quarta-feira, 14 de julho de 2010

"O LIVRO DOS MÉDIUNS", CAP IV: SISTEMAS



PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, PRIMEIRA PARTE: NOÇÕES PRELIMINARES; CAPÍTULO IV: SISTEMAS


Geziel Andrade

Fotos: Fotos do famoso médium escocês Daniel Dunglas Home (1833 a 1886). Sua extraordinária mediunidade de efeitos físicos e inteligentes foi referendada por Allan Kardec. Fonte: Google.

Os fenômenos espíritas, embora averiguados por testemunhos irrecusáveis e por experimentadores idôneos, foram, inicialmente, interpretados de maneiras diferentes, em função de idéias pessoais, crenças e preconceitos.

Assim, apareceram numerosos sistemas.

Se os fenômenos espíritas tivessem passado, desde o início, por uma observação mais atenta, teriam sido reduzidos ao seu justo valor.

Os adversários do Espiritismo viram nessa divergência de interpretações e de opiniões um fato contraditório. Eles disseram que os espíritas não concordavam entre si.

Porém, não levaram em consideração que se tratava dos primeiros passos de uma ciência em desenvolvimento, que permitiria a reunião e a coordenação dos fatos; que levaria à observação mais atenta dos fenômenos e ao estabelecimento da unidade de opinião sobre os pontos fundamentais da Doutrina Espírita. Isto aconteceu rapidamente com o Espiritismo.

Bem observados, os fenômenos espíritas foram divididos em duas espécies: os fenômenos de efeitos físicos e os de efeitos inteligentes.

Os adversários do Espiritismo negaram os fenômenos de efeitos inteligentes nas manifestações dos Espíritos, através de médiuns, porque não admitiam a existência dos Espíritos ou de algo além da matéria.

SISTEMA DO CHARLATANISMO. Quanto às manifestações físicas dos Espíritos, os adversários do Espiritismo atribuíram-nas ao sistema de charlatanismo ou esperteza, mistificação e fraude. Porém, jamais levaram em consideração a posição social, o caráter, o saber e a honorabilidade dos médiuns e das pessoas que as estudavam.

SISTEMA DE LOUCURA. Alguns adversários do Espiritismo atribuíram as manifestações físicas dos Espíritos a um sistema de loucura. Fizeram isso, sem terem constatado nenhuma suspeita de fraude; sem motivo para chamarem os espíritas de imbecis; sem terem razões para atribuírem à loucura a causa dos fenômenos espíritas. Apenas invocaram a si o privilégio do bom senso. Porém, embora a criação desse sistema de loucura, o Espiritismo ganhou a preferência da classe mais esclarecida da sociedade.

SISTEMA DE ALUCINAÇÃO: Alguns adversários atribuíram as manifestações físicas dos Espíritos ao sistema de alucinação ou ilusão dos sentidos. Os espíritas tinham a ilusão de ver uma mesa se levantar e se mover no espaço, sem que isso tivesse acontecido. Porém, não levaram em consideração que as testemunhas desse fenômeno constataram a suspensão da mesa passando por baixo dela, o que seria impossível, se ela não tivesse se elevado do chão. Além disso, a mesa se elevava tantas vezes que acabava por se quebrar ao cair no chão. Além disso, se movia com tanta rapidez que era difícil de ser seguida com os olhos. Assim, era impossível qualquer ilusão de ótica.

SISTEMA DO MÚSCULO ESTALANTE. Alguns adversários do Espiritismo admitiram o sistema do músculo estalante, pelo qual os barulhos e golpes ouvidos pelas pessoas nas assembléias espíritas foram atribuídos à ilusão e à mistificação. As contrações voluntárias ou involuntárias do tendão muscular do pequeno perônio produziam estalos imitando tambor e mesmo executando árias ritmadas. Mas essa teoria não explicava como os estalos ocorriam longe da pessoa imóvel; em lugares diversos da mesa; em outros móveis; nas paredes; no forro, etc.

SISTEMA DAS CAUSAS FÍSICAS. Alguns adversários admitiram o sistema das causas físicas, pelo qual os fenômenos são reais, mas as causas foram atribuídas ao magnetismo, à eletricidade e à ação de um fluido qualquer. As pessoas presentes na reunião espírita formavam uma pilha elétrica humana. Porém, os fenômenos não se limitavam aos efeitos puramente mecânicos. Revelavam uma inteligência; obedeciam a uma vontade; respondiam ao pensamento; tinham uma causa inteligente. A constatação dessa ação inteligente por quem fazia um trabalho de observação atenta levou ao abandono do sistema do agente material.

SISTEMA DO REFLEXO. Alguns adversários admitiram o sistema do reflexo, pelo qual existia a ação inteligente, mas ela era do médium ou dos assistentes, numa semelhança com o que ocorre com o reflexo da luz ou das ondas sonoras. Mas, a experiência demonstrou, por fatos positivos, que o pensamento do Espírito que se manifestava era completamente estranho às pessoas presentes na reunião. Geralmente, era mesmo inteiramente contrário ao delas. Contradizia todas as idéias preconcebidas. Desfazia a todas as previsões. Esse sistema do reflexo não explicava como o pensamento refletido podia fazer escrever pessoas que não sabiam escrever. Como pessoas iletradas podiam dar respostas do mais elevado alcance filosófico. Como médiuns podiam responder a perguntas mentais ou formuladas em línguas desconhecidas por eles. Como ocorria o fenômeno da escrita direta numa folha de papel ou escrita feita espontaneamente, sem caneta, nem lápis e sem contato nenhum. Como o pensamento manifestava-se de forma independente de qualquer expectativa e de qualquer questão formulada. Como ocorriam comunicações de revoltante grosseria numa reunião de pessoas sérias.

SISTEMA DA ALMA COLETIVA. Alguns adversários admitiram o sistema da alma coletiva, pelo qual a alma do médium se manifesta após ter se identificado com a de outras pessoas presentes ou ausentes, formando um todo coletivo que reúne as aptidões, a inteligência e os conhecimentos delas. Mas, como conseguir explicar com esse sistema os ensinamentos sobre Deus e sobre as coisas espirituais que estão acima de qualquer conhecimento humano?

SISTEMA SONAMBÚLICO. Alguns adversários adotaram o sistema sonambúlico, pelo qual a alma do médium produz comunicações inteligentes fora do seu conhecimento, porque tem uma super excitação momentânea de suas faculdades mentais; uma espécie de estado sonambúlico ou extático, que exalta e desenvolve a sua inteligência. Porém, basta haver presenciado como opera a maioria dos médiuns para compreender que ela não resolve todos os casos. Certos médiuns escrevem como uma máquina; sem a menor consciência do que obtêm; sem a menor emoção; sem se preocupar com o que faz: ficam inteiramente distraídos, rindo e tratando de outros assuntos. Alguns médiuns escrevem sem saber escrever. Algumas comunicações são transmitidas por pancadas com a ajuda de uma prancheta ou de uma cesta. Muitas comunicações revelam sinais evidentes e incontestáveis de uma inteligência estranha.

SISTEMA PESSIMISTA, DIABÓLICO OU DEMONÍACO. Alguns adversários adotaram o sistema pessimista, diabólico ou demoníaco, pelo qual existe a intervenção de uma inteligência estranha, mas as manifestações são obra diabólica. Somente o diabo ou os demônios podem ser comunicar, mas não os anjos. Assim, a comunicação é possível só com uma parte do mundo invisível.

Porém, com a descoberta de que os Espíritos são apenas as almas dos homens que já viveram na Terra, constatou-se que os Espíritos não são seres criados fora da Humanidade.

Portanto, as almas dos homens não são demônios. As almas dos homens que morreram não se tornaram demônios.

Pelo contrário, a alma de uma criança que morreu pode vir consolar sua mãe e dar-lhe prova de identidade e de afeição.

O Espiritismo comprova que existem Espíritos maus, porque as almas dos homens que foram maus não se melhoram imediatamente, após a morte do corpo material. Mas, não são demônios.

Além disso, por que razão Deus não permitiria a comunicação dos bons Espíritos para contrabalançar a influência dos maus?

Se só os maus Espíritos podem se comunicar, por que eles recomendam a oração a Deus; a submissão à Sua Vontade; suportar as atribulações da vida sem queixar; praticar a caridade e todas as máximas do Cristo?

Se Deus permite as comunicações dos bons Espíritos é para nos aconselhar para o bem.

Por que Deus permite as manifestações da Virgem e de outros santos, através de aparições, visões, comunicações orais, etc, que são reconhecidas pela Igreja, se estão em contradição com a doutrina da comunicação exclusiva dos demônios?

Certamente, os que pretendem que as comunicações são apenas de demônios estão com medo que os Espíritos contrariem suas ideias e seus interesses. Assim, procuram espalhar o medo.

Sendo os Espíritos as almas dos homens, como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos, cujo caráter se reflete em suas comunicações.

