quinta-feira, 1 de abril de 2010

"HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI"


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO III: HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI.



Geziel Andrade

“Crede em Deus, crede em mim também. Há muitas moradas na casa de meu Pai. Se assim não fosse, eu vos teria dito, pois vou para preparar-vos um lugar, e depois que me for, e que vos tiver preparado um lugar, eu retornarei, e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, vós aí também estejais.” (João, Cap. XIV, Vers. 1 a 3.)

DIFERENTES ESTADOS DA ALMA NA VIDA ESPIRITUAL

O Universo é a casa do Pai.

As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito. Elas oferecem aos Espíritos encarnados estadas adequadas ao seu avanço intelectual e moral.

Na vida espiritual, conforme o Espírito seja mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, se situa num estado feliz ou infeliz, com o aspecto das coisas, as sensações experimentadas e as percepções variando ao infinito.

Enquanto uns Espíritos não podem se distanciar da esfera de vida em que viveram como encarnados, outros se elevam e percorrem o espaço e os mundos.

Enquanto certos Espíritos culpados erram nas trevas, os Espíritos justos gozam de uma claridade resplandecente e do sublime espetáculo do infinito.

Enquanto o Espírito mau vive atormentado por remorsos e lamentos, freqüentemente só, sem consolação, separado dos objetos de sua afeição, gemendo sob a opressão dos sofrimentos morais, o Espírito justo, junto dos que ama, saboreia as doçuras de uma felicidade indizível.

Essas são as várias moradas da alma na vida espiritual.

DIVERSAS CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

Os diversos mundos habitados estão, uns em relação aos outros, em condições muito diferentes. Essas condições variam em função do grau de adiantamento ou de inferioridade intelectual e moral de seus habitantes, que são Espíritos encarnados.

Entre os mundos materiais, há aqueles cujos habitantes são ainda mais inferiores, em termos físico, intelectual e moral, do que os da Terra.

Existem outros mundos que os Espíritos encarnados estão no mesmo grau de adiantamento que os da Terra. E outros ainda lhe são mais ou menos superiores, em todos os sentidos.

Enquanto nos mundos inferiores à Terra a existência é totalmente material, com as paixões reinando soberanas e a vida moral quase nula; nos mundos mais adiantados a influência da matéria diminui, a ponto de, nos mais avançados, a vida se tornar predominantemente espiritual.

Nos mundos materiais considerados intermediários, há uma mistura entre a prática do bem e do mal, com a predominância de um ou de outro, segundo o grau de adiantamento dos habitantes de cada um deles.

Dessa forma, os mundos habitados podem ser classificados em:
• Mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana.
• Mundos de expiações e provas, nos quais o mal ainda predomina. A Terra ainda pertence a esta categoria de mundos, de modo que o homem está exposto às misérias ainda existentes decorrentes da prática do mal.
• Mundos regeneradores, nos quais as almas, ainda sujeitas a expiações dos erros cometidos, buscam novas forças e descansam das fadigas de suas lutas evolutivas.
• Mundos felizes, nos quais o bem supera o mal.
• Mundos celestes ou divinos, nos quais o bem reina exclusivo.

Os Espíritos encarnados não cumprem num determinado mundo todas as fases do progresso intelectual e moral, que devem conquistar para chegar à perfeição.

Quando eles atingem o grau de adiantamento que um mundo comporta, passam para outro mundo mais avançado. Assim, vão sucessivamente evoluindo até que tenham chegado ao estado de Espíritos puros.

Dessa forma, os Espíritos que se esforçam para progredir são promovidos a um mundo de ordem mais elevada, como recompensa merecida.

Já o Espírito relapso tem que prolongar a sua estada no mundo infeliz, como castigo. Algumas vezes, o Espírito obstinado no mal se vê forçado, como punição, a habitar um mundo ainda mais infeliz do que aquele que teve de deixar.

DESTINAÇÃO DA TERRA. CAUSA DAS MISÉRIAS HUMANAS

Na Terra ainda são encontradas a maldade, as más paixões, as misérias e as enfermidades. Mas é preciso considerar que na Terra não se encontra toda a Humanidade; mas apenas uma pequena fração dela.

A espécie humana abrange todos os seres dotados de razão, que povoam os inumeráveis mundos do Universo.

Assim, a população da Terra, em seu grau de adiantamento material, intelectual e moral, é muito pequena, se comparada com a população total do Universo.

Mas, os Espíritos encarnados que habitam a Terra, à medida de seu progresso e adiantamento intelectual e moral vão passando a habitar mundos mais felizes.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NO RESUMO DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS SUPERIORES A RESPEITO DOS MUNDOS SUPERIORES E DOS MUNDOS INFERIORES

Um determinado mundo é inferior ou superior em relação aos que estão acima ou abaixo dele na escala progressiva.

Tomando-se a Terra como ponto de comparação, nos mundos mais atrasados, os Espíritos encarnados que os habitam são de certo modo rudimentares. Eles têm a forma humana, pouco desenvolvimento da inteligência, beleza escassa, predomínio dos instintos materiais, preocupação centrada nos alimentos, ausência de sentimento de benevolência e falta de noções do justo e do injusto.

Mas Deus não abandona nenhuma de suas criaturas. Aqueles que se tornam superiores aos outros, trabalham na eclosão de uma vida mais plena. Assim, não são seres degradados, mas crianças em fase de crescimento.

Entre os mundos que se encontram nos graus inferiores e os mundos considerados elevados, existem inumeráveis escalões.

Os Espíritos que evoluíram com as encarnações nesses mundos habitados e se tornaram Espíritos puros, desmaterializados e resplandecentes de glória, ficaram irreconhecíveis em relação à época em que animaram seres primitivos.

Nos mundos que já atingiram um grau superior ao da Terra, as condições de vida moral e material são muito diferentes. A forma do corpo é a humana, mas embelezada, aperfeiçoada e, sobretudo, purificada. A pouca resistência da matéria à exteriorização das faculdades dos Espíritos já bem evoluídos torna rápido o desenvolvimento dos corpos.

Nesses mundos felizes, as relações entre os povos são sempre amigáveis. Só a superioridade moral e intelectual estabelece a diferença das condições e dá a supremacia. O homem não procura elevar-se acima do homem, mas acima de si mesmo, aperfeiçoando-se, para chegar à condição de Espírito puro. Todos os sentimentos elevados da natureza humana já se encontram ali engrandecidos e purificados. Um laço de amor e de fraternidade une todos os homens.

