AS LEIS E A JUSTIÇA DE DEUS, À LUZ DO ESPIRITISMO
Geziel Andrade
Jesus, com a sua doutrina religiosa e moral maravilhosa e revolucionária, legou-nos um novo entendimento sobre as Leis de Deus e a Sua Justiça.
Ele nos ensinou que:
• “Devemos fazer aos homens, o que queremos que eles nos façam.” (Mateus, Cap. 7, Vers. 12 e Lucas, Cap. VI, Vers. 31.) Assim, estabeleceu que as nossas condutas morais e ações perante os semelhantes devem estar em acordo com o que queremos para nós mesmos. Como só queremos que os outros nos façam o bem...
• “A cada um será dado segundo as próprias obras.” (Mateus, Cap. XVI, Vers. 27.) Por isso, exemplificou-nos a realização das boas obras para que asseguremos as bem-aventuranças.
• “Devemos dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Marcos, Cap. XII, Vers. 13 a 17.) Com isso, ensinou-nos a ver nas relações humanas sempre os dois lados da vida: o material e o espiritual.
• “Bem aventurados e fartos os que têm fome e sede de justiça.” (Mateus, Cap. V, Vers. 6.) Desse modo, estimulou-nos a crer na justiça de Deus, que não decepciona ninguém, porque é perfeita.
• “Bem aventurados no reino dos céus os que padecem perseguições por amor da justiça.” (Mateus, Cap. V, Vers. 6 e 10.) Assim, levou-nos a amar a justiça, mesmo sofrendo perseguições dos injustos ou maus, porque a sua prática garante as bem-aventuranças no reino dos céus para as almas dos justos.
• “Entrarão no reino dos céus os que praticarem uma justiça maior do que a dos Escribas e Fariseus.” (Mateus, Cap. V, Vers. 20.) Dessa maneira, deu-nos a esperança que a recompensa para a alma no reino dos céus é para as que praticarem na vida terrena uma justiça mais perfeita que a dos homens.
• “Alcançarão misericórdia os que são misericordiosos.” (Mateus, Cap. V, Vers.7.) Com essa lição, recomendou-nos a aliar sempre a misericórdia à justiça, a exemplo da justiça de Deus que é misericordiosa.
• “Seremos julgados com o juízo que julgarmos, e também medidos com a medida com que medirmos.” (Mateus, Cap. 7, Vers. 1 a 5.) Assim, mostrou-nos que a Justiça divina nos julga com a mesma medida com que julgamos os nossos semelhantes.
• “A alma do homem rico, egoísta e avarento, após a morte, foi conduzida aos tormentos do inferno; porém, a alma de Lázaro, que era humilde e vivia suportando com resignação a pobreza e o sofrimento à porta da casa do homem rico, foi levada, após a morte, pelos anjos, para o reino dos céus.” (Lucas, Cap. XVI, Vers. 19 a 31.) Com essa parábola do mau rico, Jesus nos revelou que a Justiça de Deus leva em consideração, no reino dos céus, as qualidades espirituais e morais que cada alma conquistou e não a posição social e financeira que ela ocupou na vida terrena.
• “Cabe-nos em primeiro lugar buscar o reino de Deus e a sua Justiça e todas as coisas nos serão acrescentadas.” (Mateus, Cap. VI, vers. 33.) Portanto, com a observância das Leis e da Justiça de Deus obteremos, por acréscimo, o progresso e a felicidade que almejamos.
Com essa noção inovadora das Leis e da Justiça de Deus, Jesus nos ensinou e exemplificou-nos as condutas justas que devemos observar perante Deus, os semelhantes e a vida.
Além disso, Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, detalhou as lições e os exemplos de Jesus, levando-nos à vigilância em nossas condutas morais para observá-los corretamente, praticando o bem e realizando as boas obras.
A JUSTIÇA DE DEUS NOS LIVROS ESPÍRITAS
Além do livro acima citado de Allan Kardec, que deu um caráter essencialmente cristão ou evangélico ao Espiritismo, principalmente os seguintes livros espíritas nos permitem ampliar a consciência acerca dos mecanismos das Leis e da Justiça de Deus:
• “O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec.
• “Depois da Morte” e “O Problema do Ser, do Destino e Dor”, de Léon Denis.
• “Justiça Divina” do Espírito Emmanuel, através da mediunidade de Chico Xavier.
• “Ação e Reação”, do Espírito André Luiz, pela psicografia de Chico Xavier.
PRINCÍPIO BÁSICO DA JUSTIÇA DE DEUS
O princípio básico que rege a Justiça de Deus é a igualdade absoluta na criação dos Espíritos.
Todos eles têm o mesmo ponto de partida.
Desde o momento da criação do Espírito por Deus, nenhum é mais bem dotado que os outros.
Todo Espírito é criado simples e ignorante, mas perfectível, através de um longo processo de evolução intelectual e moral.
Nenhum Espírito tem a sua marcha ascencional, em termos intelectuais e morais, mais facilitada, por exceção. Todos estão sujeitos às mesmas Leis.
Os Espíritos que já chegaram à perfeição intelectual e moral, e denominados pelos homens de Anjos, passaram, como todos os outros, pela fieira das provas e da inferioridade.
Para todos os Espíritos, o progresso e a felicidade são conquistados pelo trabalho de adiantamento e pelos méritos intelectuais e morais acumulados.
A OBSERVÂNCIA DAS LEIS E DA JUSTIÇA DE DEUS
A observância das Leis e da Justiça de Deus é indispensável para que a nossa alma consiga progredir mais rapidamente na hierarquia verdadeira, que é a espiritual.
Assim, nos aproximamos da perfeição espiritual e da conquista da felicidade duradoura, estabelecidas pelos Desígnios de Deus.
Para o bom aproveitamento de mais esta jornada evolutiva terrena cabe-nos:
• Fazer o bem ao próximo, para colhermos na vida presente e na vida futura da alma, os frutos doces das boas ações e obras. Por isso, jamais devemos desertar do bem.
• Respeitar os direitos dos outros. Sempre temos direitos alheios a respeitar, fazendo bom uso da vontade, da liberdade e do livre-arbítrio, dentro da fraternidade universal ou da família criada por Deus.
• Tratar com absoluta igualdade de direitos os filhos de Deus ou irmãos que ocupam a posição transitória de homem ou de mulher, em cumprimento de missões e provas evolutivas. Pelas Leis de Deus, todos os Espíritos foram criados com a mesma inteligência, noção do bem e do mal e faculdade de progredir para alcançar a perfeição e a felicidade imperecível.
• Vigiar com rigor a liberdade de sentir, pensar, falar e agir. Desse modo, convivemos bem e nos relacionamos corretamente com os semelhantes, praticando a fraternidade.
• Praticar a Lei de justiça, amor e caridade na sua mais completa pureza. Observando rigorosamente essa Lei, tornamo-nos pessoas de bem que prosperam verdadeiramente na vida e na hierarquia verdadeira pelo trabalho honesto, pelo bom uso das faculdades e pelo respeito às regras divinas.
• Ser conscientemente o artífice da própria prosperidade e da situação feliz, na vida presente e na vida futura da alma. Praticando o bem e realizando as boas obras, a Lei de causa e efeito ou de ação e reação nos dará naturalmente as recompensas pelas atitudes e ações elevadas. A alma enobrecida pelo cultivo e prática das virtudes prepara o seu corpo espiritual (perispírito) para ascender às esferas superiores da vida espiritual, onde desfruta das bem-aventuranças prometidas por Jesus.
• Cumprir as Leis de Deus com a rigorosa prática do bem. A Justiça infalivelmente recompensa quem dissemina o bem; mas, por outro lado, pune quem realiza o mal, agindo com perfeita equidade, sem jamais se enganar. Por isso, jamais devemos nos afastar do caminho do bem.
• Preparar as bem-aventuranças para a continuidade da vida da alma no reino dos Céus pela observância das Leis e da Justiça. Na vida espiritual, a alma será feliz ou infeliz, segundo o bem ou o mal que tiver praticado na vida terrena. No além-túmulo, a alma experimenta, inevitavelmente, as consequências das boas ou más ações realizadas na vida corporal. Neste sentido, o corpo espiritual (perispírito) serve de instrumento para a Justiça de Deus. As revelações de inúmeros Espíritos, através de diferentes médiuns, comprovam que a Justiça de Deus coloca em situação de felicidade a alma que praticou as virtudes; mas em condição de sofrimento a alma que transgrediu as Leis na jornada evolutiva terrena. Geralmente, as expiações dos erros cometidos na vida corporal se prolongam na continuidade da vida da alma no reino dos céus e chegam mesmo até a nova existência corporal, para que haja a reparação das consequências ou a plena quitação dos débitos assumidos perante a Justiça. Por isso, devemos cumprir rigorosamente nossos deveres perante Deus e os semelhantes.
• Agir com misericórdia perante os semelhantes, à semelhança de Deus que sempre abre as oportunidades de expiação e reparação para o Espírito culpado. O Pai sábio, amoroso, justo e misericordioso sempre deixa aberta a porta do caminho do bem para que Seu filho se liberte do mal. Assim, ele se livra mais rapidamente dos sofrimentos e das expiações, segundo os seus esforços e a sua vontade verdadeira de praticar o bem. A misericórdia de Deus é infinita, mas não é cega. Ela não dispensa que o Espírito culpado satisfaça a Justiça. Para isso, ele precisa passar pelas consequências das faltas cometidas, reparar o mal ocasionado, resgatar as dívidas contraídas, e retornar às tarefas do bem para dar continuidade ao seu aperfeiçoamento intelectual e moral que o leva às esferas superiores da vida. Ninguém escapa da grandeza das Leis e da Justiça. Por mais dura e terrível que elas pareçam, são sempre as respostas às nossas próprias obras.
RESUMO DAS ATITUDES E AÇÕES QUE NOS PERMITEM A OBSERVÂNCIA DAS LEIS E DA JUSTIÇA DE DEUS
Em função das valiosíssimas lições acima apresentadas, conhecemos os mecanismos das Leis e o funcionamento da Justiça Perfeita.
Então, devemos agir sempre perante Deus, os semelhantes e a vida com a consciência iluminada pelas luzes do bem, cumprindo voluntariamente os Desígnios do Criador de todas as coisas.
Portanto, em suma, para a observância das Leis e da Justiça precisamos:
• Fazer aos outros o bem que queremos que os outros nos façam.
• Respeitar profundamente os direitos alheios, como gostamos de ver os nossos direitos respeitados pelos outros.
• Concretizar as boas obras, para desfrutar das suas boas consequências na vida presente, na vida futura da alma e na próxima reencarnação evolutiva.
• Fazer bom uso da vontade, da liberdade de ação e das faculdades, agindo com honestidade, responsabilidade e grandeza moral perante os compromissos assumidos na família, no trabalho e na vida em sociedade.
• Cultivar as virtudes e praticar o bem no cotidiano. Este é o único caminho que nos conduz ao progresso verdadeiro, ao sucesso imperecível e à felicidade duradoura, tanto na vida material, quanto na vida verdadeira, que é a espiritual.
• Ter o espírito de misericórdia perante os infratores da Lei. Assim, abrimos sempre a oportunidade de reparação e regeneração para os irmãos que suportam as consequências dos erros cometidos e precisam edificar melhores condições de vida, no presente, para a vida futura e para as próximas reencarnações.
• Priorizar a prática da Lei de justiça, amor e caridade. Esta é a prática segura que conduz rapidamente à prosperidade verdadeira, garantindo a paz, saúde, alegria e felicidade.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
A MÚSICA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
A MÚSICA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
Geziel Andrade
IMAGEM: Jorge Rizzini: notável pesquisador e escritor espírita e extraordinário médium musical, conforme mostrado abaixo.
Existe realmente a música celeste?
As almas dos homens que, após a morte do corpo material, retornam ao mundo espiritual continuam gostando de compor e ouvir música?
