúne a sabedoria dos Espíritos superiores que passaram pela Terra por ordem de Deus.
• Do Evangelho, que reúne a sabedoria e o amor de Jesus.
Com a sabedoria, o Espírito vence a ignorância, à semelhança da luz que vence a treva.
3 - DESEJO
O departamento do desejo desperta no indivíduo os propósitos, as aspirações e o estímulo ao trabalho, obtendo o progresso.
Este departamento sofre forte influência do departamento da vontade.
Apesar disso, ele tem o poder de alavancar e ativar a vontade, num esquema de influenciação mútua.
Se o desejo não policiar as más influências que, às vezes, recebe da vontade, e vice-versa, o Espírito pode cometer deslizes e enganos, caminhando para a aflição, o sofrimento e a necessidade de reparação num longo período de tempo.
4 – VONTADE
O departamento da vontade dirige os processos da evolução do Espírito, porque influencia importantes setores da ação mental. A vontade ativa diversos setores da mente, impulsionando-os ao progresso.
Assim, esse departamento exerce forte influência na ação, no movimento ou mesmo na inércia do Espírito, estabelecendo a harmonia ou o desequilíbrio interior.
Porém, a vontade do Espírito está sempre vigiada pela ação da consciência, que:
• Não relaxa no seu trabalho de desenvolver as faculdades de modo nobre.
• Busca na educação o aprimoramento intelectual e moral e as conquistas elevadas para a Vida Superior.
• Estimula a ação espontânea no prazer de servir o semelhante por amor.
5 - IMAGINAÇÃO
O departamento da imaginação absorve, age e reage aos impactos dos acontecimentos e dos fatos que marcam a vida do Espírito.
Para isso, a imaginação conta com o apoio das concepções e das riquezas do ideal, além da sensibilidade já adquirida pelo Espírito.
A imaginação, a exemplo das demais faculdades mentais, jamais deve ceder às influências dos maus propósitos.
Senão, ela leva o ser para o mundo das sombras.
6 – SENTIMENTO
O departamento do sentimento trabalha as experiências sentimentais que o Espírito vem adquirindo com as suas ações em todos os campos da vida e com as suas lutas na jornada evolutiva.
Quando o Espírito consegue trabalhar bem as ideias produzidas pelos bons sentimentos, ele:
• Caminha para a prática do amor.
• Presta serviços espontâneos para o bem dos semelhantes.
• E trabalha em favor dos necessitados de apoio material e moral.
Com o sentimento pautado no amor a Deus e ao próximo, ensinado e exemplificado por Jesus, o Espírito:
• Valoriza-se na vida.
• Cria na própria mente a energia da luz divina.
• Desperta em si o pensamento reto que promove o equilíbrio interior.
• Manifesta as boas emoções.
• Produz pensamentos elevados.
• Exterioriza bons propósitos e atos, conquistando a liberdade suprema.
• Pratica a benevolência, reunindo méritos morais.
• Coloca as suas ondas mentais na execução dos serviços que beneficiam as células nervosas do próprio corpo material.
Por outro lado, quando o Espírito torna os seus sentimentos doentios, seus pensamentos também se tornam doentios, a ponto de promoverem a desarmonia orgânica e a enfermidade.
7 – EMOÇÕES
O departamento das emoções dá impulso às reações, ideias, atitudes e palavras que influenciam e comandam as ações.
Este departamento trabalha em relação estreita com os sentimentos, as ideias, os pensamentos e a fala, determinando as ações boas ou más que repercutem no estado íntimo do Espírito.
Quando as emoções do Espírito tornam-se descontroladas, desequilibradas ou doentias, ele não se livra dos estados enfermiços que aparecem, até que consiga pô-las novamente sob controle.
É assim que os choques emocionais criam sintomas mentais depressivos e estabelecem as desagregações nas forças íntimas, impondo sofrimentos e doenças.
Por outro lado, quando o Espírito encara os fatos que ocorrem na vida com boas emoções, bons sentimentos, ideias elevadas e conversações sadias, as suas ações são nobres, beneficiando não só os seus semelhantes, mas também a si próprio no mundo íntimo.
8 – MORAL
O departamento moral reúne o patrimônio dos princípios e valores morais e as regras de condutas virtuosas.
O patrimônio moral vem sendo acumulado pelo Espírito durante a sua milenar existência.
Ele acompanha o Espírito no seu renascimento no plano físico, influindo em suas condutas morais perante os semelhantes.