Esses mundos afortunados não são privilegiados. Deus dá a todos os seus filhos os mesmos direitos e as mesmas condições para chegarem lá. Faz que todos partam do mesmo ponto, dotados com os mesmos recursos, e conquistem posições cada vez mais elevadas, o mais cedo possível, através de seu trabalho.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE OS MUNDOS DE EXPIAÇÕES E DE PROVAS

A Terra deve ser considerada um mundo de expiações e provas para os Espíritos que nela estão encarnados.

O grau de inteligência já alcançado por muitos de seus habitantes indica que ela não é mais um mundo primitivo, destinado à encarnação dos Espíritos que acabaram de sair das mãos do Criador.

Os Espíritos que habitam a Terra já adquiriram certas qualidades e realizaram certos progressos com as provas que já suportaram; mas ainda são inclinados aos vícios e à imperfeição moral. Assim, precisam expiar suas faltas através de trabalhos penosos e das misérias da vida, até que mereçam ir encarnar para um mundo mais feliz.

Nem todos os Espíritos encarnados na Terra estão em expiação. Aqueles apenas saídos da infância espiritual estão se educando e se desenvolvendo ao contato com Espíritos mais evoluídos. Outros em progresso estão se desenvolvendo pouco a pouco, ao longo dos períodos seculares, em busca da perfeição intelectual e moral.

Alguns Espíritos em expiação já viveram em outros mundos, mas foram excluídos deles em conseqüência de sua obstinação no mal e por serem motivo de perturbações para os bons. Têm que conviver entre Espíritos mais atrasados para os fazer avançar, com sua inteligência já desenvolvida e os conhecimentos adquiridos, experimentando as misérias e as amarguras ao terem de agir entre Espíritos que têm o senso moral pouco desenvolvido. Com esse trabalho penoso, Deus reverte o castigo em progresso, ao lhes permitir desenvolver ao mesmo tempo as qualidades do coração e as da inteligência.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE OS MUNDOS REGENERADORES

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiações e provas e os mundos felizes. Nesses mundos, a alma consciente do bem e do mal encontra a calma e o descanso para terminar a sua depuração; mas o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria.

A humanidade já está liberta das más paixões, do orgulho, da inveja e do ódio. A palavra amor já está escrita em todas as frontes, permitindo a equidade nas relações sociais. Todos reconhecem Deus e tentam chegar até Ele seguindo as Suas Leis.

Embora isso, a felicidade perfeita ainda não existe nos mundos regeneradores, pois ela é para os Espíritos completamente perfeitos.

Comparativamente à Terra, seus habitantes são bem felizes, por estarem menos absorvidos pelas coisas materiais e entreverem melhor o seu futuro.

Alguns Espíritos podem falir e praticar o mal ante as provas que ainda precisam sofrer, quando não estão firmes no caminho do bem. Então, podem tornar a cair nos mundos de expiação, nos quais têm novas e terríveis provas a cumprir.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, DADAS EM PARIS, EM 1862, SOBRE A PROGRESSÃO DOS MUNDOS

O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da criação, animados e inanimados, estão sujeitos a ele pela bondade de Deus, que quer que tudo cresça e prospere.

Ao mesmo tempo em que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente, oferecendo a seus habitantes uma morada mais agradável. O progresso dos mundos acompanha o avanço dos seres no caminho do progresso.

Assim caminha, paralelamente, o progresso do homem, dos animais, dos vegetais e da habitação. Essa evolução é grande e digna da majestade do Criador.

A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao que se encontra hoje. E atingirá, sob esse duplo aspecto, um degrau mais avançado. Ela passa por um de seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, vai tornar-se mundo regenerador. Então, os homens serão felizes, porque a lei de Deus vai reinar entre eles.
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REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO SOBRE AS LIÇÕES CONTIDAS NESSE CAPÍTULO III DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”

As revelações de Jesus acerca da existência de muitas moradas na casa de Deus encontraram, com o Espiritismo, uma complementação maravilhosa.

Com a Doutrina Espírita, conseguimos entender a grandiosidade da Obra da Criação e o contexto amplo em que estamos inseridos no Universo, na condição de Espíritos imortais, Filhos de Deus em permanente progresso intelectual e moral, até que conquistemos a perfeição espiritual.

Além disso, com o Espiritismo, conscientizamo-nos a respeito:
1. Da posição atual da Terra no contexto dos mundos habitados;
2. Das condições de vida vigentes na Terra em função do grau de evolução intelectual e moral dos Espíritos nela encarnados;
3. Das provas, expiações e missões que temos que cumprir nas jornadas terrenas como oportunidades para galgarmos posições melhores na hierarquia espiritual e nas moradas existentes na casa do Pai;
4. E das promoções que podemos conquistar com os esforços para o desenvolvimento e o bom uso das faculdades, o bom aproveitamento do tempo nesta jornada terrena e a conquista e prática das virtudes e dos valores imperecíveis que foram ensinados e exemplificados por Jesus.

terça-feira, 2 de março de 2010

"O LIVRO DOS MÉDIUNS", CAP. III: MÉTODO


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, PRIMEIRA PARTE: NOÇÕES PRELIMINARES; CAPÍTULO III: MÉTODO

Geziel Andrade

O Espiritismo é uma Ciência e uma Filosofia e se relaciona com todos os problemas da Humanidade.

Quem deseja conhecê-lo seriamente deve submeter-se a um estudo aprofundado, buscando conhecer seus princípios e avaliar as suas conseqüências.

Sem dúvida, a crença na existência dos Espíritos é a base do Espiritismo. Mas, sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, sua verdadeira base é a existência da alma.

As maneiras que as pessoas têm de chegar à convicção e à propagação do Espiritismo são: o estudo, o ensino, a simples conversação, a explicação racional, a experiência e a própria instrução.

Porém, antes delas se tornarem espírita, precisam se tornar espiritualistas; isto é, precisam admitir no homem a existência de um princípio inteligente que sobrevive à morte do corpo material e conserva a sua individualidade no mundo espiritual.

