sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": Prefácio e Introdução


“O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”: PREFÁCIO E INTRODUÇÃO

Geziel Andrade
APRESENTAÇÃO
“O Evangelho Segundo o Espiritismo” é o trabalho maravilhoso realizado por Allan Kardec em conjunto com os Espíritos Superiores. Essa obra contém a moral cristã de uma forma prática, clara, precisa e incontestável, permitindo-nos crescer em espiritualidade ao aplicá-la em todas as circunstâncias de nossa vida.

Para tanto, convido o(a) prezado(a) leitor(a) a tomar conhecimento, a partir deste artigo, das principais lições contidas em todos os Capítulos dessa obra importantíssima, podendo descobrir a grandiosidade dos ensinamentos religiosos e morais de Jesus; as forças íntimas capazes promover a reforma íntima e a melhoria das condutas nas relações sociais; os benefícios da prática das virtudes que levam à conquista da felicidade na vida terrena e no Reino dos Céus; e os meios de exemplificar a nobreza espiritual e moral, operando em prol da regeneração moral da humanidade e da transformação da Terra em um mundo melhor.

PREFÁCIO
Allan Kardec publicou, no PREFÁCIO de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, a mensagem abaixo, transmitida pelo O ESPÍRITO DE VERDADE, via mediúnica. Ela mostra a movimentação que os Espíritos do Senhor realizavam no sentido de estabelecer a Doutrina Espírita na Terra e convocar os homens para a prática do amor, que permite a conquista do reino dos céus. Ao mesmo tempo, a mensagem revelava o verdadeiro caráter do Espiritismo e o objetivo da obra:

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a superfície da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.”

“Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas em seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.”

“As grandes vozes do céu ressoam com o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convocamos para o divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, estendam-se e vibrem de uma ponta à outra do Universo.”

“Homens, irmãos amados, estamos junto de vós; amai-vos uns aos outros, e, fazendo a vontade do Pai que está no céu, dizei do fundo de vosso coração: “Senhor! Senhor!”, e assim podereis entrar no reino dos céus.” O Espírito de Verdade.
(Tradução para o português de Matheus Rodrigues de Camargo, contida na edição de 2002 da Editora EME de Capivari-SP).

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NA INTRODUÇÃO. OBJETIVO DA OBRA.
O ensinamento moral do Cristo continua inatacável, por ser o código divino.
Para os homens, esse ensinamento moral é uma regra de conduta que abrange todas as circunstâncias da vida; norteia as relações sociais pautadas na mais rigorosa justiça; e abre caminho para a conquista da felicidade na vida presente e na vida futura.
Nesta obra, a moral evangélica foi colocada ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras; pelo desenvolvimento das conseqüências morais; e pela aplicação às diferentes situações da vida, com a ajuda dos bons Espíritos.
Como complemento a cada preceito evangélico, foram acrescentadas instruções ditadas pelos Espíritos em diversos países e pelo intermédio de diversos médiuns.
Portanto, esta obra é para o uso de todos que querem conformar a sua conduta à moral do Cristo.

AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITA. CONTROLE UNIVERSAL DO ENSINAMENTO DOS ESPÍRITOS.
Deus encarregou os Espíritos de levarem a nova revelação de um pólo a outro, manifestando-se em toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra.
São os próprios Espíritos que fazem a propaganda da Doutrina Espírita com o auxílio de inumeráveis médiuns que surgem de todos os lados, conclamando todos os homens à fraternidade.
Como os Espíritos estão enquadrados em diferentes ordens de evolução intelectual e moral, (sendo que apenas os Espíritos da ordem mais elevada possuem a ciência, a sabedoria e a posse das virtudes), torna-se indispensável submeter ao controle da razão, do bom senso e da lógica rigorosa tudo o que vêm deles, mesmo quando há a assinatura de nome respeitável. O que não passar por esse crivo deve ser rejeitado.
Na universalidade do ensino dos Espíritos está a força do Espiritismo. A única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância entre as revelações feitas espontaneamente através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e de regiões diversas.
Dessa forma devem ser estabelecidos os princípios da Doutrina Espírita.
Quando um princípio novo é revelado, ele é ensinado espontaneamente em diferentes pontos, ao mesmo tempo, e de maneira idêntica, não na forma, mas ao menos pelo fundo.
Portanto, é indispensável a unanimidade nas instruções dadas pelos Espíritos em diversos lugares.
Essa unanimidade faz cair os sistemas parciais ou circunscritos, baseados em idéias, opiniões ou concepções pessoais de um Espírito.
Foi pela universalidade do ensino dos Espíritos que todo princípio do Espiritismo recebeu a sanção da concordância.
O controle universal é a garantia para a unidade do Espiritismo, por anular todas as teorias contraditórias.
O êxito da Doutrina Espírita formulada no “O Livro dos Espíritos” e no “O Livro dos Médiuns” está em que, por toda parte, todos puderam receber diretamente dos Espíritos a confirmação do que esses livros encerram.
O princípio da concordância é garantia contra as alterações que o Espiritismo possa sofrer de seitas que quiserem apoderar-se dele para proveito próprio, acomodando-o à sua vontade.
Qualquer um que tentar desviar o Espiritismo de seu objetivo providencial fracassará, porque os Espíritos, através da universalidade de seus ensinamentos, jogarão por terra toda modificação que se afaste da verdade.
Adicionalmente, as instruções dos Espíritos, dadas sobre pontos da Doutrina ainda não elucidados, devem ficar isoladas e ser aceitas com prudência e reservas, a título de informação, e como opiniões individuais que necessitam de confirmação.
Já os Espíritos superiores procedem, em suas revelações, com extrema sabedoria. Eles observam se a inteligência está apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada e se as circunstâncias estão propícias para a emissão de uma idéia nova.
Portanto, a força e a autoridade do Espiritismo estão na voz unânime dos Espíritos; na universalidade dos ensinamentos dos Espíritos que se comunicam por toda parte por ordem de Deus. Nisto está o caráter essencial da Doutrina Espírita.

NOTÍCIAS HISTÓRICAS
A compreensão de certas passagens contidas nos Evangelhos exige o conhecimento do significado das seguintes palavras:
SAMARITANOS: Dissidentes das dez tribos de Israel, que tinham na Samaria a capital do reino. Admitiam apenas o Pentateuco contendo a lei de Moisés. Aos olhos dos judeus ortodoxos, eram considerados heréticos e, assim, desprezados, anatematizados e perseguidos.
NAZARENOS: Judeus que faziam voto permanente ou não de manter uma pureza perfeita. Mais tarde, os judeus deram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré.
PUBLICANOS: Cobradores de taxas, impostos e rendas no império romano. Os judeus dificilmente aceitavam os impostos da dominação romana. Revoltavam-se contra e tinham desprezo pelos encarregados de cobrá-los.
FARISEUS: Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas e pretendiam ter o monopólio da verdade. Prendiam-se às práticas exteriores, ao culto e às cerimônias. Adoravam fazer proselitismo e eram inimigos dos inovadores. Tinham só a aparência e a ostentação da virtude. Exerciam grande influência sobre o povo. Jesus, ao desmascarar a hipocrisia deles, foi considerado inimigo. Então, aliaram-se aos príncipes dos sacerdotes para amotinar o povo contra Jesus e matá-lo.
ESCRIBAS: Doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Eram aliados dos fariseus, aceitando os seus princípios e sua antipatia contra os inovadores.
SINAGOGA: Edifício onde os judeus se juntavam aos sábados para fazer preces públicas, sob a direção de anciões, escribas ou doutores da lei. Ali eram lidos e comentados também livros sagrados.
SADUCEUS: Não acreditavam na imortalidade da alma, na ressurreição, nem na existência dos bons ou maus anjos. Acreditavam apenas em Deus e em suas recompensas terrenas. Atinham-se aos textos da antiga lei. Valorizavam as boas obras e faziam oposição dos fariseus.
ESSÊNIOS OU ESSEUS: Ensinavam o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Viviam em celibato, condenavam a servidão e a guerra, usavam comunitariamente seus bens e dedicavam-se à agricultura. Faziam oposição ao modo de vida dos saduceus e dos fariseus.
TERAPEUTAS: Tinham grande relação com os essênios, professando os mesmos princípios. Entregavam-se à prática das virtudes.