Esse patrimônio moral do Espírito está em contínuo ou permanente aprimoramento com as boas influências e impressões que recebe dos pais, mestres e semelhantes, notadamente quando estes lhe dão noções de trabalho e justiça, fraternidade e ordem, disciplina e exercício do bem, otimismo e amor.
Ao Espírito cabe o dever de empreender esforços para aumentar o seu patrimônio moral, porque assim obtém a sua ascensão na hierarquia espiritual.
No departamento moral trabalha o senso moral. Este cuida para que o Espírito não cometa atos que gerem um estado de perturbação ou instaurem as desarmonias que desencadeiam as doenças.
Em seu esforço para obter a elevação do seu patrimônio no campo moral, o Espírito não deve menosprezar a dedicação ao serviço espontâneo no bem, nem deixar de prestar serviços em favor do próximo, com abnegação ou esquecimento de si mesmo.
9 – RAZÃO
O departamento da razão é resultado do desenvolvimento conquistado pelo Espírito em sua laboriosa e multimilenar viagem dos domínios dos instintos para a clareza do juízo e da consciência.
Com o desenvolvimento da razão, o Espírito deixa para trás o plano da animalidade.
Mas, para aprimorar cada vez mais a sua razão, o Espírito precisa valorizar sempre o trabalho, a justiça, disciplina, bondade, ponderação e lógica.
A razão é o sol que ilumina a consciência do Espírito.
Com a razão, ele fortalece a vontade a ponto de tomar as boas decisões que deixam a consciência em paz e criam o seu futuro feliz.
A razão e a consciência operam em conjunto e estão sempre alertas.
Elas trabalham no sentido de manter o Espírito no campo do discernimento e da execução dos deveres e obrigações que o elevam perante a vida.
A razão e a consciência permanecem sempre despertas e lúcidas, servindo-se do conhecimento que o Espírito já adquiriu.
A razão e a consciência orientam, estimulam e fortalecem o Espírito na realização da sua obra de sabedoria, paciência, tolerância, humildade e amor.
Se o Espírito se afastar do cumprimento dos deveres, a razão e a consciência agem prontamente precipitando-o na argumentação interior, no sentimento de culpa, remorso, arrependimento, desgosto, na lembrança amarga e perturbação, até que se disponha à reparação do erro cometido.
Com a reparação dos danos causados aos outros e a si mesmo, o Espírito após ter experimentado as conseqüências dos erros cometidos, opera a sua própria regeneração.
10 – MEMÓRIA
O departamento da memória mantém o arquivo de todas as experiências adquiridas pelo Espírito em sua longa existência.
Também na memória estão registrados fielmente todos os acontecimentos que marcaram a vida milenar do Espírito.
Se o Espírito prima em manter os seus atos elevados e bons, a sua memória registra fatos e experiências agradáveis que geram o bem-estar íntimo.
Assim, as lembranças dos bons acontecimentos e das boas ações geram a paz na consciência, a saúde, a alegria e a felicidade.
Com a paz na consciência, o Espírito sente grande satisfação e a alegria de ter cumprido corretamente seus deveres, obrigações e responsabilidades.
11 – FÉ
O departamento da fé coloca, de forma instintiva, na consciência do Espírito a noção da existência, sabedoria infinita e do amor infinito de Deus.
Assim, surge a fé religiosa. Ela dá ao Espírito a noção de Deus e a confiança na prática do bem.
Com a fé, o Espírito obtém a energia que ele precisa para impulsionar suas atividades e realizar as operações que promovem seu progresso intelectual e moral.
Toda confiança e ação do Espírito decorrem sempre de um ato de fé.
12 – PENSAMENTO
O pensamento é a força criativa que se exterioriza do Espírito.
É o pensamento que permite ao Espírito criar a vida que pretende, deseja e procura.
A força do pensamento tem o poder de mover, transformar, destruir, refazer e sublimar o Espírito.
É a qualidade boa ou má dos pensamentos que distingue o Espírito bom do mau.
Se o homem sustenta o seu pensamento no bem:
• Vive em regime de comunhão e afinidade com as coisas elevadas.
• Estabelece ressonância com as correntes mentais das almas semelhantes, ao assimilar os pensamentos daqueles que pensam como ele próprio.
O pensamento do homem voltado à prática do bem tem uma ação edificante na saúde do corpo e da alma.
Por outro lado, o pensamento sombrio tem o poder de adoecer o corpo são e agravar os males do corpo enfermo.
13 – COMO FAZER BOM USO DOS DEPARTAMENTOS DA MENTE:
O Espírito Emmanuel, com as suas valiosas lições sobre os Departamentos da Mente, nos estimula a:
• Purificar os sentimentos, pela conquista do amor.