A resposta para essas perguntas nos foi dada pelos próprios Espíritos, através de diferentes médiuns.
Allan Kardec, na questão 251 de “O Livro dos Espíritos”, perguntou aos Espíritos superiores se os Espíritos são sensíveis à música. Então, obteve a seguinte resposta surpreendente:
“Trata-se da vossa música? O que é ela perante a música celeste, essa harmonia da qual ninguém na Terra pode ter idéia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia.”
“Não obstante, os Espíritos vulgares podem provar um certo prazer ao ouvir a vossa música, porque não estão ainda capazes de compreender outra mais sublime.”
“A música tem, para os Espíritos, encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas.”
“Refiro-me à música celeste, que é tudo quanto a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e mais suave.”
COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA MÚSICA CELESTE
Uma importante comprovação da existência da música celeste foi escrita por Allan Kardec. Está no livro “Obras Póstumas”, publicado após a sua morte.
Nesse livro, encontramos um caso muito interessante, narrado e comentado pelo codificador do Espiritismo. Esse caso reafirma a existência da música no mundo espiritual, revelado pelos Espíritos:
“Certo dia, numa reunião familiar, um chefe da família leu uma passagem de “O Livro dos Espíritos” concernente à música celeste.”
“Uma de suas filhas, boa musicista, pôs-se a dizer consigo mesma: Mas não há música no mundo invisível!”
“Parecia-lhe isso impossível; entretanto, não externou seu pensamento.”
“Na noite do mesmo dia, escreveu ela espontaneamente uma comunicação com os seguintes esclarecimentos:”
“A música do céu é muito mais bela do que a da terra. Os Espíritos acham-na muito superior à vossa, que não pode ser comparada à do Espaço.”
“As composições terrenas são muito infantis, em face das sublimes harmonias do mundo invisível; os sons dos vossos instrumentos, as vossas mais belas vozes não poderiam dar-vos a menor ideia da música celeste e da sua suave harmonia.”
“Logo em seguinte, a moça caiu naturalmente num estado de sono:”
“Oh! Papai, papai, que música deliciosa!... Desperta-me, senão eu me vou.”
“Desperta com algumas gotas de água que lhe salpicaram no rosto, ela voltou lentamente a si, sem a mínima consciência do que se passara.”
“Então, o pai da donzela recebeu do Espírito S. Luís a explicação seguinte:”
“Quando lias à tua filha a passagem de “O Livro dos Espíritos” referente à música celeste, ela se conservava em dúvida; não compreendia que no mundo espiritual pudesse haver música.”
“Eis por que depois eu lhe disse que era verdade. Não tendo a minha afirmativa podido persuadi-la, Deus permitiu que, para convencer-se, ela caísse em sono sonambúlico.”
“Então, desprendendo-se do corpo adormecido, seu Espírito se lançou pelo Espaço e foi admitido nas regiões etéreas, onde ficou em êxtase produzido pela impressão da harmonia celeste.”
Por isso foi que exclamou: “Que música! Que música!”
“Sentindo-se, porém¸ transportada a regiões cada vez mais elevadas do mundo espiritual, pediu que a despertassem, indicando o meio de o conseguirem: com água”.
NOSSA AUDIÇÃO DA MÚSICA CELESTE DURANTE O SONO
Alguns de nós, às vezes, temos experiência semelhante, ao sonhar ouvir uma música muito linda, mas desconhecida.
Quando dormimos, nossa alma desprende-se parcialmente do corpo material e entra em contato com a vida espiritual e os Espíritos.
Então, em ocasiões específicas, podemos ouvir em sonho a música dos Espíritos. Em palestras que o autor deste artigo realizou sobre a música celeste, ouviu alguns depoimentos a respeito disso de pessoas presentes.
Além disso, quem de nós não tem um caso para contar por ter ouvido uma música maravilhosa durante o sono? O próprio autor deste artigo já teve algumas experiências marcantes a esse respeito.
Mas, um caso muito interessante de música inédita ouvida durante o sono ocorreu com o famoso e notável ex-beatle Paul MacCartney.
Consta em sua biografia que a música “Yesterday”, de sua composição, considerada uma das mais belas, tocadas e gravadas na história da música, surgiu de um sonho.
Paul MacCartney ouviu a música enquanto dormia. Acordou assobiando-a, saiu da cama, foi para o piano, recordando-se dela intuitivamente. Então, anotou a melodia muito original, tendo a impressão de que a música já existia há muito tempo. Assim, a música deu no que deu.
Dessa mesma forma, ou pela inspiração, muitas músicas celestes são transmitidas pelos Espíritos aos compositores terrenos, influindo na evolução de nossa música.
Através da inspiração ou do sono muitas músicas celestes são transmitidas aos compositores terrenos, engrandecendo essa arte maravilhosa.
AS MANIFESTAÇÕES MUSICAIS DOS ESPÍRITOS ATRAVÉS DA MEDIUNIDADE DO FAMOSO MÉDIUM DANIEL DUNGLAS HOME
Allan Kardec, na “Revista Espírita” dos meses de fevereiro, março, abril e maio de 1858, comentou os fenômenos espíritas operados pelo senhor Daniel Dunglas Home, nascido a 15 de março de 1833, perto de Edimburgo, e descendente de antiga e nobre família da Escócia.
Nas sessões espíritas de efeitos físicos inteligentes realizadas por esse médium, as manifestações musicais dos Espíritos eram surpreendentes:
• Instrumentos de música tocavam sozinhos, produzindo sons melodiosos.
• Algumas vezes, o artista invisível atendida a pedidos de músicas ou mesmo tocava melodias de sua preferência.
• Em certas ocasiões, podia-se ver a mão materializada do Espírito movendo as teclas para produzir suave melodia ou acordes harmoniosos.
• O Espírito de um jovem, que na vida terrena tivera um notável talento musical, executava árias que atestavam a sua identidade.
• E nas manifestações inteligentes dos Espíritos surgiam com frequência sons musicais ritmados.
Allan Kardec, em muitos outros números da “Revista Espírita” publicou narrativas minuciosas de Espíritos que, através de outros médiuns, produziram fenômenos extraordinários envolvendo a execução da música celeste.
A MÚSICA DE MOZART VINDA DO ALÉM-TÚMULO
Allan Kardec, na “Revista Espírita” de maio de 1859, publicou um artigo com o título de “Música de Além-túmulo, dizendo que:
“O Espírito de Mozart acaba de ditar ao nosso excelente médium, senhor Bryon-Dorgeval, um fragmento de sonata.”
“Como meio de controle, este último o fez ouvir por diversos artistas, sem lhes indicar a origem, mas lhes perguntando apenas o que achavam do trecho.”
“Cada um nele reconheceu, sem hesitação, o cunho de Mozart.”
“O trecho foi executado na sessão da Sociedade de 8 de abril último, em presença de numerosos conhecedores, pela senhorinha de Davans, aluna de Chopin e distinta pianista, que teve a gentileza de nos prestar o seu concurso.”
“Como elemento de comparação, a senhorinha de Davans executou antes uma sonata que Mozart compusera quando vivo.”
“Todos foram unânimes em reconhecer não só a perfeita identidade do gênero, mas ainda a superioridade da composição espírita”.
Assim:
• O Espírito de Mozart demonstrou que a sua habilidade em compor música não havia se perdido com a morte do corpo material.
• O Espírito de Mozart encontrou na excelente mediunidade do senhor Bryon-Dorgeval a oportunidade de chamar a atenção dos homens para a imortalidade da alma e a comunicabilidade do Espírito, ao ditar um fragmento de sonata que teve grande repercussão junto ao publico.
Essa música do Espírito Mozart foi gravada recentemente no Brasil por iniciativa da Federação Espírita Brasileira -FEB e foi disponibilizada ao público em seu site na internet, tendo bela repercussão.
AS MANIFESTAÇÕES MUSICAIS DOS ESPÍRITOS EM CONSTANTINOPLA
Ainda, Allan Kardec, na “Revista Espírita” de julho de 1861, publicou uma carta recebida do senhor Repos, advogado em Constantinopla, dizendo que, naquela localidade, ocorriam manifestações musicais dos Espíritos:
“Já temos um grande número de médiuns escreventes; outros fazem desenhos; outros ainda compõem trechos de música, mesmo quando ignoram essas artes; outros, mediunizados, executam árias ao piano, inspirados pelos Espíritos.”
A MÚSICA DO ESPÍRITO DE MOZART EM BORDÉUS
Além disso, Allan Kardec, na “Revista Espírita” de novembro de 1861, publicou um artigo intitulado “O Espiritismo em Bordéus”, mencionando que:
“Encontramos em Bordéus muito numerosos e muito bons médiuns em todas as classes, de todos os sexos e idades.” (...)
“Entre os médiuns que vimos, um há que merece menção especial.”
“É uma jovem de dezenove anos que, à faculdade de escrevente, alia a de médium desenhista e músico.”
“Ela anotou mecanicamente, sob o ditado de um Espírito, que disse ser Mozart, um trecho de música que não o desacreditaria.”
“Assinou-o, e várias pessoas, que viram os seus autógrafos, afirmaram a perfeita identidade da assinatura.”
A MÚSICA CELESTE NAS FESTAS NA VIDA ESPIRITUAL
Allan Kardec, na “Revista Espírita” publicou dissertações de Espíritos, através de diferentes médiuns, dizendo que:
• Os Espíritos usam a música nas festas de recepção dos bons Espíritos que deixam a vida terrena.
• As festas na vida espiritual são animadas por músicos que cantam melodias maravilhosas e deslumbrantes.
Exemplo disso, está no seguinte texto:
“Entre nós, nossas festas têm um encanto indescritível.”
“Milhões de músicos cantam em liras harmoniosas as maravilhas de Deus e da Criação, com acentos mais deslumbrantes que vossas mais suaves melodias”.
AUDIÇÃO DA MÚSICA CELESTE
Allan Kardec, na “Revista Espírita” de novembro de 1868, publicou uma carta de Mulhouse, narrando a experiência que um jovem teve com a audição da música do mundo invisível.
Esse jovem escreveu o seguinte:
“Fui testemunha e objeto de um fenômeno estranho, do qual só me dei conta depois de haver lido “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”.”
“Uma música fazia-se ouvir no ar ambiente da sala e acompanhava o meu violino, no qual tomava lições naquela época.”
“Eram acordes perfeitos, cuja harmonia era tocante; dir-se-ia uma harpa tocada com delicadeza e sentimento.”
“Algumas vezes éramos umas doze pessoas reunidas e, sem exceção, todos ouvíamos.”
ERNESTO BOZZANO E A MÚSICA TRANSCENDENTAL
Na Itália, em 1922, Ernesto Bozzano publicou, na terceira parte do seu livro “Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte”, 30 casos envolvendo a audição de música transcendental.
Com esse estudo inédito, Ernesto Bozzano demonstrou que a música transcendental pode ser ouvida em qualquer lugar e não somente nas sessões espíritas de efeitos físicos inteligentes produzidos pelos Espíritos.
Ela pode ser ouvida:
• Por ocasião da morte de uma pessoa, os presentes no velório escutam uma música diferente.
• Quando alguém chega à beira da morte, escuta uma música maravilhosa.
• Para anunciar o falecimento de um ente querido, que vai ser comunicado depois.
• Em contato com a natureza; em igrejas; em casa; em ruínas; e em cemitério.
• Durante o sono ou eEm estado de desprendimento sonambúlico.
• Na presença de diversas pessoas, por diversas vezes e em diferentes ocasiões.
Esse livro de Ernesto Bozzano enriqueceu a literatura espírita e foi publicado no Brasil pela Federação Espírita Brasileira.