Há também Espíritos maus, astuciosos, hipócritas, perversos, etc. contra os quais devemos nos prevenir, como fazemos com esses tipos de homens.

Por essa razão, Deus nos deu a razão e o discernimento.

A compreensão deste ponto, evita os possíveis inconvenientes na prática espírita.

SISTEMA OTIMISTA. Certas pessoas adotaram o sistema otimista, pelo qual só há a manifestação dos Espíritos bons. Pensam que a alma livre do corpo material adquire a soberana ciência e sabedoria.

Porém, a confiança cega na superioridade absoluta dos Espíritos torna-se fonte de numerosas decepções. É indispensável desconfiar de alguns Espíritos, assim como desconfiamos de alguns homens.

SISTEMA UNIESPÍRITO OU MONOESPÍRITO. Certas pessoas adotaram o sistema uniespírito ou monoespírito, pelo qual um único Espírito se comunica com os homens. Esse Espírito é o Cristo, o protetor da Terra.

Porém, quando as comunicações são da mais baixa trivialidade, de uma grosseria revoltante, cheias de malevolência e de maldade, torna-se impossível aceitar que provêm de um Espírito do bem por excelência. Portanto, o bom senso e a experiência rejeitaram esse sistema.

SISTEMA MULTIESPÍRITA OU POLIESPÍRITA. As pessoas que adotaram o sistema multiespírita ou poliespírita fizeram observações completas e bem interpretadas das manifestações dos Espíritos; estudaram seriamente a ciência espírita e aprofundaram seus estudos das comunicações durante longo tempo; perceberam os detalhes e notaram as nuanças delicadas nas manifestações dos Espíritos; e observaram uma infinidade de fatos característicos nas comunicações dos Espíritos.

Dessa observação completa das manifestações e comunicações dos Espíritos resultou a formação da crença espírita, pautada na universalidade dos Espíritos. Essa crença consolidou-se nos seguintes pontos:

1. Os fenômenos espíritas são produzidos por inteligências extracorpóreas, ou seja, pelos Espíritos.
2. Os Espíritos constituem o mundo invisível e estão por toda parte; povoam os espaços até o infinito; há Espíritos incessantemente ao nosso redor e com eles estamos em contato.
3. Os Espíritos agem constantemente sobre o mundo físico e sobre o mundo moral, sendo uma das potências da Natureza.
4. Os Espíritos não são entidades à parte na criação: são as almas dos que viveram na Terra ou em outros mundos, desprovidos do seu envoltório corporal; do que se segue que as almas dos homens são Espíritos encarnados e que ao morrer nos tornamos Espíritos.
5. Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia, de saber e de ignorância.
6. Os Espíritos estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição, mas, como dispõem do livre-arbítrio, alcançam-na dentro de um tempo mais ou menos longo, segundo os seus esforços e a sua vontade.
7. Os Espíritos são felizes ou infelizes, conforme o bem ou o mal que fizeram durante a vida e o grau de desenvolvimento a que chegaram; a felicidade perfeita e sem nuvens só é alcançada pelos que chegaram ao supremo grau de perfeição.
8. Todos os Espíritos, em dadas circunstâncias, podem manifestar-se aos homens, e o número dos que podem comunicar-se é indefinido.
9. Os Espíritos se comunicam por meio dos médiuns, que lhes servem de instrumento e de intérpretes.
10. Reconhecem-se a superioridade e a inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da imperfeição e da ignorância.

Os diversos graus por que passam os Espíritos constam da Escala espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, capítulo I, n. 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a natureza dos Espíritos que se manifestam e suas boas e más qualidades.

SISTEMA DA ALMA MATERIAL. O sistema da alma material admite que a alma e o perispírito não seriam distintos. O perispírito seria a própria alma em depuração gradual por meio das encarnações.

Porém, na Doutrina Espírita, o perispírito é simples envoltório fluídico da alma ou Espírito.

O perispírito é formado de matéria, embora muito eterizada.

A alma e o perispírito são duas partes distintas do ser denominado de Espírito.

Os Espíritos esclarecidos jamais variaram os seus ensinos a respeito da distinção entre a alma e o perispírito.

A existência do perispírito foi revelada pelos Espíritos. Mas foi a observação dos fatos que confirmou a sua existência. Esta se apóia no estudo das sensações dos Espíritos. (O Livro dos Espíritos, Questões 93 e 257.)

A existência do perispírito pode ser constatada no fenômeno das aparições tangíveis, em que se torna perceptível aos sentidos humanos.

A alma ou Espírito, por sua vez, não apresenta nenhuma analogia com a matéria, podendo ser considerada imaterial (O Livro dos Espíritos, Questões 23 e 82.)

REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

Neste Capítulo de “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec nos mostra as interpretações divergentes que surgiram dos fenômenos espíritas, quando começaram a ser observados e estudados.

Além disso, expôs os sistemas que os adversários do Espiritismo lançaram para confundir as pessoas e tentar inibir as manifestações e comunicações com os Espíritos.

Então, Allan Kardec analisando as falhas, deficiências, inconsistências, incoerências e pontos fracos de cada sistema surgido para tentar explicar a causa dos fenômenos espíritas, e comparando-os com suas experiências práticas adquiridas com as comunicações com os Espíritos, foi derrubando por terra um a um. Esses sistemas não resistiram a uma análise profunda; não suportaram as observações completas e bem interpretadas dos fatos espíritas.

Chama a atenção, a criatividade dos adversários do Espiritismo ao criarem sistemas que tentavam contestar a existência da alma no homem, sua sobrevivência e individualidade após morte do corpo material e sua comunicabilidade com os homens, através dos médiuns.

Mas, com o sistema multiespírita ou poliespírita, alicerçado em observações completas e nas análises acuradas, todas as questões foram resolvidas com bom senso, lógica e consistência. Assim, prevaleceu sobre os demais sistemas, comprovando a solidez dos princípios da Doutrina Espírita.

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NOTA: Com este artigo, encerramos o estudo das principais lições contidas nos Quatro Capítulos que compõem a Primeira Parte: Noções Preliminares, de “O Livro dos Médiuns”.

As principais lições contidas nesses primeiros quatro Capítulos foram publicadas neste blog em 24/abril/2009; 05/agosto/2009; 02/março/2010; e 14/julho/2010.

Nesses quatro Capítulos, Allan Kardec ressaltou que:
• É indispensável uma observação atenta das manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos e um estudo sério e completo dos princípios do Espiritismo para que o adepto não enfrente dificuldades e desilusões ao entrar em comunicação com os Espíritos, através de médiuns.
• A existência de Deus e a existência da alma no homem são a base do Espiritismo.
• A existência da alma no homem é o ponto de partida para a compreensão do Espiritismo.
• As manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos dão provas patentes da existência da alma no homem e da sua sobrevivência e individualidade após a morte do corpo material.
• Os Espíritos são, portanto, as almas dos homens, despojadas do seu envoltório corporal.
• O Espírito é o ser inteligente e pensante que sobrevive à morte do invólucro corporal, sendo este apenas um acessório.
• O Espírito conserva sempre a inteligência, a qual constitui a sua essência.
• O Espírito possui um envoltório semimaterial chamado de perispírito, o qual tem a mesma forma humana.
• Em suma, o Espírito é a alma dos que viveram na vida corporal e aos quais a morte despojou de seu envoltório grosseiro e visível, deixando-lhe apenas um envoltório etéreo, invisível no seu estado normal.
• Os Espíritos podem se comunicar com os homens, que são Espíritos revestidos com um corpo material.
• Os fenômenos espíritas têm como princípio a existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo material e suas manifestações aos homens.
• Nada há de maravilhoso ou de sobrenatural nas manifestações e comunicações dos Espíritos, porque estão nas leis da Natureza.
• Sendo os Espíritos as almas dos homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos.
• Há Espíritos de todos os graus de bondade e de malícia; de saber e de ignorância.
• Todos os Espíritos estão submetidos à lei do progresso e alcançam em maior ou menor tempo a perfeição.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS", CAP.III: CRIAÇÃO


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, PRIMEIRA PARTE, CAPÍTULO III: CRIAÇÃO.


Geziel Andrade

I – FORMAÇÃO DOS MUNDOS

O Universo é composto por mundos que vemos e que não vemos; por seres animados e inanimados; por astro que se movem no espaço; e por fluidos que preenchem o espaço.

O Universo não foi feito por si mesmo, nem é obra do acaso.

Deus criou o Universo em decorrência de Sua Vontade todo poderosa.

Os mundos que existem no Universo foram formados pela condensação da matéria sutil existente no espaço. Eles e os demais corpos e seres existentes estão em constante renovação.

II – FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS

A Terra começou a ser povoada com seres vivos apropriados ao estado do globo, após a sua formação.

