quarta-feira, 18 de julho de 2012
OS ESPÍRITAS NO BRASIL, SEGUNDO O IBGE: CENSO 2010
OS ESPÍRITAS NO BRASIL, SEGUNDO O IBGE: CENSO 2010.
COMENTÁRIOS DO IBGE SOBRE OS ESPÍRITAS:
“A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas...
Os espíritas apresentaram os mais elevados indicadores de educação e de rendimentos.
O estado com maior proporção de espíritas era o Rio de Janeiro (4,0%), seguido de São Paulo (3,3%), Minas Gerais (2,1%) e Espírito Santo (1,0%).
A proporção de católicos também foi maior entre as pessoas com mais de 40 anos, chegando a 75,2% no grupo com 80 anos ou mais. O mesmo se deu com os espíritas, cuja maior proporção estava no grupo entre 50 e 59 anos (3,1%).
Entre os espíritas, 68,7% eram brancos, percentual bem mais elevado que a participação deste grupo de cor ou raça no total da população (47,5%).
Os resultados do Censo 2010 indicam importante diferença dos espíritas para os demais grupos religiosos no que se refere ao nível de instrução. Este grupo religioso possui a maior proporção de pessoas com nível superior completo (31,5%) e as menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%).
No outro extremo, o das classes de rendimento acima de 5 salários mínimos, destaca-se o percentual observado para as pessoas que se declararam espíritas (19,7%).”
VEJA AGORA OS DADOS DO IBGE SOBRE AS CARACTERÍSTICAS DOS ESPÍRITAS.
1 – ESPÍRITAS ENTRE OS GRUPOS RELIGIOSOS
TOTAL DA POPULAÇÃO RESIDENTE = 190.755.799 = 100%
Católica Apostólica Romana 123.280.172 = 65%
Evangélica Pentecostal 25.370.484 = 13%
Sem Religião 15.335.510 = 8%
Evangélica não determinada 9.218.129 = 5%
Evangélica de Missão 7.686.827 = 4%
Outras religiosidades 5.185.065 = 3%
Espírita 3.848.876 = 2%
2 - NÚMERO DE ESPÍRITAS E DAS PRINCIPAIS IGREJAS:
TOTAL DA POPULAÇÃO RESIDENTE = 190.755.799 = 100%
Católica Apostólica Romana 123.280.172 = 64,63%
Sem religião = 14.595.979 = 7,65%
Igreja Assembleia de Deus 12.314.410 = 6,46%
Espírita 3.848.876 = 2,02%
Igreja Evangélica Batista 3.723.853 = 1,95%
Igreja Congregação Cristã do Brasil 2.289.634 = 1,20%
Igreja Universal do Reino de Deus 1.873.243 = 0,98%
Igreja Evangelho Quadrangular 1.808.389 = 0,95%
Igreja Evangélica Adventista 1.561.071 = 0,82%
Testemunhas de Jeová 1.393.208 = 0,73%
Igreja Evangélica Luterana 999.498 = 0,52%
Igreja Evangélica Presbiteriana 921.209 = 0,48%
Igreja Deus é Amor 845.383 = 0,44%
Ateu 615.096 = 0,32%
Católica Apostólica Brasileira 560.781 = 0,29%
Umbanda 407.331 = 0,21%
Igreja Maranata 356.021 = 0,19%
Igreja Evangélica Metodista 340.938 = 0,18%
Budismo 243.966 = 0,13%
Igreja de Jesus Cristo dos Santos
Dos Últimos Dias 226.509 = 0,12%
Igreja o Brasil para Cristo 196.665 = 0,10%
Comunidade Evangélica 180.130 = 0,09%
Candomblé 167.373 = 0,09%
Católica Ortodoxa 131.571 = 0,07%
Igreja Casa da Bênção 125.550 = 0,07%
Agnóstico 124.436 = 0,07%
Igreja Evangélica Congregacional 109.591 = 0,06%
Judaísmo 107.329 = 0,06%
Igreja Messiânica Mundial 103.716 = 0,05%
Igreja Nova Vida 90.568 = 0,05%
Tradições Esotéricas 74.013 = 0,04%
Tradições Indígenas 63.082 = 0,03%
Espiritualista 61.739 = 0,03%
Islamismo 35.167 = 0,02%
3 - TOTAL DE ESPÍRITAS POR SEXO = 3.848.876 = 100%
Homens 1.581.701 = 41%
Mulheres 2.267.176 = 59%
4 - ESPÍRITAS EM RESIDÊNCIA URBANA 3.776.857 = 0,98%
5 - ESPÍRITAS EM RESIDÊNCIA RURAL 72.020 = 0,02%
6 - ESPÍRITAS POR IDADE
Total 3 848 876 = 100%
0 a 4 anos 159 832 = 4%
5 a 9 anos 183 114 = 5%
10 a 14 anos 209 333 = 5%
15 a 19 anos 224 604 = 6%
15 a 17 anos 132 102 = 3%
18 e 19 anos 92 502 = 2%
20 a 24 anos 273 017 = 7%
25 a 29 anos 339 918 = 9%
30 a 39 anos 692 020 = 18%
40 a 49 anos 678 368 = 18%
50 a 59 anos 566 745 = 15%
60 a 69 anos 309 074 = 8%
70 a 79 anos 148 364 = 4%
80 anos ou mais 64 486 = 2%
7 - ESPÍRITAS POR COR OU RAÇA
TOTAL DE ESPÍRITAS 3.848.876 = 100%
Branca 2.645.559 = 69%
Parda 901.485 = 23%
Preta 254.432 = 7%
Amarela 40.546 = 1%
Indígena 6.843 = 0,2%
Sem declaração 12 = 0,%
8 - ESPÍRITAS ALFABETIZADOS
TOTAL DE ESPÍRITAS 3.848.876 = 100%
Com menos de 4 anos de idade 159.831 = 4%
Espíritas Alfabetizados 3.610.584 = 94%
Espíritas Não alfabetizados 78.461 = 2%
9 - ESPÍRITAS COM FREQUÊNCIA ESCOLAR
TOTAL DE ESPÍRITAS 3.848.876 = 100%
Frequentando escola 1.046.953 = 27%
Que já freqüentaram escola 2.660.484 = 69%
Que nunca freqüentaram escola 141.439 = 4%
10 - ESPÍRITAS POR NIVEL DE INSTRUÇÃO
ESPÍRITAS COM MAIS DE 24 ANOS DE IDADE 2.798.976 = 100%
Sem instrução e fundamental incompleto 493.408 = 18%
Fundamental completo e médio incompleto 338.119 = 12%
Médio completo e superior incompleto 968.295 = 35%
Superior completo 990.012 = 35%
Não determinada 9.143 = 0,3%
11 - ESPÍRITAS POR ATIVIDADE ECONÔMICA
ESPÍRITAS COM MAIS DE 9 ANOS DE IDADE 3.505.930 = 100%
Economicamente ativos 2.264.367 = 65%
Não economicamente ativos 1.241.563 = 35%
12 - ESPÍRITAS POR TIPO DE EMPREGO/TRABALHO
ESPÍRITAS COM EMPREGO/TRABALHO 2.123.782 = 100%
Empregados com carteira assinada 1.004.417 = 47%
Por conta própria 477.810 = 22%
Sem carteira assinada 273.594 = 13%
Militares e funcionários públicos 243.310 = 11%
Empregadores 88.638 = 4%
Não remunerados 25.849 = 1%
Produção para consumo próprio 10.164 = 0,5%
13 - ESPÍRITAS POR RENDIMENTOS
ESPÍRITAS COM RENDIMENTOS 2.123.782 = 100%
Até meio salário mínimo 46.346 = 2%
Mais de meio a 1 salário mínimo 249.913 = 12%
Mais de 1 a 2 s. m. 556.255 = 26%
Mais de 2 a 3 s. m. 301.276 = 14%
Mais de 3 a 5 s. m. 343.943 = 16%
Mais de 5 a 10 s. m. 364.637 = 17%
Mais de 10 a 15 s. m. 89.674 = 4%
Mais de 15 a 20 s. m. 68.504 = 3%
Mais de 20 a 30 s. m. 38.638 = 2%
Mais de 30 s. m. 21.798 = 1%
Sem remuneração 42.797 = 2%
Fonte: IBGE: Censo 2010.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
BOM SENSO E BOM HUMOR: ENTREVISTA E PALESTRA DE GEZIEL ANDRADE
CLIQUE AQUI. LINK PARA VER O VÍDEO NO YOUTUBE.
ENDEREÇO NO YOUTUBE DA ENTREVISTA E PALESTRA
DE GEZIEL ANDRADE:
http://www.youtube.com/watch?v=aZ92H1GMjqA&feature=player_embedded
TEMA: BOM SENSO E BOM HUMOR:
QUALIDADES IMPORTANTES DO ESPÍRITA.
LOCAL: SOCIEDADE DE ESTUDOS ESPÍRITAS 3 DE OUTUBRO.
Rua Clélia, 669 – Lapa – São Paulo –SP.
Site: www.3deoutubro.org.br
TRANSMISSÃO PELA : www.tv3.org.br
DATA DOS EVENTOS: 29 DE ABRIL DE 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
CASOS DE REENCARNAÇÃO
VEJA UM CASO ATUAL DE REENCARNAÇÃO
CASO ATUAL DE REENCARNAÇÃO
CASOS DE REENCARNAÇÃO
Geziel Andrade
A Editora Vida & Consciência Ltda. (www.vidaeconsciencia.com.br) fez o lançamento muito oportuno, em agosto de 2010, em língua portuguesa, da importantíssima obra “Vinte Casos de Reencarnação”, (Título original da segunda edição: Twenty Cases Suggestive of Reincarnation) de autoria do Dr. Ian Stevenson (31/maio/1918 a 08/fev/2007), notável cientista vinculado ao Departamento de Psiquiatria da Universidade de Virgínia – USA.
O trabalho desenvolvido pelo Dr. Stevenson é inédito e lança novas luzes e evidencias sólidas sobre um dos temas mais importantes, antigos e polêmicos para os homens, por envolver a sobrevivência da alma à morte do corpo material e a sua posterior reencarnação em uma nova família, geralmente em condições bem diferentes das desfrutadas na vida anterior.
O mais interessante é que o Dr. Stevenson catalogou cerca de dois mil casos de reencarnação, em diversas partes do mundo, principalmente envolvendo crianças que afirmavam se lembrar de uma vida passada.
Por serem crianças, geralmente com até cinco anos de idade, as ideias de reencarnação da alma nem passavam pela sua mente, nem na de seus familiares que raramente acreditavam na volta da alma à vida material.
Além disso, as crianças também se comportavam de modo atípico em suas famílias, coincidindo com os comportamentos e as habilidades mantidos pelas pessoas falecidas, às quais as crianças alegavam ter sido.
As pesquisas abrangentes sobre os detalhes das vidas das personalidades falecidas atestaram o que as crianças afirmaram ter sido.
Outro fato importante constatado nos casos estudados foi que algumas crianças traziam para a nova encarnação marcas de nascença ou deformidades de nascimento que correspondiam a acontecimentos marcantes ocorridos na vida das pessoas falecidas.