• Vigiar os desejos, as vontades, os pensamentos e demais recursos da mente, sustentando-os na prática do bem.
• Investir na conquista da sabedoria e dos valores morais, pois garantem as boas decisões que mantêm nossos passos seguros nos bons caminhos da vida.
• Criar o bom hábito de promover a auto-educação, pela recapitulando no dia a dia das lições intelectuais e morais que sustentam as atividades nobres, engrandecem os recursos da mente e edificam uma vida melhor.
• Usar as faculdades mentais para trabalhar, estudar, aprender, adquirir experiências e conquistar virtudes, operando no sentido dessas atividades se tornarem hábitos automáticos na promoção do sucesso e do progresso.
• Disciplinar a ação dos departamentos da mente na concretização do bem, porque este é o único caminho para chegarmos à felicidade verdadeira.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, PARTE 2, CAPÍTULO IV: PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS
Geziel Andrade
I – DA REENCARNAÇÃO
A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea depura-se submetendo-se à prova de uma nova existência material.
Portanto, a alma para depurar-se necessita da prova da vida corpórea.
Em função disso, todos nós temos muitas existências corpóreas. Os que dizem o contrário desejam manter os outros na ignorância em que eles mesmos se encontram.
Após ter deixado um corpo material, a alma toma outro; isto é, ela se reencarna em novo corpo.
A reencarnação permite a expiação dos erros cometidos numa existência corporal e o melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isso, onde estaria a justiça de Deus?
A cada nova existência corporal o Espírito dá um passo na senda do progresso intelectual e moral. Quando já se despojou de todas as impurezas, não precisa mais das provas da vida corpórea.
O número das encarnações não é o mesmo para todos os Espíritos. Aquele que avança rapidamente se poupa das provas da existência material.
Porém, as encarnações sucessivas são sempre muito numerosas, porque o progresso é quase infinito.
Depois de sua última encarnação, o Espírito se transforma em Espírito bem-aventurado; em Espírito puro.
II – JUSTIÇA DA REENCARNAÇÃO
A doutrina da reencarnação expressa a justiça de Deus. Um bom pai deixa sempre aos filhos uma porta aberta ao arrependimento. Deus seria injusto se privasse para sempre da felicidade eterna aqueles cujo melhoramento não dependeu deles mesmos. E todos os homens são filhos de Deus.
Todos os Espíritos tendem à perfeição e Deus lhes proporciona os meios de consegui-la, com as provas da vida corpórea.
Deus, em Sua justiça, permite aos Espíritos realizar, em novas existências na vida material, aquilo que eles não puderam fazer ou acabar de fazer numa primeira prova.
Não estaria de acordo com a equidade, nem segundo a bondade de Deus, castigar para sempre aqueles que encontraram obstáculos ao seu melhoramento, independentemente da sua vontade, no próprio meio em que foram colocados.
Se a sorte do homem fosse irrevogavelmente fixada após a morte de seu corpo material, Deus não teria pesado as ações de todos na mesma balança e não os teria tratado com imparcialidade.
A doutrina da reencarnação admite para a alma do homem muitas existências sucessivas. Ela é a única que corresponde à ideia da justiça de Deus, porque trata com respeito os homens de condição moral inferior.
A doutrina da reencarnação é a única que explica o futuro da alma humana e lhe dá esperanças de dispor de meio de resgatar os seus erros através de novas provas na vida corpórea.
A razão nos diz que é assim e os Espíritos nos ensinam isso.
A doutrina da reencarnação é consoladora ao dar esperança para o homem que tem consciência de sua inferioridade. Se ele crê na justiça de Deus, sabe que a sua inferioridade é temporária e que não está deserdado para sempre do bem supremo. Ele poderá conquistá-lo através de novos esforços. Isso lhe reanima a coragem.
A experiência que o homem não adquiriu ou não aproveitou não estará perdida. Ele a conquistará e aproveitará numa nova existência material.
III – ENCARNAÇÃO NOS DIFERENTES MUNDOS
As diferentes existências corpóreas do Espírito não se passam todas na Terra, mas nos diferentes mundos habitados.
As existências do Espírito na Terra não são as primeiras nem as últimas, mas as mais materiais e distanciadas da perfeição.
A cada nova existência corpórea a alma renasce, muitas vezes, num mesmo globo, se ela não estiver bastante adiantada para passar a um mundo superior.
Certamente, ela pode reaparecer muitas vezes na Terra. Seguramente, pode também voltar à Terra depois de ter vivido em outros mundos. Portanto, ela pode já ter vivido noutros mundos, bem como na Terra.