SÓCRATES E PLATÃO, PRECURSORES DA IDÉIA CRISTÃ E DO ESPIRITISMO.
A idéia cristã foi pressentida vários séculos antes de Jesus e dos essênios. Sócrates e Platão foram os principais precursores.
Assim como a Doutrina de Jesus é conhecida pelos escritos de seus discípulos, a Doutrina de Sócrates é conhecida pelos escritos de seu discípulo Platão. Porém, existe concordância nos princípios dessas Doutrinas, embora a de Jesus seja mais completa e depurada que a de Sócrates. Além disso, nessas Doutrinas podem ser também encontrados os fundamentos do Espiritismo.

RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E PLATÃO
1. O homem é uma alma encarnada. Ela existia antes de sua encarnação. Trata-se do princípio inteligente independente do princípio material ou da doutrina da preexistência da alma.
2. Quando a alma contempla a sua própria essência, ela se transporta para o que é puro, eterno, imortal e o seu estado é o que se chama sabedoria. A verdadeira sabedoria vê as coisas do ponto de vista espiritual, com os olhos do espírito.
3. O corpo material obscurece as faculdades da alma e cria as ilusões sobre as coisas materiais. A expansão dessas faculdades e o conhecimento da essência das coisas ocorrem após a morte do corpo material.
4. A alma impura permanece errante e presa no meio terreno, sofrendo penas até que os apetites inerentes à sua forma material tragam-na de volta a um corpo material. Isso não ocorre com as almas dos bons. Trata-se, claramente, do princípio da reencarnação e do estado das almas no pós morte. O Espiritismo diz que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade e adquiriu conhecimentos, traz menos defeitos ao renascer, mais virtudes e mais idéias intuitivas, em função do progresso intelectual e moral.
5. Após a nossa morte, o nosso anjo guardião nos acolhe e conduz a um julgamento. Depois de um tempo necessário, as almas são trazidas de volta para a vida material. Trata-se da doutrina dos anjos guardiões ou Espíritos protetores e das reencarnações sucessivas após intervalos mais ou menos longos na erraticidade.
6. Os Espíritos maus preenchem o intervalo que separa o céu da Terra. A divindade não entra em comunicação direta com o homem. Os Espíritos se relacionam e conversam com o homem, seja durante a vigília, seja durante o sono. O Espiritismo diz que os Espíritos povoam o espaço; que os Espíritos puros são intermediários e encarregados por Deus de transmitir Suas vontades; que os Espíritos se comunicam com os homens durante a vigília e durante o sono.
7. A preocupação constante do filósofo deve ser cuidar da alma que está nesta vida por só um instante, tendo em vista a eternidade. Tanto o Cristianismo, como o Espiritismo ensinam a mesma coisa.
8. A alma invisível e imaterial transporta-se, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial. Mas, é importante distinguir bem a alma pura que se nutre de ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos maculada de impurezas materiais que a impedem de se elevar ao divino, retendo-a nos lugares de sua passagem pela Terra. Trata-se da compreensão dos diferentes graus de desmaterialização da alma e da situação que desfrutam em função da maior ou menor pureza. É o que o Espiritismo prova através de numerosos exemplos.
9. O homem que ornou a sua alma com boas obras poderá esperar tranquilamente a hora de sua partida para o outro mundo. O homem que se despojou de seus vícios e se enriqueceu de virtudes pode só esperar, tranquilamente, o despertar na outra vida. O Espiritismo mostra, com exemplos, o quanto é penosa para o mau a sua passagem e entrada na vida futura.
10. A alma despojada do corpo material traz evidentes os traços de seu caráter e de suas afeições, bem como as marcas de cada um dos seus atos. Assim, a maior infelicidade que pode ocorrer ao homem é ir ao outro mundo com uma alma carregada de crimes. Portanto, mais vale receber do que fazer uma injustiça; não só parecer um homem de bem, mas sê-lo. Já a alma não depurada conserva as idéias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na Terra.
11. Se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos devem se reunir, que felicidade de aí reencontrar aqueles que se conheceu! Poder examinar de perto os habitantes dessa morada e aí distinguir os que são sábios dos que crêem sê-lo, mas não o são. Trata-se do reencontro com os conhecidos após a morte. O Espiritismo mostra-nos que eles continuam as relações que tiveram.
12. Não devolver injustiça com injustiça. Não fazer mal a ninguém em revide a algum mal recebido. Trata-se do princípio da caridade: não devolver o mal com o mal e perdoar os inimigos.
13. É pelos frutos que se reconhece a árvore. Qualificar cada ação segundo o que ela produz de bom ou de mal. Esta máxima também está contida no Evangelho.
14. A riqueza é perigosa porque quem ama a riqueza não ama nem a si mesmo nem ao que é seu.
15. As preces que agradam a Divindade são as da alma virtuosa que se esforça por se assemelhar a ela. Só os verdadeiramente justos e sábios, por suas palavras e por seus atos, ficam quites com o que devem aos deuses e aos homens.
16. O homem vicioso é o que ama mais o corpo do que a alma. O amor está em toda parte nos convidando a exercer a nossa inteligência. O amor deve unir os homens pelo laço fraterno.
17. A virtude vem por um dom de Deus àqueles que a possuem. O Espiritismo diz que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços nas existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições. A graça é a força com a qual Deus favorece todo homem de boa vontade para se despojar do mal e fazer o bem.
18. Percebemos muito menos nossos defeitos do que os alheios. Trata-se do que consta no Evangelho: “Vedes a palha no olho de vosso vizinho, mas não vedes a trave que está no vosso”.
19. Os médicos fracassam na maior parte das doenças porque tratam o corpo sem a alma. O todo não estando em bom estado, é impossível que a parte esteja bem. O Espiritismo prova a existência de uma reação incessante entre a alma e o corpo, abrindo novo caminho à ciência. Ele mostra a verdadeira causa de certas afecções, dando-lhe os meios de combatê-las. Quando a ciência levar em conta o elemento espiritual, fracassará menos.
20. Os homens, desde a infância, fazem muito mais o mal do que o bem. O Espiritismo mostra que a questão da predominância do mal na Terra fica sem solução sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e da destinação da Terra, habitada por pequena fração da humanidade.
21. Há sabedoria em não pensares que sabe o que não sabes; em não criticar aquilo que não é conhecido; em procurar a instrução e a verdade. As grandes verdades novas levantam contra si os interesses e os preconceitos que ferem.
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QUATRO LIÇÕES INESQUECÍVEIS:
1. Submeter ao controle da razão, do bom senso e da lógica rigorosa tudo o que os Espíritos disserem ou escreverem através dos médiuns.
2. Observar rigorosamente o princípio da universalidade do ensino dos Espíritos: a única garantia séria do ensinamento dos Espíritos está na concordância entre as revelações feitas espontaneamente através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e de regiões diversas.
3. Rejeitar ou jamais aceitar idéias, opiniões ou concepções pessoais de um Espírito, ditadas através de um único médium.
4. Deixar isoladas e aceitar com prudência, reservas e a título de informação, as instruções dos Espíritos dadas acerca de pontos da Doutrina ainda não elucidados. Tê-las apenas como opiniões individuais que necessitam de confirmação.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"O LIVRO DOS MÉDIUNS": INTRODUÇÃO


“O LIVRO DOS MÉDIUNS”: Principais lições contidas na “INTRODUÇÃO”
Geziel Andrade

APRESENTAÇÃO
“O Livro dos Médiuns” foi publicado por Allan Kardec no ano de 1861, em substituição ao livreto “Instruções Práticas Sobre as Manifestações Espíritas”, lançado em 1858.

O codificador do Espiritismo considerou esse livro a continuação de sua primeira obra espírita: “O Livro dos Espíritos”.