A MÚSICA MEDIÚNICA DOS GRANDES MESTRES ATRAVÉS DA MEDIUNIDADE MUSICAL DE ROSEMARY BROWN
O livro de Rosemary Brown, publicado na Inglaterra com o título de “Unfinished Symphonies: Voices From The Beyond”, contém os detalhes das suas atividades mediúnicas musicais e do grande sucesso alcançado junto ao público.
Esse trabalho mediúnico começou em março de 1964, quando o Espírito de Franz Liszt comprometeu-se a transmitir-lhe novas composições musicais que havia feito no mundo dos Espíritos.
Depois disso, os Espíritos de outros compositores famosos integraram-se ao trabalho: Chopin, Schubert, Beethoven, Bach, Brahms, Schumann, Debussy, Grieg, Berlioz, Rachmaninoff e Monteverdi.
A médium nunca teve uma educação musical abrangente; qualquer conhecimento das técnicas específicas de composição de músicas; ou qualquer habilidade para fazer orquestração.
Quando algum crítico musical tentava explicar o fato mediúnico dizendo que certamente a sua habilidade decorria da notável formação musical que tivera na infância, a médium explicava:
“Para mim, naquele tempo, um par de sapatos novos tinha um significado muito maior do que ingressos para um concerto de música clássica. Na realidade, raramente sobrava dinheiro para comprar sapatos, e, certamente, nenhum para concertos.”
O próprio Espírito de Franz Liszt deu à médium a explicação do porque ela foi a escolhida para transmitir aos homens a música celeste:
“Porque você se ofereceu muito antes de nascer.”
“Quando você vivia um outro aspecto de sua existência, você concordou em ser o elo de ligação entre nós e o mundo.”
“Antes de você nascer, quando acedeu em ser a nossa medianeira, você teve que concordar em passar por uma série de sofrimentos de modo a tornar-se mais sensitiva.”
“Se tivesse tido uma educação musical completa, isto não nos auxiliaria absolutamente em nada.”
Esse mesmo Espírito disse ainda à médium que o seu trabalho mediúnico tinha a finalidade de mostrar aos homens que a morte do corpo físico é apenas uma transição para um outro estado de consciência, no qual a alma conserva sem alteração a sua individualidade.
A obra mediúnica de Rosemary Brown teve uma forte repercussão junto ao público quando foi lançado um “long-play”, em maio de 1970, contendo músicas de oito compositores de renome internacional, vindas do outro lado da vida.
Depois disso, o número de músicas mediúnicas cresceu rapidamente, reunindo um acervo de cerca de 400 peças musicais inéditas, contendo canções, composições para piano, quartetos, óperas, concertos e sinfonias.
Ainda, em resposta aos que a criticavam, não acreditavam ou se opunham ao seu trabalho junto aos Espíritos de compositores famosos, a médium respondeu:
“Os compositores são limitados pela minha própria limitação, e pelas dificuldades de transmissão.”
“Qualquer pessoa que conheça música sabe que eu teria que ser quase um gênio musical para ter obtido tudo isso sozinha.”
“Eu com toda a certeza teria que ser uma musicista verdadeiramente brilhante para ter escrito, sozinha, todos aqueles estilos diferentes de música.”
Mas, as obras dos Espíritos eram tão maravilhosas e surpreendentes que falavam por si junto ao público e os meios de comunicação. Então, a médium recebeu o reconhecimento público e o aval da BBC de Londres e de músicos famosos como Mary Firth, Richard Rodney Bennet e Leonard Bernstein.
Assim, Rosemary Brown provou de modo convincente que as almas de grandes mestres da música tinham sobrevivido à morte do corpo material; mantiveram a sua individualidade e as suas habilidades musicais; se comunicado através da sua mediunidade musical para transmitir aos homens novas composições que haviam elaborado na vida espiritual.
MANIFESTAÇÕES MUSICAIS DOS ESPÍRITOS NO BRASIL
OS CASOS PEIXOTINHO, FÁBIO MACHADO E CARLOS MIRABELLI
Aqui no Brasil, nós tivemos três notáveis médiuns que permitiram a realização de sessões espíritas de manifestações físicas inteligentes dos Espíritos.
Os fenômenos espíritas aqui ocorridos não ficaram devendo em nada para os que ocorreram na Europa.
Nas sessões espíritas realizadas pelos médiuns Peixotinho e Fábio Machado, músicas eram tocadas pelos Espíritos; os Espíritos Scheilla e Aracy compuseram e ofertaram músicas de hinos, pela escrita direta, às pessoas presentes.
Nas sessões realizadas pelo famoso médium Mirabelli, ouvia-se música transcendental, com sons metálicos e de campainha.
Numa dessas sessões, ocorreu a manifestação do Espírito Patapio Silva, famoso flautista brasileiro, que executou para os presentes muitas músicas conhecidas, surpreendendo a todos.
Detalhes dessas manifestações musicais dos Espíritos podem ser encontradas facilmente nas biografias desses importantes médiuns brasileiros.
A MEDIUNIDADE MUSICAL DE JORGE RIZZINI
Ainda aqui no Brasil, nós tivemos um grande médium musical. Trata-se de Jorge Toledo Rizzini.
Ele recebeu dos Espíritos de compositores famosos inúmeras músicas inéditas que serviram para a publicação dos Discos: Compositores do Além, volumes 1, 2 e 3; Marchas Mediúnicas; e Músicas do Além.
Os Espíritos que lhe transmitiram essas músicas foram: Lamartine Babo, Ataulfo Alves, Ary Barroso, Francisco Alves, Noel Rosa, Verdi, Puccini, Carlos Gardel, Duke Ellington, John Philip Souza, dentre outros.
Essas músicas, com o estilo próprio de cada compositor, foram gravadas por cantores famosos da época, que reconheceram e prestaram depoimentos sobre o estilo de cada compositor.
Além disso, esse médium realizou os famosos Festivais de Música Mediúnica, que agitaram a sociedade brasileira, inclusive no famoso Teatro Municipal de São Paulo.
Quando perguntado sobre a sua formação musical, Jorge Rizzini respondia:
“Nunca estudei música. Não toco nenhum instrumento, nem de ouvido. E o pior: não canto de modo afinado.”
Informações detalhadas sobre esse trabalho espírita de Jorge Rizzini pode ser encontrado na internet no blog:
http://jorge-rizzini.blogspot.com.
NOTA: Atualmente, temos no Movimento Espírita muitos outros médiuns musicais. Eles se dedicam ao trabalho, com resultados muito bons.
A MÚSICA CELESTE NOS LIVROS ESPÍRITAS PSICOGRAFADOS NO BRASIL
No Brasil, nós temos muitos livros psicografados por médiuns famosos, tais como: Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Carlos Baccelli, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, dentre muitos outros.
Muitos desses livros dão notícias da existência da música no mundo dos Espíritos.
Em alguns deles, encontramos narrativas muito detalhadas de como os Espíritos usam a música celeste em suas mais variadas atividades.
Como exemplo disso, destacamos apenas três notícias interessantes que estão contidas na série de livros do Espírito André Luiz, psicografados por Chico Xavier e publicados pela Federação Espírita Brasileira:
“Setenta e duas figuras começaram a cantar harmonioso hino, repleto de indefinível beleza. O cântico celeste constituía-se de notas angelicais, de sublimado reconhecimentos.”
(...)“As cordas afinadas casaram os ecos de branda melodia e a música elevou-se, cariciosa e divina, semelhante a gorjeio celeste.”
(...) “Harmonioso coro de uma centena de vozes bem afinadas cantou inolvidável hino de louvor ao Supremo Pai, arrancando-me copiosas lágrimas.”
CONCLUSÃO
Como vimos, os fatos espíritas comprovam a existência da música celeste.
Esses fatos estão registrados ou documentados nas obras de autores e médiuns famosos: Allan Kardec, Léon Denis, Ernesto Bozzano, Arthur Conan Doyle, Reverendo G. Vale Owen, Anthony Borgia, Rosemary Brown, Peixotinho, Fábio Machado, Carlos Mirabelli, Jorge Rizzini, Francisco Cândido Xavier, Yvonne A. Pereira, Divaldo Pereira Franco, Carlos Bacceli, Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, dentre muitos outros.
Portanto, a tese da existência da música celeste passa com facilidade pela Universalidade do Ensino dos Espíritos, estabelecida por Allan Kardec:
“A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares”.
Portanto, na vida futura, nossa alma não sentirá saudades da nossa linda arte que é a música terrena. Ela continuará em nossa companhia, sob a denominação de música celeste, alimentada por Espíritos que se dedicam a ela.
Essa música grandiosa, bela e sublime, cultivada como todas as ciências e artes na vida espiritual, torna-se mais elevada ainda nas esferas espirituais habitadas pelos Espíritos bons ou superiores.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
CENTENÁRIO DAS PRIMEIRAS REVELAÇÕES DETALHADAS SOBRE A VIDA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
CENTENÁRIO DAS PRIMEIRAS REVELAÇÕES DETALHADAS SOBRE A VIDA NO MUNDO DOS ESPÍRITOS
Geziel Andrade
Em 2013, completam-se 100 anos de existência das revelações dos Espíritos contidas no livro "A Vida Além do Véu".
Esse livro foi psicografado pelo respeitável reverendo G. Vale Owen, vigário de Orford, Lancashire, Inglaterra, e publicado no Brasil pela Federação Espírita Brasileira -FEB, com tradução de Carlos Imbassahy.
Esse livro inovador reúne as comunicações escritas pelo Espírito da senhora Owen, mãe do vigário, falecida em 1909, com 63 anos de idade, bem como as de outros Espíritos amigos, em sessões realizadas na mesa da sacristia da igreja de Orford. Portanto, num local sagrado.
Nunca, durante a sua vida terrena, em Birmingham, a senhora Owen demonstrou qualquer interesse pelas comunicações espíritas.
As comunicações dos Espíritos contidas no livro foram dadas no curto período de 23 de setembro de 1913 a 31 de outubro de 1913.
Completam, portanto, neste ano, seu centenário, merecendo homenagens no Movimento Espírita, pelas importantes contribuições que prestaram.
As revelações feitas pelos Espíritos, através da psicografia do reverendo Owen, desvendam as condições de vida existentes na vida espiritual para as almas dos homens, de um modo aberto e claro, como nunca tinha acontecido antes.
As regiões do Reino dos Céus foram descritas de modo tão pormenorizado, surpreendendo mesmo os estudiosos e pesquisadores experientes na vida da alma após a morte do corpo material.
Sir Artur Conan Doyle, famoso escritor e espírita, na Introdução do livro, deu o seu aval às narrativas dos Espíritos feitas através da mediunidade do reverendo de Orford. Ele empregou as seguintes palavras:
“Somente de Espíritos puros poderemos obter ensinamentos puros, e, entretanto, esta história do Céu parece-nos a mais completa que as condições dos mortais permitem.”
“Subverte ela nossas antigas crenças? Mil vezes, não! Amplia-as, define-as, embeleza-as, preenche o vácuo que nos fazia descaminhar; e, exceção feita para os pedantes pouco esclarecidos, que perderam o contacto com a Espiritualidade, ela é infinitamente reconfortante e elucidativa.”
(...) “Eu próprio publiquei em dois pequenos volumes uma descrição geral do outro mundo, colhida em grande número de fontes. E era tão independente da do Sr. Vale Owen como a dele é independente da minha.”
“Nenhuma tinha relação possível com a outra. E, no entanto, ao ler esta concepção, muito maior e mais pormenorizada, não encontro um único ponto importante em que eu dela me afastasse.”
“Como poderia dar-se essa concordância nas ideias gerais, se não fosse inspirada na verdade?”
E no prefácio da primeira edição desse livro, há a seguinte preparação do leitor para o que ele vai encontrar nas narrativas surpreendentes, feitas pelos próprios Espíritos, sobre as coisas existentes na continuidade da vida da alma do homem no mundo espiritual:
“Devemos dizer que estas mensagens promanam da Esfera de Luz, aquela que está mais próxima à Terra, e onde habita a principal mensageira, a mãe do vigário, consoante ela própria declara.”