Há muitos homens, em diversos graus de elevação intelectual e moral, que estão na Terra pela primeira vez.
Não há a necessidade da alma renascer apenas na Terra. Mas, se ela não progredir, pode ir para outro mundo que não seja melhor, e que pode mesmo ser pior que a vida na Terra.
Não há nenhuma vantagem particular da alma voltar a viver na Terra, a não ser que venha em missão. A alma pode progredir na Terra, como em qualquer outro mundo. Todos os mundos são solidários; o que não se faz num mundo, pode-se fazer noutro.
A alma não pode permanecer para sempre na condição de Espírito, porque ficaria estacionário. E o que se quer é que avance para Deus.
Para chegar à perfeição e à felicidade suprema, que é o objetivo final de todos, o Espírito não precisa passar por todos os mundos que existem no Universo. Há muitos mundos que se encontram no mesmo grau de evolução e onde os Espíritos nada aprenderiam de novo.
A pluralidade das existências de um Espírito num mesmo globo ocorre porque ele pode se encontrar de cada vez em posições bastante diferentes. Estas serão outras tantas ocasiões de adquirir experiência.
Os Espíritos podem renascer corporalmente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram, quando têm uma missão a cumprir, para ajudar o progresso. Então, aceitam com alegria as tribulações dessa existência, porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.
Os Espíritos podem permanecer estacionários, mas nunca retrogradam. Trata-se de punição não avançar e ter de recomeçar as existências mal empregadas num meio condizente com a sua natureza. Os Espíritos que faliram em sua missão ou em suas provas têm que recomeçar uma nova existência semelhante.
Os Espíritos que habitam um determinado mundo não estão todos no mesmo grau de elevação intelectual e moral. É como na Terra: há os que estão mais ou menos adiantados.
Ao passar de um mundo para outro, o Espírito conserva o seu grau de inteligência, pois a inteligência nunca se perde. Mas ele pode não dispor dos mesmos meios para manifestá-la. Isso depende da sua superioridade e do estado do corpo que adquirir.
Os Espíritos que habitam os diferentes mundos têm corpos, porque é necessário que se revistam de matéria para agir sobre ela. Mas, esse envoltório é mais ou menos material, segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos. É isso que determina as diferenças entre os mundos que temos de percorrer. Há, portanto, muitos graus e muitas moradas na casa de nosso Pai.
À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste aproxima-se igualmente da sua natureza. A matéria se torna menos densa, facilitando a locomoção, a satisfação das necessidades e as percepções. Além disso, as condutas morais elevam-se, vencendo as más paixões, o egoísmo, as guerras, os ódios, as discórdias, os remorsos e o medo da morte.
A duração da vida nos diferentes mundos é proporcional ao seu grau de superioridade física e moral. Quanto menos material é o corpo, está menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro é o Espírito, menos sujeito às paixões que o enfraquecem. Trata-se de um auxílio da Providência, que deseja assim abreviar sofrimentos.
O Espírito nem sempre pode escolher o novo mundo em que vai habitar. Pode pedir e obter o que deseja, se o merecer. Porque os mundos só são acessíveis aos Espíritos de acordo com o seu grau de elevação.
Assim, o grau de elevação determina o mundo onde o Espírito irá reencarnar.
O estado físico e moral dos seres vivos que habitam num determinado mundo não é sempre o mesmo, porque os mundos também estão submetidos à lei do progresso.
Todos os mundos começaram como a Terra, num estado inferior. A Terra mesma sofrerá uma transformação, tornando-se um paraíso terrestre, quando os homens se fizerem bons.
Os Espíritos puros habitam determinados mundos, mas não estão confinados a eles como os homens à Terra.
IV – TRANSMIGRAÇÃO PROGRESSIVA
O Espírito, desde o princípio da sua formação, não goza da plenitude de suas faculdades, porque ele, como o homem, tem também a sua infância.
Em sua origem, os Espíritos não têm mais do que uma existência instintiva, possuindo apenas a consciência de si mesmos e de seus atos. Só pouco a pouco a inteligência se desenvolve.
O estado da alma na sua primeira encarnação assemelha-se ao estado da infância na vida corpórea. Sua inteligência apenas desabrocha: ela ensaia para a vida.
Na alma primitiva, a inteligência e a vida estão em estados de germes.
As almas dos selvagens estão num estado de infância relativa. São almas já desenvolvidas, dotadas de paixões, mas não da perfeição.
O Espírito precisa de um tempo imenso para passar da infância espírita a um desenvolvimento completo. O seu progresso se realiza passando por diversos mundos.