Ela já continha os germes dos seres vivos que esperavam o momento favorável para se desenvolver.

Quando surgiu o momento propício à eclosão da vida, os germes primitivos de cada espécie, em estado latente e inerte, se reuniram e multiplicaram; transmitiram as suas características segundo as leis da reprodução; e formaram os germes de todos os seres vivos.

Na Questão 45, Allan Kardec perguntou aos Espíritos superiores onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra. A resposta foi clara:

“-Estavam, por assim dizer, em estado fluídico no espaço, entre os Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começarem uma nova existência sobre um novo globo.”

Dessa forma, os elementos orgânicos e os germes primitivos dos seres vivos não surgiram primeiramente na Terra. Já existiam no Universo e esperavam o momento oportuno para povoarem este novo planeta.

Allan Kardec formulou e respondeu à seguinte questão:

“Esta formação dos seres vivos, saindo do caos pela própria força da Natureza, tira alguma coisa à grandeza de Deus? Longe disso, corresponde melhor à idéia que fazemos de seu poder, a exercer-se sobre os mundos infinitos através de leis eternas.”

III – POVOAMENTO DA TERRA. ADÃO

A Terra foi sendo povoada com seres vivos adequados ao estado de evolução do globo. Adão não foi o primeiro nem o único homem a povoar a Terra, cerca de quatro mil anos antes de Cristo.

Muitos progressos da Humanidade já haviam ocorrido muito antes dessa data antes de Cristo. Assim, eles contradizem a teoria da existência de Adão, como primeiro e único homem.

IV – DIVERSIDADE DAS RAÇAS HUMANAS

As diferenças físicas e morais que distinguem as diversas raças humanas surgiram em função do clima, do estilo de vida e dos hábitos adquiridos em lugares diferentes e distantes.

O homem surgiu em diversos pontos da Terra e em diversas épocas, propiciando a diversidade das raças.

Depois disso, o homem se dispersou pelos diferentes climas, aliando-se os de uma raça aos de outras. Assim, foram formados novos tipos humanos.

Embora esse fato, os homens pertencem à mesma família ou espécie primitiva. Adicionalmente, todos os homens são irmãos em Deus. Eles são animados pelo Espírito criado por Deus, tendendo para o mesmo alvo, que é a perfeição intelectual e moral.

V – PLURALIDADE DOS MUNDOS

Os globos que circulam no espaço são habitados. Assim, o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição.

Os homens que acreditam que este pequeno globo chamado Terra tem o privilégio de ser habitado por seres racionais; que acreditam que Deus criou o Universo somente para eles, revelam orgulho e vaidade.

Acreditar que os seres vivos estejam limitados à Terra é por em dúvida a sabedoria de Deus. Ele nada fez de inútil e destinou os mundos existentes no Universo a um fim mais sério do que o de apenas alegrar os olhos humanos.

Os seres que habitam os diferentes globos do Universo não têm semelhanças na constituição física. Isso fica claro quando vemos, na própria Terra, que os peixes foram feitos para viver na água e que eles não se assemelham com os pássaros que foram feitos para flutuar no ar.

Além disso, alguns mundos possuem fontes de luz e calor independentes do Sol. Então, os seres vivem de maneira e com órgãos diferentes dos homens terrenos. Eles têm características próprias aos meios em que têm de viver.

VI – CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS REFERENTES À CRIAÇÃO

Os homens foram estabelecendo idéias sobre a Criação em função do grau de evolução de seus conhecimentos.

A Ciência veio recentemente estabelecer os seguintes pontos, eliminando erros de interpretação:

1. Os fósseis demonstram que o homem chamado Adão não foi o primeiro nem o único tronco da Humanidade.
2. O movimento da Terra no espaço é contrário ao que está narrado nos textos sagrados.
3. A Geologia e os fósseis mostram que a criação do mundo não se deu em seis dias, a partir do nada, há cerca de quatro mil anos antes da era cristã.
4. O dilúvio de Noé, com seus descendentes, não foi um grande cataclismo universal ocorrido 1654 anos após a formação do mundo, ou há 2350 anos antes da era cristã.
5. Pela Ciência, a Terra foi criada segundo a lei de forças naturais, em alguns milhões de anos.
6. A Ciência admite ainda a existência do homem antes da época que lhe é assinalada na Bíblia; a diversidade na origem da espécie humana; o dilúvio de Noé como uma catástrofe parcial.

Allan Kardec esclareceu que essas descobertas científicas não diminuem o poder de Deus; não contestam a onipotência nas leis eternas que Deus estabeleceu para reger os mundos; não rebaixam a obra divina, que é grandiosa e está de acordo com o poder e a majestade de Deus; de forma alguma, desmentem a essência das idéias religiosas e morais, que podem marchar ao lado da Ciência.

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REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO.

As revelações dos Espíritos superiores, a respeito da Criação, feitas através de diferentes médiuns, e codificadas por Allan Kardec, além de andarem lado a lado com as descobertas científicas, abrem novos campos para descobertas e conhecimentos humanos.

O Espiritismo, ao desvendar as relações existentes entre as duas partes do Universo, tem uma dimensão e uma abrangência que extrapola qualquer idéia, imaginação, criatividade ou ciência humana. Isto fica bem evidente com o detalhamento dos seguintes pontos:

DEUS: O Universo não é obra do nada ou do acaso. É Obra de Deus, que com seus Atributos Divinos, criou tudo o que existe. Assim, Deus dirige a Obra da Criação e está, evidentemente, acima do Universo e da Humanidade.

UNIVERSO: O Universo não tem a abrangência limitada que a Ciência lhe dá. O universo material é apenas parte do Universo formado pela transformação e condensação da matéria elementar primitiva.

Pelo Espiritismo, o Universo pode ser separado em universo material e universo espiritual. Este também é formado por aquela mesma matéria transformada e condensada, porém em um estado mais sutil.

Portanto, esses dois universos são apenas partes de um Universo único e infinito.

Assim, Deus, com a criação de apenas um elemento primitivo, denominado no Espiritismo de fluido cósmico universal ou matéria elementar primitiva, permitiu as modificações, transformações e condensações em suas partículas elementares, formando o Universo. Este, como já dissemos, pode ser dividido em universo material e universo espiritual, em função do grau de densidade daquela matéria primitiva.

Essas duas partes do Universo estão em permanente inter relação. Porém, o universo espiritual é o mais importante, por abrigar os Filhos de Deus: os Espíritos imortais.

ESPÍRITOS: Deus não cria os Seus Filhos no universo material em corpos materiais. Ele os cria como Espíritos, no universo espiritual, dotados do princípio inteligente em permanente processo de evolução intelectual e moral, até que atinjam a perfeição espiritual.

INTER RELAÇÃO ENTRE O UNIVERSO MATERIAL E O UNIVERSO ESPIRITUAL: Em seu processo evolutivo, os Espíritos passam do universo espiritual para o universo material, através da necessidade da encarnação em corpos materiais, em mundos materiais, para trabalharem para o seu progresso e o destes mundos.

Assim, trazem para a vida material todas as suas faculdades, potências, habilidades e experiências, influindo no progresso da Humanidade.

Quando o corpo material morre, eles voltam para a vida verdadeira, que é no universo espiritual.

Assim, o homem não é apenas corpo material, mas um Espírito encarnado.

MUNDOS MATERIAIS: No Universo existe a pluralidade dos mundos materiais habitados por Espíritos encarnados.

Antes mesmo da existência da Terra, muitos outros mundos já serviram para o processo de evolução intelectual e moral dos Espíritos, permitindo-os atingir a perfeição.

Assim, a vida não é privilégio do planeta Terra, mas algo comum nas duas partes do Universo.

CONCLUSÃO: Com o Espiritismo temos essa visão abrangente, grandiosa e infinita do Universo, com Deus acima de tudo.

Com isso, a Doutrina codificada por Allan Kardec, em função dos ensinamentos dos Espíritos superiores, através de diferentes médiuns, promove uma profunda revolução nas idéias científicas, filosóficas, religiosas e morais, estabelecendo novos paradigmas que transformam e dão novos rumos para o progresso da Humanidade.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

BOM TOM ESPÍRITA


BOM TOM ESPÍRITA


Geziel Andrade

Mensagem da Foto:
Aplicar o bom tom para florir na vida.

“De nada valem bons verbos
E códigos de bom tom,
Se vives falando a esmo
Sem praticar o que é bom”.

(Casimiro Cunha/F.C.Xavier,
No livro “Coletânea do Além”.)

A educação espírita prepara-nos para usarmos bem as faculdades da alma e darmos o bom tom em todos os momentos de nossa convivência e de nosso relacionamento com os semelhantes.

Assim, não ficamos apenas nas boas intenções e palavras bonitas. Partimos para a prática do bem e das boas ações, destacando-nos como pessoas simpáticas, gentis, agradáveis, fraternas e úteis para os que nos cercam.