Por outro lado, existem diversas categorias de pessoas que se opõem à aceitação do Espiritismo:
1. Os materialistas radicais, que negam a existência da alma e que nem os fatos espíritas os convencem disso.
2. Os materialistas indiferentes às coisas espirituais, que gostariam de crer, mas a incerteza os atormenta e vivem na dúvida e na incredulidade esperando que alguém lhes fale à razão e lhes apresente as realidades espirituais de forma racional para poderem aceitá-las.
3. Os incrédulos de má vontade, que conhecem o Espiritismo, mas não crêem nele porque sua aceitação perturbaria o gozo dos prazeres materiais e limitaria sua ambição, seu egoísmo e o aproveitamento das vaidades humanas.
4. Os incrédulos interesseiros ou de má fé, que conhecem bem o que há de certo no Espiritismo, mas o condenam ostensivamente por causa de seus interesses pessoais.
5. Os incrédulos por motivos variados, como por covardia, escrúpulo religioso, orgulho, espírito de contradição, negligência, leviandade, decepção, etc.

Alguns opositores se dizem decepcionados com o Espiritismo, geralmente por terem feito um estudo incompleto da Doutrina Espírita e não terem chegado a acumular experiências. Alguns deles foram mistificados por Espíritos, quando lhes fizeram perguntas indevidas ou pretendiam obter adivinhações. Outros não ficaram suficientemente esclarecidos sobre o modo espírita de distinguir a verdade da impostura.

Dessa forma, chegaram a desagradáveis decepções, das quais um homem sério e prudente teria se preservado facilmente.

Existem ainda as pessoas vacilantes, embora espiritualistas por princípio, que adquiriram apenas uma intuição vaga das idéias espíritas, sem conseguirem, contudo, definir o seu verdadeiro objetivo.

Do lado das pessoas que podem ser consideradas crentes espíritas, existem os espíritas sem o saber. Eles têm um sentimento inato dos princípios da Doutrina Espírita e os divulgam de tal forma que são considerados verdadeiros iniciados.

Entre os adeptos que estudaram o Espiritismo, destacam-se quatro categorias:
1. Os espíritas experimentadores, que acreditam nas manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos e consideram o Espiritismo uma ciência de observação dos fatos espíritas.
2. Os espíritas imperfeitos, que compreendem o aspecto filosófico do Espiritismo, bem como a moral dele decorrente; mas não a praticam para melhorar os hábitos e as condutas morais.
3. Os espíritas cristãos ou verdadeiros espíritas, que praticam a moral cristã. Eles aproveitam as oportunidades da vida passageira para progredirem e alcançarem uma boa posição no mundo dos Espíritos. Para isso, esforçam-se em fazer o bem, reprimir as más tendências e promover as reformas morais. Além disso, colocam a caridade como regra de conduta. Esses espíritas verdadeiros não insistem em persuadir os incrédulos. Fazem o bem, aliviam os corações aflitos, espalham consolações, acalmam os desesperados. Com isso, obtêm satisfação pessoal, tornam-se felizes e propagam o verdadeiro caráter do Espiritismo.
4. Os espíritas exaltados, que têm confiança cega nas manifestações dos Espíritos. Assim, menosprezam o uso do raciocínio, da lógica, do bom senso, do controle, da reflexão e do exame racional dos fatos e das comunicações que recebem. São mais nocivos do que úteis à causa do Espiritismo. São facilmente enganados por Espíritos mistificadores ou por pessoas que exploram a credulidade alheia.

Algumas pessoas que estudam ou ensinam o Espiritismo encontram dificuldade em lidar com as inteligências desencarnadas, porque elas são dotadas de liberdade, e, a cada instante, provam que não estão sujeitas aos caprichos humanos.

Para superarem essa dificuldade, passam a observar atentamente as manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos, colhendo os resultados que desejam durante as ocorrências dos fatos espíritas.

Por outro lado, existem pessoas que se vangloriam de obter as manifestações físicas ou inteligentes dos Espíritos à vontade. Porém, não passam de pessoas ignorantes ou de impostoras. Isso porque o verdadeiro Espiritismo jamais se presta a exibições ou a apresentações em palcos.

Os Espíritos elevados não se entregam a exibições, nem se submetem a pesquisas por curiosidade. Por isso, suas manifestações não ocorrem quando são desejadas ou exigidas; mas sim da maneira mais inesperada e diversa da que é pretendida.

Além disso, as manifestações dos Espíritos dependem de médiuns, cujas faculdades especiais variam ao infinito, segundo a aptidão de cada um deles.

Em função disso, para que as pessoas evitem ou superem esses inconvenientes, precisam começar, pela teoria, um estudo sério do Espiritismo. Assim, descobrem sua grandeza, seu objetivo e alcance.

Com esse estudo teórico sério, as pessoas passam os fenômenos espíritas em revista; encontram para eles explicações racionais; compreendem sua possibilidade, seus obstáculos e quais são as condições necessárias para serem produzidos, evitando surpresas, decepções, dificuldades e experiências desagradáveis.

Além disso, compreendem que o aspecto filosófico do Espiritismo é o principal, por resolver problemas antes considerados insolúveis e por mostrar o passado e o futuro da Humanidade de um modo mais racional.

Quanto ao aspecto experimental do Espiritismo, as observações das manifestações físicas e inteligentes dos Espíritos permitem a corroboração e a confirmação dos princípios da Doutrina Espírita.

Portanto, para as pessoas que começam o estudo do Espiritismo pela teoria, não faltam ocasiões para as observações práticas das numerosas manifestações espontâneas dos Espíritos. Com isso, entendem-nas de forma racional e obtêm confirmação da teoria que foi erigida em cima dos fatos espíritas, chegando à convicção e à aceitação da Doutrina dos Espíritos.

Quando as pessoas que já possuem um conhecimento prévio da teoria espírita assistem às sessões experimentais, convencem-se mais facilmente dos fatos e dos fenômenos espíritas. Compreendem facilmente o que se passa; não sentem surpresa quando ocorrem insucessos; sabem das condições que são necessárias para que as manifestações se produzam; percebem as dificuldades que são encontradas; e captam os pormenores, as nuanças sutis e os elementos de convicção que escapam a um observador que ignora a teoria espírita.

Por essas razões, nas sessões experimentais só devem ser admitidas as pessoas que estejam suficientemente preparadas para compreender o que se passa, evitando perda de tempo tanto do observador, quanto do dirigente.

O conhecimento prévio da teoria espírita, do objetivo sério do Espiritismo, das condições necessárias às manifestações e comunicações dos Espíritos e da forma racional que os fatos espíritas ocorrem, pode ser adquirido nas obras: “O que é o Espiritismo?”; “O Livro dos Espíritos”; “O Livro dos Médiuns”; e “A Revista Espírita”.

