terça-feira, 3 de novembro de 2009

OS PODERES DA ORAÇÃO


OS PODERES DA ORAÇÃO

Geziel Andrade

No Evangelho de Jesus encontramos seus exemplos de dedicação à prece, bem como suas lições que dignificam esse ato: “Tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, e subiu a um monte para orar. E enquanto orava, pareceu todo outro o seu rosto, e fez-se o seu vestido alvo e brilhante. E eis que falavam com ele dois varões: Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade”. (...) “E aconteceu que estando a orar em certo lugar, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, assim como também João ensinou aos seus discípulos”. (Lucas, Caps. 9 e 11).

Pelo Espiritismo, sabemos que podemos orar a Deus, a Jesus ou aos Espíritos para glorificar, pedir algo, transmitir uma mensagem pessoal ou para agradecer dádivas recebidas.

Podemos orar em benefício de nós mesmos ou de nossos semelhantes, amigos ou inimigos, encarnados ou desencarnados.

Pela prece, podemos ainda revelar a Deus nossas imperfeições e rogar amparo para as nossas necessidades e para o nosso progresso material e espiritual.

O fluido universal, ao formar uma corrente fluídica, serve de meio de transmissão do pensamento e da vontade decorrentes de uma prece.

As orações dirigidas a Deus, também as escutam os Espíritos incumbidos da execução da Vontade Divina. Assim, eles podem nos ajudar, influenciar e responder aos nossos pedidos.

O poder da prece está no pensamento e nos sentimentos de fé, confiança, fervor e sinceridade do ser que ora, e não em atos exteriores.

As consequências naturais de nossos sentimentos, pensamentos e atos nefastos não são evitadas com uma simples prece de arrependimento. Os sofrimentos, a expiação e as provações são necessárias para adquirirmos experiências e progresso. O reequilíbrio final só será atingido quando novas atitudes nas sendas do amor, do bem e das virtudes forem realizadas.

Mas, orando, quando em erro, obtemos, de imediato, de Deus e dos bons Espíritos que escutam nossas preces, coragem, paciência, resignação, força moral, recursos salutares e a inspiração de idéias e ações nobres. Estas nos levam a vencer as dificuldades, e nos dão o direito e os méritos ao retorno à saúde, à felicidade e ao bem-estar.

NOVAS REVELAÇÕES DOS ESPÍRITOS SOBRE A ORAÇÃO

Alguns Espíritos, através de diferentes médiuns, têm-nos revelado importantes informações complementares sobre a oração. A seguir, elas estão relacionadas, com transcrição de pequenos trechos de livros, para maior clareza e melhor compreensão delas:

SEMPRE HÁ RESPOSTAS ÀS PRECES: “Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, constituindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Os Mensageiros”, FEB, 24ª. Edição, pág. 136.)

A PRECE TRANSMITE AS IMAGENS DO DESEJO E DO PENSAMENTO: “A prece impulsiona as recônditas energias do coração, libertando-as com as imagens de nosso desejo, por intermédio da força viva e plasticizante do pensamento, imagens essas que, ascendendo às Esferas Superiores, tocam as inteligências visíveis ou invisíveis que nos rodeiam, pelas quais comumente recebemos as respostas do Plano Divino, porquanto o Pai Todo-Bondoso se manifesta igualmente pelos filhos que se fazem bons.” (Emmanuel e Xavier, F. C., “Pensamento e Vida”, FEB, 9ª.edição, pág. 121.)

A PRECE MOBILIZA EXÉRCITOS DE TRABALHADORES DO PAI: “A oração, elevando o nível mental da criatura confiante e crente no Divino Poder, favorece o intercâmbio entre as duas esferas e facilita nossa tarefa de auxílio fraternal. Imensos exércitos de trabalhadores desencarnados se movimentam em toda parte, em nome de nosso Pai.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Missionários da Luz”, FEB, 22ª. Edição, pág. 333.)

AS ORAÇÕES SÃO TRATADAS POR ESPÍRITOS NOMEADOS PARA ESSE FIM: “Deveis saber que há aqui, nomeados para a prece, guardas cujo dever é analisar e escolher as oferecidas pelos habitantes da Terra, separá-las em classes e grupos, e passá-las adiante para serem examinadas por outros e atendidas de acordo com o seu merecimento e força. (...) há também preces que se nos apresentam sob tão profundo aspecto, que ficam fora do alcance dos nossos estudos e conhecimentos. Estas, nós as passamos para os de gradação mais elevada, para que as tratem, em vista do seu maior saber.” (OWEN, Rev. G. Vale, “A Vida Além do Véu”, FEB, 5ª. Edição, pág. 179.) “Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazaret, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria.” (André Luiz e Xavier, F. C., “Ação e Reação”, FEB, 14ª. Edição, pág. 158.)

OS TIPOS DE PRECES SÃO CONSIDERADOS PARA SE DEFINIR OS SOCORROS NECESSÁRIOS: “Nossa especialidade é examinar as preces dos seres terrenos, acudindo às casas de oração ou a qualquer lugar onde há um Espírito que pede e que sofre. As rogativas de cada um, então, são anotadas e examinadas por nós, procurando estabelecer a natureza da prece, os seus méritos e deméritos, sua elevação ou inferioridade para podermos determinar os socorros necessários. Até as orações das crianças são tomadas em consideração: qualquer pedido, qualquer súplica, tem a sua anotação particular. Há orações sublimes que se elevam da Terra até o nosso distrito, tão puras elas são, todavia, que atravessam as nossas regiões como jatos de luz, buscando esferas mais altas e mais elevadas que a nossa. Existem, igualmente, as imprecações mais negras e mais dolorosas. Todas, contudo, merecem o nosso particular carinho e acurada atenção.” (Deus, Maria João de e Xavier, Francisco C., “Cartas de uma Morta”, LAKE, 10ª. Edição, pág. 109.)