Com a Doutrina Espírita, compreendemos que é de bom tom ter boas maneiras nos modos de ser, sentir, pensar, falar e agir, seguindo Jesus como modelo e guia e nos espelhando em pessoas virtuosas e educadas, como o foi Chico Xavier.

Assim:
1. Comunicamo-nos com elegância e sabedoria;
2. Sabemos ouvir, dar atenção e discutir com nobreza moral as crenças, convicções, opiniões e idéias diferentes das nossas;
3. Esclarecemos as dúvidas alheias com paciência;
4. Demonstramos profundo respeito ante as situações difíceis enfrentadas pelo próximo, procurando amenizar suas provações e dificuldades com o espírito fraterno;
5. Desempenhamos com satisfação e responsabilidade as tarefas que nos foram confiadas;
6. Pedimos humildemente desculpas quando caímos em algum erro;
7. Sustentamos a convivência pacífica, com o entendimento amplo das condutas alheias;
8. Demonstramos gratidão pelos pequenos favores recebidos;
9. E trabalhamos espontaneamente e com alegria pelo progresso geral, favorecendo a todos.

No Movimento Espírita, encontramos muitos livros que nos ensinam a dar o bom tom em todas as ocasiões.

Como exemplo, temos as páginas do notável livro “Agenda Cristã”, de autoria do Espírito André Luiz, e psicografia de Chico Xavier.

Nesse livro, aprendemos que é de bom tom espírita:
1. Ensinar exemplificando;
2. Amar edificando;
3. Falar construindo;
4. Perdoar, extinguindo o mal;
5. Beneficiar, agindo com humildade e simplicidade;
6. Trabalhar com honestidade;
7. Expandir o bem, difundindo a generosidade;
8. Servir sem fazer exigências ou esperar recompensas;
9. Socorrer o aflito, restabelecendo a esperança e a alegria na alma ferida;
10. Orar em favor do próximo, mesmo sendo ele nosso inimigo;
11. Aproveitar bem o tempo, conquistando a prosperidade;
12. Viver trabalhando e estudando, buscando o progresso material, moral e espiritual.

Portanto, no meio espírita não nos faltam códigos de bom tom.

Porém, não devemos só difundi-los pela palavra, mas principalmente dando o bom exemplo.

Fazemos isto, semeando o que é bom e colocando em prática o bem e as virtudes, em todos os momentos na família, no ambiente de trabalho e na vida social.

Esses momentos de convivência e relacionamento são oportunidades valiosas para iluminarmos os corações; fortalecermos os laços de amizade; e difundirmos a fraternidade com os atos de bondade e os gestos de amor e carinho. Isto é realmente o bom tom aplicado no cotidiano.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

EDUCAÇÃO DA VONTADE


EDUCAÇÃO DA VONTADE

Geziel Andrade

A educação da vontade é um dos pontos mais importantes da educação espírita.

Ela nos ensina que, antes de tudo, à semelhança de Jesus, devemos colocar a nossa vontade em consonância com a Vontade todo-poderosa de Deus, atendendo às seguintes lições do Mestre:
1. “Seja feita a tua Vontade, assim na terra como nos céus”
2. “Entrará no reino dos céus, aquele que faz a Vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Em função disso, o Espírito Emmanuel ensinou-nos o seguinte, no livro “Mensagens Esparsas”, psicografado por Chico Xavier:
“Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos e a Vontade Divina os aproveitará”.

LIÇÕES DE ALLAN KARDEC

Allan Kardec, em sua maravilhosa obra de constituição do Espiritismo, nos legou os seguintes ensinamentos que servem de base para a educação da vontade:
1. “A vontade é o pensamento chegado a um certo grau de energia e tornado força motriz”.
2. “Pela vontade o Espírito imprime aos membros e ao corpo movimentos num determinado sentido. Mas se ele tem a força de agir sobre os órgãos materiais, maior deve ser esta força sobre os elementos fluídicos que nos cercam!” (“Revista Espírita” de dezembro de 1868).
3. “A vontade dá aos fluídos espirituais que nos cercam qualidades boas e saudáveis ou más e doentias”. (“Revista Espírita” de março de 1865).
4. “Com a vontade, podemos agir sobre a matéria elementar e, portanto, modificar as propriedades das coisas dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de curar pelo contato e a imposição das mãos, que algumas pessoas possuem num elevado grau”. (Item 131 de “O Livro dos Médiuns”).
5. “Os Espíritos influem sobre o nosso pensamento; conseqüentemente sobre a nossa vontade e a nossa ação”. (Questão 459 de “O Livro dos Espíritos”).
6. “Nenhum Espírito recebe a missão de fazer o mal; quando ele o faz, é pela sua própria vontade, e conseqüentemente terá de sofrer as conseqüências.” (Questão 470 de “O Livro dos Espíritos”).

Dessa forma, a educação espírita leva em consideração todos esses fatores, nos permitindo exercer a vigilância sobre os pensamentos e a vontade, determinando as nossas boas ações e promovendo intervenções benéficas sobre os elementos materiais e os fluidos espirituais.

LIÇÕES DE LÉON DENIS

Léon Denis, em sua notável obra de ratificação dos princípios do Espiritismo, legou-nos os seguintes ensinamentos que orientam o nosso esforço na educação da vontade:
1. “A vontade é a faculdade soberana da alma; é a força espiritual por excelência, e pode mesmo dizer-se que é a essência da sua personalidade”.
2. “Tudo pode a vontade exercida no sentido do bem e de acordo com as leis naturais. Muito também pode para o mal”.
3. “Para regular o nosso adiantamento, preparar o nosso futuro, fortificarmo-nos ou nos rebaixarmos, é bastante fazer uso da vontade”.
4. “O poder da vontade sobre os fluidos é acrescido com a elevação do Espírito”. (Textos extraídos do livro: “Depois da Morte”).
5. “A alma é uma vontade livre e soberana”.
6. “Através da vontade, demonstramos o que guardamos dentro de nós mesmos”.
7. “A vontade pode atuar com intensidade sobre o corpo fluídico, ativar-lhe as vibrações e, por esta forma, apropriá-lo a um modo cada vez mais elevado de sensações, prepará-lo para mais alto grau de existência”.
8. “A vontade de viver, de desenvolver em nós a vida, atrai-nos novos recursos vitais”.
9. “O uso persistente, tenaz, da faculdade soberana da vontade permite-nos modificar a nossa natureza, vencer todos os obstáculos, dominar a matéria, a doença e a morte”. (Textos extraídos do livro: “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”).

Com base nesses ensinamentos valiosos de Léon Denis, buscamos o aprimoramento do uso da vontade, difundindo a prática do bem e conquistando a prosperidade em termos materiais, pessoais, morais e espirituais.

LIÇÕES DOS BONS ESPÍRITOS

Aqui no Brasil, tivemos muitas orientações dos bons Espíritos, através de diferentes médiuns, mostrando-nos a importância de educarmos a vontade:
1. “Vigie o pensamento e a vontade, para que se desenvolvam e marchem dentro dos moldes do ilimitado bem e jamais se arrependerá”. (Espírito Ismael Souto, na mensagem “Tudo é Atração”, psicografada por Chico Xavier).
2. “Pela simples má-vontade pode o homem rolar indefinidamente ao precipício das trevas. Caminhando prudentemente pela simples boa-vontade a criatura alcançará o Divino Reino da Luz”. (Espírito Emmanuel, no livro “Pão Nosso”, psicografado por Chico Xavier).
3. “Quando a criatura busca manejar a própria vontade, escolhe a companhia que prefere e lança-se ao caminho que deseja”. (Espírito André Luiz, no livro “Libertação”, psicografado por Chico Xavier).
4. “A inteligência humana, encarnada ou desencarnada, pode contribuir, pelo poder da vontade, na educação ou na reeducação de si própria, selecionando os recursos capazes de lhe favorecerem o aperfeiçoamento”. (Espírito Alberto Seabra, no livro “Vozes do Grande Além”, de psicografia de Chico Xavier).
5. “A vontade é a alavanca do destino”. (Espírito André Luiz, no livro “Sol nas Almas”, psicografado por Chico Xavier).
6. “A vontade é sagrado atributo do Espírito, dádiva de Deus a nós outros para que decidamos, por nós, quanto à direção do próprio destino”. (Espírito Emmanuel, no Cap. 57 do livro “O Espírito da Verdade”, psicografado por Chico Xavier).
7. “A Sabedoria do Universo colocou a vontade em nosso foro íntimo, à guisa de juiz supremo, a fim de que a vontade, em última instância, decida todas as questões que se nos referem à construção do destino”. (Espírito Emmanuel, no “Livro da Esperança”, psicografado por Chico Xavier).
8. “A vontade é o leme de todos os tipos de força, pois governa todos os setores da ação mental. Só a vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito”. (Espírito Emmanuel, no livro “Pensamento e Vida”, psicografado por Chico Xavier).
9. “Sem a vontade bem direcionada, não há vida saudável. É a vontade que nos permite transformar instintos em sentimentos; hábitos doentios em saúde; e conquistar a beleza e concretizar os ideais humanos”. (Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Triunfo Pessoal”, psicografado por Divaldo P. Franco).
10. “Possuis todos os recursos ao alcance da vontade. Canalizando-a para o bem ou para o mal, fruirás saúde ou doença”. (Espírito Joanna de Ângelis, no livro “Momentos de Felicidade”, psicografado por Divaldo P. Franco).
11. “O melhor remédio, antes de qualquer outro, é a vontade sadia, porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo”. (Espírito André Luiz, no Cap. 32 do livro “O Espírito da Verdade”).