A vida do Espírito constitui-se em uma série de existências corporais, sendo cada qual oportunidade de progresso.
Isso se assemelha à existência corporal composta por uma série de dias, nos quais o homem adquire maior experiência e instrução. Mas, da mesma maneira que, na vida
humana há dias infrutíferos, na do Espírito há existências corpóreas sem proveito, porque ele não soube conduzi-las.
Mesmo mantendo uma conduta perfeita nesta vida, o Espírito não consegue vencer todos os graus da hierarquia espiritual e se tornar puro. Precisa passar pelos graus intermediários.
O que o homem julga conduta perfeita está longe da perfeição. Há qualidades que ele desconhece e não compreende. Todavia, ele pode ser tão perfeito quanto a sua natureza o permita, mas esta não é a perfeição absoluta.
Em seu progresso, o Espírito deve adiantar-se em conhecimento e moralidade. Se ele não progrediu senão num campo, é necessário que o faça no outro, para chegar ao alto da escala.
Porém, quanto mais o homem se adianta na vida presente, menos longas e penosas serão as provas seguintes.
A marcha dos Espíritos é progressiva e jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem do plano já atingido.
Nas suas diferentes existências corporais, eles podem descer socialmente como homens, mas não como Espíritos.
É assim que a alma de um homem poderoso na Terra pode mais tarde animar um humilde artesão, e vice-versa.
Um Espírito imperfeito, em sua vida corporal, pode pensar em permanecer no mau caminho para corrigir-se mais tarde. Mas, uma vez liberto da matéria pensará de outra maneira. Ele logo perceberá que calculou mal, e é então que trará, numa nova existência material, um sentimento diverso. É assim que o progresso se efetiva.
Na Terra, uns homens são mais adiantados que outros porque já têm uma experiência que os outros ainda não tiveram, mas que adquirirão pouco a pouco. Porém, de cada Espírito depende impulsionar o próprio progresso ou retardá-lo indefinidamente.
Os sofrimentos e as tribulações da existência corporal melhoram os Espíritos que precisam chegar à perfeição. Eles se melhoram enfrentando as provas, evitando o mal e praticando o bem.
Somente depois de muitas encarnações ou depurações sucessivas é que os Espíritos atingem, num tempo mais ou menos longo, e segundo os seus esforços, o alvo para o qual se dirigem: a perfeição.
Dessa forma, o corpo material é apenas uma veste do Espírito. Este é tudo, por conter todas as faculdades.
V – SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE
O Espírito de uma criança que morre em tenra idade, às vezes, pode ser bem adiantado. Ele pode já ter vivido muito e possuir muitas experiências, se já progrediu.
O Espírito da criança que morre em tenra idade e não pode fazer o mal, não pertence, por isso, aos graus superiores da vida espiritual. Ele não fez o mal, mas também não fez o bem. E isso não o afasta das provas que ainda deve sofrer.
O Espírito torna-se puro, não pelo fato de seu corpo ter morrido criança, mas porque ele já se adiantou em termos intelectuais e morais.
A curta duração da vida de uma criança, frequentemente é uma prova ou uma expiação para os pais.
O Espírito de uma criança pode, com bastante frequência, ser mais adiantado que o do seu pai.
O Espírito da criança morta em tenra idade recomeça sempre uma nova existência corporal para continuar seu progresso.
Se o homem só tivesse uma existência material, e após a sua morte a sua sorte fosse fixada para sempre, o que morre em tenra idade não teria merecimento para gozar sem esforço da felicidade eterna.
A alma que fosse liberada das condições quase sempre duras de vida impostas a grande parte das pessoas, gozaria de um direito que não estaria de acordo com a justiça de Deus.
Pela reencarnação, há igualdade para todos. O futuro pertence a todos, sem exceção e sem favoritismo. Os que demorarem para chegar à meta só poderão queixar-se de si mesmos.
Pela reencarnação, o homem tem o mérito das suas ações, bem como a responsabilidade.
Pela reencarnação, entende-se porque há crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação ainda não pode exercer a sua influência; entende-se porque há instintos tão diferentes entre as crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências.
A perversidade precoce vem da inferioridade do Espírito. As que são viciosas progrediram menos e então sofrem as conseqüências das suas existências anteriores.
É assim que a Lei se mostra a mesma para todos e a justiça de Deus abrange a todos.
VI – SEXO NOS ESPÍRITOS
Os Espíritos não têm sexo como os homens o entendem. Os sexos dependem da constituição orgânica.