A PRECE AJUDA NA CURA, RENOVAÇÃO E ILUMINAÇÃO: “(...) os raios divinos, expedidos pela oração santificadora, convertem-se em fatores adiantados de cooperação eficiente e definitiva na cura do corpo, na renovação da alma e iluminação da consciência.” (“Missionários da Luz”, página 67.)

A PRECE É FATOR DE IMUNIZAÇÃO ESPIRITUAL: “A esposa de Nemésio mantinha o hábito da oração. Imunizava-se espiritualmente por si. Repelia, sem esforço, quaisquer formas-pensamentos de sentido aviltante que lhe fossem arremessadas.” (André Luiz; Xavier, F. C. e Vieira, W., “Sexo e Destino”, FEB, 15ª. Edição, pág. 55.)

É INDISPENSÁVEL A PRÁTICA METÓDICA DA ORAÇÃO NO LAR: “Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão-só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam?” (“Os Mensageiros”, FEB, 24ª. Edição, página 197.)

CONCLUSÕES

Pelos ensinamentos do Espiritismo acerca da oração, podemos ter certeza de que:

As nossas preces são sempre ouvidas e atendidas de acordo com os méritos e benefícios necessários.

Quando pedimos pela nossa melhoria íntima e crescimento espiritual uma torrente de graças, de consolações e de orientações se derrama sobre nós, pela aproximação mental com os benfeitores que orientam nossos passos.

Nos casos de erros por orgulho, egoísmo, vaidade e por falta de amor, caridade e perdão, devemos pedir ao Pai forças para não falir de novo e coragem para a reparação das faltas, que vão garantir-nos consciência tranqüila e o fim do remorso e das idéias de culpa.

A vontade, o pensamento e o sentimento são tudo na oração.

Os Espíritos, a nós vinculados por laços de afinidades, apreciam as nossas preces a eles dirigidas por se sentirem ainda lembrados e queridos.

Na hora da irritação, incerteza, descontrole emocional, dor, desespero, provações, depressão, angústia ou enfermidade, devemos nos recolher em silêncio e nos entregar à oração, rogando auxílio a Deus e a Jesus: a ajuda virá, a paciência despontará, a crise logo passará e a normalidade retornará dando segurança às decisões que nos vão garantir bem-estar e reequilíbrio duradouro.

Muitos sofrimentos e problemas morais, físicos e de saúde decorrem de faltas cometidas em vidas passadas que temos de resgatar através de provas necessárias ao nosso progresso pessoal. Como essas situações difíceis são oportunidades úteis e indispensáveis à construção de nossa felicidade futura, não podem ser afastadas ante o nosso pedido, através da prece. Mas, nunca faltará ajuda espiritual para facilitar-nos a superação delas.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA.
KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Caps. XXVII e XXVIII. “O Livro dos Espíritos”, Parte Terceira, Cap. II. Da Lei de Adoração. A prece.
DENIS, Léon. “Depois da Morte”, Parte Quinta, A Prece. Edição FEB.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

DUAS ASAS DA EDUCAÇÃO ESPÍRITA


DUAS ASAS DA EDUCAÇÃO ESPÍRITA

Geziel Andrade

Certa vez, um discípulo chegou na presença de seu Mestre e lhe perguntou:

-Mestre, o que devo fazer para que a minha alma alcance a presença de Deus, tão logo haja a morte do meu corpo material?

O Mestre, de imediato, respondeu-lhe:

-Você precisa adquirir duas asas. Serão elas que conduzirão naturalmente a sua alma à presença de Deus. A primeira asa é a da SABEDORIA. E a segunda asa é a do AMOR.

E ante à surpresa do discípulo, o Mestre continuou:

-Se você conquistar apenas uma dessas duas asas, a sua alma não conseguirá alçar o vôo que pretende realizar.

Como o discípulo permanecesse com um olhar indignado, o Mestre continuou:

-Para você adquirir a asa do amor, você precisa colocar a bondade e a fraternidade no seu coração e passar a prestar serviço útil e desinteressado aos semelhantes. Para você conquistar a asa da sabedoria, você precisa da auto-educação, da acumulação de experiências e da busca de conhecimentos elevados. Somente assim, durante a sua vida material, a sua inteligência será bem empregada; e o seu saber será aplicado com bons sentimentos e nobreza moral. Então, o Todo-poderoso terá grande satisfação em receber a sua alma, quando ela deixar a vida terrena.

O discípulo, surpreendido com o que ouvira, afastou-se de cabeça baixa, revelando claramente que estava consciente de que tinha grande desafio a vencer.

A COERÊNCIA DESSA HISTÓRIA

Os ensinamentos espíritas, a seguir apresentados, confirmam a importância de obtermos, através da educação, as asas da sabedoria e do amor. Então, a nossa alma conseguirá atingir a Espiritualidade Superior, após a morte do seu envoltório material.

Allan Kardec, nas Questões 111 a 113 de “O Livro dos Espíritos”, nos ensina que: “Os Espíritos superiores reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade. E os Espíritos Puros, que já atingiram a superioridade intelectual e moral absoluta, desfrutam da vida eterna no seio de Deus, de quem são os mensageiros e ministros”.

O Espírito Emmanuel, no Capítulo 36 do livro “Pão Nosso”, de psicografia de Chico Xavier, nos ensina que: “As portas do Céu permanecem abertas. Nunca foram cerradas. Todavia, para que o homem se eleve até lá, precisa asas de amor e sabedoria”.