“Diz-nos ela que aqueles que partiram da vida terrena habitam as mais próximas esferas do nosso globo e se vêm circundados de coisas não inteiramente dissemelhantes às que conheceram no mundo; que entraram, com a morte, no círculo mais apropriado ao nosso desenvolvimento espiritual. Não há mudança repentina em nossa personalidade. Não mergulhamos no esquecimento. Um ser não se transforma em outro ser.”
“Na primeira Esfera de Luz encontramos árvores e flores, como as que nascem nos jardins da Terra; flores e árvores mais belas, que não emurchecem, que não morrem, que formam parte integrante de nossa vida.”
“Em torno de nós há pássaros e animais. Conservam-se ainda amigos do homem, de quem estão mais próximos. São mais inteligentes e já não sofrem os temores nem padecem as crueldades que experimentam no Planeta.”
“Encontramos casas e jardins, porém, de substância, cor e atmosfera mais de acordo conosco. A água borbulha com sonoridades musicais; há maior harmonia de cores. Tudo é mais radiante, mais alegre, mais interessantemente complexo, e, não obstante estar a nossa atividade multiplicada, é a nossa vida mais remansosa”.
Para exemplificar o que os Espíritos comunicantes falaram em detalhes a respeito das realidades que as almas dos homens encontram na sua vida futura no mundo espiritual, elaboramos os seguintes pontos:
1 - DEUS:
Deus não é visível para os Espíritos nas esferas inferiores do mundo espiritual, como não o é na Terra para os homens.
Mas, Seus Atributos podem ser conhecidos, pois se manifestam através da Natureza que está ao derredor deles.
Tudo o que existe no Universo está nos planos de Deus para o bem de Seus Filhos.
A sabedoria de Deus revela-se na beleza complexa do reino que Ele criou com o Seu poder e amor.
O amor do Pai torna-se compreensível para os Filhos à medida que progridem em humildade e amor.
As esferas criadas por Deus para a habitação dos Espíritos são maravilhosas em beleza, luz e glória.
Em toda parte Deus estende Seu terno amor para todos os Seus Filhos.
Todas as esferas espirituais estão repletas do amor de Deus.
2 - ESFERAS SUPERIORES DO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos que habitam as esferas superiores, embora pertençam à alta hierarquia, vêm, continuamente, às esferas inferiores para animar aqueles que ainda enfrentam sua jornada ascendente.
Eles tornam-se visíveis e podem ser vistos pelos Espíritos inferiores, dependendo do seu estado de adiantamento e dos serviços que eles vêm prestar.
Mas, nem sempre os Espíritos inferiores vêem os mensageiros que vêm das esferas mais altas.
Eles só se tornam verdadeiramente visíveis, quando preparam seus corpos espirituais para essa visibilidade.
Assim, as manifestações dos habitantes e celebridades das regiões celestes mais elevadas e das esferas mais altas verificam-se da forma mais nítida possível nas regiões inferiores.
Os Espíritos superiores passam pelas adaptações necessárias às condições das esferas inferiores.
Ainda, à medida que os Espíritos imperfeitos vão se adiantando tornam-se mais belos e podem subir a uma esfera de luz mais alta.
Então vêem e ouvem as coisas dos planos superiores.
A falange angélica das esferas superiores manifesta-se sempre através do amor, sabedoria e bondade. Essas virtudes guiam todos os seus trabalhos.
Os Espíritos que habitam as regiões celestes superiores são gloriosos e belos.
Porém, acima e além das esferas espirituais superiores que circundam a Terra, existem as esferas interplanetárias e interestelares, que os Espíritos vinculados ao nosso planeta pouco sabem ou nada sabem de positivo a respeito.
3 - REGIÕES INFERIORES OU DAS TREVAS:
No reino de Deus, todas as esferas e regiões espirituais estão interligadas.
Assim, existem caminhos e pontes que ligam as regiões da luz às regiões das trevas.
As regiões da escuridão são desprovidas de beleza e estéreis; são cheias de rochedos e de tristezas para os seus habitantes.
Os caminhos e as pontes permitem que os Espíritos que já expiaram os erros cometidos na vida terrena possam procurar a luz e sair da terrível região escura, com o auxílio e a direção de guias, que os levam para casas de descanso, repouso e tratamento.
Esses guias tornam-se visíveis aos Espíritos sofredores, em desconforto, desespero e fraqueza espiritual na proporção das luzes que conseguiram desenvolver em seus corações.
As regiões inferiores das trevas são muito extensas e os bons Espíritos prestam socorro fraterno aos seus irmãos, Filhos do Pai Celestial, que verdadeiramente se arrependeram de terem praticado o mal na vida terrena.
Por isso, se condenaram aos horrores e as influências nocivas dos Espíritos malignos que habitam na escuridão.
Os poderes da luz e do bem atuam organizados e vigilantes. Os pedidos de socorro são analisados e examinados na ciência do amor.
Então, o auxílio é enviado da melhor forma e de acordo com o mérito daquele que suplica.
4 – A PROMOÇÃO DE UMA ESFERA ESPIRITUAL PARA OUTRA:
À medida que os Espíritos progridem das esferas inferiores para as superiores perdem a materialidade do corpo espiritual pouco a pouco e passam para condições melhores de vida.
Quanto mais alto o Espírito chega, mais elevado se torna o ambiente em que ele pode viver.
Assim, as esferas espirituais são habitadas por seres de acordo com a sua elevação intelectual e moral.
Mas, os Espíritos estão sempre progredindo de uma esfera para outra mais alta, conforme adquirem conhecimentos, experiências e virtudes.
Portanto, as esferas espirituais são habitadas por seres, de acordo com o seu grau de adiantamento, santidade e poder.
5 - ESFERAS E REGIÕES INTERMEDIÁRIAS DO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos que praticaram o bem e cultivaram as virtudes na vida terrena geralmente habitam as regiões intermediárias do mundo espiritual.
No Reino dos céus, a colheita é rigorosamente de acordo com a semeadura feita na vida material.
A justiça e o amor de Deus acompanham os Seus Filhos em seus caminhos.
Assim, é a bondade na alma que torna o corpo espiritual radiante e os vestuários brilhantes; que situa os bons Espíritos nas esferas e regiões intermediárias.
Estas esferas são dirigidas por governadores e contam com organizações e instituições, nas quais são cultivados todos os ramos das ciências e artes.
Os trabalhos, ocupações e atividades são incessantes na vida espiritual.
Nela, as preces dos homens dirigidas a Deus e aos Espíritos são registradas, analisadas e atendidas de acordo com a fé, a pureza e o merecimento.
Os Espíritos que já conquistaram o amor vivem uma vida mais espiritual, num ambiente em que tudo é muito mais bonito do que na Terra.
6 - SEMELHANÇAS DA TERRA COM AS ESFERAS ESPIRITUAIS:
O mundo espiritual é, de certo modo, a Terra aperfeiçoada.
A Terra é o Céu em embrião.
O Céu é a Terra purificada.
As belezas criadas por Deus na Terra contêm traços e semelhanças das que são encontradas nas esferas espirituais.
A Terra é uma manifestação remota das esferas espirituais.
Se assim não fosse, a comunicação entre os dois mundos não seria possível.
A esfera chamada Terra é o centro, pois as esferas espirituais estão em círculos concêntricos em torno dela.
As esferas inferiores são as que estão mais próximas da superfície do planeta e as demais esferas aumentam em poder e iluminação à proporção que se afastam dele.
A Terra é o centro de muitas esferas espirituais e está cercada por todas elas.
A Terra é a manifestação material de todas as esferas espirituais que a circundam.
A Terra é envolvida e influenciada pelos poderes espirituais de vários graus e classes dos Espíritos que habitam as esferas criadas por Deus e que a cercam.
7 - MUITOS ESPÍRITOS ELEVADOS ESTÃO EM CONTATO COM A TERRA E AS REGIÕES LIMÍTROFES DA ESFERA TERRESTRE:
Espíritos missionários assistem os Espíritos encarnados que estão prestes a passar para o outro lado da vida, bem como os recém chegados à vida espiritual e que não compreendem ainda que já atravessaram a linha divisória entre a Terra e o mundo dos Espíritos.
Muitos deles não percebem que o corpo material morreu, porque se sentem vivos e com um corpo espiritual semelhante ao que tinham.
Então, precisam ser convencidos de que não mais se acham na vida terrena.
Os que vêm da Terra, depois de terem vivido uma vida sem progresso, se encontram em esferas tão grosseiras, que não conseguem distingui-las da própria Terra.
Precisam então ser convencidos de que mudaram de estado.
Somente as almas esclarecidas sobre as coisas espirituais compreendem de pronto que passaram para o mundo espiritual.
Os Espíritos elevados que estão em contato com a Terra têm a capacidade de desvendar o mais íntimo na alma do homem.
Eles vêem além do corpo material e do cérebro mecânico que nada mais é que uma roupagem envolvendo a alma.
8 – A FORMA HUMANA DOS ESPÍRITOS:
Os Espíritos, que são as almas dos homens que perderam o corpo material com a morte, habitam as regiões do mundo espiritual, com um corpo que conserva a forma humana masculina ou feminina.
Então, os Espíritos aparentam diversas idades.
Muitos velhos ainda não progrediram o suficiente para se tornarem novamente moços e vigorosos e muitos moços ainda não puderam alcançar um completo desenvolvimento.
As crianças são bem cuidadas, para que tenham um crescimento saudável, conheçam as coisas das esferas espirituais e adquiram as experiências que não tiveram na curta vida terrena.
Embora o corpo espiritual não seja constituído de osso, carne e sangue, é tão real como o corpo material que foi abandonado na Terra.
Além disso, esse corpo espiritual corresponde com eficiência ao caráter e ao grau de elevação moral do Espírito.
9 - MEIO AMBIENTE EXISTENTE NO MUNDO DOS ESPÍRITOS:
No mundo espiritual existem montes, cadeias de montanhas, água, fontes, rios, lagos, regatos, cachoeiras, vegetação, plantas, grama, relvas, arbustos, árvores, bosques, florestas, jardins, flores, fauna e flora, formando belíssimas paisagens naturais.
A matéria sutil que forma essa Natureza tem características próprias e sofre variações para cada esfera espiritual, mas nas esferas mais elevadas as maravilhas dos reinos celestiais tornam-se insuperáveis.
10 - ANIMAIS NO MUNDO ESPIRITUAL:
Na vida espiritual existe bela fauna, com algumas espécies conhecidas na Terra e outras estranhas para os homens.
São pássaros com linda plumagem; animais diversos como cavalos, bois, faunos, antílopes e outros quadrúpedes; peixes diversos, etc.
Eles não temem uns aos outros porque não podem ser maltratados nem mortos.
Eles são usados de forma útil pelos Espíritos e se distraem com os seus trabalhos e gostam de desempenhar tarefas.
11 - CASAS, PALÁCIOS, EDIFÍCIOS, ESCOLAS, BIBLIOTECAS, LABORATÓRIOS, SALÕES DE CONFERÊNCIA, RUAS E CIDADES EXISTENTES NO MUNDO ESPIRITUAL:
As edificações existentes no mundo espiritual foram construídas pelos Espíritos que antecederam aqueles que continuaram as suas lutas na vida terrena.
Quando estes vierem para o mundo espiritual, encontrarão tudo pronto e preparado para recebê-los.
As construções são feitas pela força de vontade dos Espíritos que gozam de grande poder criador nesse campo.
12 - MÚSICA NO MUNDO ESPIRITUAL:
Os Espíritos entoam lindos cantos, acompanhados por instrumentos musicais.
Eles sentem-se felizes com as harmonias da doce música vocal e instrumental que é produzida pelos Espíritos músicos.
Essa música se torna mais sublime quanto mais adiantado for o plano de vida.