Aprendamos, dessa forma, a controlar a vontade com a educação espírita.

Seguindo essas orientações oportunas dos bons Espíritos, edificamos um modo elevado de pensar e de agir, e criamos o futuro venturoso que tanto almejamos.

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA VOLTADA PARA A EDUCAÇÃO DA VONTADE

Em função dessas lições maravilhosas do Espiritismo, a educação espírita preocupa-se com a educação de nossa vontade.

Assim, descobrimos a receita verdadeira para a criação de um destino próspero, alegre, sadio e feliz.

A vontade bem educada, de acordo com os princípios espíritas:
1. Enobrece a personalidade;
2. Desponta as qualidades pessoais dignas;
3. Seleciona as boas companhias que nos influenciam para o bem;
4. Propicia a obtenção de sucesso nos empreendimentos;
5. Melhora as condições mentais, morais e espirituais que sustentam a harmonia íntima, a boa convivência e o bom relacionamento com todos.

Portanto, investindo na educação da vontade, orientados pelo Espiritismo, revelamos:
1. A vontade de viver, mesmo enfrentando as provas e os momentos difíceis, necessários ao aprimoramento da alma;
2. A vontade de vencer os vícios, de corrigir as imperfeições morais e de eliminar as deficiências pessoais, para melhorar o estado da consciência e despontar qualidades melhores;
3. A vontade de fazer o bem e de ser útil ao próximo para praticar um estilo mais elevado de vida;
4. A vontade de trabalhar e de estudar sempre para acelerar o progresso;
5. A vontade de vencer na vida, sem temer as derrotas que servem de experiências;
6. A vontade de crescer em maturidade, tendo profundo respeito pelos semelhantes e tratando-os fraternalmente como irmãos, filhos de Deus em jornada evolutiva na escola terrena;
7. A vontade de criar um destino cada vez mais próspero, alegre, sadio e feliz, tanto na vida presente, quanto na vida futura.

Esta é a educação da vontade propiciada pela educação espírita.

Com ela atraímos ainda a ajuda dos bons Espíritos, como nos ensinou o querido e notável médium Chico Xavier:
“Os Espíritos da luz, quando percebem a nossa boa vontade, nos auxiliam em tudo e... vamos caminhando”.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

DEUS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO


DEUS: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO

Geziel Andrade

Com o notável trabalho de codificação do Espiritismo, Allan Kardec legou-nos as seguintes lições a respeito de Deus:

DEUS É INFINITO EM PERFEIÇÕES E DIRIGE A SUA OBRA DA CRIAÇÃO COM SEUS ATRIBUTOS DIVINOS:
“Desde que não se pode admitir Deus sem o infinito das perfeições, sem a soberana bondade e justiça; desde que se tem sob os olhos, incessantemente, provas de sua solicitude pelas suas criaturas, deve-se pensar que essa solicitude se estende pelas suas obras e que não podia ter falhado na criação dos Espíritos.” (...) “Desde que não se pode conceber Deus sem a perfeição infinita, há que se concluir que o que fez é o melhor. Se ainda não estamos aptos a compreender os seus motivos, certamente, podê-lo-emos mais tarde, num estado de Espírito mais adiantado.” (...) “Não podemos sondar os motivos de Deus, mas podemos observar os efeitos de Suas causas e reconhecer que tudo no Universo é regido por Leis harmônicas, cuja sabedoria e admirável previdência confundem o nosso entendimento.”

DEUS CRIOU OS ESPÍRITOS VOLTADOS AO TRABALHO E ÀS ATIVIDADES INCESSANTES PARA O PRÓPRIO APERFEIÇOAMENTO INTELECTUAL E MORAL, ATÉ QUE ATINJAM A PERFEIÇÃO:
“Se Deus tivesse criado os Espíritos perfeitos, deveria tê-los dotado, desde o instante de sua criação, com a universalidade dos conhecimentos; tê-los-ía isentado de todo trabalho intelectual; mas, ao mesmo tempo, lhes teria tirado toda a atividade que devem desenvolver e pela qual concorrem, como encarnados e desencarnados, ao aperfeiçoamento material dos mundos.” (...) “Por vezes, pergunta-se se Deus não teria podido criar os Espíritos perfeitos, para lhes poupar o mal e todas as suas conseqüências. Sem dúvida, Deus o teria podido, pois é todo-poderoso; e se não o fez, é que, em sua soberana sabedoria, julgou mais útil que fosse de outro modo.”

DEUS PERMITE QUE O ESPÍRITO ATINJA A PERFEIÇÃO ATRAVÉS DAS INÚMERAS EXISTÊNCIAS MATERIAIS:
“Deus, soberanamente justo e bom, concede ao Espírito tantas existências materiais quantas forem necessárias para atingir o seu objetivo, que é a perfeição.”

DEUS MANTÉM EM CONTATO OS ESPÍRITOS DE DIFERENTES GRAUS DE EVOLUÇÃO INTELECTUAL E MORAL PARA QUE TRABALHEM JUNTOS PELO PROGRESSO E EXERCITEM A FRATERNIDADE, A SOLIDARIEDADE E A CARIDADE:
“Deus permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento das faculdades do homem se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. E também a fim de que os homens, necessitando uns dos outros, compreendam a lei de caridade que os deve unir.” (...) “De tempos em tempos, Deus envia à Terra Espíritos superiores que se encarnam a fim de darem um impulso no progresso, acelerando-o.” (...) “Teria Deus dotado os homens de gênio, que ao nascer trazem faculdades transcendentes e conhecimentos inatos, para cujo desenvolvimento basta um pouco de trabalho, com uma alma mais favorecida que a do comum dos homens? Esta suposição é ilógica, porque acusaria Deus de parcialidade. A única solução racional deste problema está na preexistência da alma e na pluralidade das existências corporais.” (...) “Desde que se admita a solicitude de Deus por suas criaturas, por que não admitir que Espíritos capazes de fazer a humanidade avançar, por sua energia e pela superioridade de seus conhecimentos, não se encarnam pela vontade de Deus, visando ajudar o progresso num determinado sentido? Que recebam uma missão? Tal é o papel dos grandes gênios.”

A JUSTIÇA DE DEUS APLICA-SE A TODOS OS ESPÍRITOS:
“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes. Nenhum outro princípio responderia melhor à justiça de Deus. Assim, deu a todos os Espíritos o mesmo ponto de partida, a mesma tarefa a desempenhar para atingir a perfeição.” (...) “Deus não tem favores nem privilégios para nenhuma de suas criaturas. Todos os Espíritos têm um mesmo ponto de partida, e a mesma rota a percorrer, para chegar pelo trabalho à perfeição e à felicidade.”

A JUSTIÇA DE DEUS NÃO FAZ DISTINÇÃO ENTRE O HOMEM E A MULHER:
“Não há duas espécies de almas. Não existe diferença entre a alma do homem e da mulher, senão no corpo material. Assim quis Deus, em sua justiça, para todas as criaturas. Dando a todas um mesmo princípio, fundou a verdadeira igualdade.” (...) “Não existe diferença entre a alma do homem e da mulher, senão no organismo material, que se aniquila com a morte do corpo. Quanto ao Espírito ou à alma, como ser essencial e imperecível, a diferença não existe, porque não há duas espécies de almas.”

A JUSTIÇA DE DEUS SE CUMPRE SEM JAMAIS FALHAR OU ERRAR:
“A justiça de Deus atinge sempre o culpado e, por ser, às vezes, tardia, nem por isso segue menos o seu curso. Se grandes culpados terminam a existência pacificamente e, muitas vezes, na abundância dos bens terrenos, mais cedo ou mais tarde soará a hora da expiação.” (...) “A justiça de Deus jamais falha e, por ser às vezes tardia, nada perde por esperar. Mas, Deus, em sua bondade infinita, jamais condena de maneira irremissível, e sempre deixa aberta a porta do arrependimento. Se o culpado demora a aproveitá-lo, sofrerá por mais tempo”.