O Espírito Corrêa de Lacerda, no livro “Recordações em Leopoldina”, psicografado por Chico Xavier, nos diz que: “A sabedoria e o amor são as duas asas da alma para o vôo supremo às esferas supremas da Divindade”.

O Espírito Meimei, no Capítulo 30 do livro “Instruções Psicofônicas”, recebido por Chico Xavier, nos recomenda: “Cultivemos o cérebro sem olvidar o coração. Sentir, para saber com amor; e saber, para sentir com sabedoria, porque o amor e a sabedoria são as asas dos anjos que já comungam a glória de Deus”.

O Espírito André Luiz, no Capítulo 1 do livro “Nos Domínios da Mediunidade”, psicografado por Chico Xavier, nos diz que: “Das Esferas Mais Altas, os gênios da sabedoria e do amor supervisionam nossas experiências”. E no Capítulo 13 desse mesmo livro nos diz que: “Amor e sabedoria são as asas com que faremos nosso vôo definitivo, no rumo da perfeita comunhão com o Pai Celestial”. E no Capítulo 17 do livro “No Mundo Maior”, nos ensina que: “Os vôos altíssimos da alma só se fazem possíveis quando à intelectualidade elevada se alia o amor sublime. O Poder de raciocínio deve estar aliado à sublimação do sentimento”.

O Espírito Joanna de Ângelis, no Capítulo 45 do livro “Lampadário Espírita”, psicografado por Divaldo Pereira Franco, nos orienta que: “É verdade que o homem não atinge as Altas Esferas sem as luminescências do conhecimento; da mesma forma ninguém evolui realmente sem a santificação dos sentimentos, através da conjugação do verbo amar, em todas as suas expressões”.

Dessa forma, educando-nos com os recursos espíritas e crescendo de forma equilibrada em termos intelectuais e morais, conquistaremos essas duas asas importantes, melhorando o raciocínio, sublimando os sentimentos e dando boa direção ao livre-arbítrio e à vontade. E para essa conquista, dispomos ainda das seguintes orientações:

Léon Denis, no Capítulo 25 do livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, nos ensina que: “O amor depura a inteligência, põe à larga o coração, e é pela soma de amor acumulada em nós que podemos avaliar o caminho que temos andado para Deus”.

O Espírito F. Purita, no livro “Vozes do Grande Além”, psicografado por Chico Xavier, nos recomenda que: “Devemos viver fazendo esforço máximo no bem, colocando cultura constante no cérebro e bondade infatigável no coração”.

O Espírito Sra. Owen, no livro “A Vida Além do Véu”, de psicografia de G. Vale Owen, nos ensina que: “O amor e a sabedoria devem estar ligados. Se o amor se expande e a sabedoria se manifesta, o resultado é bom e saudável. O amor e a sabedoria devem estar na conduta própria e na relação com os outros”.

O Espírito irmã Maria do Rosário, no livro “Na Educação da Alma”, psicografado pela médium Lúcia Cominatto, nos alerta que: “Através do esforço próprio e das experiências nas diversas situações que a vida faz o ser humano percorrer, vai formando a sua bagagem espiritual, isto é, vai conquistando, simbolicamente, as duas asas – amor e sabedoria – que haverão de conduzi-lo para Deus. Assim, estuda, aprende, esforça-te por melhorar a cada dia, cultiva em ti os bons sentimentos e dedica o teu viver a fazer o melhor para a tua evolução, também através da extensão do amor ao próximo e das boas obras que conseguires realizar em favor dos teus irmãos”.

A CONQUISTA E A PRÁTICA DA SABEDORIA E DO AMOR COM A EDUCAÇÃO ESPÍRITA

Portanto, em função do que vimos: bom ânimo no desenvolvimento do amor pela evangelização espírita, pois ninguém melhor do que Jesus ensinou-nos a conquistar e praticar essa virtude sublime; esforço incessante na conquista da sabedoria e do progresso intelectual, pela dedicação ao estudo, pela leitura dos bons livros, pelo crescimento em instrução, cultura, conhecimentos e experiências.

Então, manteremos as atividades nobres, o trabalho perseverante, o estudo incessante, os atos bondosos, o serviço útil ao próximo, a ajuda aos aflitos, a promoção do bem-estar coletivo, as condutas morais sábias e elevadas; bem como o sucesso, a prosperidade, a alegria e a felicidade fazendo parte de nossa personalidade e vida.

Somente assim, seguimos trilhando o caminho estreito que conduz ao pleno domínio e à prática da ciência, do saber e da moralidade; e conquistando a elevação intelectual, moral e espiritual que faz surgir em nossa alma as duas asas que ela precisa para alçar seu vôo glorioso ao Reino do Altíssimo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

"O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, CAPÍTULO II: MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO.

Geziel Andrade

“Pilatos fez vir Jesus e lhe disse: Tu és o rei dos judeus? Jesus lhe respondeu: Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, minha gente teria combatido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas meu reino não é aqui. Pilatos então lhe disse: És, portanto, rei? Jesus lhe replicou: Tu o dizes; eu sou rei; nasci e vim a este mundo para dar testemunho da verdade; quem é da verdade escuta a minha voz”. (João, Cap. XVIII, vers. 33 a 37.)

A VIDA FUTURA

Jesus, ao dizer que o seu reino não é deste mundo, refere-se claramente à vida futura, que deve ser objeto das principais preocupações dos homens.

Por sinal, todas as máximas de Jesus estão relacionadas com a existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo material e a continuidade da sua vida no Reino dos Céus.

Sem a existência da vida futura para a alma, a maior parte dos preceitos morais de Jesus não teria sentido ou razão de ser.