Mas, entre os Espíritos predominam o amor e a simpatia, baseados na afinidade de sentimentos.
Como o Espírito não tem sexo, o que animou o corpo de um homem pode animar o de uma mulher, numa nova existência, e vice-versa.
Portanto, são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres.
Dessa forma, pouca importa ao Espírito, quando está na vida espiritual, decidir encarnar num corpo de homem ou de mulher. A escolha depende das provas que ele tiver de sofrer na vida material.
Portanto, os Espíritos encarnam-se homens ou mulheres, porque não têm sexo.
Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências.
Aquele Espírito que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens.
VII – PARENTESCO, FILIAÇÃO
Os pais transmitem aos filhos somente a vida do corpo material, porque a alma é indivisível. Assim, um pai estúpido pode ter filhos inteligentes, e vice-versa.
Desde que os Espíritos têm muitas reencarnações, a sucessão das existências corpóreas estabelece entre os Espíritos liames que remontam às existências anteriores. Disso decorrem, frequentemente, as causas de simpatia entre os familiares.
A reencarnação amplia os laços de família, pois o parentesco baseia-se em afeições de existências anteriores. Assim, os laços que unem os membros de uma família são menos precários do que os laços estabelecidos apenas pelo corpo material.
A reencarnação amplia os deveres da fraternidade: o Espírito de um vizinho ou de um criado pode ter sido um ex-familiar.
A reencarnação diminui a importância que algumas pessoas atribuem à sua filiação atual. Um Espírito pode ter pertencido a outra raça e vivido em condição de vida bem diversa, porque não leva para uma nova existência o orgulho, os títulos, a classe social e a fortuna.
Os Espíritos devem se sentir felizes por pertencer a uma família na qual se encarnam Espíritos elevados.
Sobre a reencarnação, os homens digam ou façam o que quiserem, não impedirão que as coisas sejam como são, porque Deus não regulou as leis da Natureza pela vaidade humana.
Os Espíritos não procedem uns dos outros, mas estão ligados pelas afeições e por laços de família.
Os Espíritos são frequentemente atraídos a esta ou àquela família por causa das simpatias ou ligações anteriores.
Os Espíritos dos antepassados não se prendem aos tributos que lhes são prestados por orgulho, mas sim pelos esforços dos familiares em seguir os seus bons exemplos.
VIII – SEMELHANÇAS FÍSICAS E MORAIS
Os pais transmitem a semelhança física aos filhos; mas, não lhes transmitem a semelhança moral, porque se trata de almas ou Espíritos diferentes.
Na reencarnação, o corpo procede do corpo. Assim, entre os descendentes existe a consanguinidade. Mas, o Espírito não procede do Espírito.
As semelhanças morais que às vezes existem entre os pais e os filhos decorrem de serem Espíritos simpáticos. Foram atraídos pela afinidade de suas inclinações.
O Espírito dos pais exerce muita influência sobre o do filho, concorrendo para o progresso recíproco.
O Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação. Isso é para ele uma tarefa. Se nela falhar, será culpado.
Os pais bons, virtuosos e com boas qualidades nem sempre atraem, por simpatia, bons Espíritos como filhos. É que um mau Espírito pode pedir bons pais, na esperança de que seus conselhos o dirijam por uma senda melhor, e muitas vezes Deus o atende.
Os pais não poderão, pelos seus pensamentos e as suas preces, atrair para o corpo do filho um bom Espírito, em lugar de um Espírito inferior. Mas, os pais podem melhorar o Espírito da criança a que deram nascimento e que lhes foi confiado. Esse é o dever dos pais. Além disso, filhos maus são provas para os pais.
A semelhança de caráter que existe frequentemente entre os irmãos, sobretudo entre os gêmeos, decorre que são Espíritos simpáticos, que se aproximam pela similitude de seus sentimentos e que se sentem felizes de estar juntos.
Porém, nem sempre os Espíritos se encarnam nos gêmeos por simpatia. A aversão que às vezes se nota entre eles prova que não é uma regra que os gêmeos tenham de ser Espíritos simpáticos.
Nas crianças, cujos corpos nascem ligados e que têm certos órgãos comuns, há dois Espíritos, embora as aparências indiquem o contrário.
Os Espíritos formam famílias pela similitude de suas tendências, mais ou menos purificadas, segundo a sua elevação.
Assim, um povo é uma grande família em que se reúnem Espíritos simpáticos. A tendência a se unirem, que têm os membros dessas famílias, é a origem da semelhança que determina o caráter distintivo de cada povo.
