quarta-feira, 20 de julho de 2011

HONESTIDADE















HONESTIDADE

Geziel Andrade

O livro “UM OLHAR SOBRE A HONESTIDADE”, de autoria de Donizete Pinheiro, e de edição da Editora EME, de Capivari-SP, veio enriquecer o Movimento Espírita e reafirmar a importância da honestidade nas relações e condutas na vida em família e em sociedade.

Essa análise, em profundidade, da questão moral da honestidade fornece as bases e os subsídios para que o tema seja tratado de forma abrangente não só no Centro Espírita, mas também nas escolas, nas conversas e atitudes em família e nas atividades mantidas nos mais diversos segmentos da sociedade.

Na realidade, o livro contém as bases para que a HONESTIDADE torne-se matéria escolar obrigatória, a ser ministrada desde o jardim de infância até a universidade.

Essa é a única maneira de vermos essa indispensável virtude sendo disseminada e praticada na vida pública e privada, engrandecendo e melhorando as condições de vida na família, no ambiente de trabalho e na sociedade.

Reafirmando: pela sua importância para a evolução moral do Espírito encarnado, o tema Honestidade deve ser permanentemente abordado nas palestras e nos cursos no Centro Espírita, dentro do seu programa de educação moral.

Deve também estar presente em todas as escolas e universidades, pela relevância que tem para o progresso moral do homem, para a melhoria na convivência e nas relações humanas e pelos benefícios que promove em todos os segmentos da sociedade.

O valioso livro de Donizete Pinheiro é uma conversa aberta, franca e instrutiva com o leitor sobre o tema. Ele trata o assunto de modo elegante e com autoridade, levando-o a refletir sobre as qualidades nobres de quem pratica a honestidade e dos benefícios que gera ao próximo e à sociedade.

ENTREVISTA SIMULADA COM DONIZETE PINHEIRO, VISANDO A APRESENTAÇÃO DE SUAS RESPOSTAS PARA AS PRINCIPAIS QUESTÕES RELACIONADAS COM A PRÁTICA DA HONESTIDADE.

Com base no texto bem elaborado de Donizete Pinheiro, produzimos a seguinte entrevista simulada, seguida de alguns breves comentários sobre as lições apresentadas pelo autor, visando mostrar, em poucas palavras e mesmo que de modo pálido, o excelente conteúdo do livro que está aplicado às varias situações da vida:

1 – POR QUE SER HONESTO?

“Ser honesto não é apenas uma questão religiosa, de consciência ou de integridade moral, mas necessidade para a paz na sociedade.”

“A honestidade gera confiança e aumenta a credibilidade na pessoa honesta. Os honestos merecem confiança.”

“Se há algo que os homens íntegros e honrados defendem com ardor é a honestidade.”

Realmente, observando o desaparecimento da paz e a escalada generalizada da violência, gerados com a falta de confiança, integridade, honra e principalmente carência de honestidade de uns para com os outros, temos que concordar plenamente com a afirmação acima do autor.

2 – É POSSÍVEL PASSARMOS PELA PROVA DA HONESTIDADE?

“A pessoa deve ser íntegra, autêntica e honesta, apesar das tentações que a vida possa lhe oferecer.”

“O honesto não pactua com a desonestidade e, quanto possível, a combate. Ele não se omite, nem fica indiferente à desonestidade, mesmo que não seja atingido diretamente por ela. Assim, contribui para o estabelecimento do bem e da justiça na vida em sociedade.”

Realmente, as tentações aparecem todo momento pondo em prova a nossa honestidade. Mas, quando dizemos a verdade, usamos da sinceridade, não pactuamos e nem ficamos indiferentes à desonestidade alheia, revelamos nossos valores e passamos pelas tentações e provas, dando prova de nosso grau de honestidade.

3 – SER HONESTO EXIGE SACRIFÍCIO E ESFORÇO?

“Usar bem o livre-arbítrio e manter-se honesto em meio a um mundo corrupto requer esforço e luta interior; implica em abrir mão de oportunidades e facilidades que dão conforto e vantagens.”

“Construir uma vida de honestidade implica em tempo, esforço e renúncias. Mesmo assim, devemos prosseguir na conquista da honestidade.”

Realmente, a conquista da honestidade exige esforço, luta e sacrifício. Mas, vale a pena sustentarmos essa batalha, pela paz na consciência e pelos gozos íntimos que a conquista dessa virtude propicia e pela ascensão que garante na hierarquia espiritual e moral.

4 – O QUE CARACTERIZA A DESONESTIDADE?

“A desonestidade é marcada pelo prejuízo que se causa a alguém.”