Sem a crença na vida futura, o homem encontra dificuldade em compreender a doutrina moral de Jesus, em praticar os ensinamentos do Cristo e de agir de acordo com a justiça de Deus.

Sem compreender a vida futura, o homem não prepara a sua alma, tornando-a virtuosa para conquistar as bem-aventuranças espirituais no Reino dos Céus.

Jesus veio ao mundo para revelar aos homens que existe um outro mundo onde a justiça de Deus segue o seu curso; onde os que observam os mandamentos de Deus encontram a sua recompensa. Esse mundo é o reino de Jesus, para onde sua alma retornaria após ter cumprido a missão que Deus lhe havia confiado.
O ESPIRITISMO E A VIDA FUTURA

O Espiritismo, graças às comunicações com os Espíritos, através de diferentes médiuns, confirma os princípios da doutrina de Jesus. Assim, a vida futura deixa de ser um artigo de fé. Torna-se uma realidade demonstrada pelos fatos espíritas, pois os Espíritos vêm descrever detalhadamente a vida no além em todas as suas fases e em todas as suas peripécias. Eles não deixam qualquer dúvida sobre a existência da alma, a sua sobrevivência no Reino dos Céus, após a morte do corpo material, e a importância da acumulação dos tesouros espirituais, pela prática das virtudes, para que a alma mereça desfrutar das bem-aventuranças na vida espiritual.

Com isso, o Espiritismo reafirma e revive os ensinamentos religiosos e morais de Jesus. Ele ressalta a importância do seu conhecimento e de sua prática para a vida futura, onde os Espíritos são felizes ou infelizes em função dos mecanismos da justiça de Deus, que dá a cada um segundo as suas obras.

A REALEZA DE JESUS

Jesus possui uma realeza imperecível, que é a realeza moral. Esta vigora na vida presente, mas, sobretudo, na vida futura. Por isso, Jesus disse a Pilatos: Sou rei, mas meu reino não é deste mundo.

Com a doutrina de Jesus, compreendemos que a realeza terrena, pautada na posse dos bens materiais, é transitória, pois acaba com a morte do corpo. Por isso, devemos concentrar os nossos esforços para praticar as virtudes e conquistar os tesouros espirituais imperecíveis, que nos dão a realeza moral, que é eterna.

O PONTO DE VISTA

A idéia clara e precisa que o homem faz da vida futura lhe dá uma fé inabalável no porvir e lhe estimula a buscar a moralização. Assim, valoriza a vida espiritual e encara a vida terrestre, que é passageira, de um modo completamente diferente: suporta as preocupações, vicissitudes e tribulações com calma e paciência; trabalha pelo bem-estar, a melhoria e o progresso de todos; e busca conquistar, pela prática das virtudes, um estado feliz na morada futura, onde reinam a felicidade e a paz.

O Espiritismo, ao revelar e desvendar as realidades espirituais, alarga o pensamento e os horizontes do homem; mostra a vida presente como uma oportunidade de preparação da alma para merecer boas condições na vida futura; revela a solidariedade que liga todas as existências do ser e este a todos os seres pertencentes ao conjunto harmonioso e grandioso da obra do Criador.

INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS. UMA REALEZA TERRENA.

Allan Kardec, confirmando os ensinamentos de Jesus acerca da importância da conquista da realeza moral e espiritual na vida terrena, para a conquista das bem-aventuranças no Reino dos Céus, apresentou a seguinte comunicação do Espírito “Uma Rainha de França”, psicografada em Havre, em 1863.

Nessa comunicação, intitulada “Uma Realeza Terrena”, percebemos que o orgulho é pernicioso para a alma; que nem a realeza terrena, nem o título de nobreza são levados para o mundo espiritual; que a desilusão e a humilhação ferem a alma daquele que despreza os pequeninos da Terra, mas que estão espiritual e moralmente acima dele; que as virtudes da abnegação, da humildade, da caridade e da benevolência são indispensáveis para a alma conquistar um bom lugar no Reino dos Céus.

“Quem melhor que eu pode compreender a verdade dessa fala de Nosso Senhor: Meu reino não é deste mundo? O orgulho fez que eu me perdesse na Terra. Quem, pois, compreenderia o vazio dos reinos terrenos, se eu não o compreendesse? O que levei comigo de minha realeza terrestre? Nada, absolutamente nada. E para tornar-me a lição mais terrível, ela não me acompanhou nem até a tumba! Rainha eu era entre os homens, rainha eu acreditava entrar no reino dos céus. Que desilusão! Que humilhação quando, em lugar de lá ser recebida com soberania, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu acreditava muito pequenos, e que desprezava, porque não eram de sangue nobre! Oh! O que então eu compreendi da esterilidade das honrarias e das grandezas que se buscam com tanta avidez na Terra!

Para se preparar um lugar nesse reino é preciso abnegação, humildade, caridade em toda sua celeste prática, benevolência para com todos. Não vos perguntam quem fostes, qual posto ocupastes, mas o bem que fizestes, as lágrimas que enxugastes.

Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não era deste mundo.

Pois é preciso sofrer para chegar ao céu, e os degraus do trono não vos aproximam dele. São os atalhos mais penosos da vida que para lá conduzem. Portanto, procurai a estrada do céu entre os abrolhos e os espinhos, e não entre as flores.

Os homens correm atrás dos bens terrenos como se pudessem guardá-los para sempre. Mais ilusão. Logo percebem que se agarraram a uma sombra, e negligenciaram os únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que lhes têm proveito na celeste morada, os únicos que podem abrir-lhes o acesso dela.