A JUSTIÇA DE DEUS NÃO CONTEMPLA PENAS ETERNAS PARA OS ESPÍRITOS CULPADOS:
“A razão repele, como incompatível com a bondade de Deus, a ideia das penas irremissíveis, perpétuas e absolutas, muitas vezes infligidas por uma única falta; repele os suplícios do inferno, que não podem ser abrandados pelo mais ardente e pelo mais sincero arrependimento. A razão se inclina ante a justiça distributiva e imparcial de Deus, que tudo leva em conta e jamais fecha a porta do retorno ao bem.”

A JUSTIÇA DE DEUS, ALIADA À SUA BONDADE E MISERICÓRDIA, NÃO CONDENA UM ESPÍRITO AOS SUPLÍCIOS ETERNOS:
“Deus é soberanamente justo, bom e misericordioso e não condena a suplícios eternos e sem esperança um Espírito por suas faltas temporárias.” (...) “A justiça de Deus se concilia com Sua bondade e Seu amor às criaturas. Ao culpado sempre depende abreviar os seus sofrimentos. A duração do castigo é proporcional à duração do endurecimento no mal.”

A JUSTIÇA DE DEUS ESTÁ SEMPRE ALIADA À BONDADE E À MISERICÓRDIA DIVINAS, PERMITINDO AO ESPÍRITO CULPADO A EXPIAÇÃO E A REPARAÇÃO, EM NOVA EXISTÊNCIA MATERIAL, DOS ERROS COMETIDOS:
“A onipotência, a justiça e a bondade de Deus se conciliam com a possibilidade de deixar o Espírito culpado reparar suas faltas e se erguer através de nova existência material.”

A MISERICÓRDIA DE DEUS É INFINITA:
“Os Espíritos nos dão de Deus uma ideia mais sublime, no-lo apresentando sempre pronto a estender a mão em socorro daquele que reconhece os seus erros, ao qual sempre deixa uma âncora de salvação.”

A JUSTIÇA DE DEUS NÃO FALHA, MAS A BONDADE E A CLEMÊNCIA DE DEUS AMPARAM OS ESPÍRITOS QUE SE ARREPENDEM DOS ERROS COMETIDOS:
“Deus perdoa ao arrependimento dos Espíritos e as penas só serão eternas para os que jamais se arrependerem. Proclamamos, assim, a clemência e a bondade de Deus.”

A JUSTIÇA DE DEUS CUMPRE-SE PARA O ESPÍRITO IMORTAL SEM RESTRIÇÃO DE TEMPO:
“Quem quer que admita um Deus soberanamente justo e bom deve dizer que só agirá com sabedoria, mesmo naquilo que não compreendamos; e que se sofremos uma pena, é porque o merecemos. Se a falta não tiver sido cometida nesta vida, tê-lo-á sido em outra. Assim, a justiça de Deus segue o seu curso.”

A JUSTIÇA DIVINA ABRANGE UMA LARGA DIMENSÃO DO TEMPO:
“Não há uma única infração das Leis de Deus que, mais cedo ou mais tarde, não tenha suas funestas consequências, na Terra ou no mundo dos Espíritos, nesta vida ou na seguinte.”

AS LEIS DE DEUS SÃO IMUTÁVEIS:
“Como leis, as únicas imutáveis são as Leis divinas. Mas as leis humanas, devendo ser apropriadas aos costumes, aos usos, ao clima, ao grau de civilização, são essencialmente mutáveis, e seria mau se assim não o fossem.”

DEUS CONCEDEU AO HOMEM O LIVRE ARBÍTRIO PARA ESCOLHER O CAMINHO DO BEM OU DO MAL, MAS RECEBENDO AS CONSEQUÊNCIAS IMPOSTAS PELA LEI DE CAUSA E EFEITO:
“Deus criou o homem livre para escolher o seu caminho. O homem que tomou o mau caminho o fez por sua vontade e não pode acusar senão a si próprio pelas consequências para si decorrentes.”

AS LEIS DE DEUS DESENCADEIAM CASTIGOS PARA OS VÍCIOS E RECOMPENSAS PARA A PRÁTICA DAS VIRTUDES:
“Não há um vício que não tenha o seu castigo e uma virtude que não tenha sua recompensa, proporcionados ao mérito ou ao grau de culpabilidade, porque Deus leva em conta todas as circunstâncias que possam atenuar o mal ou aumentar o prêmio do bem.”

DEUS AJUDA OS SEUS FILHOS, RESPONDENDO ÀS PRECES, MAS TAMBÉM CADA UM PRECISA AGIR E FAZER O QUE FOR NECESSÁRIO PARA ALCANÇAR O QUE QUER OU NECESSITA:
“Ajuda-te e o céu te ajudará: Deus quer assistir-nos, mas com a condição de que, por nosso lado, façamos aquilo que é necessário”.

A RIGOROSA OBSERVÂNCIA DAS LEIS DE DEUS NOS CONDUZ À FELICIDADE:
“Deus estabeleceu Leis que são inteiramente justas e boas. O homem seria perfeitamente feliz se as observasse escrupulosamente; mas a menor infração a essas Leis causa perturbação cujo contra golpe experimenta. Daí todas as suas vicissitudes. É, pois, ele próprio a causa do mal por sua desobediência às Leis de Deus.”

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REFLEXÕES SOBRE AS LIÇÕES ACIMA APRESENTADAS

De início, gostaria de ressaltar que este artigo deve ser considerado um complemento ao artigo “Principais Lições contidas em O Livro dos Espíritos, Capítulo I: Deus, publicado neste Blog em 07 de julho de 2009.

Portanto, considero que as lições acima apresentadas serão compreendidas melhor se houver, simultaneamente, a leitura do artigo que trata de Deus, no Capítulo I do Livro que constituiu o Espiritismo.

Com os ensinamentos sobre Deus, obtidos por Allan Kardec dos Espíritos superiores, através de diferentes médiuns, a humanidade experimentou um novo salto no entendimento do Senhor do Céu e da Terra, de Seus Atributos, de Suas Leis e da Sua Obra da Criação.

Dessa forma, o Espiritismo complementou os ensinamentos de Jesus a respeito de Deus, adquirindo um maravilhoso aspecto religioso. Com isso, habilitou-nos a entender o Criador de Todas as Coisas e a cumprir, conscientemente, o objetivo desta existência material, que é obter o progresso intelectual e moral que nos permite galgar degraus importantes na verdadeira hierarquia, que é a espiritual.

O Espiritismo, a exemplo de Jesus, coloca Deus acima de todas as coisas. Por isso, nas lições apresentadas, tudo decorre do Pai e Criador de tudo o que existe.

Assim, podemos dizer que a Doutrina Espírita está completamente alicerçada na existência, nos atributos, nas Leis e nas obras de Deus.

Portanto, o Espiritismo tem seus alicerces na mesma base do Cristianismo. Embora isso, dilata ainda mais a nossa consciência a respeito do Pai todo poderoso, como vimos acima.

Além disso, essas lições de Allan Kardec sobre Deus vêm sendo permanentemente corroboradas pelas novas revelações dos bons Espíritos, através de diferentes médiuns, e por muitos estudiosos do Espiritismo.

Léon Denis, com seus notáveis livros, reafirmou todos os conhecimentos espíritas sobre Deus, estabelecidos por Allan Kardec.

Aqui no Brasil, os bons Espíritos, principalmente através da mediunidade de Chico Xavier e de Divaldo Pereira Franco, têm nos descortinado as realidades da vida material e espiritual, colocando Deus acima de tudo, como o Criador e Regente da Obra da Criação, desvendada por Allan Kardec.

Dessa forma, com o entendimento dilatado sobre Deus, propiciado pelo Espiritismo, conhecemos verdadeiramente a nós mesmos e o contexto grandioso em que estamos inseridos.

Assim, buscamos pelo trabalho, boas ações, otimismo e esperança, o progresso intelectual e moral e a conquista que nos cabe fazer da perfeição espiritual e da felicidade irrestrita, que existem na Espiritualidade Superior.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

"HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI"


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI.



Geziel Andrade

“Crede em Deus, crede em mim também. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou para preparar-vos um lugar, e depois que me for, e que vos tiver preparado um lugar, eu retornarei, e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, vós aí também estejais.” (João, Cap. XIV, Vers. 1 a 3.)

DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA VIDA ESPIRITUAL

O Universo é a casa do Pai.

As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito. Elas oferecem aos Espíritos encarnados estadas adequadas ao seu avanço intelectual e moral.

Na vida espiritual, conforme o Espírito seja mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, se situa num estado feliz ou infeliz, com o aspecto das coisas, as sensações experimentadas e as percepções variando ao infinito.

Enquanto uns Espíritos não podem se distanciar da esfera de vida em que viveram como encarnados, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos.

Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os Espíritos justos gozam de uma claridade resplandecente e do sublime espetáculo do infinito.