Os Espíritos músicos fazem chegar a inspiração musical àqueles que, na Terra, têm vocação para compor músicas.
Assim, muitas músicas celestes são transmitidas através do véu até a esfera terrestre.
A música celeste tem um papel acentuado na vida espiritual.
CONCLUSÃO
Essas são, em síntese, as revelações contidas nas comunicações do Espírito da senhora Owen, mãe do reverendo G. Vale Owen, bem como de outros Espíritos amigos dela.
Elas estão completando seu centenário neste ano de 2013, merecendo comemorações no Movimento Espírita.
Elas inauguraram, a partir da Inglaterra, a fase das revelações e descrições muito detalhadas feitas pelos Espíritos sobre as coisas existentes na vida espiritual, para orientarem os homens sobre a continuidade da vida da alma.
Depois disso, as comunicações reveladoras continuaram a ser feitas em outras partes do mundo, mas principalmente aqui no Brasil, notadamente através da mediunidade de Chico Xavier.
Essas comunicações reveladoras complementaram, de modo inovador, as revelações que os Espíritos superiores fizeram na França, a Allan Kardec, e que permitiram a Codificação do Espiritismo.
Com isso, o Espiritismo descortinou de modo surpreendente os mistérios da vida da alma do homem após esta vida terrena.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
MULHERES NA CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
MULHERES NA CODIFICAÇÃO DO ESPIRITISMO
Geziel Andrade
Imagem: Allan Kardec com Amélie Boudet Rivail. Fonte: Wikipédia.
Mulheres tiveram participação notável no surgimento, na codificação e na divulgação do Espiritismo, demonstrando coragem, ausência de preconceitos e espírito inovador, como veremos a seguir:
1 - SENHORA PLAINEMAISON
Em maio de 1855, em Paris, na França, o famoso professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, mais tarde, adotaria o pseudônimo de Allan Kardec, estava numa reunião de amigos na casa da senhora Roger.
Lá, se encontrou com dois velhos conhecidos, o senhor Pâtier e a senhora Plainemaison.
Logo, esses dois amigos direcionaram a conversa para o assunto que estava na moda na França: os fenômenos das mesas girantes ou falantes.
O senhor Pâtier era um funcionário público de certa idade e uma pessoa muito instruída, de caráter grave, frio e calmo.
O senhor Pâtier narrou ao professor Rivail os fatos surpreendentes que vinha presenciando em sessões das mesas falantes, despertando-lhe viva impressão sobre o assunto.
Para que o professor Rivail pudesse comprovar pessoalmente a autenticidade dos fenômenos e pudesse eliminar suas possíveis dúvidas ou descrenças, o senhor Pâtier convidou-o para assistir as experiências que eram realizadas na casa da senhora Plainemaison.
O convite do senhor Pâtier foi aceito imediatamente.
A respeito dessa primeira sessão espírita na casa da senhora Plainemaison, o professor Rivail, mais tarde, escreveu o seguinte:
“Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam, em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida.”
“Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta.”
“Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa.”
“Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.”
Portanto, foi graças a essa sessão espírita realizada na casa da senhora Plainemaison, que foi pioneira na realização desse tipo de reunião, que o professor Rivail constatou pessoalmente a veracidade dos surpreendentes fenômenos das mesas girantes e decidiu estudá-los a fundo, dando um novo rumo na história do Espiritismo.
Após ter decidido pesquisar seriamente o fenômeno das mesas girantes, o professor Rivail passou a frequentar assiduamente as reuniões que eram realizadas habitualmente na casa da senhora Plainemaison.
Portanto, esta mulher, que já se dedicava, de modo pioneiro, em sua própria casa, às comunicações com os Espíritos, introduziu o professor Rival em seus estudos dos fatos e fenômenos espíritas.
2 - SENHORITAS CAROLINE BAUDIN, DE 16 ANOS, E JULIE BAUDIN, DE 14 ANOS.
Foi numa das reuniões espíritas realizadas na casa da senhora Plainemaison, que o professor Rivail conheceu o senhor Baudin, que também realizava sessões espíritas em sua própria casa.
Notando o grande interesse que o professor Rivail tinha em estudar de forma séria os fenômenos espíritas, o senhor Baudin convidou-o para observar e analisar os fatos que ocorriam nas sessões que realizava em sua residência.
Nessas reuniões espíritas com regularidade na casa do senhor Baudin, um fato notável prendeu a atenção do professor Rivail: as duas filhas do senhor Baudin, as senhoritas Caroline Baudin, de 16 anos, e Julie Baudin, de 14 anos, serviam de médiuns, com uma habilidade extraordinária.
Elas intermediavam a escrita dos Espíritos numa ardósia, com o auxílio de um lápis (tipo giz) preso numa cesta. As meninas colocavam as mãos nas bordas da cesta para que os Espíritos pudessem escrever suas mensagens ou fazer suas revelações.
Como as meninas não tinham contato direto com o lápis, era impossível qualquer intromissão das suas ideias nas palavras escritas pelos Espíritos.
Era dessa forma que os Espíritos respondiam a todas as perguntas que lhes eram dirigidas, inclusive as formuladas mentalmente. Isso tornava evidente que não havia nas respostas qualquer intervenção das ideias das médiuns ou das pessoas que estavam presentes nas reuniões.
Foi graças a esse trabalho mediúnico extraordinário realizado por duas meninas, Caroline e Julie Baudin, que o professor Rivail:
• Aprofundou seus primeiros estudos sérios de Espiritismo.
• Fez observações minuciosas dos fatos e fenômenos espíritas.
• Comparou acontecimentos, percebendo suas consequências filosóficas e religiosas.
• Obteve a comprovação e provas irrefutáveis de que os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra.
• Convenceu-se, de forma inabalável, que a alma no homem, de fato, sobrevive à morte do corpo material, conservando todas as suas faculdades intelectuais e morais, e podendo inclusive se comunicar com os homens através dos médiuns.
Portanto, foi graças ao trabalho mediúnico de duas jovens, Caroline e Julie, que o professor Rivail teve condições de dedicar-se arduamente às investigações espíritas, levando, inclusive, para as sessões espíritas algumas questões previamente formuladas e preparadas para serem apresentadas aos Espíritos.
As questões formuladas aos Espíritos pelo professor Rivail eram respondidas com sabedoria, precisão, profundeza, clareza e lógica.
Então, o professor Rivail instruiu-se acerca das condições da alma do homem na vida espiritual, despertando, ao mesmo tempo, nas pessoas que frequentavam as reuniões, um vivo interesse pelos assuntos tratados e discutidos.
Com o decorrer do tempo e aprofundamento das investigações, o professor Rivail percebeu que:
• As respostas dadas pelos Espíritos, através das duas médiuns, sobre os mais variados assuntos, tinham interesse geral para a expansão do saber humano.
• Por isso, se elas fossem reunidas num livro, de uma forma ordenada, ganhariam o formato de uma Doutrina inédita.
Portanto, foi graças ao extraordinário trabalho mediúnico realizado pelas jovens Caroline e Julie que o professor Rivail entrou, de forma inusitada, em contato útil, sério e instrutivo com os Espíritos.
Foi dessa mesma forma que conheceu o seu Espírito protetor, o Espírito de Verdade. Este passou a orientá-lo em seus estudos; a auxiliá-lo na solução de alguns problemas complicados; a facilitar-lhe a execução de certos trabalhos espíritas; e a protegê-lo da malignidade dos antagonistas das ideias espíritas.
Sobre a participação das senhoritas Caroline e Julie na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, publicado em 18 de abril de 1857, constituindo o Espiritismo, o professor Rivail, já com o pseudônimo de Allan Kardec, escreveu:
“Os primeiros médiuns que concorreram para o nosso trabalho foram as senhoritas Baudin, cuja boa vontade jamais nos faltou.”
“O livro foi quase todo escrito por intermédio delas e em presença de numeroso público que assistia às sessões, nas quais tinham o mais vivo interesse.”
Portanto, os primeiros trabalhos de Allan Kardec na codificação do Espiritismo foram concretizados graças às duas jovens: as senhoritas Caroline e Judie Baudin, cujos pais, o senhor e a senhora Baudin, as haviam integrado no Movimento Espírita nascente, apesar da pouca idade que as duas filhas possuíam.
3 - SENHORITA RUTH CELINE JAPHET, COM 20 ANOS DE IDADE
Além da presença nas reuniões espíritas realizadas na casa do senhor Baudin, o professor Rivail passou a frequentar ainda as sessões que eram realizadas na residência do senhor Roustan.
Lá, conheceu a extraordinária médium senhorita Japhet. Esta excelente médium permitiu-o ampliar o contato e a comunicação com muitos outros Espíritos.
Foi através da mediunidade da senhorita Japhet, que o professor Rivail:
• Obteve dos Espíritos a resposta para inúmeras questões embaraçosas e complexas que pretendia incluir no livro em elaboração.
• Recebeu a orientação dos Espíritos superiores que fizesse uma revisão completa no seu trabalho, em reuniões particulares, servindo-se da mediunidade da própria senhorita Japhet.
• E ficou sabendo de modo convincente que tinha uma importante missão a cumprir no campo religioso e espiritual.
Sobre a notável participação da senhorita Japhet, com o seu excelente trabalho mediúnico, na elaboração de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec escreveu o seguinte:
“Os Espíritos recomendaram uma revisão completa do livro em sessões particulares, tendo-se feito, então, todas as adições e correções julgadas necessárias.”
“Esta parte essencial do trabalho foi feita com o concurso da senhorita Japhet, a qual se prestou com a melhor boa vontade e o mais completo desinteresse a todas as exigências dos Espíritos, porque eram eles que marcavam dia e hora para suas lições.”
“A senhorita Japhet, que é também uma notável sonâmbula, tinha seu tempo utilmente empregado; mas compreendeu que também lhe daria uma aplicação proveitosa ao se consagrar à propagação da Doutrina.”
Portanto, a codificação do Espiritismo, contida em “O Livro dos Espíritos”, foi concretizada também graças ao extraordinário trabalho mediúnico de outra jovem: a senhorita Japhet.
4 - SENHORITA ALINE CARLOTTI, COM 20 ANOS DE IDADE
A senhorita Aline, médium de psicografia e psicofonia, foi quem serviu de intermediária para que o Espírito de Verdade confirmasse ao professor Rivail que ele tinha uma missão importante a realizar com o seu trabalho de codificação dos ensinos dos Espíritos.
O Espírito da Verdade escreveu-lhe o seguinte, através da mediunidade da senhorita Aline:
“Confirmo o que te foi dito a respeito da tua missão, mas recomendo-te muita discrição, se quiseres sair-te bem.”
“Não esqueças que podes triunfar, como podes falir. Nunca, pois, fales da tua missão; seria a maneira de a fazeres malograr-se.”
“Ela somente pode justificar-se pela obra realizada e tu ainda nada fizeste. Se a cumprires, os homens saberão reconhecê-lo, cedo ou tarde, visto que pelos frutos é que se verifica a qualidade da árvore.”
“A nossa assistência não te faltará, mas será inútil se, de teu lado, não fizeres o que for necessário.”
“Previno-te de que é rude a tua missão, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro...”
Portanto, outra mulher, a senhorita Aline, participou de modo grandioso na codificação do Espiritismo, ao intermediar muitas comunicações e revelações dos Espíritos.
5 - SENHORITA ERMANCE DUFAUX, COM 14 ANOS DE IDADE
A senhorita Ermance Dufaux, juntamente com a sua mãe, atuavam como médiuns nas sessões espíritas que eram realizadas em seu próprio lar, sob a direção do senhor Dufaux.
Portanto, toda a família Dufaux estava integrada no Movimento Espírito nascente, com participação muito importante das mulheres.
A mediunidade de Ermance Dufaux impressionou profundamente Allan Kardec porque ela, com apenas 14 anos de idade, já tinha psicografado um trabalho literário de fôlego.