De um modo geral, os casos de reencarnação começavam com a criança falando a seus pais e irmãos a respeito de sua vida passada. Frequentemente a criança pedia a seus pais para que a deixassem voltar à família ou comunidade onde tinha vivido no passado.
Os pais, geralmente, impunham alguma relutância para atender o pedido da criança; mas, com a insistência das recordações, começavam a fazer investigações buscando a veracidade das alegações.
Com isso, ocorria o contato e encontro dos membros das duas famílias para o reconhecimento dos lugares, objetos e pessoas da existência anterior.
Então, a notícia se espalhava e havia o envolvimento de diversas pessoas das comunidades, com os relatos chegando aos jornais.
Apesar da grande quantidade de casos catalogados e pesquisados, o Dr. Ian Stevenson reuniu em seu primoroso e notável livro vinte casos de crianças que se lembravam de sua vida anterior, considerando-os uma amostra bem representativa de todos os casos estudados.
Outro ponto importante do trabalho do Dr. Stevenson foi a sua abrangência mundial. Ele reuniu casos ocorridos nas diferentes partes do mundo, independentemente de haver ou não a crença na reencarnação por grande parte da população.
Todavia, os casos mais representativos, que foram publicados no livro e acompanhados por muitos anos, foram: 7 casos na Índia; 3 casos no Ceilão, hoje Sri Lanka; 2 casos no Brasil; 7 casos no sudeste do Alasca; e 1 caso no Líbano.
Desses 20 casos de reencarnação, destacamos os seguintes pontos, (evidentemente de modo muito pálido em relação à ampla e profunda discussão realizada pelo Dr. Stevenson), que evidenciaram a imortalidade da alma e a sua reencarnação.
Esses casos, de forma bem evidente, estão fortemente relacionados e condizentes com os princípios do Espiritismo:
CASO 1: A criança, com quatro anos e meio, começou a dizer a seus pais que era outra pessoa e que queria ir para a sua antiga casa em outra cidade, que ficava a dez quilômetros de distância. Suas lembranças eram nítidas e se lembrava de seu outro nome e dos nomes de seus parentes e amigos. Falava das lojas de seu ex-pai, do cofre de ferro e dos membros da sua família anterior. Seus pais atuais adotaram medidas, inclusive violentas, para que se esquecesse das lembranças. Quando a criança tinha dez anos de idade, o pai da pessoa falecida estava na sua cidade natal. Então, foi reconhecido como seu ex-pai. Isso aproximou as duas famílias. Em seguida, os ex-familiares e vizinhos da criança foram reconhecidos, dizendo os nomes corretos deles, sob fortes emoções. Descobriu-se que a criança tinha uma forte identificação com a personalidade anterior. Reconheceu a antiga casa e seus objetos e foi totalmente aceito pela outra família como um membro que já havia falecido. Aos vinte anos de idade, a criança foi reavaliada pelo Dr. Stevenson. Este constatou que ela era inteligente, sadia, se lembrava ainda de sua vida anterior e mantinha contato com os ex-familiares.
CASO 2: Aos três anos e meio de idade, a criança quase morreu de varíola, mas recuperou-se com uma clara transformação no comportamento. Dizia ser outra pessoa, de outra cidade, de outra casta superior. Tinha esposa e filhos e queria volta para a sua casa. Passou a dar detalhes de sua outra vida, da cidade que ficava a 34 quilômetros de distância e da sua morte. Os pais tentaram esconder as estranhas afirmações, mas as notícias vazaram. Aos seis anos de idade, a criança reconheceu uma ex-tia. Então, houve a aproximação das duas famílias. A criança reconheceu os ex-familiares, seus antigos vizinhos e amigos e seus pertences. Ela passou a ser considerada como um membro da outra família. Aos 21 anos de idade, numa reavaliação do caso de reencarnação, o rapaz se lembrava ainda completamente de sua vida passada, a ponto de identificar a pessoa que tinha causado a sua morte para se livrar de uma dívida. O devedor e assassino quitou a dívida quando se convenceu da reencarnação do credor. O rapaz manteve muitos hábitos de sua vida anterior. Mas era um jovem sorridente e confiante no seu futuro.
CASO 3: A filha, aos quatro anos e meio de idade, revelou a seus pais informações a respeito de si mesma, de seu marido e de outras pessoas de uma vida anterior, numa cidade a 18 quilômetros de distância. Como desejava com insistência ir para essa cidade, aos cinco anos de idade foi levada para a comunidade, onde localizou a casa de seu ex-sogro e reconheceu e deu nomes corretos a pessoas e objetos, principalmente uma máquina de costura na qual havia trabalhado muito nela. Então, estabeleceu-se o relacionamento entre as duas famílias e houve o reencontro com seu ex-marido e sua ex-filha, sob fortes emoções e apego. Havia notória honestidade e integridade das pessoas envolvidas no caso. Até os sete anos de idade, as lembranças da vida anterior continuaram fortes, mas, depois disso, foram diminuindo, principalmente pelas objeções feitas pela segunda esposa de seu ex-marido, por seus pais desencorajarem-na a falar sobre a sua vida anterior, por sua ex-filha ter se casado e por se sentir diferente de seus irmãos e colegas de classe que não se lembravam de suas vidas anteriores. Aos 16 anos de idade, a jovem não se lembrava mais nada a respeito de sua vida anterior.
CASO 4: Desde os três anos e meio de idade, a criança citava lembranças e dava detalhes de uma vida anterior. Ela mostrava, ao mesmo tempo, danças incomuns e canções em idioma não identificado que não tivera oportunidade de aprender. Ela tinha grande habilidade em dançar e cantar e as conservou com o passar do tempo. A criança dizia que havia aprendido as canções e as danças em uma vida anterior. Aos onze anos de idade, foi localizada a família, a 1.700 quilômetros de distância, à qual a criança dizia ter pertencido na vida anterior, graças às afirmações e informações que ela forneceu. Então houve o encontro das duas famílias com reconhecimentos com facilidade e rapidez do ex-marido, dos ex-filhos e ex-familiares, além de outras pessoas e de locais que haviam sofrido diversas mudanças depois do seu falecimento. Por todos a criança demonstrava grande afeição e fortes emoções. A criança afirmava ainda que depois do seu falecimento, já tinha tido uma outra vida, mas que morreu criança e renasceu novamente. A criança foi reconhecida como ex-pessoa da família que havia renascida. Mas, a família não tinha uma opinião formada sobre reencarnação antes desse caso. As lembranças a respeito da vida passada da criança persistiram com o passar do tempo, possivelmente pela tolerância e aceitação das duas famílias. Com 23 anos de idade, a criança havia se tornado uma jovem formada em botânica, com mestrado concluído, e buscando o doutorado. Ela se lembrava perfeitamente de sua vida anterior, pois não havia esquecido nenhum detalhe, inclusive das danças e músicas. Estava bem adaptada à sua vida atual, mas visitava anualmente seus ex-familiares da vida passada.
CASO 5: Um menino com pouco mais de dois anos de idade se dizia filho de outro homem e dava detalhes de seu assassinato, do nome dos assassinos, do local do crime, da cidade e da sua morte em vida passada. Além disso, pedia a seu pai diversos brinquedos que estavam em sua outra casa. O pai do menino assassinado, quando soube que o seu filho tinha renascido em outra família, foi procurá-lo. O menino reconheceu-o como sendo o seu pai da vida anterior e também lhe contou em detalhes os acontecimentos de sua vida. Esses detalhes do assassinato coincidiam plenamente, embora o menino tivesse apenas quatro anos de idade. O pai atual do menino batia nele com severidade, impedindo-o de falar sobre a sua vida anterior, com medo de perdê-lo, pois mostrava forte vontade de voltar para a sua outra casa. Além disso, o pai tinha medo que os assassinos viessem promover represálias. O menino tinha no pescoço uma marca linear de nascença que lembrava a cicatriz ocasionada por uma faca comprida. O menino confirmava que a marca no pescoço tinha sido causada por ferimentos do seu assassinato e falava bastante, de modo espontâneo, sobre a sua vida anterior desde quando tinha menos de três anos de idade. Aos onze anos de idade, o menino já havia esquecido grande parte dos acontecimentos da sua vida anterior. Aos dezoito anos de idade, cursando faculdade, havia esquecido completamente as lembranças de sua existência anterior e perdido o medo de facas e lâminas que tivera quando era criança.
CASO 6: Uma menina com menos de quatro anos de idade quando foi pela primeira vez no apartamento dos vizinhos disse que havia feito as almofadas bordadas que estavam sobre algumas cadeiras. Na verdade, as almofadas tinham sido feitas pela irmã falecida da dona do apartamento. Quando ela disse à criança que quem fez as almofadas já havia morrido há mais de dez anos, a menina respondeu: “Era eu”. E passou a chamar a dona do apartamento de sua irmã, mas foi impedida porque a proprietária não queria recordar a morte da sua irmã, por lhe ser ainda um assunto doloroso. Depois disso, ficaram muito unidas, pois a senhora percebeu diversas semelhanças e alguns comportamentos iguais aos da sua irmã falecida. Certo dia, visitando a casa do irmão da senhora, a criança aproximou-se de duas fotografias grandes e disse: “Aqui é meu pai e minha mãe; e este é meu irmão”. Também se lembrou de uma vaca e do cachorrinho que mamava nela como se fosse um bezerro. Pela veracidade dos fatos, houve maior aproximação da criança com a outra família, em meio a grande atenção e afeição. As afirmações da criança eram feitas de modo espontâneo, em função de algum objeto, pessoa ou comentário que era feito em sua presença. Os pais da menina compreenderam a reencarnação e não tiveram ciúmes do seu forte apego aos membros da outra família.
CASO 7: Um menino aos dois anos e meio de idade começou a dizer aos seus pais que tinha uma esposa em outra cidade. Entre três e quatro anos de idade, passou a dizer que tinha também uma loja de refresco e biscoitos na outra cidade e passou a pedir para ser levado lá. Dizia ainda que havia morrido após comer alimento estragado. Quando o seu pai e um primo levaram a criança com quase cinco anos de idade para a outra cidade, ela reconheceu diversos membros da sua outra família e diversos pontos da cidade. A criança demonstrava grandes emoções, incluindo lágrimas e afetos. A criança assumiu comportamentos de marido e de pai perante a sua ex-esposa e os seus ex-filhos. Dizia: “Apenas fiquei pequeno”. Assim, houve uma grande aproximação entre as duas famílias que tinham destaque e responsabilidades em suas comunidades. Apesar de se lembrar de sua vida passada e de se identificar com ela, a criança teve um desenvolvimento normal. Aos vinte e sete anos de idade, o jovem tinha perdido boa parte das memórias da vida passada, mas ainda tinha amizade e se encontrava com frequência com os membros da sua outra família. Lembrava-se com clareza de seus ex-filhos e da fábrica que possuiu na vida anterior. Afirmou que as suas experiências atuais com os negócios vinham de sua vida passada e que as lembranças que tinha de quem fora na vida anterior lhe davam equilíbrio e o ajudavam muito em seus relacionamentos pessoais.