Enquanto o Espírito mau vive atormentado por remorsos e lamentos, freqüentemente só, sem consolação, separado dos objetos de sua afeição, gemendo sob a opressão dos sofrimentos morais, o Espírito justo, junto dos que ama, saboreia as doçuras de uma felicidade indizível.

Essas são as várias moradas da alma na vida espiritual.

DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

Os diversos mundos habitados estão, uns em relação aos outros, em condições muito diferentes. Essas condições variam em função do grau de adiantamento ou de inferioridade intelectual e moral de seus habitantes, que são Espíritos encarnados.

Entre os mundos materiais, há aqueles cujos habitantes são ainda mais inferiores, em termos físico, intelectual e moral, do que os da Terra.

Existem outros mundos que os Espíritos encarnados estão no mesmo grau de adiantamento que os da Terra. E outros ainda lhe são mais ou menos superiores, em todos os sentidos.

Enquanto nos mundos inferiores à Terra a existência é totalmente material, com as paixões reinando soberanas e a vida moral quase nula; nos mundos mais adiantados a influência da matéria diminui, a ponto de, nos mais avançados, a vida se tornar predominantemente espiritual.

Nos mundos materiais considerados intermediários, há uma mistura entre a prática do bem e do mal, com a predominância de um ou de outro, segundo o grau de adiantamento dos habitantes de cada um deles.

Dessa forma, os mundos habitados podem ser classificados em:
• Mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana.
• Mundos de expiações e provas, nos quais o mal ainda predomina. A Terra ainda pertence a esta categoria de mundos, de modo que o homem está exposto às misérias ainda existentes decorrentes da prática do mal.
• Mundos regeneradores, nos quais as almas, ainda sujeitas a expiações dos erros cometidos, buscam novas forças e descansam das fadigas de suas lutas evolutivas.
• Mundos felizes, nos quais o bem supera o mal.
• Mundos celestes ou divinos, nos quais o bem reina exclusivo.

Os Espíritos encarnados não cumprem num determinado mundo todas as fases do progresso intelectual e moral, que devem conquistar para chegar à perfeição.

Quando eles atingem o grau de adiantamento que um mundo comporta, passam para outro mundo mais avançado. Assim, vão sucessivamente evoluindo até que tenham chegado ao estado de Espíritos puros.

Dessa forma, os Espíritos que se esforçam para progredir são promovidos a um mundo de ordem mais elevada, como recompensa merecida.

Já o Espírito relapso tem que prolongar a sua estada no mundo infeliz, como castigo. Algumas vezes, o Espírito obstinado no mal se vê forçado, como punição, a habitar um mundo ainda mais infeliz do que aquele que teve de deixar.

DESTINAÇÃO DA TERRA. CAUSA DAS MISÉRIAS HUMANAS

Na Terra ainda são encontradas a maldade, as más paixões, as misérias e as enfermidades. Mas é preciso considerar que na Terra não se encontra toda a Humanidade; mas apenas uma pequena fração dela.

A espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo.

Assim, a população da Terra, em seu grau de adiantamento material, intelectual e moral, é muito pequena, se comparada com a população total do Universo.

Mas, os Espíritos encarnados que habitam a Terra, à medida de seu progresso e adiantamento intelectual e moral vão passando a habitar mundos mais felizes.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NO RESUMO DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS SUPERIORES A RESPEITO DOS MUNDOS SUPERIORES E DOS MUNDOS INFERIORES

Um determinado mundo é inferior ou superior em relação aos que estão acima ou abaixo dele na escala progressiva.

Tomando-se a Terra como ponto de comparação, nos mundos mais atrasados, os Espíritos encarnados que os habitam são de certo modo rudimentares. Eles têm a forma humana, pouco desenvolvimento da inteligência, beleza escassa, predomínio dos instintos materiais, preocupação centrada nos alimentos, ausência de sentimento de benevolência e falta de noções do justo e do injusto.

Mas Deus não abandona nenhuma de suas criaturas. Aqueles que se tornam superiores aos outros, trabalham na eclosão de uma vida mais plena. Assim, não são seres degradados, mas crianças em fase de crescimento.

Entre os mundos que se encontram nos graus inferiores e os mundos considerados elevados, existem inumeráveis escalões.

Os Espíritos que evoluíram com as encarnações nesses mundos habitados e se tornaram Espíritos puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, ficaram irreconhecíveis em relação à época em que animaram seres primitivos.

Nos mundos que já atingiram um grau superior ao da Terra, as condições de vida moral e material são muito diferentes. A forma do corpo é a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. A pouca resistência da matéria à exteriorização das faculdades dos Espíritos já bem evoluídos torna rápido o desenvolvimento dos corpos.

Nesses mundos felizes, as relações entre os povos são sempre amigáveis. Só a superioridade moral e intelectual estabelece a diferença das condições e dá a supremacia. O homem não procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se, para chegar à condição de Espírito puro. Todos os sentimentos elevados da natureza humana já se encontram ali engrandecidos e purificados. Um laço de amor e de fraternidade une todos os homens.

Esses mundos afortunados não são privilegiados. Deus dá a todos os seus filhos os mesmos direitos e as mesmas condições para chegarem lá. Faz que todos partam do mesmo ponto, dotados com os mesmos recursos, e conquistem posições cada vez mais elevadas, o mais cedo possível, através de seu trabalho.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE OS MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS

A Terra deve ser considerada um mundo de expiações e provas para os Espíritos que nela estão encarnados.

O grau de inteligência já alcançado por muitos de seus habitantes indica que ela não é mais um mundo primitivo, destinado à encarnação dos Espíritos que acabaram de sair das mãos do Criador.

Os Espíritos que habitam a Terra já adquiriram certas qualidades e realizaram certos progressos com as provas que já suportaram; mas ainda são inclinados aos vícios e à imperfeição moral. Assim, precisam expiar suas faltas através de trabalhos penosos e das misérias da vida, até que mereçam ir encarnar para um mundo mais feliz.

Nem todos os Espíritos encarnados na Terra estão em expiação. Aqueles apenas saídos da infância espiritual estão se educando e se desenvolvendo ao contato com Espíritos mais evoluídos. Outros em progresso estão se desenvolvendo pouco a pouco, ao longo dos períodos seculares, em busca da perfeição intelectual e moral.

Alguns Espíritos em expiação já viveram em outros mundos, mas foram excluídos deles em conseqüência de sua obstinação no mal e por serem motivo de perturbações para os bons. Têm que conviver entre Espíritos mais atrasados para os fazer avançar, com sua inteligência já desenvolvida e os conhecimentos adquiridos, experimentando as misérias e as amarguras ao terem de agir entre Espíritos que têm o senso moral pouco desenvolvido. Com esse trabalho penoso, Deus reverte o castigo em progresso, ao lhes permitir desenvolver ao mesmo tempo as qualidades do coração e as da inteligência.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE OS MUNDOS REGENERADORES

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiações e provas e os mundos felizes. Nesses mundos, a alma consciente do bem e do mal encontra a calma e o descanso para terminar a sua depuração; mas o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria.

A humanidade já está liberta das más paixões, do orgulho, da inveja e do ódio. A palavra amor já está escrita em todas as frontes, permitindo a equidade nas relações sociais. Todos reconhecem Deus e tentam chegar até Ele seguindo as Suas Leis.

Embora isso, a felicidade perfeita ainda não existe nos mundos regeneradores, pois ela é para os Espíritos completamente perfeitos.

Comparativamente à Terra, seus habitantes são bem felizes, por estarem menos absorvidos pelas coisas materiais e entreverem melhor o seu futuro.

Alguns Espíritos podem falir e praticar o mal ante as provas que ainda precisam sofrer, quando não estão firmes no caminho do bem. Então, podem tornar a cair nos mundos de expiação, nos quais têm novas e terríveis provas a cumprir.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE A PROGRESSÃO DOS MUNDOS

O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da criação, animados e inanimados, estão sujeitos a ele pela bondade de Deus, que quer que tudo cresça e prospere.

Ao mesmo tempo em que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente, oferecendo a seus habitantes uma morada mais agradável. O progresso dos mundos acompanha o avanço dos seres no caminho do progresso.

Assim caminha, paralelamente, o progresso do homem, dos animais, dos vegetais e da habitação. Essa evolução é grande e digna da majestade do Criador.

A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao que se encontra hoje. E atingirá, sob esse duplo aspecto, um degrau mais avançado. Ela passa por um de seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, vai tornar-se mundo regenerador. Então, os homens serão felizes, porque a lei de Deus vai reinar entre eles.
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REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO SOBRE AS LIÇÕES CONTIDAS NESSE CAPÍTULO III DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”

As revelações de Jesus acerca da existência de muitas moradas na casa de Deus encontraram, com o Espiritismo, uma complementação maravilhosa.

Com a Doutrina Espírita, conseguimos entender a grandiosidade da Obra da Criação e o contexto amplo em que estamos inseridos no Universo, na condição de Espíritos imortais, Filhos de Deus em permanente progresso intelectual e moral, até que conquistemos a perfeição espiritual.