Tratava-se de uma obra inédita e completa, contendo uma infinidade de detalhes pouco ou nada conhecidos sobre a vida da heroína Joana D’Arc.
Devido ao seu grande interesse em intermediar as comunicações com os Espíritos, Ermance Dufaux se dispôs voluntariamente a ser a médium principal nas reuniões espíritas que eram realizadas na casa de Allan Kardec.
Sobre isto, ele escreveu:
“Havia cerca de seis meses, eu realizava, em minha casa, à rua dos Mártires, uma reunião com alguns adeptos, às terças-feiras.”
“A senhorita Ermance Dufaux era o médium principal. Conquanto o local não comportasse mais de 15 ou 20 pessoas, até 30 lá se juntavam às vezes. Apresentavam grande interesse tais reuniões, pelo caráter sério de que se revestiam e pelas questões que ali se tratavam.”
Portanto, a senhorita Ermance Dufaux também teve uma participação muito importante no trabalho de codificação do Espiritismo.
6 - SENHORA MARIE ALEXANDRINE DIDELOT DELLANE (MÃE DE GABRIEL DELLANE)
O senhor Alexandre Delanne e sua esposa Marie tornaram-se grandes amigos de Allan Kardec, depois que se converteram ao Espiritismo.
A senhora Delanne havia desenvolvido a sua mediunidade no grupo espírita mantido por Allan Kardec em sua própria casa.
Depois disso, nesse mesmo grupo espírita, a senhora Delanne passou a trabalhar com dedicação como médium de psicografia.
Mais tarde, ela e seu marido decidiram realizar reuniões espíritas em seu próprio reduto doméstico. Porém, transmitiam a Allan Kardec tudo o que acontecia ali sobre as comunicações, manifestações e revelações dos Espíritos, municiando-o de informações independentes para a Codificação.
Nesse ambiente espírita, nasceu e cresceu Gabriel Delanne, que desenvolveu também grande amizade com Allan Kardec e se tornou, quando adulto, um dos grandes vultos do Espiritismo.
Portanto, outra mulher, a senhora Dellane, desempenhou um papel importantíssimo, tanto na codificação do Espiritismo, quanto na formação da nova geração espírita, com a educação espírita que deu ao seu filho Gabriel.
7 - OUTRAS SENHORAS QUE TIVERAM PARTICIPAÇÃO NOTÁVEL NA FORMAÇÃO DO ESPIRITISMO
Para a codificação do Espiritismo, Allan Kardec contou ainda com o concurso de muitas outras mulheres, dentre elas:
• A senhora Canu, médium sonâmbula inconsciente.
• A senhora Leclerc, médium psicógrafa.
• A senhora Clement, médium de psicografia e de incorporação.
• A senhora Roger, médium clarividente.
8 – A PARTICIPAÇÃO ESPECIAL DA SENHORA ALLAN KARDEC: AMÉLIE GABRIELLE DE LACOMBE BOUDET RIVAIL
A senhora Allan Kardec desempenhou um papel relevante e especial na codificação do Espiritismo pelo grande incentivo, enorme apoio e notável colaboração que prestou na realização dos trabalhos espíritas de seu marido.
Sem esse apoio, certamente, Allan Kardec não teria conseguido realizar a sua inovadora e grandiosa obra espírita.
Sua esposa apoiou-o desde as suas primeiras participações em sessões espíritas e principalmente para realizar reuniões espíritas em sua própria residência.
O próprio Allan Kardec reconheceu o papel importante que a sua esposa desempenhou em sua vida, ao escrever as seguintes palavras:
“Quando concebi a ideia do “O Livro dos Espíritos”, minha intenção era não me pôr em evidência e ficar desconhecido; mas logo ultrapassado, isto não me foi possível: tive que renunciar aos meus gostos de retiro, sob pena de abdicar da obra empreendida e que crescia prodigiosamente; mas foi preciso seguir-lhe o impulso e tomar as rédeas.”
“Foi a obra de minha vida: a ela dei todo o meu tempo, sacrifiquei meu repouso, minha saúde, porque o futuro estava escrito em minha frente em caracteres irrecusáveis.”
“Fi-lo por meu próprio movimento e minha mulher, que nem é mais ambiciosa nem mais interesseira do que eu, concordou plenamente com meus pontos de vista e me secundou na tarefa laboriosa, como o faz ainda, por um trabalho por vezes acima de suas forças, sacrificando sem pesar os prazeres e distrações do mundo, aos quais sua posição de família a tinham habituado.”
Portanto, a senhora Allan Kardec teve um espírito aberto, participativo e abnegado ao envolver-se nas tarefas e atividades de seu marido, que resultaram na codificação, estruturação e divulgação do Espiritismo.
E mesmo depois da morte de Allan Kardec, sua esposa manteve sua importante participação tanto no Movimento Espírita, quanto no fortalecimento e na divulgação do Espiritismo.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Em conclusão, numa época (1850 a 1890) em que os preconceitos contra as mulheres eram muito fortes, (notadamente os lançados pelas religiões tradicionais e os impostos pelos interesses econômicos e sociais masculinos), algumas mulheres os ignoraram completamente e desempenharam corajosamente papeis importantíssimos na comunicação com os Espíritos, na codificação do Espiritismo e no desenvolvimento do Movimento Espírita.
E mesmo na atualidade, principalmente aqui no Brasil, onde a Doutrina Espírita tem o maior número de adeptos do mundo, as mulheres são a maioria dos espíritas, desempenhando funções importantes tanto nos Centros Espíritas, quanto influindo na educação espírita dos maridos e dos filhos.
É que os princípios espíritas pregam absoluta igualdade entre a alma do homem e a alma da mulher, aceitando a livre participação e colocando as mulheres no Movimento Espírita, sem qualquer restrição, seja no trabalho fraternal de direção, operacionalização, engrandecimento, divulgação e expansão do Espiritismo, bem como na formação das novas gerações de espíritas.
No Espiritismo, os seguintes princípios espíritas colocam as mulheres no Movimento Espírita em plena igualdade com os homens:
• Deus criou todas as almas iguais e semelhantes.
• As supostas desigualdades existentes entre as almas masculinas e femininas estão fundadas pela ignorância e pela força bruta. Portanto, desaparecerão com o progresso e o reinado da justiça.
• As almas ou Espíritos não têm sexo.
• Os sexos só existem no organismo material. São necessários à reprodução dos seres vivos.
• Os Espíritos, filhos e criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros. Razão por que os sexos são inúteis no mundo espiritual.
• Os Espíritos são criados por Deus simples e ignorantes para progredir em tudo e adquirir todos os conhecimentos. Então, cada um é chamado a concorrer aos diversos trabalhos e a passar por diferentes gêneros de provas para evoluir.
• É, por isso que os Espíritos, alternativamente, nascem ricos ou pobres, senhores ou servos, operários intelectuais ou da força bruta, homens ou mulheres.
• Assim, o princípio da igualdade entre homens e mulheres se acha fundada sobre as leis mesmas da matéria.
• É com esse mesmo objetivo que os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos.
• Aquele que foi homem poderá renascer mulher e aquele que foi mulher poderá nascer homem, a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições, e sofre-lhes as provas para progredir em termos intelectuais e morais.
• Sofrendo o Espírito encarnado a influência do organismo material, seu caráter se modifica conforme as circunstâncias e se dobra às necessidades e às exigências impostas pelo mesmo organismo.
• Pode ainda acontecer que o Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa.
• Somente quando chegado a um certo grau de adiantamento e de desmaterialização é que a influência da matéria se apaga completamente e, com ela, o caráter dos sexos.
• Os Espíritos que se nos apresentam como homens ou como mulheres, é para nos lembrar a existência em que os conhecemos.
• Dessa forma, não existe diferença entre o homem e a mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo.
• Mas quanto ao Espírito, à alma, o ser essencial, imperecível, a diferença não existe, porque não há duas espécies de almas.
• Quis Deus a sua justiça para todos os Seus filhos, para todas as Suas criaturas.
• Dando Deus a todas as almas um mesmo princípio e um mesmo destino, fundou a verdadeira igualdade.
• A desigualdade só existe temporariamente no grau de adiantamento intelectual, moral e espiritual de cada Espírito em evolução. Mas, todos os Filhos de Deus estão progredindo, graças às incontáveis reencarnações na Terra ou em outros mundos habitados, a caminho da conquista da perfeição espiritual.
• Então, todos os Espíritos têm direito ao mesmo destino. Cada um chega ao destino glorioso estabelecido pelo Criador por seu trabalho, porque Deus não favoreceu ninguém às custas dos outros.
• Com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher é um direito fundado nessas leis da natureza.
• Dando a conhecer estas leis, o Espiritismo abriu a era da emancipação legal da mulher, como abriu a da igualdade e a da fraternidade.
segunda-feira, 4 de março de 2013
"O LIVRO DOS MÉDIUNS": TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO IV: TEORIA DAS MANIFESTAÇÕES FÍSICAS
IMAGENS: Daniel Dunglas Home (1833 – 1886), potente médium de manifestações físicas dos Espíritos.
Geziel Andrade



Uma vez demonstrada a existência dos Espíritos, pelo raciocínio e pelos fatos, bem como a possibilidade deles agirem sobre a matéria, cabe agora entender como conseguem mover mesas e outros corpos inertes.
Foram os próprios Espíritos que deram a explicação de como conseguem produzir suas manifestações físicas, contrariando as ideias que os homens tinham a esse respeito e oferecendo solução para numerosos fatos que não tinham uma explicação satisfatória.
O Espírito possui o perispírito (corpo espiritual ou envoltório semimaterial) que tem a forma humana. Mas, o Espírito não se serve de suas mãos, nem de seus braços para girar ou erguer uma mesa.
Ele se serve do fluido universal, o qual, no ambiente terrestre, está bastante modificado em relação à simplicidade absoluta em que é encontrado nas regiões elevadas habitadas pelos Espíritos puros.
É esse mesmo fluido universal modificado que se presta à formação da matéria compacta que rodeia os homens na vida terrena.
É esse mesmo fluido universal modificado que forma o perispírito do Espírito, numa espécie de condensação em torno dele. Então, as faculdades pertencem ao Espírito e não estão nesse corpo fluídico semimaterial que sofre modificações.
Porém, esse fluido modificado que forma o perispírito não possui todas as propriedades da matéria densa. Ele tem características próprias, permitindo a formação do perispírito, que é invisível para os homens no seu estado normal.
Então, quando um Espírito quer mover um corpo sólido existente na vida terrena, ele combina uma porção do fluido universal modificado que compõe o seu perispírito com o fluido mais denso que se desprende naturalmente de um médium apropriado a produzir os denominados fenômenos de efeitos físicos.
Assim, quando uma mesa ou qualquer outro objeto se move sob o comando inteligente de um Espírito é porque este está usando os fluidos que combinou, dando ao objeto uma vida factícia ou artificial.
O Espírito, usando os fluidos que elaborou, prepara a mesa para poder movimentá-la sob a ação de sua vontade. Então, os fluidos que o Espírito combinou têm uma influência decisiva na produção do fenômeno da manifestação física.
Geralmente, os Espíritos inferiores são mais aptos à produção dos efeitos físicos, porque agem com mais facilidade sobre os fluidos materiais que se desprendem do médium.
Os Espíritos superiores, que possuem a força moral, quando necessitam produzir efeitos materiais, servem-se dos Espíritos inferiores, porque estes possuem a força física.
Quando a massa do objeto material que o Espírito deseja mover é muito pesada, ele pede ajuda para outros Espíritos que possuem a sua mesma condição. Quase sempre, são Espíritos semelhantes que acodem e ajudam espontaneamente.