“Só há evidente desonestidade quando alteramos intencionalmente a verdade a favor de nossos interesses pessoais, com prejuízo para alguém. É o que se chama má-fé, que macula as relações pessoais e desestabiliza a ordem social.”

“A ganância não tem limite e destrói pessoas honestas.”

“A ignorância e os enganos nos levam à desonestidade.”

“A hipocrisia é filha da desonestidade.”

“A desonestidade é parenta direta do egoísmo.”

“A pessoa desonesta mente para obter o enriquecimento ilícito.”

Realmente, a desonestidade causa muitos males e prejuízos ao próximo e a quem a pratica. Ela envolve a má intenção, os interesses escusos, a mentira, o egoísmo, a ganância, a ignorância e os enganos, que são imperfeições ou deficiências morais. Combatendo-os elevamos o nosso grau de honestidade e moralidade.

5 – PARA SER INTELIGENTE E ESPERTA A PESSOA PRECISA SER DESONESTA?

“O desonesto julga-se inteligente, esperto, ardiloso e praticante do “crime perfeito”, mas, mais cedo ou mais tarde, dá um passo em falso e é desmascarado, sofrendo as conseqüências impostas pela lei de causa e efeito e os transtornos impostos pela consciência.”

Realmente, cedo ou tarde, a pessoa desonesta é desmascarada. Além disso, a justiça de Deus, que dá a cada um segundo as suas obras, na vida presente, na vida futura e na próxima reencarnação, pega a pessoa desonesta. Então, não escapa às dolorosas conseqüências de suas ações infelizes.

6 – A PESSOA DESONESTA DEVE SER PUNIDA?

“Se não encontrarmos resistência às nossas ações indignas, se não formos punidos pela nossa má-fé, se não formos obrigados à reparação dos danos causados, prosseguiremos achando correta a nossa maneira desonesta de ser e de proceder.”

“O desonesto precisa ser levado a perceber os malefícios de sua conduta que magoa, fere e causa danos às pessoas e compromete a paz social.”

Realmente, sem a punição educativa e exemplar a humanidade estaria em péssima situação. Se não houvesse punição para o político desonesto, o empresário mal intencionado, o empregado oportunista, o diretor que dá desfalque, o gerente que aplica golpe no parceiro, o vendedor mentiroso que engana e prejudica os clientes, etc., como estaria a evolução da vida em sociedade? Com certeza, totalmente comprometida.

7 – EXISTEM A PEQUENA DESONESTIDADE E A GRANDE DESONESTIDADE?

“A grande desonestidade é a pequena desonestidade que cresceu.”

“Os pequenos atos de desonestidade foram levando a pessoa a se tornar um grande desonesto.”

“Por isso mesmo, as pequenas infrações e os pequenos delitos precisam ser combatidos.”

“Evitando-se uma ação desonesta, evita-se um mal maior.”

Realmente, se não conseguirmos extinguir as pequenas desonestidades pela raiz, elas, certamente, crescerão e poderão atingir proporções inimagináveis, desestruturando a vida dos agentes políticos, econômicos e sociais.

8 – A HONESTIDADE DEPENDE DA CLASSE OU DA POSIÇÃO SOCIAL?

“A honestidade não depende da posição social.”

“Há pessoas pobres que são honradas e honestas.”

“A honestidade e a desonestidade nada têm a ver com a posição social.”

“Alguns ricos são desonestos, mesmo tendo tudo para viver uma vida luxuosa.”

Realmente, encontramos pessoas honestas ou desonestas em todas as classes ou posições sociais. Isso, com certeza, é um reflexo e retrato do grau de elevação moral e espiritual em que se encontra cada Espírito encarnado.

9 – POR QUE A HONESTIDADE DEVE SER APLICADA EM TODOS OS CAMPOS DA VIDA?

“A honestidade no relacionamento afetivo e no casamento estabelece laços de confiança, respeito, afeto e amor.”

“A honestidade revela os amigos verdadeiros.”

“A honestidade nas relações entre patrões e empregados permite que haja condições dignas de trabalho, remuneração adequada às necessidades e cumprimento correto das tarefas.”

“A honestidade no pagamento de impostos sustenta a manutenção do Estado eficiente.”

“A honestidade na administração das coisas públicas beneficia a coletividade com o atendimento das necessidades coletivas.”

“A honestidade nos jogos garante que não haja fraudes e que vençam os atletas e jogadores melhores treinados e preparados.”

“A honestidade no comércio atende o respeito ao consumidor e aos seus direitos.”