Mas, aquelas pessoas que desejam conhecer completamente o Espiritismo devem necessariamente ler tudo o que foi publicado a respeito, não se limitando a um único autor. Devem ler os prós e os contras, as críticas e as apologias, julgando por comparação e separando o bom do mau e o verdadeiro do falso.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, LIVRO I: AS CAUSAS PRIMÁRIAS, CAPÍTULO II: ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO.

Geziel Andrade

I- CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS

Deus não permite que o homem conheça, aqui na Terra, o princípio de todas as coisas. Para isso, o homem precisaria de faculdades que não possui.

Porém, à medida que se aprimora e se adianta com o auxílio da ciência, ele vai entendendo e desvendando certos mistérios e adquirindo maior admiração pelo poder e pela sabedoria do Criador de todas as coisas.

Embora o homem seja limitado e não consiga ultrapassar os limites fixados, se Deus julgar útil, pode permitir que receba dos Espíritos comunicações de ordem elevada, revelando-lhe o que escapa aos sentidos e lhe dando a conhecer, dentro de certos limites, o seu passado e o seu destino.

II- ESPÍRITO E MATÉRIA

Deus, modelo de amor e caridade, jamais está inativo. Dessa forma, sua ação não contempla um segundo sequer na ociosidade.

Somente Deus sabe se a matéria existe desde toda a eternidade ou se foi criada por Ele num certo momento.

Porém, o certo é que a matéria existe em estados que o homem não pode perceber. Ela existe em estado tão etéreo e sutil que não produz nenhuma impressão nos sentidos humanos. Todavia, é sempre matéria.

Já o Espírito, princípio inteligente do Universo, é distinto e independente da matéria. A inteligência lhe é um atributo essencial.

O Espírito se liga à matéria, tornando-a seu instrumento de atuação e seu meio de ação.

Essa união do Espírito à matéria permite que ele manifeste, através dela, a sua inteligência.

III - PROPRIEDADES DA MATÉRIA

A matéria é formada a partir de um só elemento primitivo: o fluido universal.

Assim, os elementos simples que formam as coisas do universo material não são elementos primitivos. Eles não passam de transformações ocorridas na matéria primitiva ou no fluido universal.

Portanto, as diferentes propriedades da matéria provêm das modificações ocorridas nas verdadeiras moléculas elementares, ao se unirem, sob determinadas circunstâncias.

Disso decorre que as coisas existentes no universo material foram formadas das modificações ocorridas em uma única e mesma substância: o fluido universal ou matéria primitiva.

Desse modo, a matéria elementar é suscetível de passar por todas as modificações e de adquirir inúmeras propriedades, permitindo a formação das coisas materiais.

Portanto, em função do acima exposto, existem três elementos gerais do Universo:
1) Deus, o Criador, o Pai de todas as coisas.
2) O Espírito, o ser inteligente e pensante.
3) A Matéria, em diferentes estados, formada com as modificações ocorridas no fluido universal primitivo ou elementar.

Esses três elementos são o princípio de tudo o que existe no Universo.

Eles formam a Trindade Universal: Deus, Espírito e Matéria.

Dessa forma, o fluido universal está colocado entre o Espírito e a matéria densa, que forma as coisas do universo material.

O fluido universal, pelas inúmeras combinações e transformações ocorridas em seus elementos primitivos, forma a matéria em seus vários estados, bem como a variedade infinita de coisas existentes no Universo.

Portanto, o fluido universal pode ser considerado uma matéria mais perfeita e sutil. Embora isso, não deixa de ser o princípio da matéria ponderável ou densa.

As moléculas elementares e primitivas do fluido universal têm uma forma constante. Porém, suas uniões ou aglomerações formam as moléculas secundárias, que estão longe daquele estado natural e primitivo.

IV) ESPAÇO UNIVERSAL

O espaço universal é infinito. Qualquer limite estabelecido para ele leva à suposição de que pode existir algo além desse limite. Assim, a razão nos diz que o espaço é infinito e não pode ser de outra maneira.

No espaço universal não existe o vazio absoluto. Todo o espaço universal está ocupado por uma matéria que escapa aos sentidos e aos instrumentos humanos: o fluido universal em seu estado primitivo.
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LEITURA COMPLEMENTAR: PRINCIPAIS PONTOS SOBRE O FLUIDO UNIVERSAL, CONTIDOS NO CAPÍTULO XIV - OS FLUIDOS -, DO LIVRO “A GÊNESE”, DE ALLAN KARDEC.

ENTENDA COMO O FLUIDO UNIVERSAL FORMA A MATÉRIA E TODAS AS COISAS MATERIAIS EXISTENTES NO ESPAÇO UNIVERSAL: AS MATÉRIAS E COISAS IMPONDERÁVEIS EXISTENTES NO UNIVERSO ESPIRITUAL E AS PONDERÁVEIS EXISTENTES NO UNIVERSO MATERIAL.