Tende piedade daqueles que não ganharam o reino dos céus. Ajudai-os com vossas preces, pois a prece reconcilia o homem com o Altíssimo – é o traço de união entre o céu e a Terra, não o esqueçais”. (Uma rainha da França. Havre, 1863).

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"O LIVRO DOS MÉDIUNS": O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL



PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, PRIMEIRA PARTE: NOÇÕES PRELIMINARES. CAPÍTULO II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL

Geziel Andrade

A crença na existência e nas manifestações dos Espíritos pode ser encontrada facilmente entre todos os povos antigos e modernos e nos livros santos de todas as religiões. Está, portanto, nas leis da Natureza.

A Doutrina Espírita apresenta a existência e as manifestações dos Espíritos como leis admiráveis, que permitem a solução de problemas que os princípios filosóficos jamais conseguiram resolver.

O Espírito, ser inteligente criado por Deus, tem como atributo o pensamento. Com ele age sobre a matéria, impressiona os sentidos humanos e comunica-se com os homens. Nisso, portanto, nada há de sobrenatural ou de maravilhoso.

O levantamento e a sustentação de uma mesa no espaço, sem um ponto de apoio, por parte de um Espírito, podem parecer, a princípio, um fato sobrenatural. Mas, na realidade não se trata da derrogação da lei da gravidade. Trata-se do emprego de um fluido desconhecido do homem que pode contrabalançar o efeito da gravidade, como o hidrogênio contrabalança o peso de um balão e certos gases podem mover uma máquina pesada. Além disso, o movimento das mesas demonstra um efeito inteligente que tem necessariamente uma causa inteligente.

De fato, os fenômenos e fatos espíritas, as intervenções, manifestações e comunicações dos Espíritos se fundam num princípio que é universalmente aceito: todo efeito inteligente tem uma causa inteligente.

Os fenômenos espíritas dão provas da existência de uma causa inteligente. Depois de muita observação, constatou-se e chegou-se à compreensão que a inteligência invisível - que não está na mesa que se move, nem nos assistentes que participam das experiências -, é atributo do ser invisível promotor dos fenômenos espíritas.

Esse ser invisível foi chamado de Espírito. Porém, não é nada mais do que a alma dos homens que perderam, pela morte, o seu envoltório grosseiro. Mas, a alma conservou um envoltório etéreo e invisível no seu estado normal, chamado de perispírito.

Esse envoltório fluídico do Espírito lhe permite agir sobre a matéria com a inteligência que lhe é própria. Nisso está a chave de todos os fenômenos espíritas, que eram erroneamente considerados de maravilhosos ou sobrenaturais.

Em suma, os fenômenos espíritas são produzidos por um ser invisível inteligente, ao qual se deu o nome de Espírito. Como já foi explicado, o Espírito nada mais é do que a alma dos homens que viveram corporalmente na Terra. A morte despojou a alma do seu envoltório grosseiro e visível, deixando-lhe apenas um envoltório fluídico, etéreo e invisível no seu estado normal, chamado de perispírito.

Assim, a Doutrina Espírita, de observação em observação, desvendou o mistério da existência e das manifestações dos Espíritos, eliminando as idéias que consideravam os fenômenos espíritas maravilhosos ou sobrenaturais.

O Espírito age sobre a matéria graças ao seu perispírito, manifestando a sua ação inteligente e o seu pensamento aos homens.

O Espiritismo, ao encontrar a chave de todos os fenômenos espíritas, eliminou as idéias errôneas de maravilhoso ou sobrenatural nas manifestações dos Espíritos; deu provas da existência, das manifestações e dos atributos dos Espíritos; e desvendou as realidades espirituais, tocando nas questões mais graves da Filosofia e em todos os setores da ordem social. Assim, passou a analisar o homem tanto sob o aspecto físico, quanto moral, constituindo-se numa ciência e numa filosofia, que não podem ser adquiridas apenas com algumas horas de estudo.

Somente um estudo sério e prolongado do Espiritismo permite o seu conhecimento e a realização de um julgamento profundo e isento de leviandade.

Portanto, a compreensão dos fenômenos espíritas, como o conhecimento de qualquer outra ciência, exige tempo, estudo, leitura e observação.

Em síntese, a Doutrina Espírita apóia-se nas seguintes proposições:

1. Os fenômenos espíritas decorrem da existência da alma, sua sobrevivência à morte do corpo material e suas manifestações aos homens.
2. Os fenômenos espíritas nada têm de maravilhoso ou de sobrenatural, pois decorrem de uma lei da Natureza.
3. O Espiritismo determina a causa dos fenômenos espíritas, colocando-os no domínio dos fenômenos naturais.
4. O Espiritismo demonstra a impossibilidade de muitos fatos qualificados de sobrenaturais e os coloca entre as crenças supersticiosas.
5. O Espiritismo não aceita todas as crenças populares, nem as estórias fantásticas criadas pela imaginação.
6. O Espiritismo não pode ser julgado pelos fatos que ele não admite, nem por aqueles que não o conhecem.
7. O Espiritismo, ao explicar as causas para os fatos espíritas e deduzir-lhes as conseqüências morais, constitui-se numa ciência e numa filosofia, que exigem estudo sério, perseverante e aprofundando para a sua compreensão.
8. O Espiritismo só deve ser julgado e criticado por aquele que tudo viu e estudou; que se aprofundou com paciência e perseverança na matéria, tendo se tornado um observador consciencioso; que tenha adquirido conhecimento sobre o assunto, tanto quanto o de um adepto esclarecido; que, por observação, reuniu argumentos decisivos contra a Doutrina Espírita; e que possa apontar uma causa mais lógica para os fatos averiguados. Esse crítico ainda está por aparecer.