No “O Livro dos Médiuns”, Allan Kardec reuniu conhecimentos e experiências abrangentes sobre as manifestações inteligentes dos Espíritos, a mediunidade, os médiuns e as várias formas de comunicação dos Espíritos, elaborando um livro insuperável em seu gênero.

Além disso, Allan Kardec ressaltou os aspectos morais envolvidos nesse intercâmbio entre os dois planos da vida, que exige seriedade, respeito, bom senso e responsabilidade.

A partir deste artigo, este Blog publicará as principais lições contidas em todos os Capítulos de “O Livro dos Médiuns”, permitindo uma fácil compreensão dos aspectos que envolvem a comunicação séria, segura, proveitosa e instrutiva com os Espíritos.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NA “INTRODUÇÃO”
A ignorância dos princípios do Espiritismo leva a muitas dificuldades e desilusões na prática da comunicação com os Espíritos. Por isso, antes de tudo, aquele que pretenda se ocupar com a parte prática da Doutrina Espírita precisa conhecer profundamente os princípios da Doutrina Espírita.

Embora o médium já traga em si mesmo os germes das qualidades necessárias à comunicação com os Espíritos, elas se apresentam em graus diversos e o seu desenvolvimento depende de fatores alheios à sua vontade.

Então, o médium precisa encontrar os meios para desenvolver a sua mediunidade, segundo as suas possibilidades, e dar a ela um emprego proveitoso.

Por outro lado, inúmeras pessoas que se dedicam às manifestações espíritas precisam de orientação para fazer as suas observações com segurança, vencer as dificuldades que se apresentam e estabelecer a comunicação séria com os Espíritos, de forma a obter boas comunicações.

Por isso, o estudo atencioso deste livro, tanto por parte do médium, quanto do estudioso dos fenômenos espíritas, propiciará mais facilidade na compreensão das manifestações e comunicações dos Espíritos.

A prática do Espiritismo é difícil, porque apresenta escolhos que somente um estudo sério e completo pode evitar erros. A pessoa estouvada que pretenda brincar de se comunicar ou de conversar com os Espíritos demonstra leviandade, falta de conhecimento de causa e falsa idéia sobre o mundo espiritual.

O Espiritismo tem um objetivo sério e grave; e a compreensão de seus princípios e de sua finalidade exige um estudo consciencioso.

O Espiritismo, além da sua parte prática, tem um aspecto filosófico que decorre das observações dos fenômenos espíritas e que tem despertado a atenção de muitas pessoas esclarecidas.

“O Livro dos Médiuns” trata da parte prática do Espiritismo. Ele se destina aos que desejam ocupar-se com as manifestações dos Espíritos, seja pessoalmente, seja pela observação de experiências alheias, sem cair nos escolhos.

A leitura prévia de “O Livro dos Espíritos”, contendo os princípios fundamentais do Espiritismo, torna mais fácil a compreensão de algumas partes de “O Livro dos Médiuns”.

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LIÇÕES A RETER:
· Todo médium traz em si mesmo a faculdade mediúnica e os germes das qualidades necessárias ao seu desenvolvimento e ao seu exercício.
· O desenvolvimento da mediunidade não depende apenas da vontade de quem quer ser médium. Ela depende principalmente da atuação dos Espíritos.
· O desenvolvimento da mediunidade depende ainda das possibilidades de cada um em servir de intermediário para as manifestações e as comunicações dos Espíritos.
· “O Livro dos Médiuns” é o guia seguro para quem quer fazer o desenvolvimento correto da mediunidade e dar um emprego proveitoso à sua faculdade mediúnica.
· “O Livro dos Médiuns” não orienta apenas os médiuns. Ele orienta também os estudiosos dos fenômenos espíritas e das manifestações e comunicações dos Espíritos: apontando-lhes as dificuldades; ensinando-lhes as maneiras corretas de se comunicarem com os Espíritos e de obterem boas comunicações; transmitindo-lhes experiências úteis que elucidam os fatos espíritas; orientando-lhes na avaliação da linguagem usada pelos Espíritos; prevenindo-lhes de cair em erros e decepções; e permitindo-lhes realizar experiências proveitosas, com conhecimento de causa, propiciando o desenvolvimento do aspecto filosófico do Espiritismo.
· O estudo de “O Livro dos Médiuns” torna-se mais proveitoso para quem já conhece os princípios do Espiritismo, contidos em “O Livro dos Espíritos”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita


“O LIVRO DOS ESPÍRITOS”: LIÇÕES CONTIDAS NA “INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA”.

Geziel Andrade

“O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, é um trabalho realizado em conjunto com os Espíritos superiores, graças ao auxílio de diversos médiuns.

Trata-se de uma obra inovadora e extraordinária, que precisa ser estudada permanentemente por todos.

O seu conteúdo nos permite entender facilmente: a existência de Deus e os Seus atributos; os princípios material e espiritual, criados por Deus; a existência dos Espíritos e suas relações com o mundo material; a pluralidade dos mundos habitados; a classificação dos Espíritos segundo os seus graus de evolução intelectual e moral; a necessidade da encarnação para os Espíritos progredirem; a emancipação da alma durante o sono; a pluralidade das existências materiais; a vida espiritual e as atividades desempenhadas pelos Espíritos; a intervenção dos Espíritos no mundo corpóreo; a obsessão e suas conseqüências para os homens; a mediunidade e as manifestações inteligentes dos Espíritos; as Leis morais que geram na nossa vida; as condutas que devemos adotar perante Deus e os semelhantes; e as penas e os gozos dos Espíritos nas vidas terrena e espiritual.

A partir deste artigo, este Blog apresentará as principais lições contidas em todos os Capítulos de “O Livro dos Espíritos”. Com isso, o(a) prezado(a) leitor(a) poderá conhecer e avaliar, com conhecimento de causa, os fundamentos da Doutrina dos Espíritos.

LIÇÕES CONTIDAS NA “INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA”.

I - ESPIRITISMO E ESPIRITUALISMO: O espiritualismo é o contrário do materialismo. O espiritualista acredita na existência, em si mesmo, da alma, que é um ser espiritual, individual e moral independente da matéria. Ela sobrevive à morte do corpo material e conserva a sua individualidade na vida espiritual.

A Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos. Estes seres habitam o mundo invisível. Os espíritas são os adeptos do Espiritismo ou da Doutrina Espírita e adotam os princípios contidos em “O Livro dos Espíritos”.

II - ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUIDO VITAL: A alma é um ser moral, distinto e independente da matéria, que existe em nós e cuja individualidade sobrevive à morte do corpo material.

O princípio vital é o princípio da vida material e orgânica. Esse princípio é comum a todos os seres vivos, desde as plantas até ao homem. O princípio vital é distinto e independente da faculdade de pensar, que pertence à alma. Para uns, o princípio vital é uma propriedade da matéria; é um efeito que se produz quando a matéria se encontra organizada em dadas circunstâncias. Para outros, o princípio vital decorre de um fluido vital especial, que pode ter diversas denominações. Desse fluido universalmente espalhado, cada ser absorve e assimila uma parte durante a vida.

III - A DOUTRINA E SEUS CONTRADITORES: O movimento de objetos foi designado vulgarmente de mesas girantes ou dança das mesas. Esse fenômeno surgiu, primeiramente, na América e produziu-se acompanhado de ruídos e golpes, sem uma causa ostensiva conhecida. Dali propagou-se rapidamente pela Europa e atingiu outras partes do mundo.

O movimento dos objetos era brusco e desordenado. Eles eram violentamente sacudidos, derrubados, conduzidos numa certa direção ou suspensos e mantidos no espaço. O fenômeno nem sempre correspondia às expectativas dos estudiosos. Ele não obedecia à sua vontade, nem à sua maneira de experimentação.

O movimento dos objetos multiplicou-se de tal modo que se tornou inevitável a busca de uma explicação racional para ele. Não se encontrava razão para negar o fato, nem para se duvidar do caráter das pessoas sérias e honestas que se ocupavam com ele e que não tinham interesse em enganar os semelhantes.