CASO 8: A criança quando tinha dois anos de idade começou a fazer referências claras sobre outra mãe, outro pai, dois irmãos e muitas irmãs que tinha em outra cidade e em vida anterior. Queria visitar os pais anteriores, dando detalhes a respeito da localização da casa e os nomes dos membros da família. Com isso, foi possível localizar, a vinte e seis quilômetros de distância, a família que correspondia exatamente às afirmações feitas pela menina. Ela foi levada para a outra cidade e reconheceu corretamente diversas construções. Mais tarde, identificou corretamente seus antigos pais e diversos membros da sua antiga família. Além disso, identificou duas outras pessoas da comunidade, demonstrando afeto por elas. Embora tivesse havido mudança de sexo com a reencarnação, os pais atuais e anteriores da criança acreditaram que havia ocorrido o renascimento do filho falecido. De acordo com depoimentos dos pais atuais, a filha demonstrava certa tendência à masculinidade. A criança dizia a seus pais: “Eu era um menino. Agora sou uma menina”. Além disso, dizia que era mais feliz como menina. Aos dez anos de idade, a menina ainda se lembrava da sua vida anterior e continuava visitando a sua ex-família e recebendo visita de seus ex-familiares. Ela havia perdido os traços de masculinidade e estava se desenvolvendo normalmente. Aos quinze anos de idade, as suas lembranças da vida anterior estavam desaparecendo, embora ainda preservasse algumas delas.
CASO 9: Um menino nasceu com uma notável deformidade no lado direito de seu peito e no braço. O pai notou também certas semelhanças com um seu irmão que já havia falecido. Entre dois anos e dois anos e meio de idade, a mãe escutou o menino dizendo que o seu braço era deformado porque ele havia assassinado a esposa na vida anterior. Dava muitos detalhes relacionados com o crime. O pai confirmou a exatidão dos detalhes, porque seu irmão tinha sido executado pelo assassinato da sua esposa. O pai nunca havia falado antes do crime à esposa. Então, o pai tentou fazer a criança parar de falar sobre a sua vida anterior, porque o crime foi vergonhoso e tinha ocorrido 25 anos antes do filho nascer. Mas o menino continuou a falar, principalmente quando lhe perguntavam sobre a deformidade em seu braço. Aos quatorze anos de idade, o rapaz não se preocupava com a deformidade e dizia que era uma punição pelo crime que havia cometido. Dizia também que as suas lembranças da vida anterior estavam se tornando um pouco menos claras, mas se lembrava ainda principalmente dos acontecimentos do último ano de sua vida anterior. Ele sabia detalhes da execução, os quais o seu pai não conhecia. Ainda falava que o seu pai era o seu irmão mais velho. Na juventude, quando o rapaz se envolvia sentimental e emocionalmente com alguma moça, passava a ter desequilíbrios psicológicos que exigiam tratamento. No resto tinha um desenvolvimento normal.
CASO 10: O pai de um menino notou nele, com menos de dois anos de idade, traços de comportamentos característicos dos britânicos, embora fosse de família pura cingalesa. Isso o tornava diferente e esquisito na família. O pai não gostava dos ingleses. O menino aprendeu inglês mais cedo e melhor do que os outros irmãos. Entre três anos e meio e quatro anos de idade, o pai escutou o menino dizendo a sua mãe, irmãos e irmãs: “Vocês não são minha mãe, irmãos e irmãs. Minha mãe, meu pai e os outros estão na Inglaterra”. Interrogado a respeito pelo pai, deu os nomes de dois irmãos e de uma irmã. Depois, deu inúmeros detalhes sobre a sua família anterior. O pai aconselhou os outros filhos a não tocarem mais no assunto e tentarem fazer o irmão esquecer as lembranças da vida passada. Aos dezoito anos de idade, o rapaz conseguiu que o pai o enviasse para a Inglaterra. Dizia aos amigos que acreditava ter vivido lá. Daquele país, dizia estar se sentindo à vontade entre os ingleses. Sentia facilidade, adaptação e prazer em estar em Londres. Embora isso, não conseguiu identificar a cidade e a casa de sua vida anterior. Com o passar dos anos, o rapaz não perdeu o seu interesse pela Inglaterra e os ingleses. Dizia que os dois anos que passou naquele país tinham sido os mais felizes de sua vida. Perguntado por que havia renascido numa família budista, especulou que tinha sido um piloto inglês de avião e tinha morrido em um desastre aéreo perto da atual cidade natal. Tinha gosto por veículos e amor por voar. Queria ser piloto, mas os custos eram altos. Desde criança gostava de aviões e de voar.
CASO 11: A menina começou a falar sobre a sua vida passada com dois anos e meio de idade. Passou a dar detalhes de sua vida anterior aos familiares, inclusive falando a respeito de seu nome e dos seus antigos pais. Quando falavam perto dela a respeito da morte de alguma pessoa, a menina dizia: “Não diga isso. Eu também morri e, veja, estou viva de novo”. “Ela não está no cemitério. Está em local muito mais seguro e melhor do que este onde estamos”. Ela mostrava forte identidade com os gostos da pessoa que dizia ter sido. Isto foi comprovado pelos pais e pelas testemunhas que surgiram no estudo do caso. Após os sete anos de idade, ela deixou de falar muito sobre a sua vida passada. Cresceu, casou-se e teve filhos. Apesar disso, manteve algumas lembranças de sua vida anterior, principalmente das próximas de sua morte. Com cinquenta e quatro anos de idade, disse que tinha esquecido grande parte da sua vida anterior, mas que ainda se lembrava de muitas coisas.
CASO 12: Até os cinco anos de vida, o menino se recusava a vestir roupas de menino. Vestia roupas de menina ou ficava nu. Dizia que foi a filha de seus pais que havia cometido suicídio e gostava de brincar com meninas e com bonecas. Além disso, tinha facilidade para a costura. Reconheceu a máquina de costura de sua irmã falecida e disse: “Esta máquina era minha e eu já costurei muito com ela”. O atual menino considerava a sua vida como a continuidade da vida que tinha tido como a sua irmã falecida. Aos poucos, a orientação sexual da criança mudou para o lado masculino, mas sempre conservou elementos de feminilidade.
CASO 13: Quando o menino tinha dois anos de idade, começou a falar aos seus pais que tinha sido o irmão de sua mãe, que vivia em outra cidade que ficava a 170 quilômetros de distância. Pedia para ser levado à outra cidade para ficar com a sua avó materna. Falava de sua vida anterior a todos os seus familiares, dando detalhes e revelando os hábitos da família. Depois dos cinco anos de idade, as referências à vida anterior começaram a diminuir. Aos nove anos de idade, não se lembrava mais nada da sua vida anterior.
CASO 14: Um menino nasceu com marcas de nascença semelhantes às de seu avô paterno. Então, recebeu o mesmo nome, porque os pais acreditaram que a alma do falecido tinha retornado à vida terrena. Antes de morrer, o homem havia afirmado que voltarei à família, se houvesse a reencarnação. Diversos comportamentos, posturas, semelhanças faciais e anormalidade na perna do filho, como os de seu avô, deram aos pais a certeza de que a promessa havia sido cumprida. Como os pais acreditavam nos prejuízos de se lembrar de uma vida anterior, desencorajaram o menino de falar sobre ela. Entre quatro e cinco anos de idade, a mãe do menino pegou um relógio de ouro que fora de seu sogro e que estava em sua caixa de jóias. Entrando no quarto e vendo o relógio, a criança o pegou e disse: “Este é o meu relógio”, sem querer largá-lo. Depois disso, sempre pedia o seu relógio para os seus pais. Embora tivesse se lembrado da sua vida passada, a criança teve um desenvolvimento normal.
CASO 15: Um menino costumava dizer que tinha sido morto por uma lança em uma briga entre índios. Dizia o nome de quem o matou, o local onde tinha sido morto e o seu nome na vida anterior. Ele tinha sido o tio de sua mãe. Ele mostrava do seu lado direito uma marca de nascença que lembrava ter sido ocasionada por uma lança. Parecia uma velha cicatriz que uma lança poderia fazer. A criança falava muito de sua vida anterior e morte, apesar de sua mãe tentar impedi-lo de fazer isso. Quando tinha mais ou menos oito anos de idade, o rapaz parou de falar da sua vida anterior. Aos sessenta e cinco anos de idade, suas lembranças da vida passada eram muito vagas. Havia se tornado cristão e não julgava o cristianismo e a reencarnação incompatíveis.
CASO 16: Com cerca de quatro anos de idade, um menino lembrou-se de repente que teve um fumeiro e que ficou cego. Os pais perceberam que os acontecimentos correspondiam à vida de seu avô. O pai do menino viu nisso evidência de que o seu pai (e avô do menino) tinha renascido como seu filho. Depois disso, o menino não teve mais lembranças de sua vida passada. Com vinte e sete anos de idade tinha perdido completamente as recordações da existência anterior.
CASO 17: Um menino nasceu com duas marcas de nascença nas costas, do lado esquerdo. As marcas congênitas pareciam exatamente com a cicatriz de um ferimento de bala, em sua entrada. Embora o menino tentasse falar das coisas que tinham acontecido antes de seu nascimento, os pais julgavam que era um azar lembrar-se de uma vida passada. Assim, incentivavam o filho a não se lembrar, nem falar de suas lembranças, nem buscar a identificação numa vida anterior. Aos setenta e três anos de idade, o idoso disse que, de vez em quando, ainda pensava nas lembranças que tinha de sua vida anterior.
CASO 18: Um menino nasceu com uma marca no abdome. Logo a marca foi relacionada, por algumas senhoras idosas, ao ferimento mortal sofrido por um famoso nativo da comunidade. Era igual à do tio-bisavô do menino. O próprio menino não se lembrava de sua vida e morte passada, mas tinha fobia por punhais e lanças, conservando-a mesmo na fase adulta da vida.
CASO 19: Cerca de um ano antes de sua morte, um tio disse à sua sobrinha que voltaria como seu próximo filho, não gaguejaria tanto e traria as cicatrizes que tinha no corpo. Pela cicatriz que tinha em seu nariz, a sua reencarnação seria reconhecida. Quando nasceu o filho da sobrinha, (cerca de dezoito meses depois da morte do tio), a criança tinha marcas no corpo exatamente iguais às mostradas e apontadas pelo tio na sua previsão de renascimento. Depois que começou a falar, o menino disse ser o tio da sua mãe e reconheceu diversos familiares e amigos com afeto e emoção. Além disso, se lembrou de dois episódios muito marcantes na vida do tio da mãe, e revelou muitos hábitos e gostos iguais ao dele. Aos nove anos de idade, o menino começou a fazer menos declarações a respeito da sua vida anterior. Aos quinze anos de idade, não se lembrava mais nada da sua existência anterior. Mas, aos vinte e cinco anos de idade, numa reavaliação do caso, disse que não se lembrava de quase nada, porque não tinham persistido as lembranças da sua vida anterior.