Além disso, com o Espiritismo, conscientizamo-nos a respeito:
1. Da posição atual da Terra no contexto dos mundos habitados;
2. Das condições de vida vigentes na Terra em função do grau de evolução intelectual e moral dos Espíritos nela encarnados;
3. Das provas, expiações e missões que temos que cumprir nas jornadas terrenas como oportunidades para galgarmos posições melhores na hierarquia espiritual e nas moradas existentes na casa do Pai;
4. E das promoções que podemos conquistar com os esforços para o desenvolvimento e o bom uso das faculdades, o bom aproveitamento do tempo nesta jornada terrena e a conquista e prática das virtudes e dos valores imperecíveis que foram ensinados e exemplificados por Jesus.

terça-feira, 2 de março de 2010

"O LIVRO DOS MÉDIUNS", CAP. III: MÉTODO


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, PRIMEIRA PARTE: NOÇÕES PRELIMINARES; CAPÍTULO III: MÉTODO

Geziel Andrade

O Espiritismo é uma Ciência e uma Filosofia e se relaciona com todos os problemas da Humanidade.

Quem deseja conhecê-lo seriamente deve submeter-se a um estudo aprofundado, buscando conhecer seus princípios e avaliar as suas conseqüências.

Sem dúvida, a crença na existência dos Espíritos é a base do Espiritismo. Mas, sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, sua verdadeira base é a existência da alma.

As maneiras que as pessoas têm de chegar à convicção e à propagação do Espiritismo são: o estudo, o ensino, a simples conversação, a explicação racional, a experiência e a própria instrução.

Porém, antes delas se tornarem espírita, precisam se tornar espiritualistas; isto é, precisam admitir no homem a existência de um princípio inteligente que sobrevive à morte do corpo material e conserva a sua individualidade no mundo espiritual.

Por outro lado, existem diversas categorias de pessoas que se opõem à aceitação do Espiritismo:
1. Os materialistas radicais, que negam a existência da alma e que nem os fatos espíritas os convencem disso.
2. Os materialistas indiferentes às coisas espirituais, que gostariam de crer, mas a incerteza os atormenta e vivem na dúvida e na incredulidade esperando que alguém lhes fale à razão e lhes apresente as realidades espirituais de forma racional para poderem aceitá-las.
3. Os incrédulos de má vontade, que conhecem o Espiritismo, mas não crêem nele porque sua aceitação perturbaria o gozo dos prazeres materiais e limitaria sua ambição, seu egoísmo e o aproveitamento das vaidades humanas.
4. Os incrédulos interesseiros ou de má fé, que conhecem bem o que há de certo no Espiritismo, mas o condenam ostensivamente por causa de seus interesses pessoais.
5. Os incrédulos por motivos variados, como por covardia, escrúpulo religioso, orgulho, espírito de contradição, negligência, leviandade, decepção, etc.

Alguns opositores se dizem decepcionados com o Espiritismo, geralmente por terem feito um estudo incompleto da Doutrina Espírita e não terem chegado a acumular experiências. Alguns deles foram mistificados por Espíritos, quando lhes fizeram perguntas indevidas ou pretendiam obter adivinhações. Outros não ficaram suficientemente esclarecidos sobre o modo espírita de distinguir a verdade da impostura.

Dessa forma, chegaram a desagradáveis decepções, das quais um homem sério e prudente teria se preservado facilmente.

Existem ainda as pessoas vacilantes, embora espiritualistas por princípio, que adquiriram apenas uma intuição vaga das idéias espíritas, sem conseguirem, contudo, definir o seu verdadeiro objetivo.

Do lado das pessoas que podem ser consideradas crentes espíritas, existem os espíritas sem o saber. Eles têm um sentimento inato dos princípios da Doutrina Espírita e os divulgam de tal forma que são considerados verdadeiros iniciados.

Entre os adeptos que estudaram o Espiritismo, destacam-se quatro categorias:
1. Os espíritas experimentadores, que acreditam nas manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos e consideram o Espiritismo uma ciência de observação dos fatos espíritas.
2. Os espíritas imperfeitos, que compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, bem como a moral dele decorrente; mas não a praticam para melhorar os hábitos e as condutas morais.
3. Os espíritas cristãos ou verdadeiros espíritas, que praticam a moral cristã. Eles aproveitam as oportunidades da vida passageira para progredirem e alcançarem uma boa posição no mundo dos Espíritos. Para isso, esforçam-se em fazer o bem, reprimir as más tendências e promover as reformas morais. Além disso, colocam a caridade como regra de conduta. Esses espíritas verdadeiros não insistem em persuadir os incrédulos. Fazem o bem, aliviam os corações aflitos, espalham consolações, acalmam os desesperados. Com isso, obtêm satisfação pessoal, tornam-se felizes e propagam o verdadeiro caráter do Espiritismo.
4. Os espíritas exaltados, que têm confiança cega nas manifestações dos Espíritos. Assim, menosprezam o uso do raciocínio, da lógica, do bom senso, do controle, da reflexão e do exame racional dos fatos e das comunicações que recebem. São mais nocivos do que úteis à causa do Espiritismo. São facilmente enganados por Espíritos mistificadores ou por pessoas que exploram a credulidade alheia.

Algumas pessoas que estudam ou ensinam o Espiritismo encontram dificuldade em lidar com as inteligências desencarnadas, porque elas são dotadas de liberdade, e, a cada instante, provam que não estão sujeitas aos caprichos humanos.

Para superarem essa dificuldade, passam a observar atentamente as manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos, colhendo os resultados que desejam durante as ocorrências dos fatos espíritas.

Por outro lado, existem pessoas que se vangloriam de obter as manifestações físicas ou inteligentes dos Espíritos à vontade. Porém, não passam de pessoas ignorantes ou de impostoras. Isso porque o verdadeiro Espiritismo jamais se presta a exibições ou a apresentações em palcos.

Os Espíritos elevados não se entregam a exibições, nem se submetem a pesquisas por curiosidade. Por isso, suas manifestações não ocorrem quando são desejadas ou exigidas; mas sim da maneira mais inesperada e diversa da que é pretendida.

Além disso, as manifestações dos Espíritos dependem de médiuns, cujas faculdades especiais variam ao infinito, segundo a aptidão de cada um deles.

Em função disso, para que as pessoas evitem ou superem esses inconvenientes, precisam começar, pela teoria, um estudo sério do Espiritismo. Assim, descobrem sua grandeza, seu objetivo e alcance.

Com esse estudo teórico sério, as pessoas passam os fenômenos espíritas em revista; encontram para eles explicações racionais; compreendem sua possibilidade, seus obstáculos e quais são as condições necessárias para serem produzidos, evitando surpresas, decepções, dificuldades e experiências desagradáveis.

Além disso, compreendem que o aspecto filosófico do Espiritismo é o principal, por resolver problemas antes considerados insolúveis e por mostrar o passado e o futuro da Humanidade de um modo mais racional.

Quanto ao aspecto experimental do Espiritismo, as observações das manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos permitem a corroboração e a confirmação dos princípios da Doutrina Espírita.

Portanto, para as pessoas que começam o estudo do Espiritismo pela teoria, não faltam ocasiões para as observações práticas das numerosas manifestações espontâneas dos Espíritos. Com isso, entendem-nas de forma racional e obtêm confirmação da teoria que foi erigida em cima dos fatos espíritas, chegando à convicção e à aceitação da Doutrina dos Espíritos.

Quando as pessoas que já possuem um conhecimento prévio da teoria espírita assistem às sessões experimentais, convencem-se mais facilmente dos fatos e dos fenômenos espíritas. Compreendem facilmente o que se passa; não sentem surpresa quando ocorrem insucessos; sabem das condições que são necessárias para que as manifestações se produzam; percebem as dificuldades que são encontradas; e captam os pormenores, as nuanças sutis e os elementos de convicção que escapam a um observador que ignora a teoria espírita.

Por essas razões, nas sessões experimentais só devem ser admitidas as pessoas que estejam suficientemente preparadas para compreender o que se passa, evitando perda de tempo tanto do observador, quanto do dirigente.

O conhecimento prévio da teoria espírita, do objetivo sério do Espiritismo, das condições necessárias às manifestações e comunicações dos Espíritos e da forma racional que os fatos espíritas ocorrem, pode ser adquirido nas obras: “O que é o Espiritismo?”; “O Livro dos Espíritos”; “O Livro dos Médiuns”; e “A Revista Espírita”.

Mas, aquelas pessoas que desejam conhecer completamente o Espiritismo devem necessariamente ler tudo o que foi publicado a respeito, não se limitando a um único autor. Devem ler os prós e os contras, as críticas e as apologias, julgando por comparação e separando o bom do mau e o verdadeiro do falso.