IV - MANIFESTAÇÕES INTELIGENTES: Certo dia, alguém descobriu que existia uma força inteligente controlando o movimento dos objetos. Isso porque as mesas que se moviam podiam dar determinados golpes ou batidas com o pé, respondendo, por “sim” ou “não”, às perguntas que lhes eram formuladas.

Em seguida, começaram a ser obtidas respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto. O móvel dava um número combinado de batidas para cada letra do alfabeto, permitindo a lenta formação de palavras e de frases. Assim eram respondidas as questões que lhe eram propostas.

Certo dia, o ser misterioso que respondia às questões, interpelado a respeito de sua natureza, declarou que era um Espírito ou Gênio; deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito. Até então, ninguém havia pensado nos Espíritos, para explicar a causa do fenômeno das mesas girantes.

Depois, foi um dos seres invisíveis quem aconselhou os interessados na comunicação com os Espíritos a adaptar um lápis a uma cesta ou a um outro objeto qualquer. Esse mesmo conselho foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos países.

A cesta, adaptada ao lápis e posta sobre uma folha de papel, era movimentada pelo Espírito. Então, o lápis escrevia, seguindo os movimentos da cesta. Isso permitiu a formação de palavras, frases, discursos inteiros de muitas páginas, tratando das mais altas questões da Filosofia, da Moral, da Metafísica, da Psicologia, etc. A rapidez dessa escrita alcançava a rapidez da escrita à mão. E para facilitar essa escrita, algumas pessoas substituíram a cesta por uma prancheta, na qual era adaptado um lápis.

A cesta ou a prancheta contendo um lápis adaptado podia ser posta em movimento somente por certas pessoas, que eram dotadas de um poder especial e que foram designadas pelo nome de médiuns. Estes podiam servir de intermediários entre os Espíritos e os homens.

Os médiuns podiam ser encontrados em pessoas de todas as idades, sexos e com diferentes graus de desenvolvimento intelectual. Descobriu-se, também, que essa faculdade podia ser desenvolvida com o exercício.

V - DESENVOLVIMENTO DA PSICOGRAFIA: Mais tarde, percebeu-se que o médium, tomando diretamente o lápis na mão, podia escrever por um impulso involuntário e quase febril. Assim, as comunicações dos Espíritos tornaram-se mais rápidas, fáceis e completas.

Então, os Espíritos puderam tratar de questões mais complexas ainda, fora dos conhecimentos e do alcance intelectual do médium, algumas vezes em língua que lhe era estranha.

A linguagem utilizada pelo Espírito comunicante revelava a sua superioridade ou a sua inferioridade intelectual e moral. Havia também uma mudança radical na letra do médium, segundo o Espírito que se manifestava. E, cada vez que o mesmo Espírito voltasse, a mesma letra era repetida.

Com o conhecimento da variedade na faculdade mediúnica, constatou-se que alguns Espíritos podiam dar comunicações escrevendo diretamente numa folha de papel, isto é, sem o concurso da mão do médium para segurar o lápis e escrever no papel.

As respostas que os Espíritos davam para certas questões abstratas ou científicas estavam notoriamente fora dos conhecimentos e do alcance intelectual do médium. Muitas vezes, ele não tinha consciência do que escrevia e, por outro lado, nem mesmo entendia a gravidade da questão tratada, que podia ser formulada num língua estrangeira ou feita mentalmente. Às vezes, o médium escrevia de maneira espontânea, sem que nenhuma questão fosse previamente formulada, tratando de assunto absolutamente inesperado. Algumas respostas dadas pelos Espíritos revelavam uma sabedoria superior e uma moralidade bastante elevada. Outras vezes, as respostas dadas eram levianas, frívolas e banais, indicando a diversidade das inteligências invisíveis que podiam se manifestar e comunicar com os homens.

VI - RESUMO DA DOUTRINA DOS ESPÍRITOS: Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom.

Deus criou o Universo com todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais.

O mundo espírita ou dos Espíritos é o normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo material é secundário. Pode deixar de existir sem alterar a essência do mundo espiritual.

No homem, o Espírito está revestido temporariamente por um corpo material perecível. A morte lhe devolve a liberdade de ação no mundo espiritual.

O Espírito que encarna na espécie humana já possui um certo grau de desenvolvimento, que lhe dá uma superioridade moral e intelectual em relação às demais espécies.

A alma é um Espírito encarnado; e o corpo material é apenas o seu invólucro.

Há no homem três coisas: 1) o corpo material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital. 2) A alma ou o Espírito encarnado no corpo material. 3) o liame que une a alma ao corpo material, sendo um princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O perispírito é o nome dado a esse liame que une o Espírito ao corpo material. Ele é uma espécie de invólucro semimaterial do Espírito

O perispírito acompanha o Espírito após a morte do corpo material e lhe serve de corpo etéreo. Porém, no seu estado normal, o perispírito é invisível para os homens.

Alguns Espíritos podem tornar o seu perispírito visível ou mesmo tangível para os homens, promovendo o fenômeno das aparições que constam nos livros religiosos. As aparições comprovam que o Espírito é um ser real e definido e que pode ser apreciado pela vista, pela audição e pelo tato.

Os Espíritos pertencem a diferentes classes. Não são iguais em inteligência, nem em saber e em moralidade. Os Espíritos superiores pertencem à primeira classe. Distinguem-se dos outros pela perfeição alcançada, pelos conhecimentos, pelo amor, pela pureza dos sentimentos e pela proximidade de Deus. Os Espíritos das classes inferiores tendem ao ódio, à inveja, ao orgulho, etc. e podem se comprazer no mal. Os Espíritos situados nas classes intermediárias não são nem muito bons, nem muito maus.

Os Espíritos sobem os diversos graus da hierarquia espírita. Eles enfrentam as provas da encarnação, cumprem missão ou expiação, sendo as diferentes existências corporais sempre progressivas. Assim, todos os Espíritos chegam um dia à perfeição absoluta.

O Espírito passa por muitas encarnações ou existências materiais, na Terra ou em outros mundos habitados. Assim progride sempre. Porém, a rapidez desse progresso depende dos esforços que faz para atingir a perfeição espiritual.

O homem de bem é a encarnação de um bom Espírito. O homem perverso é a encarnação de um Espírito ainda impuro.

Quando está encarnado, o Espírito sofre a influência da matéria e de outros Espíritos encarnados ou desencarnados. O Espírito encarnado aproxima-se dos bons Espíritos ou dos maus Espíritos, segundo o seu grau de evolução moral e espiritual e de suas tendências boas ou más.

Com a morte do corpo material, o Espírito volta ao mundo dos Espíritos, conservando a sua individualidade e as suas características. Lá reencontra aqueles que conheceu na Terra e em existências anteriores, e recorda-se do bem ou do mal que praticou, sendo feliz ou infeliz.

O Espírito não fica preso numa região determinada e circunscrita do espaço. Ele pode continuar na crosta da Terra ou ir a outra parte. Assim, temos, ao nosso lado, uma população invisível de Espíritos nos observando e exercendo influências sobre a matéria, o nosso estado moral, os nossos pensamentos e as nossas condutas. As influências são boas ou más dependendo dos seus graus de evolução espiritual.

Os Espíritos podem manifestar-se espontaneamente ou pela evocação. Eles são atraídos pelas simpatias morais com quem os evoca. Os homens podem obter dos Espíritos, através de médiuns, comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações ou revelações diversas. Essas manifestações são sempre condizentes com o grau de superioridade ou de inferioridade intelectual e moral do Espírito comunicante. A linguagem nobre e elevada identifica os Espíritos superiores dos inferiores. A moral dos Espíritos superiores é a do Cristo: “fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”.

Os Espíritos experimentam expiações pelas faltas cometidas. Assim, conseguem reparar erros cometidos, progredir e avançar na escala espírita em rumo à perfeição espiritual.