CASO 20: Um menino, quando tinha entre um ano e meio e dois anos de idade, passou a fazer referências a uma vida passada. Mencionava nomes de pessoas, acontecimentos daquela vida e dava informações sobre a sua propriedade. Falava onde tinha morado, da família que tinha sido membro e pedia para ser levado lá. O pai repreendia o filho por contar histórias sobre a sua vida anterior. Um dia, o menino reconheceu uma pessoa da cidade onde havia vivido, na presença de sua avó paterna. Além disso, deu muitos detalhes sobre as pessoas que havia conhecido e dos acontecimentos ocorridos em sua outra cidade. Levado à localidade, as buscas permitiram a identificação da pessoa que o menino dizia ter sido na vida anterior, bem como de sua amante, cujo nome ele citava com frequencia. Além disso, ficaram esclarecidos muitos pontos de suas lembranças. Ainda, o menino fez treze reconhecimentos e deu mais detalhes sobre si mesmo e seus pertences. Aos nove anos de idade, o menino ainda falava sobre a sua vida anterior, principalmente de sua amante. A família atual do menino tentava fazê-lo esquecer da sua vida anterior, não conversando mais com ele sobre isso. Mas, com treze anos de idade, ainda falava sobre o assunto, preservava muitas das suas lembranças, tinha apego pela família anterior. Embora isso, apresentava um desenvolvimento normal para um jovem da sua idade.
CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
O trabalho inédito, minucioso, consciencioso e criterioso desenvolvido pelo Dr. Ian Stevenson causa admiração e respeito. Com isso, ele conquistou renome internacional.
Os casos de reencarnação estudados em detalhes são complexos e mostram a continuidade da vida da personalidade, cujo corpo material morreu numa vida anterior.
Os casos foram acompanhados pelo pesquisador durante muitos anos e em vários países, possibilitando a discussão abrangente de todas as possibilidades e aspectos importantes que estavam relacionados com as pesquisas e os estudos.
Além disso, o livro do Dr. Stevenson encanta o leitor pela discussão profunda e abrangente que fez durante a apresentação dos casos e dos resultados alcançados.
Com a mente aberta e argumentos convincentes, o cientista comparou minuciosamente a tese da sobrevivência da alma à morte do corpo material e a sua posterior reencarnação, com as hipóteses e polêmicas levantadas por alguns opositores: de fraude das crianças, dos pais e das pessoas envolvidas nos casos; de imposição dos pais de outra personalidade aos filhos; de problemas mentais nas crianças que diziam ter vivido anteriormente, principalmente em meio às suas brincadeiras e atividades normais; de conhecimento prévio, por parte das crianças, da vida das pessoas falecidas, através de fontes de informações que burlavam a vigilância dos pais; das possíveis fantasias que as crianças criaram sobre uma vida anterior; de possessão no corpo das crianças, por parte dos Espíritos que tinham vivido outra vida terrena, permitindo-os fazer reconhecimentos ricos em detalhes e cheios de pormenores, além da revelação de habilidades especiais persistentes; das memórias da vida anterior das crianças terem origem nas experiências vividas por seus ancestrais, dentro da teoria da memória genética; das possíveis relações extrassensoriais, clarividências e elementos paranormais que poderiam ter sido mantidos entre as crianças e as almas das personalidades que viveram no passado; etc.
Discussões e polêmicas à parte, o trabalho desenvolvido pelo Dr. Ian Stevenson é, sem qualquer dúvida, extraordinário. Realmente, merece a atenção de quem se interessa pelas evidências da imortalidade da alma e da sua reencarnação.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
OS ESPÍRITOS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO

OS ESPÍRITOS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO
Geziel Andrade
IMAGEM: JESUS NA TRANSFIGURAÇÃO: “E eis que falavam com ele dois varões: Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade. E falavam da sua saída deste mundo, a se cumprir em Jerusalém.” (Lucas, Cap. 9, vers. 28 a 36.)
Allan Kardec registrou em suas obras da codificação do Espiritismo importantes lições a respeito dos Espíritos, que são os seres inteligentes criados por Deus.
A compilação a seguir apresentada reúne as principais lições de Allan Kardec a respeito do assunto. Essas lições falam por si, dispensando comentários adicionais.
1 – OS ESPÍRITOS SÃO AS ALMAS DOS HOMENS:
“Sendo os Espíritos as almas dos homens, após a morte nós mesmos seremos Espíritos.”
“Os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra ou em outros mundos. As almas ou Espíritos são, pois, uma só e mesma coisa. Quem crê na existência da alma, crê na dos Espíritos.”
“A alma ou Espírito é o ser inteligente, onde está a sede de todas as percepções e de todas as sensações. A alma sente e pensa por si mesma; é individual, distinta, perfectível, preexistente e sobrevivente à morte do corpo material, que é o seu instrumento de suas relações com o mundo visível.”
“Sendo os Espíritos as almas dos homens, como há homens de todos os graus de saber e de ignorância, de bondade e de maldade, o mesmo se encontra entre os Espíritos. Mas, há Espíritos que possuem as mais sublimes virtudes e o saber em grau desconhecido na Terra.”
2 – OS ESPÍRITOS SE ENCONTRAM EM DIFERENTES GRAUS DE ELEVAÇÃO INTELECTUAL, MORAL E ESPIRITUAL:
“Os Espíritos, como não passam de almas humanas desembaraçadas de seu invólucro corporal, não são iguais e apresentam uma variedade de poder, conhecimento e sabedoria maior que a que encontramos entre os homens na Terra.”
“Há Espíritos muito superiores, como os há muito inferiores, muito bons e muito maus, muito sábios e muito ignorantes.”
“Os Espíritos apresentam todos os graus de desenvolvimento intelectual e moral. Consequentemente, há os bons e maus, esclarecidos e ignorantes. Há também os Espíritos muito superiores, que não procuram senão fazer o bem. Esta distinção é um ponto capital no Espiritismo.”
3 - OS ESPÍRITOS SÃO SERES SEMELHANTES AOS HOMENS:
“Os Espíritos são seres semelhantes a nós, pois cada um de nós torna-se Espírito após a morte do corpo material; e cada Espírito torna-se homem pelo nascimento.”
“Cada globo, de certo modo, tem sua população própria de Espíritos encarnados e desencarnados. Cada globo agita-se pela encarnação e pela desencarnação dos Espíritos.”
“Os Espíritos são seres semelhantes a nós, tendo um corpo como o nosso, porém fluídico e invisível no estado normal.”
“A alma do homem revestida de seu envoltório fluídico, ou perispírito, constitui o ser chamado Espírito. Este, quando está revestido do envoltório corporal, constitui o homem.”
4 – AS MANIFESTAÇÕES E COMUNICAÇÕES DOS ESPÍRITOS ATRAVÉS DE MÉDIUNS PROVAM A IMORTALIDADE DA ALMA DO HOMEM:
“Os Espíritos que se comunicam através dos médiuns são as almas dos homens que viveram na Terra. Suas manifestações são úteis para destruir o materialismo e provar a imortalidade da alma.”
“As comunicações dos Espíritos servem para nos ensinar onde eles se acham, o que fazem, em que condições se é feliz ou infeliz na vida futura.”
“Só o fato da possibilidade de comunicação com os seres do mundo espiritual tem consequências incalculáveis, da mais alta importância. É todo um mundo novo que se revela e que tem tanto mais importância, quanto atinge a todos os homens, sem exceção.”
“As comunicações dos Espíritos servem para destruir os preconceitos vulgares sobre a natureza dos Espíritos e o estado das almas dos homens após a morte, coisas estas que não seriam sabidas sem a comunicação com o mundo invisível.”
“Os Espíritos sendo as almas dos homens, comunicando-nos com eles não saímos da humanidade. As almas dos homens saíram do mundo dos Espíritos, como ai entrarão ao deixar a Terra.”
“Diz São João, o Evangelista: “Não creiais a todo o Espírito, mas experimentais se os Espíritos são de Deus.” A experiência prova a sabedoria deste conselho. Seria, pois, imprudência e leviandade aceitar sem controle tudo o que vem dos Espíritos.”
“Como os homens, os Espíritos podem ser reconhecidos por sua linguagem: a dos Espíritos superiores é sempre séria, digna, nobre e cheia de benevolência.”
5 – OS BONS ESPÍRITOS AMPARAM E ORIENTAM OS HOMENS:
“Por intermédio dos médiuns, os bons Espíritos inspiram a caridade e a benevolência para com todos; ensinam aos homens se olharem como irmãos, sem distinção de castas, nem de seitas.”
“Os bons Espíritos ensinam aos homens, através dos médiuns, a perdoar aos que lhes dizem injúrias; a vencer as más inclinações; a suportar com paciência as misérias da vida; a olhar a morte sem medo, pela certeza da vida futura. Eles dão consolo aos aflitos, coragem aos fracos e esperança aos que não acreditavam.”
“Os bons Espíritos velam por nós, assistem-nos e nos ajudam, mas com a condição que nos ajudemos a nós mesmos.”
“Simpatiza com os bons Espíritos, aquele que em tudo age tendo em vista o bem, eleva-se acima das vaidades humanas, expele do coração o egoísmo, o orgulho, a inveja, o ciúme e o ódio e perdoa aos seus inimigos, pondo em prática esta máxima do Cristo: Fazei aos outros o que quereis que se vos faça.”
“A primeira condição para se conseguir a boa vontade dos bons Espíritos é a que decorre da humildade, do devotamento e da abnegação: o mais absoluto desinteresse moral e material.”
6 – A ALMA DO HOMEM DEPARA-SE COM NOVAS CONDIÇÕES DE VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL:
“O corpo material, uma vez gasto, se destrói e o Espírito sobrevive à sua destruição. O Espírito nem é aniquilado, nem alterado; apenas é despojado de seu envoltório material. Deixando o corpo material, entra no mundo espiritual, de onde havia saído para encarnar-se e adiantar-se. Numa palavra, o Espírito é preexistente e sobrevivente a tudo.”
“O homem, ao morrer, apenas será despojado de um invólucro material, sujeito aos sofrimentos e vicissitudes da vida; mas será sempre ele, com um corpo etéreo inacessível à dor física; que desfrutará de percepções novas e de maiores faculdades; que vai reencontrar os que amou e que o esperam no sólio da verdadeira vida, da vida imperecível.”
“Os Espíritos têm todas as percepções que tinham na Terra, mas em mais alto grau, porque suas faculdades não são amortecidas pela matéria; têm sensações que nos são desconhecidas; vêem e ouvem coisas que os nossos sentidos limitados não nos permitem ver nem ouvir.”
“Os Espíritos conservam as afeições sérias que tinham na Terra.”
“Todos os nossos pensamentos repercutem nos Espíritos e aí lêem como num livro aberto; de sorte que aquilo que podemos ocultar a qualquer um, quando vivo, não o podemos mais, desde que se é Espírito.”
7 – PELOS DESÍGNIOS DE DEUS, TODOS OS ESPÍRITOS ATINGIRÃO UM DIA A PERFEIÇÃO INTELECTUAL, MORAL E ESPIRITUAL:
“Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas dispondo de aptidão para todas as aquisições e para progredir, em virtude do seu livre-arbítrio.”
“Criados simples e ignorantes, por isso imperfeitos, ou melhor, incompletos, os Espíritos devem adquirir por si mesmos e por sua própria atividade, a ciência e a experiência que, de início, não pode ter.”
“Os Espíritos não pertencem eternamente na mesma ordem. Todos melhoram, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita.”