Os Espíritos bons e humanos não procurarão um povo duro e grosseiro. Os Espíritos simpatizam com as coletividades, como simpatizam com os indivíduos. Assim, procuram o seu meio.
O homem manifesta, em suas novas existências, os traços do caráter moral das existências anteriores. Mas, ao melhorar-se, ele se modifica.
Numa nova encarnação, a posição social do Espírito também pode não ser a mesma da existência anterior. Se de senhor ele se tornar escravo, suas inclinações serão muito diferentes e de difícil reconhecimento.
O Espírito sendo sempre o mesmo, nas diversas encarnações, suas manifestações podem ter, de uma para outra, certas semelhanças. Estas, entretanto, serão modificadas pelos costumes da nova posição, até que um aperfeiçoamento notável venha mudar completamente o seu caráter, pois de orgulhoso e mau pode tornar-se humilde e humano, desde que se haja arrependido e progredido.
Nas suas diferentes encarnações, o homem não conserva os traços do caráter físico das existências anteriores. O corpo material é destruído e o novo corpo não tem nenhuma relação com o antigo.
O Espírito se reflete no novo corpo material. Ele é modelado pelas qualidades do Espírito, imprimindo-lhe certo caráter. As qualidades do Espírito modificam quase sempre os órgãos que servem para as suas manifestações.
IX – IDEIAS INATAS
A vaga lembrança que o Espírito encarnado conserva das vitórias que obteve e dos conhecimentos que adquiriu nas existências anteriores expressa-se através da chamada ideias inatas.
Os conhecimentos adquiridos em cada existência corporal não se perdem. O Espírito, liberto do corpo material, sempre se recorda deles.
Durante a encarnação, o Espírito pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Sem isso, ele sempre teria de recomeçar.
A cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se achava na precedente.
Mas, nem sempre há uma grande conexão entre duas existências corporais sucessivas. As novas posições são quase sempre muito diferentes e no intervalo de ambas o Espírito pode ter progredido.
A origem das faculdades extraordinárias que os indivíduos, sem estudo prévio, demonstram ter, como a intuição de certos conhecimentos, como as línguas, o cálculo, etc., está na lembrança do passado, no progresso anterior da alma, mas do qual ela mesma não tem consciência. Os corpos materiais mudam, mas o Espírito é sempre o mesmo.
Numa nova encarnação, o Espírito pode perder certas faculdades intelectuais, como, por exemplo, o gosto pelas artes, desde que ele tenha desonrado essa faculdade, empregando-a mal.
Uma faculdade pode também ficar adormecida durante uma existência corporal, porque o Espírito quer exercer outra, que não se relacione com ela. Nesse caso, permanece em estado latente, para reaparecer mais tarde.
O sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura é uma lembrança que o Espírito conserva daquilo que sabia como Espírito, antes de encarnar. Mas, o orgulho frequentemente abafa esse sentimento.
Essa lembrança do Espírito faz surgir certas crenças relacionadas com a doutrina espírita, mas que se encontram em todos os povos. Por serem encontradas por toda parte, é uma prova da sua veracidade.
O Espírito encarnado, conservando a intuição do seu estado de Espírito, tem a consciência do mundo invisível. Mas quase sempre ela é falseada pelos preconceitos, e a ignorância mistura a ela a superstição.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Conforme vimos acima em detalhes, o princípio espírita da pluralidade das existências materiais (ou da reencarnação do Espírito) é muito abrangente. Tem um caráter universal.
Retrata os Atributos de Deus; a criação, a vida imortal e o destino dos Espíritos; as características dos diferentes mundos habitados que existem no Universo e que se prestam à encarnação dos Espíritos; as relações existentes entre a vida espiritual e a vida material; as condições sociais, de sexo e de vida dos homens no planeta Terra visando a conquista de experiências; as qualidades intelectuais e morais que os Espíritos encarnados vão adquirindo com as provas, tribulações e missões nas existências corporais para ascender na hierarquia verdadeira; as novas oportunidades de expiação, reparação e evolução que a alma desfruta com a reencarnação; e o futuro venturoso que Deus reservou para todos os Seus Filhos.
Isso, diferentemente da crença na unicidade da existência material, descortina a enorme complexidade da Obra de Deus. Mostra o contexto grandioso em que estamos inseridos na condição de Espíritos imortais e perfectíveis, criados por Deus. Explica com clareza a enorme diversidade de situações que encontramos na jornada evolutiva para nos conduzir paulatinamente à perfeição intelectual, moral e espiritual.
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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”
Os artigos com as principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Espíritos” foram publicadas neste mesmo blog e podem ser consultadas nas seguintes datas:
Introdução = 30/janeiro/2009.