• O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva.
• Ele ocupa todo o espaço universal.
• Ele passa por modificações e transformações para formar a inumerável variedade dos corpos da natureza: os seres inorgânicos e orgânicos existentes nos universos espiritual e material.
• O estado normal primitivo do fluido cósmico universal é o de eterização ou de imponderabilidade.
• No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme.
• Ele, sem deixar de ser etéreo, passa por inúmeras e variadas modificações, constituindo tipos muito diversos e distintos de fluidos, dotados de propriedades especiais, que dão origem às coisas existentes no universo espiritual e aos fenômenos particulares na natureza do mundo dos Espíritos.
• Dentro da relatividade das coisas, os fluidos espirituais têm para os Espíritos, que possuem corpos fluídicos, uma aparência material semelhante aos dos objetos tangíveis para os Espíritos encarnados que têm corpos materiais.
• Como os Espíritos possuem o perispírito ou corpo fluídico espiritual, formado com elementos do fluido cósmico universal, existentes no mundo espiritual, eles podem modificar, elaborar e combinar os inúmeros materiais existentes na Natureza do mundo dos Espíritos, com os quais estão em contato.
• O estado de materialização ou de ponderabilidade do fluido cósmico universal é secundário e consecutivo ao seu estado primitivo.
• O estado de materialidade do fluido universal permite a formação de todas as coisas inorgânicas e orgânicas existentes no universo material.
• Os homens ou Espíritos encarnados, com o corpo material formado com as partículas transformadas e condensadas do fluido cósmico universal, podem transformar as coisas existentes no mundo material, que também são formadas com as mesmas partículas condensadas do fluido cósmico.
• Os elementos fluídicos do mundo espiritual escapam aos instrumentos de análise, à percepção e aos sentidos dos homens, por estes serem feitos de matéria tangível e não de matéria etérea.
• Portanto, os fluidos e materiais diversos, formados com os diferentes estados do fluido cósmico universal, formam a atmosfera e os seres inorgânicos e orgânicos dos universos espiritual e material.
• Os diferentes estados do fluido cósmico universal, que formam as variadas matérias imponderáveis e ponderáveis, servem de intermediários para que os Espíritos desencarnados ou encarnados, com sua inteligência, atuem nas mais diferentes partes do Universo. Este pode ser separado em universo espiritual e universo material.
• Dentro dessa visão espírita da formação da matéria, o ponto de partida de toda matéria existente no Universo é o fluido cósmico universal em seu grau de pureza absoluta, do qual nada pode dar uma idéia para os homens.
• O ponto oposto à pureza absoluta do fluido cósmico universal é a sua transformação em matéria tangível.
• Entre esses dois extremos, existem inúmeras transformações, formando tipos de matérias que se aproximam daqueles dois extremos.
• A solidificação da matéria não passa, nessa ótica espírita de ver as coisas materiais existentes no Universo, de um estado transitório do fluido cósmico universal, que sempre pode voltar ao seu estado primitivo, quando as condições de coesão da matéria cessam de existir.
• Os fluidos que formam a atmosfera espiritual da Terra, embora sutis e impalpáveis para os homens, não deixam de ser de natureza grosseira, se comparados com os fluidos etéreos existentes nas regiões superiores do mundo espiritual.
• Portanto, com o fluido cósmico universal, tudo o que existe de matéria tem uma origem única e se liga no Universo, desde a espiritualidade mais pura, até a materialidade mais compacta.
• O perispírito ou corpo fluídico dos Espíritos é um dos produtos mais importantes do fluido cósmico universal.
• O perispírito é uma condensação de fluidos em torno do foco de inteligência ou Espírito.
• Os fluidos que formam o perispírito conservam a sua imponderabilidade e suas qualidades etéreas.
• Porém, para cada Espírito, o seu envoltório fluídico ou perispírito está sempre em relação com o seu grau de adiantamento moral. Por isso, vai se modificando com o progresso moral do Espírito.
• O corpo material do Espírito encarnado tem também o seu princípio no fluido cósmico universal transformado, condensado, convertido em matéria tangível e organizado.
• Portanto, o perispírito e o corpo carnal do Espírito têm sua fonte nos elementos primitivos do fluido cósmico universal.
• Assim, tanto o perispírito, quanto o corpo material do Espírito são matéria, embora sob dois estados diversos ou diferentes de transformação, condensação e organização.

REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

Como vimos acima, o Espiritismo tem uma visão muito abrangente da Obra da Criação, constituída por Deus a partir de apenas dois elementos primários: o Espírito e a matéria.

Acima de tudo, está Deus, o Pai, o Criador de todas as coisas existentes no Universo. Este, para efeito didático, pode ser separado em dois: universo espiritual e universo material.

Em seguida, vem o Espírito, por ter sido criado por Deus com todas as faculdades em processo permanente de evolução, até que atinja a perfeição espiritual. Com sua inteligência, o Espírito age sobre as coisas existentes no Universo.

Em terceiro lugar está o fluido cósmico universal, que permite a formação das matérias e coisas materiais existentes no Universo.

Reafirmando, o Universo é único, mas pode ser separado em espiritual e material, em função do grau de transformação, condensação e organização dos elementos primários do fluido cósmico universal.

O perispírito, ou corpo fluídico do Espírito, é formado com elementos fluídicos originados das transformações ocorridas nos elementos primários do fluido cósmico universal, existentes no universo espiritual. Assim, o corpo espiritual permite que o Espírito aja sobre as matérias e coisas existentes no universo espiritual.

O corpo material do Espírito, obtido durante o processo de encarnação, pelas leis da reprodução, é formado também com elementos primitivos transformados, condensados e organizados do fluido cósmico universal.

O corpo material permite que o Espírito aja sobre as matérias e coisas existentes no universo material, com vistas ao seu progresso intelectual e moral e a evolução do planeta que lhe serve temporariamente de habitação e escola.

Com o Espiritismo, portanto, entendemos como Deus, a partir da criação de apenas dois elementos primários (Espírito e matéria), consegue que a Obra da Criação atinja tamanha complexidade, visando alcançar os objetivos sublimes, que somente agora começamos a compreender.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ROTEIRO PARA A EDUCAÇÃO DA ALMA


ROTEIRO PARA A EDUCAÇÃO DA ALMA

Geziel Andrade

Os Capítulos do livro “Na Educação da Alma”, de autoria do Espírito irmã Maria do Rosário, psicografado pela médium Lúcia Cominatto, e publicado pela Editora EME, de Capivari-SP-, retratam bem os princípios espíritas que norteiam a educação das potências da alma.

Eles inspiraram-nos a compor o roteiro abaixo, apontando as atitudes espirituais e morais que devem sustentar o nosso esforço no aperfeiçoamento e desenvolvimento das faculdades da alma:

1 – CUIDAR DO CORPO, MAS TAMBÉM DA ALMA. Nossa preocupação não deve ser apenas a de cuidar bem do corpo material, que é instrumento de manifestação das faculdades da alma na vida terrena, com vistas ao seu aperfeiçoamento moral e espiritual e à evolução do planeta. Deve ser também a de enriquecer a alma com os tesouros imperecíveis, com vistas à vida futura: “Cuida do corpo, preserva a saúde, resguarda-te de tudo o que possa prejudicá-lo e enfraquecê-lo, libertando-te dos vícios que o agridem, e buscando uma vivência saudável para que ele se fortaleça. Contudo, faze o mesmo com a alma, evitando tudo o que também possa prejudicá-la, alimentando-a com bons pensamentos e sentimentos elevados, de amor e de paz”.

2 – MANTER A LIGAÇÃO COM DEUS, ATRAVÉS DO CULTIVO DO AMOR. Deus está acima de todas as coisas, por ser o Criador de tudo o que existe. Por isso, Jesus nos ensinou a cumprir o mandamento de amor a Deus, permanecendo ligados a Ele: “Cultiva muito amor dentro de ti, para que sintas a presença de Deus na própria vida, nos pensamentos e sentimentos, em tudo o que fizeres ou disseres”. (...) “Deus é amor: aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele”. (João, 4:16).