“Sendo a Terra um mundo inferior destinado à depuração dos Espíritos imperfeitos, eis a razão pela qual o mal aqui domina, até que a Deus apraza dela fazer a morada de Espíritos mais adiantados.”
“Com o Espiritismo, o homem sabe que aqueles seres designados sob o nome de demônios são Espíritos ainda atrasados e imperfeitos, que fazem o mal no estado de Espíritos, como o faziam no estado de homens, mas que progredirão e melhorarão, através de uma série de existências materiais sucessivas.”
“Todas as almas atingem, mais cedo ou mais tarde, a felicidade. Assim se confirma, pela pluralidade das existências materiais progressivas, a admirável Lei de unidade e de justiça, que caracteriza todas as obras da criação.”
“Não há criações múltiplas de diferentes classes entre os seres inteligentes, mas toda a criação surge da grande Lei da unidade, que rege o Universo.”
“Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, visando atingir a perfeição, concluí-se que todos nós tivemos muitas existências materiais e que teremos ainda outras mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra ou em outros mundos.”
“As almas que avançam mais prontamente em sua depuração e em instrução gozam mais cedo a felicidade.”
8 – OS BONS ESPÍRITOS COMPREENDEM DEUS E A OBRA DA CRIAÇÃO, PRATICAM O BEM E DESFRUTAM DE BOAS CONDIÇÕES DE VIDA NO MUNDO ESPIRITUAL:
“Os bons Espíritos compreendem Deus e o Infinito, gozam da felicidade dos bons e sentem-se felizes quando impedem o mal. O amor que os une é para eles uma fonte de inefável felicidade.”
“Cada Espírito leva consigo os elementos de sua felicidade, na razão da categoria onde o coloca o seu grau de adiantamento intelectual e moral. A felicidade depende das qualidades próprias do Espírito e não do estado material, do meio em que se acha.”
“A felicidade dos Espíritos é inerente às qualidades que possuem. Assim, a desfrutam onde quer que se encontrem, na superfície da Terra entre os encarnados, ou no espaço.”
“Os Espíritos felizes, atraídos uns para os outros pela similitude de ideias, gostos e sentimentos formam vastos grupos ou famílias homogêneas, no seio das quais cada individualidade irradia suas próprias qualidades, e se penetra dos eflúvios serenos e benéficos que emanam do conjunto.”
“Para os Espíritos felizes e bem-aventurados, em todos os graus, a vida espiritual é uma atividade constante, mas isenta de fadigas, e o gozo de todos os esplendores da criação.”
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NOTA: Os artigos anteriores desta série foram publicados neste blog, nas seguintes datas:
03/maio/2010 = DEUS: Lições de Allan Kardec a respeito.
04/janeiro/2011: O HOMEM: Lições de Allan Kardec a respeito.
05/agosto/2011: O ESPIRITISMO: Lições de Allan Kardec a respeito.
01/dezembro/2011: JESUS: Lições de Allan Kardec a respeito.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
PRINCIPAIS LIÇÕES EM "O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": "BEM AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO"


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO VII: BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO
Geziel Andrade
O QUE SE DEVE ENTENDER POR POBRES DE ESPÍRITO
“Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus.” (Mateus, V: 3.)
Por pobres de espíritos, Jesus entende os humildes.
Os homens cultos e inteligentes, mas orgulhosos, consideram as coisas divinas indignas de sua atenção, porque têm, geralmente, uma elevada opinião de si mesmos e aparentam uma suposta superioridade.
Preocupados somente com si mesmos, não conseguem elevar o pensamento a Deus.
Então, negam a existência da Divindade; não enxergam a Sua ação providencial sobre as coisas deste mundo; e não percebem que existem coisas que não lhes é possível compreender.
Por não admitirem a existência do mundo invisível e nem de um poder extra-humano, revelam desdém por tudo o que não pertence ao mundo visível e tangível.
Assim, consideram que as coisas espirituais são boas apenas para as pessoas simples, as pobres de espírito, que não devem ser levadas a sério.
Todavia, independentemente do que julgam, pensam ou dizem, possuem uma alma imortal que entrará no mundo invisível, após a morte do corpo material. Então, seus olhos se abrirão e reconhecerão que cometeram um erro.
Deus, sendo justo, não pode receber do mesmo modo nem aquinhoar com igualdade aquele que desconheceu o seu poder e aquele que humildemente se submeteu às Suas Leis.
Jesus, ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples, ensina que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito.
Então, o ignorante que é simples e humilde será preferido ao sábio que menospreza a Deus.
Jesus coloca sempre a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus. Coloca, por outro lado, o orgulho entre os vícios que nos afastam de Deus.
A humildade é uma atitude de submissão a Deus.
O orgulho é uma revolta contra Deus.
Portanto, para a felicidade do homem, muito vale ser humilde e rico em qualidade morais.
QUEM SE ELEVAR SERÁ REBAIXADO
“Chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Na verdade vos digo que, se não vos fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois, que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe.” (Mateus, XVIII: 1-5.)
“Sabei que os príncipes das nações dominam os seus vassalos e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas, aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor; e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em redenção de muitos.” (Mateus, XX: 20-28.)
“E notando como os convidados escolhiam os primeiros assentos à mesa, propôs-lhes esta parábola: Quando fores convidado a alguma boda, não te assentes no primeiro lugar, porque pode ser que esteja ali outra pessoa, mais autorizada que tu, convidada pelo dono da casa, e que, vindo este, que convidou a ti e a ele, te diga: dá o teu lugar a este; e tu, envergonhado, irás buscar o último lugar. Mas, quando fores convidados, vai tomar o último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: amigo, senta-te mais para cima; servir-te-á isto então de glória, na presença dos que estiverem juntamente sentados à mesa. Porque todo o que se exalta será humilhado; e todo o que se humilha será exaltado.” (Lucas, XIV: 1, 7-11.)
Nessas lições evangélicas, Jesus põe a humildade como condição essencial da felicidade prometida aos eleitos do Senhor.
O Espiritismo vem confirmar, através das comunicações com os Espíritos, por intermédio de diferentes médiuns, que os grandes no Mundo dos Espíritos são os que foram pequenos na Terra; e que os que foram grandes e poderosos na Terra, frequentemente, encontram-se bem pequenos na vida espiritual.
É que os que se encontram nas bem-aventuranças no Reino dos Céus levaram consigo, ao morrer, o que unicamente constitui a verdadeira grandeza no céu e que jamais se perde: as virtudes.
Por outro lado, os que foram considerados grandes na Terra tiveram de deixar, com a morte, o que lhes dava a grandeza: a fortuna, os títulos, a glória, a linhagem.
Não tendo a nobreza espiritual para levar, chegam ao outro mundo desprovidos de tudo.
O orgulho que conservam torna ainda mais humilhante a sua posição, vendo acima deles, e resplandecentes de glória, aqueles que espezinharam na Terra.
O Espiritismo mostra ainda que, nas encarnações sucessivas, aqueles que se deixaram dominar pelo orgulho e pela ambição são abaixados até o último lugar na existência seguinte.
Portanto, Deus sabe recompensar aquele que não procura o primeiro lugar na Terra; que não quer sobrepor-se aos outros; e que se torna humildade e modesto.
MISTÉRIOS OCULTOS AOS SÁBIOS E PRUDENTES
“Respondendo, disse Jesus: Graças te dou a ti, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos.” (Mateus, XI: 25.)
Jesus rende graças a Deus por haver revelado as coisas espirituais aos simples e pequeninos, que são os pobres de espírito, e ocultado-as aos sábios e prudentes.
É que os humildes se humilham diante de Deus e não se consideram acima dos outros. Por isso, Deus lhes revela os segredos dos Céus. Já os orgulhosos comportam-se de modo oposto: se julgam sábios, prudentes e superiores.
O mesmo ocorre com as grandes verdades reveladas pelo Espiritismo. Os Espíritos se ocupam com os que buscam a luz com boa fé e humildade; que vêem o poder e a grandeza de Deus em toda parte, nas pequenas como nas grandes coisas; que recorrem à bondade de Deus com humildade, sem se julgarem mais do que Ele.
Ocorre que os orgulhosos que se recusam a reconhecer a verdade não estão ainda com o espírito maduro para compreendê-la, nem com o coração aberto para senti-la. O orgulho tapa-lhes os olhos.
Mas o tempo extinguirá a causa desse mal, permitindo-lhes que os olhos se abram.
INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “O ORGULHO E A HUMILDADE”, DO ESPÍRITO LACORDAIRE, DADAS EM CONSTANTINA, EM 1863.
Deus concede aos Espíritos a missão de esclarecer e encorajar os homens a seguir o bom caminho. Permite-lhes ajudá-los no adiantamento, com palavras compreensíveis e ao alcance de todos para que a luz brilhe.
Mas, os homens se esquecem da humildade e poucos seguem os exemplos dessa virtude que lhes foram dados.
Então, como podem ser caridosos ao próximo sem a humildade?
Só a humildade nivela os homens; mostra-lhes que são irmãos; que devem se ajudar mutuamente, com a prática do bem.
O homem deve se lembrar daquele que trouxe a salvação; da sua humildade, que o fez tão grande e o colocou acima de todos os profetas.
O orgulho é terrível adversário da humildade.
O Cristo prometeu o Reino dos Céus aos mais pobres porque os grandes da Terra imaginavam que os títulos e as riquezas materiais eram a recompensa de seus méritos; que a sua essência era mais pura que a dos pobres; que Deus lhes devia essas coisas.
Deus não estabeleceu distinção pelos corpos materiais; não fez duas espécies de homens.
Tudo o que Deus fez é grande e sábio.
O rico em seus aposentos suntuosos ao abrigo do frio não deve esquecer que milhares de irmãos jazem famintos na miséria.
Algumas vezes, concorda em lhes dar uma esmola; porém, nunca em lhes apertar fraternalmente a mão.
Não é a nobreza do sangue nem dos órgãos do corpo físico que diferencia as pessoas.
Em vidas passadas, quem garante que o nobre de hoje não foi miserável e que já pediu esmola? Quem garante que em outra reencarnação não pedirá esmola a quem hoje despreza?
Por acaso as riquezas materiais são eternas e não acabam com a morte do invólucro perecível do Espírito?
Se o homem lançar os olhos humildemente sobre a realidade das coisas do mundo material; sobre o que constitui a grandeza de um e a humilhação de outro; sobre a morte que não poupa ninguém, a qualquer momento e sem levar em consideração os títulos, então, se ele permanecer orgulhoso, torna-se digno de piedade.
Os orgulhosos, antes de serem nobres e poderosos, talvez tenham sido mais humildes que o último dos servos.
Eles devem curvar as frontes altivas perante Deus, que pode rebaixá-las mesmo no momento em que forem elevadas bem alto.
Perante a balança divina, todos os homens são iguais.
Somente as virtudes os distinguem aos olhos de Deus.
Todos os Espíritos são da mesma essência. Os seus corpos foram feitos da mesma matéria.
Os títulos e os nomes não modificam essa realidade. Ficam no túmulo. Não dão a felicidade prometida aos eleitos, cujos títulos de nobreza são a caridade e a humildade.