Por sua natureza etérea, o Espírito propriamente dito, detentor de todas as faculdades, não pode agir diretamente sobre a matéria grosseira. Para atuar sobre ela, ele precisa de seu perispírito, do seu corpo fluídico que é de natureza semimaterial.
Portanto, no perispírito está a chave, a explicação para todos os fenômenos espíritas, incluindo as manifestações físicas do Espírito.
Como se deduz das explicações acima, a densidade do perispírito não é a mesma para todos os Espíritos. Ela varia de acordo com os mundos e as características dos indivíduos.
Nos Espíritos moralmente adiantados, o perispírito é mais sutil e se aproxima do dos Espíritos elevados.
Nos Espíritos inferiores, o perispírito aproxima-se da matéria densa. Dessa forma, eles mantêm as ilusões da vida terrena, pensam e agem como se ainda estivessem na vida terrena, sustentando os mesmos desejos e padrão de sensualidade.
A densidade maior do perispírito dos Espíritos inferiores estabelece maior afinidade com a matéria densa. Por isso, os Espíritos inferiores são mais aptos a produzir as manifestações físicas.
Portanto, o perispírito, que é para o Espírito o que o corpo material é para o homem, tem uma densidade que está de acordo com o seu grau de inferioridade ou de superioridade.
A maior densidade do perispírito dá ao Espírito inferior maior poder de atuação sobre os fluidos que são necessários para que as manifestações físicas sejam realizadas.
Reafirmando: em decorrência disso, se um Espírito elevado, que possui um perispírito de natureza mais sutil ou etérea, quiser produzir efeitos físicos, precisa recorrer a Espíritos aptos a realizá-los.
Conforme citado anteriormente, quando o Espírito vai produzir manifestações físicas, ele anima a matéria densa de uma vida artificial.
Para isso, ele precisa do médium de efeitos físicos, que forneça o fluido que vai combinar com o do seu perispírito.
O fluido que o Espírito combinou serve de instrumento para que ele anime e movimente uma mesa, por exemplo. Então, ela se move em obediência à vontade do ser inteligente.
Portanto, na produção de manifestações físicas, é indispensável que o médium forneça o fluido que o Espírito vai unir ao seu. Então, com o fluido combinado, a mesa adquire uma vida artificial e momentânea, a qual se extingue quando a quantidade do fluido já não é suficiente para animar o móvel.
O Espírito não precisa do consentimento do médium para obter o fluido material alheio e produzir efeitos físicos. Ele pode agir à revelia do médium, tirando dele, como de uma fonte, o fluido animal de que necessita para produzir fenômenos espontâneos.
É dessa forma que há movimentação do objeto malgrado ou contra a vontade do médium. A causa do fenômeno é independente do desejo deste.
Provas disso estão nos movimentos e deslocamentos espontâneos de objetos que ninguém pensou em provocar.
Desse modo, muitas pessoas ajudam os Espíritos na realização de certos fenômenos espíritas sem o saberem.
Porém, a vontade do médium em produzir um determinado efeito físico pode aumentar sua doação de fluidos e a potência do fenômeno.
A potência das manifestações físicas depende não só do organismo do médium, mas também da maior ou menor facilidade que o Espírito encontra para combinar os fluidos.
Além disso, influi ainda na realização do fenômeno a maior ou menor simpatia que o Espírito tem pelo médium de quem tira o fluido que necessita.
Algumas pessoas são inteiramente refratárias à produção de manifestações físicas dos Espíritos. Outras só conseguem as manifestações pelo esforço da sua própria vontade. Outras participam do fenômeno de forma tão natural e fácil que nem percebem que serviram de instrumento para os Espíritos. Participam dele sem saberem ou perceberem.
Em função do acima exposto, certas pessoas não se prestam nem mesmo para que uma mesinha de centro seja movimentada. Por outro lado, basta que certas crianças apenas ponham os dedos numa mesa pesada para que ela se agite e movimente rapidamente.
Há ainda o caso de certas pessoas terem a capacidade de tirar de si mesmas o fluido necessário à produção de certos fenômenos materiais. Então, podem agir sem o auxílio dos Espíritos. Todavia, isso não impede que um Espírito as assista e aproveite as suas disposições naturais para produzir determinadas manifestações físicas.
Portanto, no perispírito do Espírito e no perispírito do médium, (que é um Espírito encarnado) estão os fluidos que permitem a um Espírito produzir fenômenos materiais, como, por exemplo, mover mesa ou corpos sólidos.
Os fluidos combinados, sob a ação inteligente do Espírito, agem sobre a matéria densa ao penetrá-la e se identificarem com ela.
O mesmo ocorre na produção de batidas. O Espírito combina o seu fluido com o do médium e os põe em ação pela sua vontade. Da mesma forma, pode agir também sobre o ar para produzir sons articulados ou imitar todos os tipos de sons ou ruídos materiais.
No caso específico de mãos que aparecem dedilhando teclados, movimentando teclas e produzindo sons, o Espírito penetra a matéria com os fluidos que combinou. Então, se identifica com ela, dando-lhe uma vida artificial. Dessa forma, ele anima a matéria densa e consegue que a tecla obedeça a sua vontade. Dessa forma, faz vibrar a corda do instrumento musical, que emite sons de forma organizada e inteligente.
Para esclarecer melhor a participação do médium nas manifestações físicas dos Espíritos, o perispírito do médium emite um fluido diferente do emitido pelo perispírito do Espírito. Isso porque o perispírito do médium está ligado à matéria do seu corpo material.
O médium, que é um Espírito encarnado, está unido temporariamente ao corpo material pelo seu perispírito. Então, o seu perispírito emite um fluido mais denso que aquele do perispírito do Espírito.
Assim, há uma espécie de emanação de substância do perispírito do médium, devido as condições especiais da sua organização física. Isto caracteriza as pessoas que podem atuar como médiuns de efeitos físicos mais ou menos possantes.
Já o Espírito, nas suas manifestações físicas, serve-se de seu próprio perispírito para combinar os fluidos. Ele comanda os processos com o poder de sua vontade.
Portanto, quando um Espírito move, ergue ou atira um objeto material, ele não usa as suas mãos. Ele satura o objeto com um fluido combinado e o põe em movimento com a sua vontade.
Dessa forma, o objeto fica momentaneamente vivificado ou com uma vida artificial. Então, obedece ao impulso da vontade do Espírito.
Esta teoria foi estabelecida a partir das revelações feitas pelos próprios Espíritos. Ela veio lançar luz sobre uma infinidade de fenômenos espirituais que eram até então inexplicáveis. Ela revelou uma nova lei natural até então desconhecida, contrariando a pretensão dos homens em conhecer todas as leis da natureza.
Por sinal, muitas outras propriedades do fluido universal, (que é o elemento básico que permite a formação da matéria, a qual pode ser classificada em incontáveis tipos), continuam ainda desconhecidas.
Adicionalmente, se um Espírito pode erguer e movimentar uma mesa pesada pelo modo acima exposto, ele pode também erguer qualquer outro objeto material. Pode inclusive erguer uma pessoa sentada, quando obtém uma força suficiente para isso.
Este fenômeno foi obtido inúmeras vezes pelo médium senhor Home, consigo mesmo e com outras pessoas. Com isso, deu provas de que era um médium de efeitos físicos muito potente.
Para provar aos assistentes que o fenômeno não se tratava de ilusão de ótica, o senhor Home fazia no teto um sinal a lápis e deixava que as pessoas passassem por baixo de si mesmo.
Esse poder dos fluidos combinados em movimentar objetos materiais, sob a direção de um Espírito, torna-se facilmente aceito, quando se observa o poder dos gases, da eletricidade e dos fluidos imponderáveis. Como sabemos, eles têm o poder de realizar grandes trabalhos materiais pesados.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
A explicação acima apresentada para as manifestações físicas dos Espíritos é uma decorrência natural:
1 – Da criação por Deus do fluído cósmico universal (ou matéria primitiva elementar), que, ao assumir diversos graus de condensação e passar por modificações, transformações e combinações, permite a formação tanto da matéria sutil existente no universo espiritual, bem como da matéria densa existente no universo material. Portanto, toda matéria existente no Universo (de incontáveis tipos), tem a origem única no fluido cósmico universal. Isto permite que relações naturais sejam estabelecidas entre os inúmeros tipos de matéria.
2 – E da composição tríplice do homem, que é um Espírito encarnado. O homem é constituído do Espírito, filho de Deus, (que possui todas as faculdades), do perispírito, (que é um corpo fluídico permanente, de natureza semimaterial e invisível para o homem no seu estado natural) e do corpo material (que é formado pela lei da reprodução e hereditariedade) para permitir a manifestação do Espírito na vida corporal.
Com a morte, o Espírito e o perispírito se desprendem do envoltório material, (este permitiu a encarnação temporária dele para progredir), determinando a volta do Espírito, com o seu perispírito, para a vida verdadeira. Nesta, ele continua mantendo suas faculdades e atividades e obtendo maior progresso intelectual e moral, em acordo com os Desígnios e as Leis de Deus.
O médium, na condição de Espírito encarnado, está com o seu perispírito unido fortemente ao seu corpo material. Dependendo das características dessa união, o perispírito do médium emite fluidos invisíveis diferenciados que podem ser usados pelos Espíritos na produção de suas manifestações físicas.
Nada há, portanto, de sobrenatural nas relações que são estabelecidas entre os Espíritos e os homens, entre a vida espiritual e a vida material, em decorrência das Leis de Deus. Tudo está interligado na Obra da Criação.
Os homens, Espíritos encarnados, não perdem jamais o contato e as relações com os Espíritos e a vida espiritual. Durante o sono, o Espírito encarnado desprende-se parcialmente do corpo material e mantém contato e relações com os Espíritos e a vida espiritual. Muitos sonhos são recordações imprecisas disso.
Os Espíritos, como seres inteligentes que agem sobre os diferentes tipos de matéria originados do fluido cósmico, inclusive podem se servir dos fluidos emitidos pelos médiuns para realizem inúmeras manifestações físicas, as quais estão narradas nos livros religiosos e nas histórias populares de todas as épocas e de todos os povos.
Com isso, dão provas da existência e imortalidade da alma, bem como das características do lado invisível do Universo (Reino dos Céus).
No perispírito do Espírito e no perispírito do homem estão muitos elos que permitem as relações da vida espiritual e dos Espíritos com a vida material e os seres humanos.
Portanto, as manifestações físicas dos Espíritos são decorrências naturais claramente enquadradas no princípio espírita de que tudo o que existe decorre da trindade universal: Deus, Espírito e matéria.
- - - - - - - - - -
CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”
As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.
26/abril/2011 =SEGUNDA PARTE, CAP. I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA.
19/outubro/2011 = SEGUNDA PARTE, CAP. II: MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES.
15/março/2012 = SEGUNDA PARTE, CAP. III: MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
OS DEPARTAMENTOS DA MENTE
OS DEPARTAMENTOS DA MENTE
Geziel Andrade
O Espírito Emmanuel escreveu, através da psicografia de Chico Xavier, o importante livro “Pensamento e Vida”, publicado pela Federação Espírita Brasileira: FEB.
Nesse livro, o Espírito Emmanuel compara a mente humana a um grande escritório subdividido em diversas seções de serviço.
Os Departamentos da Mente coexistem entre si; estão interligados, mantendo relação constante, cooperação mútua e influenciação recíproca.
A partir das principais lições do Espírito Emmanuel sobre os Departamentos da Mente, contidas nos diversos Capítulos do livro acima citado, compusemos as suas características e funções.
Com isso, conseguimos entender e conhecer melhor a nossa mente, bem como seguir corretamente nossa trajetória evolutiva:
1 - INTELIGÊNCIA
O departamento da inteligência reúne os patrimônios da evolução intelectual e da cultura do Espírito. Eles estão sendo adquiridos durante a sua longa jornada evolutiva.