3 – ALIAR O AMOR À SABEDORIA. Apenas a sabedoria não nos livra dos desastres morais. Por isso, ela deve estar aliada ao amor, compondo nossa bagagem espiritual e permitindo-nos que façamos um bom uso do saber, do conhecimento, da vontade e do livre-arbítrio: “Através do esforço próprio e das experiências nas diversas situações que a vida faz o ser humano percorrer, vai formando a sua bagagem espiritual, isto é, vai conquistando, simbolicamente, as duas asas – amor e sabedoria – que haverão de conduzi-lo para Deus”.

4 – EXERCITAR O AMOR. O amor deve ser praticado em todas as circunstâncias da vida, exteriorizando nobreza espiritual e moral e aprimorando o uso das faculdades da alma: “Deixe que o amor dirija os teus atos, todas as tuas palavras, todos os teus pensamentos e sentimentos para que a luz irradie de tua alma e testemunhe o teu crescimento interior”.

5 - MELHORAR O MUNDO ÍNTIMO. A educação das faculdades intelectuais, morais, mentais, sentimentais, emocionais e sexuais da alma melhora o nosso complexo mundo íntimo e nos leva a praticar o bem de um modo constante: “Concientiza-te da necessidade de melhorar o teu modo de ser, de agir, de pensar e de sentir, a fim de que os teus passos diários te direcionem à prática constante do bem”.

6 - PROMOVER A MELHORA ÍNTIMA, APROVEITANDO AS OPORTUNIDADES QUE SURGEM NO COTIDIANO. A melhora incessante do nosso mundo íntimo deve estar pautada no aproveitamento das oportunidades que surgem diariamente para educarmos as faculdades da alma, aumentarmos os conhecimentos, ganharmos experiências valiosas, adquirirmos habilidades e praticarmos as virtudes melhorando o modo de conviver e relacionar com os semelhantes: “Aproveita as oportunidades que surgem em teus caminhos, fazendo-te melhor a cada dia, corrigindo tuas falhas e reconstruindo o teu viver de um modo mais pleno e com mais lucidez”.

7 – BUSCAR A EVOLUÇÃO DA ALMA, MESMO ENFRENTANDO AS TRIBULAÇÕES DA VIDA. As lutas, as provas, os contratempos e as circunstâncias adversas da vida são oportunidades para conquistarmos as virtudes, educarmos as faculdades da alma e exercitarmos a prática do bem, vencendo as imperfeições morais e obtendo a maturidade espiritual: “A evolução do espírito se faz por meio de lutas, de esforço constante, de superação das dificuldades, mas também de aquisição de virtudes, a fim de que se consiga transformar em bem, o que estaria sendo um mal dentro de nós mesmos”. (...) “De cada adversidade da vida, procura tirar alguma lição. De cada dor que te atinge, de cada problema que enfrentas, de cada contrariedade que surge, algo mais procura aprender. De adversidade em adversidade, irás vencendo as tuas imperfeições para poderes adquirir as virtudes de que ainda careces”.

8 - COLOCAR A FRATERNIDADE EM AÇÃO. A prática da fraternidade revela o amor que temos pelos nossos irmãos de jornada evolutiva, cumprindo o mandamento de amor aos semelhantes: “Tens em ti mesmo, através do próprio corpo, todas as condições necessárias para colocar a fraternidade em ação, sempre que surjam situações em que a indulgência e outras formas de caridade, exigirem de ti demonstrações de afeto e do mais puro amor ao próximo”.

9 – CONSTATAR SE OS ENSINAMENTOS DE JESUS JÁ ESTÃO INCORPORADOS NA ALMA E SENDO PRATICADOS. Através da autoanálise, conseguimos saber se já conseguimos incorporar na alma, vivenciar e praticar adequadamente os ensinamentos religiosos e morais de Jesus: “Analisa-te interiormente, ausculta o mais profundo da tua alma para verificar se já despertaste, interiormente, a fim de que consigas realizar em ti aquela mudança necessária pela vivência constante dos grandes e nobres ensinamentos legados por Jesus, o Mestre do Amor”.

10 - SUSTENTAR A CONSCIÊNCIA EM PAZ. A consciência é a maior dádiva de Deus a nós, seus Filhos. Por isso, ela deve ser mantida em paz, pelo cumprimento das Leis de Deus, pela prática do amor, pelo uso da sabedoria e pela realização do bem ao próximo, garantindo-nos a própria evolução e a verdadeira felicidade: “A verdadeira felicidade reside na paz de consciência, por tudo de bem que se consiga realizar na vida, não só em favor do próximo, mas da própria evolução”.

11 - CONSTRUIR A PRÓPRIA FELICIDADE. A felicidade é conquista de cada alma. Ela deve ser atingida pelo cumprimento dos deveres espirituais e morais e pela aceitação da adversidade como oportunidade para a conquista de maior progresso pessoal: “Constrói dentro de ti a felicidade que desejas alcançar, realizando hoje, com alegria, todos os teus deveres de amor e caridade e aceitando, com serenidade, todas as adversidades que surjam em teu viver”.

12 - PERSISTIR NA CONQUISTA DA EDUCAÇÃO DA ALMA. A educação das faculdades da alma é meta que deve ser atingida sem esmorecimento. Assim, beneficiamos a nós mesmos e ao próximo, obtendo a evolução e a vitória na forma de luz espiritual e paz: “Não desanimes jamais. Estuda, trabalha, procurando agir constantemente, não só em benefício de ti mesmo, daquilo que tentas alcançar, mas estende ao próximo um pouco das tuas aquisições, não apenas no campo material, mas, sobretudo, em amor e entendimento que possam apaziguar os corações em desespero”. (...) “Confia em Deus, ampara-te em Jesus, buscando transformar tua vida, num manancial perene de luz e de paz”.

CONCLUSÃO: Eis ai um roteiro espírita para a educação da alma. Seguindo-o, acumulamos os tesouros espirituais e morais, que nos garantem a prosperidade, a vitória, o bem-estar, a saúde, a alegria e a felicidade, tanto na vida terrena, quanto na vida futura.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ESPÍRITO VERDADEIRO DO NATAL


ESPÍRITO VERDADEIRO DO NATAL

Geziel Andrade

“O Anjo Gabriel, enviado por Deus, apareceu a Maria e lhe disse: Deus te salve, Maria, cheia de graça. O Senhor é contigo. Bendita és Tu entre as mulheres. Porque achaste graça diante de Deus. Conceberás em teu seio e darás à luz um Filho, e o chamarás com o nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo.” (Lucas, Cap. I, Anunciação).