VII - A CIÊNCIA E O ESPIRITISMO: A Ciência é incompetente para se pronunciar a respeito do Espiritismo, que trata da existência da alma e do seu estado após a morte. Esse assunto foge da simples observação material dos fatos e o mundo dos Espíritos está fora do domínio das propriedades da matéria e das leis físicas e humanas. Por outro lado, os Espíritos têm inteligência e vontade próprias. Eles não se submetem aos caprichos dos investigadores comuns.

VIII - PERSEVERANÇA E SERIEDADE: O estudo do Espiritismo deve ser feito por homens sérios, perseverantes, isentos de prevenções e animados de uma firme e sincera vontade de chegar a um bom resultado. Somente assim, eles contam com a assistência dos Espíritos superiores.

IX - MONOPOLIZADORES DO BOM SENSO: Os incrédulos dos fenômenos espíritas não possuem o monopólio do bom senso, nem as conveniências do valor moral. Os espíritas também contam com esses atributos. Então, podem analisar as manifestações dos Espíritos e constatar as realidades espirituais com seriedade. Grande número de pessoas sábias, sérias, honradas e instruídas aderiu à Doutrina Espírita, após estudar os fenômenos e fatos espíritas.

X - A LINGUAGEM DOS ESPÍRITOS E O PODER DIABÓLICO: Os Espíritos não são iguais em conhecimentos, nem em qualidades morais. Por isso, tudo o que disserem deve ser bem analisado. As pessoas sensatas distinguem os Espíritos superiores dos Espíritos inferiores pelo o que eles dizem. Para isso, fazem um exame sério de sua linguagem. Mesmo os Espíritos temporariamente vinculados ao mal, para os quais os homens atribuíram um poder diabólico, progridem intelectual e moralmente, através das sucessivas reencarnações e, assim, caminham para a perfeição espiritual.

XI - GRANDES E PEQUENOS: Entre os Espíritos que se manifestam espontaneamente, há um grande número de desconhecidos. Mas, quando são evocados, é natural que se manifestem os Espíritos de parentes e amigos que são conhecidos. Os nomes de personalidades ilustres, que os Espíritos dão, chamam a atenção para as manifestações espíritas, o que não ocorre com os nomes desconhecidos.

XII - DA IDENTIFICAÇÃO DOS ESPÍRITOS: Os Espíritos inferiores apresentam-se, muitas vezes, com nomes conhecidos e respeitados, mas podem facilmente ser reconhecidos pelo que dizem e pela linguagem que usam. Mas, quando há a manifestação de um Espírito conhecido, de um parente ou de um amigo, se ele morreu há pouco tempo, ele pode ser identificado pela sua linguagem. Ele fala de coisas particulares e cita casos familiares, que somente o interlocutor conhece. Assim, a sua identificação torna-se fácil. Em alguns casos, a caligrafia revela semelhança flagrante com a que o Espírito tinha em vida, com a assinatura perfeitamente idêntica, o que torna a identificação facilitada. Para os Espíritos desencarnados há mais tempo, é preciso ater-se à linguagem, ao caráter, às idéias, à elevação moral, aos fatos de sua vida, etc. para se obter a identificação. Alguns Espíritos desconhecidos podem adotar nomes de Espíritos conhecidos, para substituí-los e para transmitir as idéias que pertencem a ambos. Mas, o observador atento e paciente percebe os fatos e as nuanças, obtendo sempre a identificação correta dos Espíritos.

XIII - AS DIVERGÊNCIAS DE LINGUAGEM: Existe divergência na linguagem dos Espíritos, porque eles são muito diferentes uns dos outros, quanto ao conhecimento e à moralidade. Eles transmitem os seus pensamentos e as definições das coisas empregando uma linguagem que corresponde sempre às suas categorias espirituais. Daí a importância da análise criteriosa da linguagem empregada para detectar a essência de seus pensamentos.

XIV - AS QUESTÕES DE ORTOGRAFIA: A ortografia dos Espíritos nem sempre é impecável. Ocorrem falhas ortográficas na redação. Alguns Espíritos cometem erros pelo fato que nem todos sabem corretamente a ortografia. Eles, geralmente, estão mais preocupados com a idéia do que com a forma de expressá-la. Para os Espíritos superiores, a idéia é tudo, a forma não é nada. Por outro lado, nem sempre a linguagem humana é perfeita para exprimir as idéias e as coisas espirituais. Geralmente, os Espíritos ligam pouca importância às puerilidades ortográficas. Eles preocupam-se mais com a profundidade e a seriedade dos seus ensinamentos.

XV - A LOUCURA E SUAS CAUSAS: As grandes preocupações intelectuais, em todos os campos da vida, podem ocasionar a loucura. Mas, geralmente, ela surge de uma predisposição orgânica no cérebro. O Espiritismo bem compreendido é um preservativo contra a loucura. O verdadeiro espírita olha as coisas deste mundo de um ponto de vista mais elevado. Ele entende a vida presente e a vida futura, vendo as provas da vida como motivo para o seu adiantamento, desde que as sofra com resignação e coragem.

XVI - A TEORIA MAGNÉTICA E A DO MEIO AMBIENTE: Uma multidão de fatos atesta que a participação do médium é passiva nas comunicações com os Espíritos. Isto joga por terra a teoria que admite um desenvolvimento anormal da intelectualidade e das percepções dos médiuns. A falta de unidade nas manifestações dos Espíritos, através de um mesmo médium, prova a diversidade das fontes de comunicação. Além disso, não existe uma razão aceitável para um médium atribuir aos Espíritos ensinamentos tão precisos, lógicos e sublimes que recebe. Outro erro grave dos opositores é supor que o médium tira das pessoas que o cercam todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos. A realidade dos fatos demonstra que algumas comunicações obtidas pelo médium são completamente estranhas aos pensamentos, aos conhecimentos e às próprias opiniões das pessoas presentes, contradizendo espontaneamente as idéias preconcebidas. A Doutrina Espírita foi ditada pelos Espíritos que se manifestaram, quando ninguém imaginava a existência deles, e a opinião geral até mesmo a repelia. Onde, então, os diferentes e muitos médiuns foram buscar a Doutrina que não existia no pensamento de ninguém sobre a Terra e que concorda perfeitamente em todos os seus princípios? Os fatos demonstram que os Espíritos que se manifestam possuem inteligência, independência e vontade bem distintas da dos médiuns, contrariando as suposições em contrário.

XVII - PREENCHENDO OS VAZIOS DO ESPAÇO: Os espaços estão preenchidos pelos Espíritos de todas as categorias de evolução intelectual, moral e espiritual. A Ciência Espírita, que estuda as relações desses seres espirituais com o mundo material, contém duas partes: uma experimental, que estuda as manifestações em geral; e outra filosófica decorrente das manifestações inteligentes dos Espíritos. O conhecimento dessa Ciência pode ser adquirido com um estudo profundo e continuado, feito no silêncio e no recolhimento.
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MEMORIZAÇÃO:
1-MESAS GIRANTES = Mesas que se moviam sob a ação inteligente dos Espíritos.
2-ESPIRITISMO = Doutrina que tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos.
3-DEUS = O Criador de todas as coisas.
4-PRINCÍPIO VITAL = O princípio da vida material e orgânica, criado por Deus.
5-ESPÍRITO = Princípio inteligente criado por Deus. Cada Espírito encontra-se num determinado grau de evolução intelectual e moral. Porém, progride sempre em função da necessidade da encarnação, até atingir a perfeição espiritual.
6-ALMA = O Espírito encarnado.
7-PERISPÍRITO = O liame que une o Espírito ao corpo material.
8-SENSO MORAL = Faculdade que pertence ao Espírito e que, com o seu progresso moral, desmaterializa o perispírito, tornando-o mais sutil.
9-MÉDIUM = Intermediário nas manifestações e comunicações dos Espíritos com os homens. A faculdade mediúnica pode ser desenvolvida com o exercício.
10-PSICOGRAFIA = Escrita do Espírito servindo-se da mão do médium.
11-ESCRITA DIRETA = Escrita do Espírito numa folha de papel sem precisar do concurso do médium, nem de um lápis.
12-LINGUAGEM USADA PELO ESPÍRITO = Elemento da comunicação que permite a identificação do Espírito, bem como do seu grau de elevação intelectual e moral.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

MENSAGENS DOS ESPÍRITOS AOS SEUS FAMILIARES



MENSAGENS DOS ESPÍRITOS AOS SEUS FAMILIARES

Geziel Andrade

Desde Allan Kardec, os Espíritos têm transmitido, através de médiuns, mensagens escritas aos seus familiares ainda encarnados, comprovando a sobrevivência da alma à morte do corpo material, bem como dando informações detalhadas sobre as suas condições de vida no além-túmulo.