A pobre criatura que é mãe; os filhos que sofrem; quem passa frio, tem fome, se curva ao peso da cruz, se humilha para conseguir um pedaço de pão devem esperar e orar. A felicidade ainda não é deste mundo. Deus concede aos pobres oprimidos, que Nele confiam, o Reino dos Céus.
Pobre moça devotada ao trabalho, entregue às privações, aos tristes pensamentos e ao choro, volte seus olhos piedosos e serenos para Deus que dá alimento às aves do céu. Confia Nele, pois não a abandonará.
Não se iluda com o ruído das festas, dos prazeres mundanos, das flores que enfeitam a fronte, da mistura aos felizes da Terra, das mulheres ricas que passam estouvadas e alegres.
Quantas lágrimas e dores se ocultam sob os vestidos bordados. Quantos suspiros se asfixiam sob o ruído da orquestra feliz.
Prefira o seu humilde retiro e a sua pobreza, mantendo-se pura aos olhos de Deus, para conservar ao seu lado o seu anjo da guarda.
Quem sofre as injustiças dos homens deve ser indulgente para com as faltas cometidas pelos irmãos, num gesto de caridade e humildade.
Quem suporta calúnias deve curvar a fronte diante da prova, mantendo a conduta pura para merecer a recompensa de Deus.
Suportar corajosamente as humilhações dos homens é ser humilde e reconhecer que só Deus é grande e todo-poderoso.
Que o Cristo não precise voltar novamente à Terra para ensinar aos homens as Leis, a sua Doutrina e os seus exemplos das virtudes.
Irmãos e amigos, sejam generosos e caridosos, sem ostentação. Façam o bem com humildade. Sejam verdadeiros cristãos para atingir o reino da verdade. Confiem na bondade de Deus, enfrentando as provas da vida.
Que os Espíritos enviados pelo Senhor para cumprir a Sua vontade encontrem os homens reunidos numa grande família, com os corações brandos e humildes, dispostos ao bem, à caridade e à fraternidade.
Então, a Terra se tornará um paraíso terrestre.
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO ADOLFO, BISPO DE ALGER, DADAS EM MARMANDE, EM 1862.
Os homens lamentam as calamidades, mas as amontoaram sobre as próprias cabeças desprezando a santa e divina moral do Cristo.
O mal estar geral decorre de buscarem incessantemente aniquilar uns aos outros.
A felicidade depende da mútua benevolência, que exige o combate ao orgulho, que é a fonte de todos os males.
Por isso, o orgulho deve ser destruído, para não perpetuar suas funestas consequências.
Só existe um meio infalível para isso: a lei do Cristo como regra invariável na conduta.
Sem isso, há grande estima pelo que brilha e encanta os olhos, mas não toca o coração; há reverência ao vício que se desenvolve na opulência, com desdém pelo verdadeiro mérito que se oculta na obscuridade; há prestígio e honras ao rico libertino perdido de corpo e alma, enquanto dificilmente se concede um gesto de proteção ao homem de bem que vive do seu trabalho; há muita consideração dispensada às pessoas pelo peso do ouro que elas possuem ou pelo nome que trazem, sem ter interesse pelo esforço que corrige os defeitos.
O vício não é combatido. O orgulho é venerado. A inclinação ao gozo dos bens materiais e do dinheiro é estimulada. As necessidades materiais sobrepõem-se ao bom senso e à razão. Cada um deseja se elevar sobre o seu irmão. Então, a sociedade sofre as consequências.
Esse estado de coisas é sempre o sinal da decadência moral.
Quando o orgulho atinge o seu extremo, a queda está próxima, porque Deus pune sempre os soberbos.
Se Deus, às vezes, deixa os orgulhosos subirem é para lhes dar tempo de refletir e de se emendar, antes de desferir como advertência um golpe no orgulho.
Mas, em vez de humildade, há revolta.
Dessa forma, a queda é mais terrível.
Os homens corromperam seus caminhos pelo egoísmo. Mas, Deus, na Sua infinita misericórdia, lhes envia um poderoso remédio e um socorro inesperado para os seus males e as suas aflições.
Envia-lhes de volta as almas dos que se foram para lhes recordar os verdadeiros deveres.
Elas dizem com a autoridade da experiência, quanto as vaidades e as grandezas da existência passageira são pequeninas diante da eternidade.
Elas dizem que aquele que foi o menor entre os pequenos do mundo será o maior na eternidade; que o que mais amou os seus irmãos será o mais amado no céu; que os poderosos da Terra, se abusaram da autoridade, serão obrigados a obedecer aos seus servos; que a caridade e a humildade, enfim, irmãs que se dão as mãos, são os títulos mais eficazes para se obter graça diante do Eterno.
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “MISSÃO DO HOMEM INTELIGENTE NA TERRA”, DADAS PELO ESPÍRITO FERDINANDO, ESPÍRITO PROTETOR, EM BORDEAUX, EM 1862.
O homem não deve se orgulhar daquilo que sabe, porque o seu saber tem limites bem estreitos no mundo terreno.
Mesmo supondo que seja uma das sumidades do globo, não tem nenhuma razão para se envaidecer.
Se Deus, nos Seus desígnios, fez o Espírito nascer num meio onde pudesse desenvolver a sua inteligência, foi por querer que ela seja utilizada em benefício de todos.
É uma missão que Deus concede ao colocar na mão do homem o instrumento com o qual pode desenvolver, ao seu redor, as inteligências retardatárias e conduzi-las a Ele.
Todo instrumento deve ser bem utilizado. Caso contrário, o Senhor imporá ao culposo existências miseráveis e cheias de humilhação, até que se curve diante daquele a quem tudo deve.
A inteligência é rica em méritos para o futuro, mas com a condição de ser bem empregada.
Se os homens inteligentes se servissem dela segundo os desígnios de Deus, seria fácil a tarefa dos Espíritos em fazer a humanidade progredir.
Muitos, infelizmente, transformam-na em instrumento de orgulho e de perdição para si mesmos.
O homem abusa de sua inteligência como de todas as suas faculdades. Mas não lhe faltam lições advertindo-o de que uma mão poderosa pode retirar-lhe o que ela mesma lhe deu.
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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Jesus foi o maior exemplo da prática da humildade, mantendo, desde o nascimento, modéstia e simplicidade em seu modo de vida.
Jesus, com sua humildade, dirigia-se constantemente a Deus e se subordinava às Suas Vontades, Leis e Desígnios para cumprir a sua missão evangélica. Assim, aliado ao Pai, não exigiu reconhecimento dos homens, nem se prendeu à posse dos tesouros terrenos.
Jesus, com humildade, conviveu e se relacionou bem com os homens de todas as classes sociais; ensinou a prática das virtudes que melhoram as condições de vida e garantem as bem-aventuranças no reino dos céus; transmitiu ao povo a Boa-Nova, revolucionando ensinos religiosos e morais; curou os doentes, eliminou as influências perversas que os Espíritos maus exerciam sobre algumas pessoas sofredoras e realizou muitos milagres beneficiando a muitos.
Jesus revelou ainda que sem a humildade não há a entrada triunfal da alma no reino dos céus, porque essa virtude a aproxima de Deus.
Os ensinos e os exemplos de Jesus foram corroborados pelo Espiritismo, com as revelações dos Espíritos superiores, feitas através de diferentes médiuns. Com isso, devemos, realmente:
• Exteriorizar humildade, principalmente ocupando posição elevada na sociedade, visando o cumprimento adequado das provas e missões que propiciam a evolução intelectual e moral da alma, na presente jornada terrena;
• Ter humildade a ponto de não nos considerarmos privilegiados e superiores aos semelhantes, porque pertencemos todos à família Divina e estamos subordinados às mesmas Leis sábias e justas;
• Praticar a humildade com vistas à melhoria das relações com os familiares, amigos, parceiros, aliados e companheiros e à disseminação do bem-estar;
• Recorrer à humildade para não estabelecermos preconceitos e discriminações de raça, cor, sexo, idade e condições sociais e nem mesmo dominações na hierarquia familiar, empresarial ou social;
• Aplicar a humildade, agindo sempre de forma fraterna e cordial com todos, tratando com consideração, respeito, gentileza e paciência os que nos procuram e sendo úteis aos que nos cercam na família, no ambiente de trabalho e na vida em sociedade;
• Revelar humildade pelo bom uso da inteligência e da sabedoria em benefício próprio e da elevação do próximo;
• Exercitar a humildade, não caindo na ostentação e na arrogância, conservando os amigos e aliados e aceitando de bom grado as colaborações dos companheiros que concorrem para o nosso sucesso espiritual e material;
• Valorizar a humildade, pois ela é indispensável para servirmos os semelhantes, praticarmos o bem e realizarmos as ações caridosas e fraternas com completo desinteresse material e moral, isto é, sem exigir nada em troca e sem pedir reconhecimento, reciprocidade, gratidão ou retribuição.
• Conquistar a humildade, pois ela é inseparável de quem realiza as boas ações empregando as riquezas materiais disponíveis e distribuindo gratuitamente as bênçãos materiais, morais e espirituais que lhe foram cedidas por Deus em confiança e como fiel depositário;
Além disso, sem a humildade na alma:
• Não há a condição essencial para que a nossa alma seja admitida e desfrute da felicidade prometida aos eleitos do Senhor em companhia das potências que reinam nos céus.
• Não há a nossa proximidade, nem aliança com Deus.
• Não há o atendimento dos Seus desígnios, das Suas Leis e vontades.
• Não há a pureza de coração, as qualidades pessoais e o bom uso dos recursos intelectuais e morais que são os nossos verdadeiros e imperecíveis tesouros.
• Não há a nobreza espiritual e moral que leva nossa alma ao aproveitamento das oportunidades que aprimoram ainda mais o nosso modo de ser, sentir, pensar e agir.
• Não há a prática da caridade que nos aproxima dos irmãos de jornada evolutiva, melhora as condições de vida dos semelhantes e ameniza as provas difíceis, que são indispensáveis à evolução intelectual e moral da alma que caminha para Deus.
• Não há o cumprimento consciente e espontâneo dos compromissos assumidos com Deus, os semelhantes e a própria consciência.
• Não há a promoção, sem interesse material, do bem, da fraternidade e da solidariedade.
Portanto, aplicando em todas as circunstâncias da vida as orientações acima acerca da humildade, conseguimos conquistar o verdadeiro progresso, a paz na consciência, a felicidade decorrente do cumprimento dos deveres materiais, espirituais e morais e os bons resultados da disseminação do bem e da melhoria das condições de vida de todos.
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DATAS DA PUBLICAÇÃO NESTE MESMO BLOG DOS ARTIGOS CONTENDO AS PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”:
27/fev/2009 = Prefácio e Introdução.
12/maio/2009 = Cap. I: Não vim destruir a Lei.
01/set/2009 = Cap. II: Meu reino não é deste mundo.
01/abril/2010 = Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai.
04/ago/2010 = Cap. IV: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.
28/junho/2011 = Cap. V: Bem-aventurados os aflitos.