Assim, os fenômenos espíritas, por mais extraordinários que pareçam, não derrogam, de maneira alguma, as leis da Natureza. Eles não têm, portanto, nenhum caráter miraculoso, maravilhoso ou sobrenatural.

Os fenômenos espíritas são explicados de maneira racional, pois são efeitos de uma causa que está nas leis da Natureza. Portanto, nenhum fenômeno espírita pode ser considerado nem mesmo milagre.

De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários é, indiscutivelmente, o da escrita direta do Espírito numa folha de papel, demonstrando, de maneira evidente, sua ação inteligente. Além dele, a suspensão de pessoas, como a do médium Sr. Home, as aparições dos Espíritos e as escritas através dos médiuns são fenômenos extraordinários produzidos pelos Espíritos. Embora isso, eles não podem ser considerados melhores do que os outros produzidos pelas inteligências ocultas ou pelos agentes invisíveis denominados de Espíritos.

Somente o estudo perseverante do Espiritismo permite o entendimento e a comprovação desses fenômenos espíritas.

A observação dos fenômenos espíritas levou ao descobrimento de novas leis; possibilitou obter a explicação lógica e a chave para uma infinidade de coisas que pareciam sobrenaturais; permitiu o conhecimento de que os Espíritos povoam os espaços, são uma das potências da Natureza e agem incessantemente sobre o mundo material e sobre o mundo moral; desvendou o mistério dos seres invisíveis, eliminando quaisquer idéias de prodígio; tornou conhecidas as leis que permitem a produção dos fenômenos, integra-os na ordem natural das coisas; provou que eles são possíveis e naturais, quando explicados de modo lógico pelo Espiritismo, através da revelação de novas leis da Natureza.

O entendimento, de forma racional, dos fenômenos espíritas, elimina as dúvidas, estabelecendo a convicção mesmo naqueles que nada presenciaram dos fatos espíritas, mas que leram a respeito da Doutrina Espírita e compreenderam a forma que eles são produzidos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": DEUS


PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”: LIVRO PRIMEIRO: AS CAUSAS PRIMÁRIAS. CAPÍTULO I: DEUS

Geziel Andrade

1- DEUS E O INFINITO

Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Deus é infinito em suas perfeições.

2- PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

A prova da existência de Deus pode ser encontrada num axioma aplicado às ciências: “não há efeito sem causa”.

Basta procurar a causa de tudo o que não é obra do homem para que a razão responda quem é o autor das obras da Criação.

O universo existe. Tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa; é admitir que o nada pode fazer alguma coisa grandiosa como o universo.

Os homens trazem em si um sentimento inato e intuitivo da existência de Deus. Trata-se de uma noção natural do princípio que diz que não há efeito sem causa.

Essa noção não é o efeito da educação, nem o produto das idéias adquiridas. É um senso, um sentimento universal encontrado inclusive nos povos selvagens.

Admitir que a matéria criou a si mesma e por si as coisas existentes no universo é negar que existe uma causa para a existência da matéria ou tomar o efeito pela causa.

As propriedades da matéria são em si mesmas um efeito. Elas necessariamente devem ter uma causa. Além disso, nenhum homem de bom senso pode considerar que o acaso, que é cego, ou o nada, que nada produz, seja um ser inteligente.

A harmonia que regula as forças do universo revela combinações e fins determinados. Por isso mesmo, mostra a existência de um poder inteligente.

Além disso, a existência de Deus, como causa primária, inteligência suprema ou superior a todas as outras, pode ainda ser identificada no provérbio que diz: “pela obra se conhece o autor”. Assim, basta ver a obra da Criação para identificar o seu autor.

Somente o homem orgulhoso, que vive na incredulidade e se considera um espírito forte, não admite a existência de Deus. Mas, o poder da inteligência de Deus se revela através de Suas obras. As coisas existentes na Natureza atestam que a causa primária está numa inteligência superior à da humanidade.

Na realidade, a própria inteligência humana decorre de uma causa primária, de uma inteligência superior, que é a causa primária de todas as coisas.

3- ATRIBUTOS DA DIVINDADE

O homem só compreenderá a natureza íntima de Deus e o mistério da Divindade quando seu espírito não estiver mais obscurecido pela matéria. Somente quando seu espírito tiver atingido a perfeição espiritual, poderá ver e compreender a Deus.

Mas, no estágio atual de progresso, o homem, pelas Obras de Deus, pode deduzir os Seus atributos.

Para se ter uma idéia completa desses atributos, pode-se dizer que Deus:
· É eterno, pois não teve começo e nem terá fim.
· É imutável, dada a estabilidade existente nas Leis do Universo.
· É imaterial, porque não está sujeito às transformações da matéria.
· É único, dada a unidade na organização da Obra da Criação.
· É Todo-Poderoso, pela grandiosidade das coisas que criou.
· E é soberanamente justo e bom, porque as Leis divinas refletem uma justiça e uma bondade inigualáveis.

Basta o homem apelar à razão para compreender que Deus possui todas as perfeições num grau supremo. E por estar acima de todas as coisas, não está sujeito às vicissitudes e nem às imperfeições.

4- PANTEÍSMO

Deus não é a resultante de todas as inteligências do Universo reunidas.

Se assim fosse, Deus não existiria, pois seria o efeito. E Ele não pode ser, ao mesmo tempo, causa e efeito.

A doutrina panteísta admite que tudo o que existe no Universo faz parte de Deus; que o conjunto das coisas existentes no Universo constitui a própria Divindade. Isso fere o bom senso e a razão.

Dessa forma, a doutrina panteísta torna Deus um ser material, embora dotado de inteligência.