No livro “O Céu e o Inferno”, bem como na “Revista Espírita”, de Allan Kardec, podemos encontrar muitas dessas mensagens esclarecedoras.

No Brasil, o notável médium psicógrafo Chico Xavier nos deixou, em muitos livros espíritas publicados, centenas dessas mensagens, dando provas incontestáveis de que as faculdades humanas pertencem à alma imortal e de que os Espíritos podem se comunicar com precisão com os homens para lhes dar notícias sobre a vida no mundo espiritual.

Neste mesmo blog, o(a) prezado(a) leitor(a) pode encontrar a mensagem que o Espírito de meu avô Juca Andrade enviou a meus familiares, através da mediunidade de Chico Xavier, dando detalhes de sua entrada na vida espiritual, bem como espalhando conforto espiritual e alegria.

Outro médium que se tornou muito conceituado nesse tipo de comunicação dos Espíritos foi Eurícledes Formiga. Ele atuou junto ao Centro Espírita Perseverança, em São Paulo, consolando muitos pais aflitos que perderam entes queridos. Seus livros contendo essas mensagens difundem um novo entendimento da vida, serenidade e consolação.

Nesta oportunidade, vou tratar das mensagens dos Espíritos recebidas pelo médium Carlos Antonio Baccelli, da cidade de Uberaba –MG.

Como exemplo, vou relatar os fatos espíritas ocorridos em uma sessão espírita pública realizada em minha cidade natal: Mogi Mirim, Estado de São Paulo.

Foi no dia 24 de setembro de 2001. A partir das 13:00 horas, dezenas de pessoas começaram a entrar na sede da Associação Espírita Jesus e Caridade para participar de um evento organizado pelos Centros Espíritas de Mogi Mirim, contando esse evento com a presença do conhecido médium.

A partir das 16:00 horas, dezenas de pessoas, com senhas nas mãos, começaram a falar com o médium para pedir notícias de seus entes queridos falecidos.

Às 18:00 horas, teve início a sessão espírita pública para o recebimento das mensagens que seriam enviadas pelos Espíritos em resposta aos pedidos de seus familiares.

Com o início da reunião mediúnica, alguns fatos marcantes e inesquecíveis saltaram aos olhos de cerca de 400 pessoas de todas as crenças e convicções religiosas que estavam presentes. A grande maioria estava sentada, mas muitas delas estavam debruçadas nas janelas olhando para dentro da sala, enquanto que outras estavam em pé ou sentadas nos corredores. No ambiente, grandes luzes fluorescentes estavam acessas, dando uma luminosidade semelhante a um dia muito claro de sol. Depois da prece de abertura, diversos oradores previamente escalados passaram a se revezar, a cada 15 minutos, abordando o Capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, mas usando um microfone para um amplificador com alguns alto-falantes muito potentes, tornando o som audível além do grande salão. Nas ruas movimentadas em frente e ao lado da Associação Espírita, os carros e ônibus promoviam grande agitação em função do horário. Na Igreja Evangélica ao lado, o pastor colocou o som nas alturas, visando atrair a atenção dos transeuntes para a pregação da noite.

Enquanto isso, Carlos Baccelli, indiferente a todo esse tumulto, prosseguia psicografando tranqüilamente as mensagens dos Espíritos aos seus familiares.

No final dessa reunião espírita, por volta das 21:00 horas, o próprio médium leu para o grande público presente as cartas dos Espíritos, entregando pessoalmente cada original lido aos destinatários com uma fita magnética, na qual fora gravada a mensagem no momento de sua leitura.

Disso tudo, foi possível extrair uma grande lição: quando o médium é verdadeiro e autêntico, ele dispensa quaisquer aparatos. A mediunidade verdadeira manifesta-se de forma tão natural a qualquer hora e ambiente, dando sempre provas incontestáveis da imortalidade da alma e das manifestações dos Espíritos. No caso em pauta, elas foram grafadas em papel e depois gravadas em fitas magnéticas.

Da análise do inteiro teor das mensagens recebidas naquela noite, ficou evidente a perfeita concordância com os ensinamentos dados pelos Espíritos, através de diferentes médiuns, desde o tempo de Allan Kardec, a saber:
· A soberania de Deus, bem como a Sua Vontade, estão acima de tudo.
· Os Espíritos comunicantes vêm acompanhados de outros Espíritos familiares que reencontraram no Além após a desencarnação.
· Os Espíritos demonstram que mantêm a memória, a intelectualidade, os sentimentos e as habilidades, ao ordenarem e registrarem fatos e nomes conhecidos e ao afirmarem conservar o amor e ter saudades dos familiares que ficaram na vida terrena.
· A morte é citada como um fenômeno que apenas despoja o Espírito de seu corpo material, sem, contudo, alterar em nada a sua essência íntima.
· A vida continua no Além de uma forma mais intensa, mas ainda exigindo lutas e esforços regenerativos.
· Os Espíritos acompanham a vida de seus entes queridos que ficaram na Terra e, ao mesmo tempo, demonstram preocupação em consolá-los, em transmitir-lhes bons conselhos e em ofertar-lhes palavras de resignação e conformação.
· Cada Espírito mostra-se convicto de que deveria ter realizado mais coisas boas enquanto esteve encarnado no mundo material.
· Os Espíritos demonstram gratidão pelos que os auxiliaram na vida terrena e pelos que lhes direcionam preces e bons pensamentos.
· Os Espíritos revelam abertamente quais são as suas condições de vida no mundo espiritual.
· A misericórdia divina cuida de todos os Espíritos, inclusive no momento da desencarnação.
· O perdão é a virtude indispensável para a libertação dos agressores ou para aliviar o peso dos erros cometidos.
· O arrependimento marca a nova fase da vida do Espírito suicida que promoveu muitos sofrimentos para si mesmo com a sua invigilância.
· Os Espíritos pedem a seus familiares encarnados que tenham paz de espírito para que eles também tenham tranqüilidade íntima.
· Os Espíritos confirmam as dificuldades de comunicação ainda existentes entre os dois mundos.
· As dívidas contraídas em vidas passadas podem determinar acontecimentos na presente, inclusive o modo da desencarnação.
· Os próprios Espíritos revelam o amadurecimento mental e íntimo que tiveram com a constatação das realidades espirituais.

Depois da leitura de sete cartas, dando notícias dos Espíritos comunicantes aos seus familiares, bem como mencionando as realidades acima apresentadas, Carlos Baccelli recitou uma linda poesia do Espírito Eurícledes Formiga, que havia psicografado minutos antes do final da sessão.

Com o encerramento dos trabalhos, todas as pessoas presentes saíram marcadas para sempre com os acontecimentos surpreendentes que presenciaram, evidenciando a grandeza doutrinária e a importância consoladora do Espiritismo.

Ainda como exemplo de mensagem de um Espírito a seus familiares, apresento a seguir, dando testemunho de autenticidade pelas revelações nela contidas, A MENSAGEM QUE O ESPÍRITO DE MEU TIO AYRTON ANDRADE, ENVIOU NAQUELA NOITE AOS SEUS FAMILIARES. Como já foi mencionado, ela foi transcrita para o papel da fita gravada no dia da psicografia feita pelo médium Carlos Baccelli.