10/novembro/2011 = Cap. VI: O Cristo Consolador.
quinta-feira, 15 de março de 2012
"O LIVRO DOS MÉDIUNS": MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES

IMAGEM: Hermance Dufaux. Caroline Baudin, Julie Baudin, Ruth Céline Japhet e Hermance Dufaux atuaram como extraordinárias médiuns de manifestações inteligentes dos Espíritos, no início da codificação do Espiritismo por Allan Kardec.
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO III: MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES
Geziel Andrade
As manifestações inteligentes dos Espíritos foram substituindo gradativamente as suas manifestações físicas, caracterizadas por ruídos, movimentos e deslocamentos de corpos sólidos, principalmente de mesas.
Os fenômenos dessas mesas girantes foram o ponto de partida da Doutrina Espírita.
Mas, logo em seguida à produção dos fenômenos das mesas girantes, os Espíritos começaram a dar provas de inteligência, vontade livre e voluntária, intenção definida e capacidade de responder ao pensamento.
Ora, todo efeito inteligente tendo necessariamente uma causa inteligente, levou os observadores dos fenômenos a concentrarem sua busca na descoberta da causa inteligente que os produzia.
Era incontestável que as mesas girantes moviam-se, levantavam-se e davam pancadas, sob a influência de um ou de muitos médiuns, obedecendo a uma determinação firme.
A mesa podia, sem mudar de lugar, se erguer alternativamente sobre o pé que lhe fosse indicado para, em seguida, cair batendo um número determinado de pancadas, respondendo a uma pergunta.
Outras vezes, a mesa, sem o contato de pessoa alguma, passeava sozinha pelo aposento, indo para a direita ou para a esquerda, para diante ou para trás, executando movimentos diversos, conforme as ordens dos assistentes da reunião.
A mesa, por meio de pancadas, ou de estalidos produzidos em seu interior, produzia efeitos inteligentes, como a imitação dos rufos de um tambor; do disparo da fuzilaria de um pelotão ou de um canhoneiro; do ranger de uma serra; dos golpes de um martelo; do ritmo de diferentes árias, etc.
Então, deduziu-se que se a inteligência oculta podia produzir esses fenômenos, certamente, poderia também responder às perguntas que lhe fossem feitas.
E, de fato, a mesa passou a responder perguntas, por um sim, por um não, dando o número de pancadas que se convencionava para um caso ou para o outro caso.
Como as respostas dadas pela mesa através desse método eram muito restritas, surgiu a ideia de fazer-se que a mesa indicasse as letras do alfabeto, para que fossem compostas palavras e frases.
Então, essas manifestações dos Espíritos passaram a ser obtidas à vontade por milhares de pessoas e em todos os países, não deixando dúvida sobre a natureza inteligente delas.
Além disso, constatou-se que os fenômenos das mesas não decorriam da inteligência do médium, do interrogante ou mesmo dos assistentes.
Era evidente que as respostas às perguntas, obtidas através dos movimentos das mesas, quase sempre se achavam em oposição formal às ideias dos assistentes; fora do alcance intelectual do médium e eram dadas em línguas ignoradas por este, referindo-se a fatos desconhecidos por todas as pessoas presentes na reunião.
Exemplos disso eram incontáveis. Um deles ocorreu num navio da marinha imperial francesa, estacionado nos mares da China, onde os marinheiros e até o estado-maior se ocupavam em fazer que as mesas falassem.
Certo dia, tiveram a ideia de evocar o Espírito de um tenente que pertencera à guarnição do mesmo navio e que morrera havia dois anos.
O Espírito veio, deu várias comunicações através de pancadas, enchendo todos de espanto. Além disso, disse:
“Peço-vos instantemente que mandeis pagar ao capitão a soma de ... (indicava a cifra), que lhe devo e que lamento não ter podido restituir-lhe antes de minha morte.”
Ninguém conhecia o fato. O próprio capitão se esquecera desse débito porque era mínimo. Mas, procurando nas suas contas, encontrou uma nota da dívida do tenente, de importância exatamente idêntica à que o Espírito indicara.
Então se torna inevitável a pergunta: Do pensamento de quem podia essa indicação ser o reflexo?
O processo de obtenção de comunicações com os Espíritos através de pancadas alfabéticas dadas pelas mesas foi aperfeiçoado; mas mesmo assim esse meio continuava a ser muito moroso.
Apesar disso, algumas comunicações de certa extensão foram obtidas, contendo interessantes revelações sobre o mundo dos Espíritos.
Foram os próprios Espíritos que indicaram outros meios de aperfeiçoamento das comunicações, levando às escritas mediúnicas.
As primeiras escritas dos Espíritos foram obtidas adaptando-se um lápis ao pé de uma mesa leve, colocada sobre uma folha de papel.
Posta a mesa em movimento pela influência de um médium começou a traçar caracteres, depois palavras e frases.
Esse processo foi simplificado gradualmente pelo emprego de mesinhas do tamanho de uma mão, construídas expressamente para isso.
Em seguida, foram utilizadas cestas, caixas de papelão e até simples pranchetas.
Com isso, a escrita saía tão corrente, tão rápida e tão fácil como a feita com a mão.
Um pouco mais tarde, reconheceu-se que todos os objetos utilizados não passavam de apêndices, de verdadeiras lapiseiras, que podiam ser dispensáveis, se o médium segurasse o lápis com a sua própria mão.
Forçada a um movimento involuntário, a mão do médium escrevia sob o impulso imprimido pelo Espírito, sem qualquer interferência da vontade ou do pensamento do médium.
A partir de então, as comunicações de além-túmulo se tornaram sem limites, como o é a correspondência habitual entre os vivos.
Esses fatos levaram os observadores a reconhecer, sem qualquer dúvida, a intervenção inteligente dos Espíritos.
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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
Allan Kardec participou, pela primeira vez, numa reunião dos fenômenos das mesas girantes, em maio de 1855, na casa da senhora Plainemaison.
Ali, viu pessoalmente as mesas que giravam, saltavam e corriam em tais condições que não deixam lugar para qualquer dúvida sobre a realidade dos fenômenos. Assistiu ainda a alguns ensaios muito imperfeitos de escrita mediúnica, numa ardósia, com o auxílio de uma cesta.
Então, decidiu estudar a fundo os fenômenos, para identificar as suas causas verdadeiras. Assim, passou a frequentar as reuniões que eram realizadas na casa da senhora Plainemaison.
Nessas reuniões, conheceu a família Baudin que realizava também sessões regulares de comunicação com os Espíritos em seu próprio ambiente doméstico.
Pelo interesse que Allan Kardec demonstrava no estudo dos fenômenos espíritas, foi convidado para assistir as sessões que eram realizadas na casa da família Baudin. Assim, tornou-se nelas um frequentador muito assíduo.
As duas filhas do senhor Baudin, Caroline, de 16 anos de idade, e Julie, de 14 anos de idade, serviam de médiuns nas reuniões, prestando-se à produção de uma grande variedade de manifestações dos Espíritos.
Nessas sessões na casa do senhor Baudin, Allan Kardec convenceu-se da veracidade das comunicações dos Espíritos; da imortalidade da alma e da sua sobrevivência à morte do corpo material, já que os Espíritos são as almas dos homens que morreram; e que em suas comunicações inteligentes, os Espíritos podem responder às perguntas que lhes forem dirigidas, dar conselhos oportunos e revelar as suas condições de vida no mundo dos Espíritos.
Então, Allan Kardec passou a levar para as reuniões perguntas previamente elaboradas para obter dos Espíritos a solução para inúmeros problemas até então insolúveis nos campos da filosofia, da psicologia e da vida no mundo espiritual.
As perguntas complexas apresentadas por Allan Kardec eram respondidas pelos Espíritos com sabedoria, clareza, precisão, profundeza e lógica.
Então, Allan Kardec teve a idéia de reunir num livro as suas perguntas e as respostas dadas pelos Espíritos, para a instrução das pessoas em geral.
Além de frequentar as reuniões espíritas na casa do senhor Baudin, Allan Kardec passou também a ir nas reuniões sérias que eram realizadas na casa do senhor Roustan, tendo a senhorita Ruth Céline Japhet, de 18 anos de idade, como médium para as manifestações inteligentes dos Espíritos.
Nessas reuniões, Allan Kardec encontrou um campo propício para o desenvolvimento de suas pesquisas; para propor questões espinhosas aos Espíritos; e aprimorar o conteúdo do livro que tinha em mente elaborar e publicar. Nesse sentido, a extraordinária mediunidade da senhorita Japhet prestou-se de forma formidável e confiável.
Mesmo assim, Allan Kardec decidiu colher as respostas de muitos outros Espíritos para as suas questões, através de diferentes médiuns. Para isso, frequentou inúmeras reuniões espíritas, conhecendo muitos médiuns.
Entre os médiuns que se prestavam às manifestações inteligentes dos Espíritos, Allan Kardec conheceu a médium senhorita Hermance Dufaux, que possuía apenas quatorze anos de idade.
Ela havia psicografado o primeiro livro espírita escrito por um Espírito. Tratava-se do livro “História de Joana D’Arc ditada por ela mesma à senhorita Hermance Dufaux”.
Allan Kardec, na “Revista Espírita” de março de 1858, publicou um artigo informando aos leitores a existência de outro livro espírita: “Confissões de Luís XI –História de sua vida-, ditada por ele mesmo à senhorita Hermance Dufaux”. Esse livro foi escrito em apenas 15 dias, formando um grosso volume.
As obras publicadas por Allan Kardec, a partir de então, reuniram provas incontestáveis da enorme variedade e grandiosidade das manifestações inteligentes dos Espíritos, através de diferentes médiuns.
Com o passar do tempo, as manifestações inteligentes dos Espíritos foram deixando para trás as suas manifestações físicas.
Allan Kardec, a respeito disso, escreveu o seguinte na “Revista Espírita” de julho de 1867:
“Um outro sinal de progresso não menos característico é a pouco importância que, por toda a parte, os adeptos, mesmo nas classes menos esclarecidas, ligam aos fatos de manifestações extraordinárias.”
“Se efeitos desse gênero se produzem espontaneamente, constata-se-os, mas não se comovem, não os procuram e, ainda menos, tratam de os provocar.”
“Apegam-se pouco àquilo que apenas satisfaz aos olhos e à curiosidade.”
“O objetivo sério da doutrina, suas consequências morais, os recursos que ela pode oferecer para alívio do sofrimento, a felicidade de reencontrar parentes ou amigos que se perdeu, conversar com eles, escutar conselhos que vêm dar, constituem o objetivo exclusivo e preferido das reuniões espíritas.”
“Mesmo no campo e entre os artífices, um poderoso médium de efeitos físicos seria menos apreciado que um bom médium escrevente dando, por comunicações raciocinadas, a consolação e a esperança. O que se busca na doutrina é, antes de tudo, o que toca o coração.”
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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”
As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.
26/abril/2011 =SEGUNDA PARTE, CAP. I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA.
19/outubro/2011 = SEGUNDA PARTE, CAP. II: MANIFESTAÇÕES FÍSICAS E MESAS GIRANTES.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM "O LIVRO DOS ESPÍRITOS": RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO III: RETORNO DA VIDA CORPÓREA À VIDA ESPIRITUAL
Geziel Andrade
1 – A ALMA APÓS A MORTE
No instante da morte do corpo material, a alma retorna ao mundo dos Espíritos, de onde havia saído temporariamente para progredir em termos intelectuais e morais.