Muitos homens materializaram demais o Natal de Jesus. Tornaram-no motivo exclusivo para decorações, enfeites e luzes extravagantes; para festas gastronômicas e comemorações suntuosas que ostentam fartura material; para a exaltação do papai Noel e a troca de presentes geralmente desnecessários. Assim, amorteceram e deixaram de lado o espírito verdadeiro do Natal, pautado na observância dos ensinos morais, religiosos e espirituais de Jesus.

Esse Natal materialista acalenta ilusões de curtíssima duração. Por outro lado, o Natal espiritual exalta a prática dos ensinos daquele que, com sua sabedoria, nobreza moral e elevação espiritual, nasceu humildemente num estábulo, tendo sido enfaixado e deitado numa manjedoura simples, cercada de animais; que trouxe à Humanidade, por ordem de Deus, os tesouros imperecíveis do amor, da caridade, do perdão, da justiça, da fé e da oração, com os quais os homens vivem melhor todos os dias do ano.

O resultado duradouro do Natal espiritual é a confiança em Deus; a vivência digna dos exemplos de Jesus no cotidiano; o trabalho honesto e responsável, que gera o progresso material e espiritual; a convivência harmoniosa e o relacionamento fraterno com todos; a prática das virtudes perante as provas da vida; a paz na consciência e no coração pela manutenção das atitudes elevadas; a fé na sobrevivência da alma no Reino dos Céus após a morte do corpo material; e a certeza de que a Justiça de Deus garante para as almas boas e justas as bem-aventuranças na vida espiritual.

Jesus não valorizou os bens materiais, por serem transitórios e por não acompanharem a alma em seu retorno à vida verdadeira. Colocou o amor a Deus e aos semelhantes acima de todas as coisas; valorizou a humildade que fortalece o espírito de fraternidade e solidariedade; viveu entre os pescadores, o povo simples e as pessoas pobres, revelando ausência de preconceitos; fortaleceu a esperança e a fé numa vida melhor no Reino dos céus para os que cumprem as Leis de Deus; dialogou com as mulheres sem qualquer discriminação vigente na época; serviu aos mais necessitados distribuindo bênçãos, curas e orientações espirituais, sem nada cobrar por isso; expulsou os demônios restabelecendo a normalidade na vida dos endemoninhados, sem impor condições; trabalhou sem cessar na difusão das verdades espirituais, ensinando e exemplificando a prática das atitudes elevadas e das boas ações; ensinou os princípios verdadeiros de justiça que são: “fazer aos outros, o que queremos que os outros nos façam”, “a cada um será dado segundo as próprias obras” e “dar a César o que é César e a Deus o que é de Deus”; morreu humildemente sem obter o reconhecimento daqueles que haviam se escravizado aos poderes transitórios.

Por isso, Allan Kardec, na Questão 625 de “O Livro dos Espíritos”, registrou: “Jesus é para o homem o tipo de perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua Lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que apareceu na Terra”.

Desse modo, devemos nos prender ao verdadeiro espírito do Natal; devemos refletir sobre a vinda, os feitos e a missão de Jesus; divulgar e praticar com bom senso as lições religiosas, morais e espirituais ensinadas e exemplificadas por Ele. Dessa forma, teremos, de modo duradouro, as bênçãos valiosas que beneficiam para sempre a nós mesmos e os semelhantes, e que realmente elevam a qualidade de vida na Humanidade, garantindo o progresso com a paz.

Certamente, em função desse verdadeiro espírito do Natal, que o Espírito Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier, redigiu a seguinte PRECE DE NATAL:

“Senhor Jesus!
Conhecemos os Teus ensinamentos.
Auxilia-nos a cumpri-los.

Senhor Jesus!
Guardamos as Tuas palavras.
Ampara-nos, a fim de que venhamos a traduzi-las em trabalho, no serviço aos nossos semelhantes.

Senhor Jesus!
Legaste-nos o amor uns aos outros, por legenda da própria felicidade.
Guia-nos à prática dessa lição bendita, de maneira a que o nosso dia-a-dia se faça caminho de fraternidade e luz.

Que assim seja.
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Prezados amigos e leitores deste Blog.

DESEJO A TODOS UM BOM NATAL E QUE O ANO NOVO SEJA REPLETO DE PROSPERIDADE.
Com estima e votos de felicidades, Geziel.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS PODERES DA ORAÇÃO


OS PODERES DA ORAÇÃO

Geziel Andrade

No Evangelho de Jesus encontramos seus exemplos de dedicação à prece, bem como suas lições que dignificam esse ato: “Tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, e subiu a um monte para orar. E enquanto orava, pareceu todo outro o seu rosto, e fez-se o seu vestido alvo e brilhante. E eis que falavam com ele dois varões: Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade”. (...) “E aconteceu que estando a orar em certo lugar, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos”. (Lucas, Caps. 9 e 11).

Pelo Espiritismo, sabemos que podemos orar a Deus, a Jesus ou aos Espíritos para glorificar, pedir algo, transmitir uma mensagem pessoal ou para agradecer dádivas recebidas.

Podemos orar em benefício de nós mesmos ou de nossos semelhantes, amigos ou inimigos, encarnados ou desencarnados.

Pela prece, podemos ainda revelar a Deus nossas imperfeições e rogar amparo para as nossas necessidades e para o nosso progresso material e espiritual.

O fluido universal, ao formar uma corrente fluídica, serve de meio de transmissão do pensamento e da vontade decorrentes de uma prece.

As orações dirigidas a Deus, também as escutam os Espíritos incumbidos da execução da Vontade Divina. Assim, eles podem nos ajudar, influenciar e responder aos nossos pedidos.

O poder da prece está no pensamento e nos sentimentos de fé, confiança, fervor e sinceridade do ser que ora, e não em atos exteriores.

As consequências naturais de nossos sentimentos, pensamentos e atos nefastos não são evitadas com uma simples prece de arrependimento. Os sofrimentos, a expiação e as provações são necessárias para adquirirmos experiências e progresso. O reequilíbrio final só será atingido quando novas atitudes nas sendas do amor, do bem e das virtudes forem realizadas.