Como os demais departamentos da mente, o da inteligência precisa também estar sempre bem orientado, comandado e conduzido:
• Pela vontade sadia, para não cair na criminalidade.
• Pelo bom caráter, para não espalhar a miséria, a crueldade e o vício.
• Pela sabedoria, para o Espírito buscar na vida o caminho do bem.
• Pela bondade, para o Espírito usar a sua inteligência em benefício do próximo.
• E pelo amor, para o Espírito realizar o bem. O amor no sentimento comanda para o bem as potências intelectuais.
Se o Espírito usar a sua inteligência para a crueldade, perseguição, abuso do poder, desregramentos e vícios, menosprezando seus deveres morais, sentirá, pela Lei de causa e efeito, as consequências que lhe são impostas naturalmente, exigindo um recomeço difícil, pelo instituto da reencarnação.
Dessa forma, o Espírito que promove o desvirtuamento no uso da sua inteligência sente em si mesmo os reflexos dos desgostos, sacrifícios, padecimentos, inibições e flagelação que impôs aos semelhantes.
Portanto, o Espírito experimenta males pelo mau uso da sua inteligência. Eles são reflexos das suas próprias ações inconsequentes, exigindo retificação dos sentimentos, das emoções e idéias, para o devido reajuste da inteligência na corrente do bem.
O Espírito evita muitos males para si mesmo, cultivando a inteligência com a aquisição do conhecimento, saber, bondade e virtude e com a produção do bem.
É dessa forma que o Espírito:
• Obtém o burilamento intelectual.
• Realiza o trabalho de conquistas nobres na esfera da inteligência.
• E ascende na hierarquia espiritual.
2 – SABEDORIA
O departamento da sabedoria vai se fortalecendo à medida que o Espírito cresce na aquisição do conhecimento e com as lições e influências que recebe dos vanguardeiros do progresso.
Ainda, para acelerar a conquista da sabedoria, o Espírito precisa:
• Da educação, que dá grandeza moral e espiritual.
• Da escola e da cultura intelectual, que propiciam a elevação do saber.
• Da instrução e do estudo, que ampliam o estado da consciência.
• Do livro, que reúne a sabedoria dos Espíritos superiores que passaram pela Terra por ordem de Deus.
• Do Evangelho, que reúne a sabedoria e o amor de Jesus.
Com a sabedoria, o Espírito vence a ignorância, à semelhança da luz que vence a treva.
3 - DESEJO
O departamento do desejo desperta no indivíduo os propósitos, as aspirações e o estímulo ao trabalho, obtendo o progresso.
Este departamento sofre forte influência do departamento da vontade.
Apesar disso, ele tem o poder de alavancar e ativar a vontade, num esquema de influenciação mútua.
Se o desejo não policiar as más influências que, às vezes, recebe da vontade, e vice-versa, o Espírito pode cometer deslizes e enganos, caminhando para a aflição, o sofrimento e a necessidade de reparação num longo período de tempo.
4 – VONTADE
O departamento da vontade dirige os processos da evolução do Espírito, porque influencia importantes setores da ação mental. A vontade ativa diversos setores da mente, impulsionando-os ao progresso.
Assim, esse departamento exerce forte influência na ação, no movimento ou mesmo na inércia do Espírito, estabelecendo a harmonia ou o desequilíbrio interior.
Porém, a vontade do Espírito está sempre vigiada pela ação da consciência, que:
• Não relaxa no seu trabalho de desenvolver as faculdades de modo nobre.
• Busca na educação o aprimoramento intelectual e moral e as conquistas elevadas para a Vida Superior.
• Estimula a ação espontânea no prazer de servir o semelhante por amor.
5 - IMAGINAÇÃO
O departamento da imaginação absorve, age e reage aos impactos dos acontecimentos e dos fatos que marcam a vida do Espírito.
Para isso, a imaginação conta com o apoio das concepções e das riquezas do ideal, além da sensibilidade já adquirida pelo Espírito.
A imaginação, a exemplo das demais faculdades mentais, jamais deve ceder às influências dos maus propósitos.
Senão, ela leva o ser para o mundo das sombras.
6 – SENTIMENTO
O departamento do sentimento trabalha as experiências sentimentais que o Espírito vem adquirindo com as suas ações em todos os campos da vida e com as suas lutas na jornada evolutiva.
Quando o Espírito consegue trabalhar bem as ideias produzidas pelos bons sentimentos, ele:
• Caminha para a prática do amor.
• Presta serviços espontâneos para o bem dos semelhantes.
• E trabalha em favor dos necessitados de apoio material e moral.
Com o sentimento pautado no amor a Deus e ao próximo, ensinado e exemplificado por Jesus, o Espírito:
• Valoriza-se na vida.
• Cria na própria mente a energia da luz divina.
• Desperta em si o pensamento reto que promove o equilíbrio interior.
• Manifesta as boas emoções.
• Produz pensamentos elevados.
• Exterioriza bons propósitos e atos, conquistando a liberdade suprema.
• Pratica a benevolência, reunindo méritos morais.
• Coloca as suas ondas mentais na execução dos serviços que beneficiam as células nervosas do próprio corpo material.
Por outro lado, quando o Espírito torna os seus sentimentos doentios, seus pensamentos também se tornam doentios, a ponto de promoverem a desarmonia orgânica e a enfermidade.
7 – EMOÇÕES
O departamento das emoções dá impulso às reações, ideias, atitudes e palavras que influenciam e comandam as ações.
Este departamento trabalha em relação estreita com os sentimentos, as ideias, os pensamentos e a fala, determinando as ações boas ou más que repercutem no estado íntimo do Espírito.
Quando as emoções do Espírito tornam-se descontroladas, desequilibradas ou doentias, ele não se livra dos estados enfermiços que aparecem, até que consiga pô-las novamente sob controle.
É assim que os choques emocionais criam sintomas mentais depressivos e estabelecem as desagregações nas forças íntimas, impondo sofrimentos e doenças.
Por outro lado, quando o Espírito encara os fatos que ocorrem na vida com boas emoções, bons sentimentos, ideias elevadas e conversações sadias, as suas ações são nobres, beneficiando não só os seus semelhantes, mas também a si próprio no mundo íntimo.
8 – MORAL
O departamento moral reúne o patrimônio dos princípios e valores morais e as regras de condutas virtuosas.
O patrimônio moral vem sendo acumulado pelo Espírito durante a sua milenar existência.
Ele acompanha o Espírito no seu renascimento no plano físico, influindo em suas condutas morais perante os semelhantes.
Esse patrimônio moral do Espírito está em contínuo ou permanente aprimoramento com as boas influências e impressões que recebe dos pais, mestres e semelhantes, notadamente quando estes lhe dão noções de trabalho e justiça, fraternidade e ordem, disciplina e exercício do bem, otimismo e amor.
Ao Espírito cabe o dever de empreender esforços para aumentar o seu patrimônio moral, porque assim obtém a sua ascensão na hierarquia espiritual.
No departamento moral trabalha o senso moral. Este cuida para que o Espírito não cometa atos que gerem um estado de perturbação ou instaurem as desarmonias que desencadeiam as doenças.
Em seu esforço para obter a elevação do seu patrimônio no campo moral, o Espírito não deve menosprezar a dedicação ao serviço espontâneo no bem, nem deixar de prestar serviços em favor do próximo, com abnegação ou esquecimento de si mesmo.
9 – RAZÃO
O departamento da razão é resultado do desenvolvimento conquistado pelo Espírito em sua laboriosa e multimilenar viagem dos domínios dos instintos para a clareza do juízo e da consciência.
Com o desenvolvimento da razão, o Espírito deixa para trás o plano da animalidade.
Mas, para aprimorar cada vez mais a sua razão, o Espírito precisa valorizar sempre o trabalho, a justiça, disciplina, bondade, ponderação e lógica.
A razão é o sol que ilumina a consciência do Espírito.
Com a razão, ele fortalece a vontade a ponto de tomar as boas decisões que deixam a consciência em paz e criam o seu futuro feliz.
A razão e a consciência operam em conjunto e estão sempre alertas.
Elas trabalham no sentido de manter o Espírito no campo do discernimento e da execução dos deveres e obrigações que o elevam perante a vida.
A razão e a consciência permanecem sempre despertas e lúcidas, servindo-se do conhecimento que o Espírito já adquiriu.
A razão e a consciência orientam, estimulam e fortalecem o Espírito na realização da sua obra de sabedoria, paciência, tolerância, humildade e amor.
Se o Espírito se afastar do cumprimento dos deveres, a razão e a consciência agem prontamente precipitando-o na argumentação interior, no sentimento de culpa, remorso, arrependimento, desgosto, na lembrança amarga e perturbação, até que se disponha à reparação do erro cometido.
Com a reparação dos danos causados aos outros e a si mesmo, o Espírito após ter experimentado as conseqüências dos erros cometidos, opera a sua própria regeneração.
10 – MEMÓRIA
O departamento da memória mantém o arquivo de todas as experiências adquiridas pelo Espírito em sua longa existência.
Também na memória estão registrados fielmente todos os acontecimentos que marcaram a vida milenar do Espírito.
Se o Espírito prima em manter os seus atos elevados e bons, a sua memória registra fatos e experiências agradáveis que geram o bem-estar íntimo.
Assim, as lembranças dos bons acontecimentos e das boas ações geram a paz na consciência, a saúde, a alegria e a felicidade.
Com a paz na consciência, o Espírito sente grande satisfação e a alegria de ter cumprido corretamente seus deveres, obrigações e responsabilidades.
11 – FÉ
O departamento da fé coloca, de forma instintiva, na consciência do Espírito a noção da existência, sabedoria infinita e do amor infinito de Deus.
Assim, surge a fé religiosa. Ela dá ao Espírito a noção de Deus e a confiança na prática do bem.
Com a fé, o Espírito obtém a energia que ele precisa para impulsionar suas atividades e realizar as operações que promovem seu progresso intelectual e moral.
Toda confiança e ação do Espírito decorrem sempre de um ato de fé.
12 – PENSAMENTO
O pensamento é a força criativa que se exterioriza do Espírito.
É o pensamento que permite ao Espírito criar a vida que pretende, deseja e procura.
A força do pensamento tem o poder de mover, transformar, destruir, refazer e sublimar o Espírito.
É a qualidade boa ou má dos pensamentos que distingue o Espírito bom do mau.
Se o homem sustenta o seu pensamento no bem:
• Vive em regime de comunhão e afinidade com as coisas elevadas.
• Estabelece ressonância com as correntes mentais das almas semelhantes, ao assimilar os pensamentos daqueles que pensam como ele próprio.
O pensamento do homem voltado à prática do bem tem uma ação edificante na saúde do corpo e da alma.
Por outro lado, o pensamento sombrio tem o poder de adoecer o corpo são e agravar os males do corpo enfermo.
13 – COMO FAZER BOM USO DOS DEPARTAMENTOS DA MENTE:
O Espírito Emmanuel, com as suas valiosas lições sobre os Departamentos da Mente, nos estimula a:
• Purificar os sentimentos, pela conquista do amor.
• Vigiar os desejos, as vontades, os pensamentos e demais recursos da mente, sustentando-os na prática do bem.
• Investir na conquista da sabedoria e dos valores morais, pois garantem as boas decisões que mantêm nossos passos seguros nos bons caminhos da vida.
• Criar o bom hábito de promover a auto-educação, pela recapitulando no dia a dia das lições intelectuais e morais que sustentam as atividades nobres, engrandecem os recursos da mente e edificam uma vida melhor.
• Usar as faculdades mentais para trabalhar, estudar, aprender, adquirir experiências e conquistar virtudes, operando no sentido dessas atividades se tornarem hábitos automáticos na promoção do sucesso e do progresso.
• Disciplinar a ação dos departamentos da mente na concretização do bem, porque este é o único caminho para chegarmos à felicidade verdadeira.
Assinar:
Postagens (Atom)