Assim, a alma conserva a sua individualidade após a morte e jamais a perde.
Com a perda do corpo material, a alma constata a sua individualidade pela manutenção de seu corpo fluídico, chamado de perispírito, que é formado com elementos sutis da atmosfera do planeta e tem a mesma aparência da sua última encarnação.
Ao deixar a vida material, em decorrência da morte, a alma leva consigo a lembrança dos acontecimentos e dos atos praticados, experimentando o desejo de ir para um mundo melhor.
Após ter entrado no mundo espiritual, essa lembrança que leva da sua vida corpórea é cheia de doçura ou de amargor, segundo o emprego bom ou mal que deu à sua jornada terrena.
Quanto mais elevada e pura for a alma, menos se prende às coisas materiais que deixou na Terra e mais rapidamente compreende a futilidade delas.
As comunicações que os Espíritos podem manter com os homens, através de médiuns, atestam a imortalidade, a sobrevivência e a individualidade da alma após a perda do seu envoltório corporal.
Essas comunicações dos Espíritos revelam sua inteligência, suas qualidades próprias, a consciência do eu e uma vontade distinta.
Efetivamente, os Espíritos são seres individuais e distintos porque são bons ou maus, sábios ou ignorantes, felizes ou desgraçados. Assim, apresentam-se aos homens alegres ou tristes, levianos ou sérios, etc.
Os Espíritos dão ainda aos homens provas de sua individualidade quando:
• Revelam sua identidade através de sinais incontestáveis;
• Recordam detalhes pessoais relativos à sua vida terrena, os quais podem ser constatados;
• E manifestam-se tais quais foram, quando de suas aparições.
Portanto, a vida do Espírito é eterna. Já a sua vida corpórea é transitória.
A morte apenas promove a volta da alma à vida eterna.
2 – SEPARAÇÃO DA ALMA E DO CORPO MATERIAL
A morte do corpo material não causa sofrimento para a alma que vê chegar ao fim o seu exílio na vida corpórea.
A morte promove o desprendimento da alma do seu corpo transitório, pois rompe os liames que a retinham na vida material.
Mas, esse desprendimento ocorre gradualmente. Então, o Espírito vai se desprendendo pouco a pouco, à medida que os liames se soltam.
Dessa forma, para a alma, a morte é apenas a destruição do corpo material. Ela se separa do corpo com a cessação da vida orgânica; mas leva consigo o seu perispírito que a ligava ao corpo e que se soltou.
A lentidão com que se processa o desprendimento da alma do seu corpo material é variável segundo cada indivíduo.
Para a alma que praticou o bem e as virtudes na vida material, o processo de libertação é bastante rápido, podendo ocorrer mesmo na agonia, com o corpo material mantendo apenas a vida orgânica.
Já para a alma que se prendeu às coisas materiais e à sensualidade, o desprendimento é mais demorado, podendo durar, às vezes, alguns dias, semanas e até mesmo meses.
Esse desprendimento lento é devido à afinidade criada entre o perispírito e o corpo material, em razão da preponderância que a alma deu às coisas materiais.
Dessa forma, quanto mais a alma estiver identificada com as coisas materiais, mais sofrerá para se separar do corpo material.
No caso específico de morte por suicídio, esse desprendimento é, geralmente, bastante complicado.
Quando o Espírito que fez o mal durante a vida terrena se vê no mundo dos Espíritos, sente-se envergonhado de o haver feito.
Já para a alma que cultivou as atividades intelectuais e morais e que manteve os pensamentos elevados, o desprendimento começa mesmo durante a sua vida corpórea, a ponto de ser quase instantâneo.
Essa alma, quando sente que os liames que a prendem ao corpo material estão se desprendendo, emprega seus esforços para apressar a sua libertação.
Uma vez parcialmente separada da vida material, consegue antever o seu futuro e gozar por antecipação do estado de Espírito.
E a alma do homem justo se sente aliviada por não recear na nova fase da vida nenhum olhar perquiridor.
Uma vez no mundo dos Espíritos, a alma reencontra as pessoas que conheceu na vida material e que morreram antes dela, segundo a afeição que reciprocamente mantiveram.
Quase sempre, os Espíritos amigos vêm recebê-la na sua volta ao mundo dos Espíritos e a ajudam a se libertar das faixas da matéria.
A alma que retorna à vida espiritual reencontra muitos amigos que tinha perdido de vista durante a sua passagem pela vida material. Vê também os Espíritos que se encontram na vida espiritual e pode ainda visitar os Espíritos que se encontram encarnados.
Cada tipo de morte do corpo material causa um impacto diferente no momento do desprendimento da alma.
Na morte violenta, o perispírito estando fortemente ligado ao corpo material e as forças vitais estando bastante ativas, os liames que unem o envoltório material ao perispírito são mais tenazes e o desprendimento completo torna-se mais lento.
3 – PERTURBAÇÃO ESPÍRITA
Em seguida à morte do corpo material, a alma, geralmente, não tem consciência imediata de si mesma. Ela fica perturbada por algum tempo.
Mas, a duração dessa perturbação depende da elevação moral da alma.
Quando ela já se depurou e se desprendeu das coisas materiais durante a sua vida corpórea, reconhece-se quase imediatamente. A perturbação que se segue à morte do corpo material nada tem de penosa para a alma do homem de bem que mantém a sua consciência pura.
Por outro lado, a alma do homem que se prendeu às coisas materiais e não manteve a consciência pura conserva por muito mais tempo a impressão da matéria.
Dessa forma, a alma que compreende antecipadamente as realidades da vida espiritual experimenta menor perturbação com a morte do corpo material e entende mais depressa a sua nova posição; mas são a prática do bem e a pureza de consciência que reduzem a duração dessa perturbação decorrente da morte.
Portanto, toda alma que deixa o seu corpo material em decorrência da morte precisa de algum tempo para se reconhecer na vida espiritual. Tanto a lucidez das ideias, quanto a memória do passado voltam à medida que a influência da matéria vai se extinguindo.
Nos casos de morte violenta, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia, ferimentos, etc, a alma tem maior dificuldade em aceitar e reconhecer que o seu corpo material morreu. Ela mantém a ilusão de que continua na vida corporal.
Somente depois do completo desprendimento do Espírito, reconhece o seu novo estado; compreende que não mais faz parte do mundo dos vivos; continua a pensar, a ver e a escutar; e se percebe num corpo sutil semelhante ao que deixou na Terra.
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CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO
O Espiritismo faz uma clara distinção entre o universo material, no qual a alma entra com o nascimento do seu corpo transitório obtido pela lei da reprodução, e o universo espiritual, no qual foi criada por Deus e para o qual retorna com a morte após ter cumprido a sua jornada evolutiva.
Assim, o Espiritismo mostra que o homem não é apenas um corpo material perecível. É formado também pela alma imortal, que detém todas as faculdades intelectuais e morais em permanente processo de desenvolvimento; e pelo perispírito, que é o seu corpo espiritual, que inclusive a permite unir-se ao seu envoltório corporal durante a sua vida terrena.
Com os princípios do Espiritismo, aprendemos a:
• Fazer um bom uso da vontade e do livre-arbítrio na vida corporal para cumprir adequadamente a programação evolutiva;
• Progredir escolhendo as atividades intelectuais e morais nobres que garantem a ascensão na hierarquia espiritual, que é a verdadeira;
• Suportar com coragem, resignação, esperança e confiança em Deus as missões, provas, tribulações e sofrimentos da vida terrena, pois são experiências que educam e aprimoram a alma imortal;
• Praticar as virtudes e o bem em observância às Leis de Deus para o indispensável crescimento moral;
• Ter desapego das coisas materiais e da sensualidade para evitar os condicionamentos e as influências nefastas da matéria e não comprometer a evolução da alma;
• Manter os sentimentos e pensamentos elevados para melhorar o mundo íntimo e manter as atitudes, condutas e ações elevadas;
• Ter a preocupação de registrar na memória apenas bons atos praticados conscientemente com a realização das boas obras;
• E conservar a consciência pura pelo cumprimento honesto e responsável dos deveres morais e pela prática da justiça, do amor e da caridade.
Com isso, atingimos o verdadeiro objetivo da vida material; alcançamos o rápido desprendimento da alma do corpo material, independentemente do que possa causar a sua morte; passamos de modo breve pela perturbação que se segue à morte, sendo apenas um sono leve com um despertar feliz; obtemos a libertação, a volta da lucidez e o reconhecimento na vida espiritual sob o amparo dos Espíritos bons, amigos e familiares; e experimentamos de modo sereno, alegre e feliz a continuidade da vida da alma após o seu retorno ao mundo espiritual, mantendo atividades nobres.
Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, deu ao Espiritismo as bases cristãs que permitem ao homem conquistar o progresso religioso e moral e os méritos que lhe garantem desfrutar das bem-aventuranças na continuidade da vida da sua alma no reino dos céus.
E no livro “O Céu e o Inferno”, detalhou os aspectos do retorno da alma à vida espiritual, demonstrando:
• A situação dos Espíritos de todas as classes na hierarquia espiritual;
• Como o perispírito desempenha o papel de agente da justiça divina ao permitir com que cada alma receba de forma justa na vida espiritual segundo as suas próprias obras terrenas;
• Como a perturbação que se segue à morte do corpo material varia bastante, dependendo do grau de evolução moral e espiritual de cada alma que desencarna;
• A enorme variedade de ocorrências que as almas experimentam em função de seus méritos ou vícios, classificando os Espíritos como felizes, de condição mediana, sofredores, suicidas, criminosos arrependidos e endurecidos no mal;
• As fases que a alma enfrenta com o despertar na vida espiritual, após a perturbação, passando pela: visão do próprio corpo material inerte; reencontro com os amigos e familiares já falecidos; revisão de todos os fatos que marcaram a sua jornada na vida corporal; constatação da forma humana e aparência da última encarnação no perispírito; melhoria das percepções; satisfação decorrente do cumprimento dos deveres morais; arrependimento e sofrimentos decorrentes da prática do mal; entendimento das expiações sofridas na vida terrena em função dos erros cometidos em vidas passadas; e aceitação das atividades incessantes que precisam ser mantidas na vida eterna.
Dessa forma, temos todos os mistérios da vida da alma após a morte do corpo material desvendados, com base nas revelações concordes feitas pelos próprios Espíritos, através de diferentes médiuns.
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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”
Os artigos com as principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Espíritos” foram publicadas neste mesmo blog e podem ser consultadas nas seguintes datas:
Introdução = 30/janeiro/2009.
Prolegômenos = 09/abril/2009.
Capítulo I: Deus = 07/julho/2009.
Capítulo II: Elementos Gerais do Universo = 08/fevereiro/2010.
Capítulo III: Criação = 18/junho/2010.
Capítulo IV: Princípio Vital = 09/setembro/2010.
2ª. Parte, Cap. I: Dos Espíritos = 01/abril/2011.
2ª. Parte, Cap. II: Encarnação dos Espíritos = 04/outubro/2011.
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