SÉTIMA MENSAGEM: Querida Sílvia. Querida esposa e queridas filhas Zélia e Célia, o Senhor seja louvado.
Estou aqui em companhia do papai Juca e este é apenas um pequeno bilhete de saudade. O papai me explicou que necessitamos de cooperar com a reunião e que preciso me conter com referência ao tempo à minha disposição para escrever.
Sílvia, tranqüilize-se, estamos juntos e a chamada morte, de fato, não teria poder algum para nos separar. Você e as nossas filhas continuam sendo o único Céu a que aspiro, em qualquer parte do Universo.
Infelizmente, querida esposa, não pude ir um pouco mais adiante em sua companhia. Lutei quanto me permitiram as forças, mas os meus oitenta e um de idade, meu corpo físico em extremo desgaste falavam mais alto. A gastrite hemorrágica, se foi, digamos, a minha “causa mortis”, não me refletiu toda a situação dos órgãos em falência múltipla...
Sílvia, não se angustie, não se amargure e não chore mais. Eu estou bem e na medida do possível tenho estado com você; quando não sou eu que a visito em nossa casa, é você que vem ao meu encontro desse outro lado.
Peço-lhe, todavia, que não pense em vir em definitivo para onde eu a espero e esperarei. Reaja contra o desânimo e não permita que a tristeza a adoeça. Todos carecemos de sua alegria, Sílvia!
De minha parte, nada tenho a desculpá-la; você sim é que necessita me perdoar pelos meus erros e fragilidades de homem comum.
Na verdade, eu nunca consegui ser pelo menos o menor traço do papai que tantos, com justa razão, procuram seguir em seus exemplos de bondade e de vivência do Evangelho de Jesus.
Sílvia, compreenda que por hoje não posso mais. De certa forma, somos os anfitriões desta casa e não podemos ocupar o tempo destinado aos que Jesus convidou para esta festa promovida entre as Duas Dimensões.
Se eu fosse falar de saudades em breves palavras, seriam as minhas lágrimas que transbordariam dessas laudas.
Deixo-lhes o meu amor, a minha saudade e o meu afeto.
Eu lhe fiquei devendo tanto, Sílvia! O que não pudemos nos falar, ainda que tenhamos a eternidade, não nos falaremos. Por quanto aqueles que se amam nunca se dizem o bastante para falar um ao outro de seu amor.
Com todo o meu coração, sempre o esposo, o pai e o amigo que não os esquece, Ayrton. AYRTON ANDRADE.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

MENSAGEM DE NATAL


MENSAGEM DE NATAL

Uma Nova Era começou após o nascimento de Jesus.

Era de efetivamente praticarmos o amor a Deus e aos semelhantes, principalmente através dos atos de bondade, caridade, justiça e misericórdia.

Era de valorizarmos e de exteriorizarmos, por boas ações, o espírito de fraternidade e de solidariedade.

Que neste Natal, renovemos os nossos propósitos de:
· manter em nossa consciência e em nosso coração os ensinamentos do Divino Mestre Jesus;
· praticar as virtudes cristãs;
· exemplificar as condutas morais cristãs que melhoram as relações humanas;
· realizar as boas obras que caracterizam essa Nova Era de esperança na construção de um mundo melhor, por estar pautado nos ensinos de Jesus.

FELIZ NATAL E BOAS REALIZAÇÕES NO ANO NOVO.
Estes são os votos de Geziel Andrade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO


EDUCAÇÃO PARA O TRABALHO
Geziel Andrade – São Paulo –SP.

O Espiritismo educa-nos para o cumprimento da Lei do Trabalho com sabedoria e nobreza intelectual e moral.

Essa Lei é uma benção de Deus, por nos propiciar: ocupação e atividade útil; produtos e renda para o suprimento das necessidades; edificação de um modo digno e honesto de vida; aperfeiçoamento das faculdades da alma; engrandecimento e prosperidade pessoal; e participação ativa na evolução do planeta.

Allan Kardec ressaltou a grandeza da Lei do Trabalho nas Questões 674 a 685 de “O Livro dos Espíritos”. Desde então, a Doutrina Espírita vem coligindo os seguintes pontos que servem de base para a educação espírita voltada para o trabalho:

MELHORIA NAS RELAÇÕES HUMANAS: O trabalho honesto engrandece e fortalece as relações humanas. Ele garante a boa convivência e o bom relacionamento com os semelhantes.

CONQUISTA DAS VIRTUDES: O trabalho possibilita a aquisição e a prática das virtudes da responsabilidade, dedicação, disciplina, ordem, paciência e honestidade. Assim, ao mesmo tempo em que desenvolvemos as habilidades e realizamos as conquistas profissionais, melhoramos o caráter e adquirimos e exercitamos o bom hábito de praticar as virtudes.

DEVER PROFISSIONAL: O trabalho, ao impor o cumprimento consciencioso dos compromissos e deveres assumidos para com os semelhantes, exige de nós o aprimoramento dos talentos, das técnicas produtivas e da criatividade. Dessa forma, crescemos em profissionalismo e produzimos as boas obras que nos gratificam.

ACUMULAÇÃO DA RIQUEZA MATERIAL: O trabalho honesto é a fonte legítima da acumulação da riqueza material. Ele garante o salário justo ou o lucro honesto, com os quais concretizamos os sonhos de bem-estar e prosperidade.

SALÁRIO JUSTO E LUCRO HONESTO: O salário justo é a recompensa digna para o trabalhador produtivo e honesto. O lucro obtido de forma honesta é o prêmio ao empreendedor valioso que beneficia a sociedade com seus empreendimentos. Com o salário ou o lucro bem empregados, satisfazemos as necessidades individuais e coletivas, ao mesmo tempo em que promovemos o engrandecimento pessoal, familiar e social.

CONFLITOS ENTRE O CAPITAL E O TRABALHO: Ante aos históricos conflitos de interesse entre o capital e o trabalho, em busca da elevação do lucro ou do salário, devemos transformá-los em oportunidade para controlar a ambição e o egoísmo e para exercitar a fraternidade e a solidariedade, melhorando as condições de vida e promovendo o crescimento pacífico das partes envolvidas.

APROVEITAMENTO DO TEMPO: O trabalho é o melhor emprego que podemos dar às horas disponíveis. Fazendo esse bom aproveitamento do tempo, geramos os bens, produtos e serviços que garantem as conquistas materiais, a satisfação das necessidades e a organização de uma vida mais confortável.

SALÁRIO ESPIRITUAL: O trabalho, ao envolver o uso das faculdades intelectuais e morais, gera o aprimoramento das potências da alma. Com as experiências adquiridas e os valores espirituais acumulados, a alma ascende na hierarquia verdadeira.

DESCANSO E ENTRETENIMENTO: O trabalho, pelos benefícios materiais e espirituais que gera, merece toda a nossa dedicação. Porém, devemos valorizar também o descanso necessário e buscar o entretenimento sadio, que são indispensáveis ao refazimento das energias e a preservação das forças físicas, evitando as doenças ou a falência orgânica prematura.

DISTÂNCIA DOS VÍCIOS E DAS MÁS PAIXÕES: Os vícios e as más paixões têm conseqüências danosas para o corpo e a alma. Assim, devemos estar conscientes de seus efeitos nefastos. Educando a vontade e mantendo-nos distantes deles, evitamos prejuízos ao trabalho e à produtividade e conservamos a eficiência, a disposição e a saúde.

DESEMPREGO: O desemprego é uma das chagas da sociedade. Ele decorre das turbulências e crises no mundo econômico, da má administração dos recursos e das imprevidências dos agentes econômicos. Embora isso, podemos combater a ameaça de desemprego promovendo a própria capacitação, especialização e valorização profissional, através do estudo incessante e do constante aprimoramento intelectual e moral. Também, não devemos menosprezar as ações previdenciárias que amenizam os efeitos danosos do desemprego.

VOLUNTARIADO: O trabalho voluntário, sem interesse pecuniário, gera benefícios a nós próprios, ao próximo e à sociedade. Nele encontramos a oportunidade de exercitar o amor fraterno, ensinado e exemplificado por Jesus; de amenizar as necessidades, aflições e provações alheias, conquistando méritos morais e engrandecendo as potências da alma.