Se Deus fosse material, estaria em constante transformação; não teria estabilidade; e seria sujeito às vicissitudes.

Dessa forma, faltaria a Deus um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade.

Portanto, as propriedades da matéria não podem ser ligadas à natureza íntima de Deus.

Assim, o panteísmo está em contradição com os atributos de Deus. Ele confunde o criador com a criatura.

A inteligência suprema de Deus se revela em suas Obras. Estas decorrem da inteligência de Deus e não são o próprio Deus.

LEITURA COMPLEMENTAR: LIÇÕES SOBRE DEUS, CONTIDAS NOS LIVROS “A GÊNESE” E “OBRAS PÓSTUMAS” DE ALLAN KARDEC:
· Podemos julgar uma causa pelos seus efeitos, mesmo que não vejamos essa causa.
· Nem sempre precisamos ver uma causa para saber que ela existe.
· Observando os efeitos, podemos chegar ao conhecimento da causa.
· Todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente.
· Olhando a Natureza e observando a previdência, a sabedoria e a harmonia que presidem a todas as coisas, reconhecemos que elas são o produto de uma inteligência superior à humana; que esses efeitos têm uma causa; e que essas obras não constituem a própria Divindade.
· Deus não se mostra aos homens, mas revela-se pelas suas obras inteligentes.
· Assim, a evidência da existência de Deus está nas coisas materiais que foram criadas por Deus.
· A compreensão de Deus só será obtida com a completa depuração do Espírito.
· Deus está em toda parte, tudo vê, tudo preside, e estende a Sua providência e a Sua solicitude para todas as Suas criaturas.
· Os homens têm dificuldades para compreender os atributos de Deus, porque são restritos, limitados e circunscritos e fazem de Deus essa mesma imagem.
· Somente com a visão espiritual, podem ser vistos os Espíritos e as coisas do mundo imaterial. Assim, somente com a visão da alma, pode-se ter a percepção de Deus.
· Pelas comunicações dos Espíritos, através dos médiuns, aprendemos que a visão de Deus é privilégio das almas purificadas, que já atingiram a perfeição espiritual.
· Deus, sendo a essência divina por excelência, não pode ser visto em todo o seu esplendor, senão pelos Espíritos que já alcançaram o mais elevado grau de desmaterialização do perispírito (envoltório perispiritual ou corpo espiritual). Esse envoltório se espiritualiza à medida que a alma se eleva em moralidade.
· Deus é infinito em todas as suas perfeições. Se fosse imperfeito em qualquer um de Seus atributos, poderíamos supor a existência de um ser mais perfeito, e este ser seria então Deus.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

COMO SER FELIZ E SAUDÁVEL


COMO SER FELIZ E SAUDÁVEL

Geziel Andrade

O valoroso confrade Joseval Carneiro, com mestria, apresentou em seu livro “O Evangelho é um Santo Remédio”, publicado pela Editora EME, de Capivari (SP), (www.editoraeme.com.br), importantes regras pautadas nos princípios evangélicos e espíritas, que nos orientam a ser mais felizes e saudáveis.

Pelas importantes contribuições e pelo grande interesse que esse tema desperta, tomo a iniciativa de apresentar abaixo algumas reflexões sobre as regras, idéias e lições propostas pelo autor. Trata-se de uma tentativa de conscientizarmo-nos acerca da prioridade do assunto e darmos os passos necessários sugeridos para que aqueles bons resultados sejam de fato obtidos.

FAZER ALGO DE BOM A CADA DIA

Realmente, tendo a preocupação de todo dia fazermos algo de bom, colocamos a nosso favor a lei de causa e efeito. Nesse sentido, o autor nos recomenda começar pelos trabalhos diários mais fáceis, para, com bom ânimo, dar conta do recado e obter as vitórias que nos dêem satisfação pessoal. Evidentemente, sentindo satisfação, estabelecemos relação direta com a saúde e a felicidade. Mas, além disso, devemos orar a Deus, para agradecer a inspiração recebida e a ajuda obtida na concretização de cada aquisição ou realização.

SER POSITIVO

Encarando a vida de modo positivo, certamente melhoramos o estado da saúde e da felicidade. Com esse modo de pensar e agir, conservamos a esperança e o otimismo. Assim, revelamos aos que nos cercam que estamos de bem com a vida; irradiamos alegria, contagiando os semelhantes; aceitamos as tarefas diárias com satisfação; e vencemos as adversidades e dificuldades com bom ânimo, crescendo em conhecimento, experiência e vigor.

TER EMPATIA

O autor propõe, com bons argumentos, que não devemos ver apenas os nossos problemas, mas também os dos outros, superando o egoísmo e atingindo esta importante meta de todo espírita-cristão. Ao vestirmos a camisa dos outros; interessarmo-nos pelos problemas alheios; amenizarmos as dificuldades do próximo; e calçarmos o sapato do outro para sabermos onde ele está apertando, praticamos a fraternidade e a solidariedade; convivemos e nos relacionamos melhor com os semelhantes; e obtemos a saúde e a felicidade em decorrência do bem que fazemos aos outros.

PROCURAR SER MELHOR, E NÃO APENAS TER

De fato, os meios de comunicação nos estimulam ao consumismo e à acumulação incessante dos bens e das riquezas materiais, como se o estado de saúde e felicidade dependesse disso. Porém, o segredo está em sentirmos satisfação e gratidão por tudo o que possuímos; em levarmos uma vida simples, sem a preocupação de juntarmos apenas os bens materiais; em valorizarmos as coisas morais e espirituais; e em sermos amorosos, bondosos, sábios, fraternos, generosos, honestos, responsáveis, além de úteis aos semelhantes.