Mas, orando, quando em erro, obtemos, de imediato, de Deus e dos bons Espíritos que escutam nossas preces, coragem, paciência, resignação, força moral, recursos salutares e a inspiração de idéias e ações nobres. Estas nos levam a vencer as dificuldades, e nos dão o direito e os méritos ao retorno à saúde, à felicidade e ao bem-estar.

NOVAS REVELAÇÕES DOS ESPÍRITOS SOBRE A ORAÇÃO

Alguns Espíritos, através de diferentes médiuns, têm-nos revelado importantes informações complementares sobre a oração. A seguir, elas estão relacionadas, com transcrição de pequenos trechos de livros, para maior clareza e melhor compreensão delas:

SEMPRE HÁ RESPOSTAS ÀS PRECES: “Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Os Mensageiros”, FEB, 24ª. Edição, pág. 136.)

A PRECE TRANSMITE AS IMAGENS DO DESEJO E DO PENSAMENTO: “A prece impulsiona as recônditas energias do coração, libertando-as com as imagens de nosso desejo, por intermédio da força viva e plasticizante do pensamento, imagens essas que, ascendendo às Esferas Superiores, tocam as inteligências visíveis ou invisíveis que nos rodeiam, pelas quais comumente recebemos as respostas do Plano Divino, porquanto o Pai Todo-Bondoso se manifesta igualmente pelos filhos que se fazem bons.” (Emmanuel e Xavier, F. C., “Pensamento e Vida”, FEB, 9ª.edição, pág. 121.)

A PRECE MOBILIZA EXÉRCITOS DE TRABALHADORES DO PAI: “A oração, elevando o nível mental da criatura confiante e crente no Divino Poder, favorece o intercâmbio entre as duas esferas e facilita nossa tarefa de auxílio fraternal. Imensos exércitos de trabalhadores desencarnados se movimentam em toda parte, em nome de nosso Pai.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Missionários da Luz”, FEB, 22ª. Edição, pág. 333.)

AS ORAÇÕES SÃO TRATADAS POR ESPÍRITOS NOMEADOS PARA ESSE FIM: “Deveis saber que há aqui, nomeados para a prece, guardas cujo dever é analisar e escolher as oferecidas pelos habitantes da Terra, separá-las em classes e grupos, e passá-las adiante para serem examinadas por outros e atendidas de acordo com o seu merecimento e força. (...) há também preces que se nos apresentam sob tão profundo aspecto, que ficam fora do alcance dos nossos estudos e conhecimentos. Estas, nós as passamos para os de gradação mais elevada, para que as tratem, em vista do seu maior saber.” (OWEN, Rev. G. Vale, “A Vida Além do Véu”, FEB, 5ª. Edição, pág. 179.) “Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazaret, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Ação e Reação”, FEB, 14ª. Edição, pág. 158.)

OS TIPOS DE PRECES SÃO CONSIDERADOS PARA SE DEFINIR OS SOCORROS NECESSÁRIOS: “Nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos, acudindo às casas de oração ou a qualquer lugar onde há um Espírito que pede e que sofre. As rogativas de cada um, então, são anotadas e examinadas por nós, procurando estabelecer a natureza da prece, os seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para podermos determinar os socorros necessários. Até as orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem a sua anotação particular. Há orações sublimes que se elevam da Terra até o nosso distrito, tão puras elas são, todavia, que atravessam as nossas regiões como jatos de luz, buscando esferas mais altas e mais elevadas que a nossa. Existem, igualmente, as imprecações mais negras e mais dolorosas. Todas, contudo, merecem o nosso particular carinho e acurada atenção.” (Deus, Maria João de e Xavier, Francisco C., “Cartas de uma Morta”, LAKE, 10ª. Edição, pág. 109.)

A PRECE AJUDA NA CURA, RENOVAÇÃO E ILUMINAÇÃO: “(...) os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência.” (“Missionários da Luz”, página 67.)

A PRECE É FATOR DE IMUNIZAÇÃO ESPIRITUAL: “A esposa de Nemésio mantinha o hábito da oração. Imunizava-se espiritualmente por si. Repelia, sem esforço, quaisquer formas-pensamentos de sentido aviltante que lhe fossem arremessadas.” (André Luiz; Xavier, F. C. e Vieira, W., “Sexo e Destino”, FEB, 15ª. Edição, pág. 55.)

É INDISPENSÁVEL A PRÁTICA METÓDICA DA ORAÇÃO NO LAR: “Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão-só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam?” (“Os Mensageiros”, FEB, 24ª. Edição, página 197.)

CONCLUSÕES

Pelos ensinamentos do Espiritismo acerca da oração, podemos ter certeza de que:

As nossas preces são sempre ouvidas e atendidas de acordo com os méritos e benefícios necessários.

Quando pedimos pela nossa melhoria íntima e crescimento espiritual uma torrente de graças, de consolações e de orientações se derrama sobre nós, pela aproximação mental com os benfeitores que orientam nossos passos.

Nos casos de erros por orgulho, egoísmo, vaidade e por falta de amor, caridade e perdão, devemos pedir ao Pai forças para não falir de novo e coragem para a reparação das faltas, que vão garantir-nos consciência tranqüila e o fim do remorso e das idéias de culpa.

A vontade, o pensamento e o sentimento são tudo na oração.

Os Espíritos, a nós vinculados por laços de afinidades, apreciam as nossas preces a eles dirigidas por se sentirem ainda lembrados e queridos.

Na hora da irritação, incerteza, descontrole emocional, dor, desespero, provações, depressão, angústia ou enfermidade, devemos nos recolher em silêncio e nos entregar à oração, rogando auxílio a Deus e a Jesus: a ajuda virá, a paciência despontará, a crise logo passará e a normalidade retornará dando segurança às decisões que nos vão garantir bem-estar e reequilíbrio duradouro.

Muitos sofrimentos e problemas morais, físicos e de saúde decorrem de faltas cometidas em vidas passadas que temos de resgatar através de provas necessárias ao nosso progresso pessoal. Como essas situações difíceis são oportunidades úteis e indispensáveis à construção de nossa felicidade futura, não podem ser afastadas ante o nosso pedido, através da prece. Mas, nunca faltará ajuda espiritual para facilitar-nos a superação delas.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA.
KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Caps. XXVII e XXVIII. “O Livro dos Espíritos”, Parte Terceira, Cap. II. Da Lei de Adoração. A prece.
DENIS, Léon. “Depois da Morte”, Parte Quinta, A Prece. Edição FEB.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009