APOSENTADORIA: A aposentadoria não deve ser motivo para a ociosidade ou a inatividade. Ela deve ser vista como uma nova fase da vida em que dispomos da valiosa oportunidade do tempo para a realização de novos trabalhos, estudos e atividades que promovem a evolução da alma imortal. Para o aposentado, a prestação do trabalho voluntário dá-lhe uma ocupação útil ao tempo disponível, gerando a felicidade do próximo. Além disso, a boa leitura e a busca de novos conhecimentos e de novas experiências nas atividades nobres evitam o isolamento, a solidão e a depressão. Dessa forma, a alma desconhece a inação e a preguiça e realiza esforços evolutivos para a vida que não cessa, nem com a morte do corpo.

TRABALHO HOJE E SEMPRE: O trabalho, por ser uma Lei de Deus, existe tanto na vida material, quanto na vida espiritual. Assim, na vida futura, não faltam tarefas e atividades incessantes para os Espíritos que se preocupam com o crescimento intelectual e moral. Concorrendo para a harmonia da Obra da Criação, evoluem e se preparam para uma reencarnação bem sucedida. Esta realidade está presente em todos os livros espíritas que tratam da vida da alma no mundo espiritual.

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA VOLTADA PARA O TRABALHO: Portanto, com base nesses pontos, a educação espírita nos conscientiza sobre a importância do trabalho honesto e incessante. Com a dedicação ao trabalho, com a disposição de servir e de ser útil e com a alegria de viver, conquistamos os valores intelectuais, morais e espirituais que garantem o progresso e o bem-estar, nesta e na outra vida.

Com a educação espírita voltada para o trabalho, pomos mãos à obra, sem vacilar ou reclamar, criando o destino alegre e feliz que tanto almejamos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

ABORTO: POSIÇÃO DO ESPIRITISMO


ABORTO: POSIÇÃO DO ESPIRITISMO
Geziel Andrade

As propostas que surgem e que são discutidas acerca da legalização do aborto, em vários países, inclusive no Brasil, têm exigido o posicionamento das várias correntes filosóficas, religiosas e científicas existentes na sociedade. Assim, torna-se importante deixar bem clara a posição do Espiritismo acerca desse assunto.

No Espiritismo, o aborto é analisado dentro da ótica da reencarnação do Espírito. Este foi criado imortal e perfectível por Deus, estando submetido a um processo incessante de aperfeiçoamento intelectual e moral, inclusive através das inúmeras reencarnações, até que conquiste inevitavelmente a perfeição espiritual. Assim, todos os Filhos de Deus chegam, um dia, a essa bem-aventurança, impulsionados pelas Leis do progresso e da reencarnação e pelos esforços próprios que empregam para evoluir.

Sob essa ótica espírita, a volta periódica do Espírito à vida corporal é Lei e desígnio de Deus.

Para o Espírito em permanente evolução, a reencarnação é necessidade e nova oportunidade de aprimoramento, pela conjuntura que vai enfrentar na vida material. Em cada reencarnação, ele aperfeiçoa as suas faculdades, adquire conhecimentos e experiências e conquista paulatinamente a sabedoria e o amor. Assim, melhora continuamente a sua posição na hierarquia espiritual, que é a verdadeira.

Antes de cada nova encarnação, o Espírito, auxiliado por Espíritos protetores mais evoluídos ou por Anjos da Guarda, planeja com antecedência as provas, missões ou expiações que precisa cumprir em sua nova jornada terrena. Além disso, escolhe os pais terrenos que estão comprometidos com o seu processo educativo e com as conquistas intelectuais e morais que precisa realizar para o seu adiantamento espiritual.

Portanto, cada Espírito reencarna seguindo um plano previamente estabelecido por ele mesmo e por seus guias espirituais. Então, submete-se às leis da reprodução do corpo material, unindo-se, por um laço fluídico, ao novo envoltório material que se forma a partir do momento da concepção.

Nesse processo complexo da reencarnação, o Espírito enfrenta um estado crescente de perturbação. Então, as suas lembranças do passado vão se apagando, à medida que caminha para o nascer de novo.

Quando o aborto é provocado, por um ato de violência, há a interrupção de todo esse trabalho previamente e cuidadosamente realizado. Então, é inevitável que surjam a frustração e o constrangimento para os muitos Espíritos envolvidos no processo da reencarnação.

Especificamente para o Espírito que teve a sua reencarnação violentamente interrompida, ele passa necessariamente por um período de recuperação do choque ou trauma sofrido com o aborto. Depois disso, quase sempre, recobra suas características pessoais e, se ainda inferiores, incapaz de perdoar, experimenta revolta ou desejo de vingança, principalmente contra aqueles que seriam os seus pais terrenos. Geralmente, procura envolvê-los num processo obsessivo que acaba gerando problemas de consciência e promovendo distúrbios psíquicos e físicos graves. A motivação para essa revanche está, quase sempre, na não aceitação da perda da oportunidade de melhorar sua posição espiritual, com a reencarnação que foi compulsoriamente interrompida.

Pela violenta agressão imposta ao Espírito reencarnante, promovendo a morte do seu novo corpo material e pondo fim às esperanças geradas de conquistar de um futuro melhor, o aborto, independentemente das justificativas, alegações ou circunstâncias que são apresentadas pelas pessoas interessadas ou envolvidas, é considerado crime pelos Espíritos superiores. Isto está na resposta que eles deram à Questão 358 de O Livro dos Espíritos: “A mãe ou qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento”.

Essa posição dos Espíritos superiores foi reafirmada aqui no Brasil por diversos Espíritos, através de vários médiuns: “O aborto provocado é doloroso crime”. (Espírito André Luiz, no Cap. 15 do livro “Ação e Reação”; “O aborto delituoso é crime estarrecedor” (Espírito Emmanuel, no Cap. 17 do livro “Religião dos Espíritos”); “O aborto delituoso é infanticídio execrável” (Espírito Joanna de Ângelis, no Cap. 12 do livro “Após a Tempestade”); “O abortamento provocado é crime grave”. (Espírito Manoel Philomeno de Miranda, no Cap. 5 do livro “Nas Fronteiras da Loucura”).

Portanto, na idêntica condição de Filhos de Deus, submetidos às Leis sábias e justas que regem as relações entre as vidas espiritual e material, e conscientes dos compromissos morais exigidos na exteriorização da sexualidade, que deve ser empregada com discernimento, disciplina e responsabilidade, devemos guardar profundo amor e respeito pelos semelhantes, desde o momento da concepção. Isto significa que jamais devemos recorrer à prática do aborto, nem mesmo se alguma lei humana for aprovada para permiti-lo.

Dessa forma, agimos com nobreza moral e ficamos isentos das conseqüências da prática do crime do aborto impostas pela Justiça de Deus, que tem a sua ação na vida presente, na vida além-túmulo e até na próxima reencarnação.

Em corroboração a essa posição do Espiritismo, temos ainda a seguinte mensagem:

ABORTO DELITUOSO
Mensagem “Aborto Delituoso” escrita pelo Espírito Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier.

“Um crime doloroso existe, pela volúpia de crueldade com que é praticado, no silêncio do santuário doméstico ou no regaço da Natureza...

Crime estarrecedor, porque a vítima não tem voz para suplicar piedade e nem braços robustos com que se confie aos movimentos da reação.

Referimo-nos ao aborto delituoso, em que pais inconscientes determinam a morte dos próprios filhos, asfixiando-lhes a existência, antes que possam sorrir para a bênção da luz.”
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“Homens da Terra, e sobretudo vós, corações maternos chamados à exaltação do amor e da vida, abstende-vos de semelhante ação que vos desequilibra a alma e entenebrece o caminho!”

“Fugi do satânico propósito de sufocar os rebentos do próprio seio, porque os anjos tenros que rechaçais são mensageiros da Providência, assomantes no lar em vosso próprio socorro, e, se não há legislação humana que vos assinale a torpitude do infanticídio, nos recintos familiares ou na sombra da noite, os olhos divinos de Nosso Pai vos contemplam do Céu, chamando-vos, em silêncio, às provas do reajuste, a fim de que se vos expurgue da consciência a falta indesculpável que perpetrastes.”