SABER FALAR E COMUNICAR BEM

Conversar e comunicar bem com os outros gera satisfação e bem-estar íntimo. Assim, devemos ter interesse em manter boa conversação e comunicação com os que nos cercam. Para isso, devemos evitar falar a respeito de nós mesmos e levantar assuntos que despertem o interesse do interlocutor. Além disso, devemos aprender a mais ouvir do que falar, pois, como diz o ditado “a sábia Natureza nos dotou de dois ouvidos e de apenas uma língua”.

AMAR-SE

Demonstramos amor a nós mesmos, quando fazemos coisas que geram bem-estar, saúde e felicidade, tais como: estar sempre alegre, manter o sorriso no rosto, passar boa impressão aos que estão ao redor, sustentar o bom humor e conversar e cumprimentar os outros.

TER DEDICAÇÃO AO TRABALHO, MESMO QUE ELE PAREÇA SIMPLES

Não existe trabalho útil e honesto que possa servir de motivo de humilhação para alguém, porque ele sempre gera benefício e progresso. Mesmo as pequenas tarefas diárias devem ser valorizadas, pois, além dos benefícios materiais, elas geram benefícios para a alma, pelo emprego das faculdades, aumento das habilidades e exercício das virtudes, notadamente a da paciência. Assim, devemos sentir satisfação em realizar qualquer tarefa; em cumprir os deveres domésticos e profissionais; em preencher o tempo disponível com o trabalho que melhora a nossa posição social e as condições de vida.

APRENDER A VIVER COM O NECESSÁRIO

A busca incessante dos bens de consumo supérfluos ou desnecessários gera, geralmente, muito esforço e ansiedade para adquiri-los, além de desgastes e contrariedades para conservá-los, prejudicando o estado emocional, mental e físico. Devemos aprender a viver com os bens necessários, preocupando-nos principalmente com a acumulação dos valores espirituais e morais, que beneficiam a alma para sempre. Devemos ainda nos lembrar da lição de William Shakespeare: “Sofremos demasiado pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos”.

ACALENTAR PROJETOS PLAUSÍVEIS

É sinal de sabedoria e bom senso manter os sonhos dentro de parâmetros possíveis e realizáveis, não perdendo o controle da ambição, nem da ansiedade. Assim, devemos buscar a realização dos projetos que realmente propiciem vitórias e conquistas e que nos permitam o aprimoramento do espírito, a acumulação dos tesouros morais e espirituais e a prática das virtudes, melhorando a vida presente e construindo boas condições para a vida futura.

AMAR INCLUSIVE OS ANIMAIS

O amor a Deus e ao próximo é o mandamento maior. Porém, também devemos amar e respeitar os animais, que são almas criadas por Deus, percorrendo a infância espiritual em rumo da humanidade. O exercício do amor, inclusive aos animais, realmente nos torna mais saudáveis e felizes.

ENVELHECER COM SABEDORIA

O envelhecimento ocorre involuntariamente todo dia, revelando seus sinais característicos. Assim, devemos concentrar as nossas preocupações em viver com alegria, realizando as boas obras, concretizando os sonhos e projetos e mantendo uma vida harmoniosa em família. Quando a velhice chegar, não faltarão as lembranças dos bons momentos vividos; a tranquilidade na consciência, pelos deveres retamente cumpridos; e a gratidão a Deus pelo progresso material e espiritual alcançado. Mas mesmo nessa fase adiantada da vida, devemos manter a dedicação às atividades filantrópicas, amenizando as aflições e as lágrimas do próximo, para fazê-lo feliz e ser feliz.

SER FILANTROPO

A filantropia é alimento e profilaxia para a alma, mantendo-a disposta, saudável, alegre e feliz. Assim, devemos nos engajar num serviço voluntário de assistência aos mais necessitados, para fazer o bem e ser útil ao bem-estar do próximo, beneficiando a todos.

PRATICAR EXERCÍCIOS

A prática de atividades físicas previne ou corrige problemas de saúde. Além disso, o contato com outras pessoas permite a troca de informações e experiências, gerando o bem-estar físico e mental. Devemos, portanto, sair da inação para o benefício próprio.

VIVER OCUPADO

O bom aproveitamento do tempo não deve ser entendido apenas como dedicação ao trabalho, mas também valorização do lazer e do repouso, pelos benefícios que geram. Além disso, não devemos estar ocupados apenas com a busca e a conquista das coisas materiais. Devemos manter também ocupações no campo das atividades religiosas, para estar em contato com Deus e adquirir e praticar as virtudes.

ACREDITAR NA JUSTIÇA DE DEUS

A crença na Justiça Divina sustenta a tranqüilidade na alma. Essa crença deve estar pautada, porém, no conhecimento da Lei de Causa e Efeito que rege o uso do livre-arbítrio; no exame da consciência que julga cada ato e força, com o passar do tempo, a expiação e a reparação; nas conseqüências das ações na vida presente, na vida futura e na próxima reencarnação. Além disso, devemos confiar nos ensinos de Jesus que dizem: “A cada um será dado segundo as suas obras” e “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos”.

CONCLUSÃO

Eis aí reflexões sobre as 15 regras para o bem viver, oferecidas por Joseval Carneiro. Com certeza, exercitadas em conjunto, promovem a nossa prosperidade física, mental, moral e espiritual, gerando o bem-estar, a saúde e a felicidade.

O confrade Joseval foi muito feliz em reuni-las, de um modo muito apropriado, em seu notável livro, estimulando-nos, com seus argumentos sólidos, detalhados, valiosos e verdadeiros, a atingir a meta tão almejada de ser saudável e feliz.