Prolegômenos = 09/abril/2009.
Capítulo I: Deus = 07/julho/2009.
Capítulo II: Elementos Gerais do Universo = 08/fevereiro/2010.
Capítulo III: Criação = 18/junho/2010.
Capítulo IV: Princípio Vital = 09/setembro/2010.
Parte 2, Cap. I: Dos Espíritos = 01/abril/2011.
Parte 2, Cap. II: Encarnação dos Espíritos = 04/outubro/2011.
Parte 2, Cap. III: Retorno da vida corpórea à vida
Espiritual = 28/fev/2012.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
LADO ESPIRITUAL E MORAL DO NATAL DE JESUS
LADO ESPIRITUAL E MORAL DO NATAL DE JESUS
Geziel Andrade
A vinda de Jesus para a Terra, por ordem de Deus, para trazer a Boa Nova, ocorreu num contexto de estreitamento das relações entre os homens e os habitantes do Reino dos Céus:
• Um Anjo do Senhor apareceu em sonho para José, para anunciar-lhe o nascimento de Jesus: “- Maria dará à luz um filho a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.”.
• Após o nascimento de Jesus, um Anjo de Deus apareceu, em meio a refulgente luz, a alguns pastores da região de Belém, que guardavam seus rebanhos, para anunciar o nascimento do Salvador, que era o Cristo. Depois disso, subitamente, apareceu junto com o Anjo uma numerosa multidão da milícia celeste louvando a Deus. Em seguida, os Anjos voltaram para os Céus e os pastores foram para o local indicado, onde encontraram Maria, José e o Menino posto numa manjedoura.
• Os Magos do Oriente, que vieram adorar aquele que seria o Rei dos Judeus, foram orientados em sonhos para que retornassem para a sua terra por caminho diferente, de modo que não reencontrassem Herodes.
• Um Anjo do Céu apareceu em sonhos a José para lhe prevenir: “-Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito, e fica-te lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o Menino para o matar.”. Levantando-se, José tomou os membros de sua família e retirou-se para o Egito. Algum tempo depois, o Anjo apareceu novamente em sonhos a José autorizando-o a voltar para a terra de Israel, porque estavam mortos os que intentavam contra a vida do Menino.
Dessa forma, desde a concepção e o nascimento de Jesus e mesmo durante a pregação e exemplificação do Evangelho as relações entre o mundo material e o mundo espiritual estiveram muito estreitas.
Ocorreram acontecimentos marcantes que confirmaram a existência do Reino de Deus, o qual é invisível para os homens, mas que determina e influi em acontecimentos importantes no mundo terreno.
Com a sua inovadora jornada terrena e o cumprimento de sua missão divina, Jesus promoveu uma transformação religiosa, moral e espiritual sem precedentes na história da humanidade:
• Ampliou o entendimento dos homens acerca de Deus, o Pai e Criador de todas as coisas;
• Mostrou as relações existentes entre Deus e os homens, e entre o Reino dos Céus e o mundo material;
• E estabeleceu a moral cristã pautada no amor a Deus e aos semelhantes, no cultivo das virtudes, na prática do bem e na realização das boas obras, com vistas à conquista da nobreza espiritual e moral e das bem-aventuranças para a alma na sua vida futura no Reino de Deus. Neste Reino, a alma, após a morte de seu corpo material, colhe o resultado da semeadura boa ou má que fez na vida terrena. Em outras palavras: “A árvore que deu bons frutos distingue-se da árvore que produziu maus frutos”.
Portanto, que neste Natal, não nos concentremos exclusivamente nos festejos e no lado material do Natal, tão bem explorados pelos agentes econômicos; mas, principalmente, atentemos para este espírito verdadeiro do Natal que não pode faltar em nenhum dia do ano.
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PREZADOS AMIGOS E LEITORES DESTE BLOG,
DESEJO A TODOS:
QUE AS COMEMORAÇÕES DO NATAL SEJAM REPLETAS DE AMOR, PAZ E ALEGRIA;
QUE OCORRAM SEMPRE O CULTIVO DAS VIRTUDES CRISTÃS, A ADOÇÃO DAS BOAS ATITUDES, A PRÁTICA DO BEM E A REALIZAÇÃO DAS BOAS OBRAS QUE PROMOVEM A PROSPERIDADE INTELECTUAL, MORAL E ESPIRITUAL, MELHORAM AS CONDIÇÕES DE VIDA E GARANTEM O CONSEQUENTE BEM-ESTAR DURADOURO.
Estes são os votos de Geziel Andrade.
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