“A honestidade na mídia evita a manipulação da opinião pública e não influencia negativamente os cidadãos.”

“A honestidade dos representantes das religiões serve de exemplo ou modelo para os seguidores e adeptos.”

Realmente, em todos os campos da vida precisamos da honestidade. Por isso, ela deve fazer parte, desde a infância, do processo educativo de cada cidadão.

10 - COMO CONQUISTAR A HONESTIDADE?

“A honestidade pode ser conquistada.”

“A conquista da honestidade implica na vigilância dos pensamentos, que retratam nossa maneira de pensar e sentir.”

“A conquista da honestidade decorre de pensar no bem, falar no bem e agir no bem; e refletir nas conseqüências dos pensamentos e das ações.”

Realmente, somente com a indispensável educação moral e o esforço para a reforma íntima pela prática do bem melhoramos o modo de ser, sentir, pensar e agir. Então, avaliamos as consequências de cada pensamento, palavra, sentimento e ato. Dessa forma, aplicamos a honestidade em todos os campos da vida beneficiando o próximo e vivendo melhor.

11 - QUE PAPEL A EDUCAÇÃO DESEMPENHA NA CONQUISTA DA HONESTIDADE?

“A educação tem importante contribuição no reforço da honestidade e na superação da desonestidade.”

“A educação é o melhor instrumento de formação do bom hábito de fazer o bem e cumprir as leis de Deus para beneficiar a vida em sociedade.”

“A honestidade é qualidade adquirida com a educação que ensina a importância dela para a vida e para o progresso.”

Realmente, é indispensável o investimento na educação moral desde a infância, para a formação do homem sábio, bom, honesto, justo, fraterno e solidário. Somente assim, constituímos a sociedade alicerçada na prática das virtudes, como caminho infalível para o benefício e progresso de todos, para a paz e o bem-estar coletivo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

"O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO": CAPÍTULO V: BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS














PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” CAPÍTULO V: BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS

Geziel Andrade

JUSTIÇA DAS AFLIÇÕES
Jesus prometeu aos aflitos e sofredores compensações na vida futura para os momentos difíceis suportados na vida terrena. Disse:
“Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”.
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados”.
“Bem-aventurados os que sofrem perseguições pela justiça, porque o reino dos céus é para eles”.
“Vós sois bem-aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós.”
(Mateus, Cap. V; e Lucas, Cap. VI.)

Essas promessas de Jesus de bem-aventuranças no reino dos céus para os que enfrentam tribulações na vida material não chegam a explicar por que uns sofrem mais do que os outros; por que uns nascem na miséria e outros na opulência; por que uns encontram problemas na vida, enquanto outros encontram facilidades; por que os bens e os males estão desigualmente repartidos; e por que certos homens virtuosos sofrem, enquanto certos homens maus prosperam.

Entretanto, sabendo que Deus possui perfeições infinitas, que é todo poder, justiça e bondade, e que é soberanamente bom e justo, as vicissitudes da vida devem ter causas justas.

E o Espiritismo veio explicar essas causas.

CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES

As vicissitudes da vida têm duas fontes distintas: estão na vida presente ou em vida passada.

Na vida presente, basta o homem procurar a fonte dos males que o atormentam para descobrir que eles são a conseqüência natural do seu caráter e da sua conduta.

Muitos homens suportam males porque cometem faltas; tornam-se vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição; arruínam-se por falta de ordem e perseverança; adotam más condutas; não limitam seus desejos; tornam suas uniões infelizes pelos interesses materiais e pela falta de bons sentimentos; promovem dissensões por falta de moderação e excesso de suscetibilidade; contraem enfermidades por intemperança e excessos de todos os gêneros; tornam-se infelizes com os filhos com a falta de respeito e ingratidão por não terem combatido neles as más tendências, o orgulho, o egoísmo e a vaidade; etc.

Basta que o homem atingido pelas vicissitudes e decepções da vida interrogue friamente a consciência para descobrir a fonte dos males. Então pode dizer: se eu tivesse, ou se eu não tivesse feito tal coisa, eu não estaria em tal situação.

Dessa forma, na vida presente, o homem, geralmente, é o artífice das próprias vicissitudes, aflições e dos próprios infortúnios.

Cabe-lhe, portanto, evitá-los, trabalhando para o seu aprimoramento tanto moral, quanto intelectual.

Deus, que quer o progresso de suas criaturas, não deixa impune nenhum desvio do caminho reto, nenhuma falta, por pequena que seja, nenhuma infração à sua Lei.

Dessa forma, o homem é sempre punido com a conseqüência do erro que cometeu.

Os sofrimentos são, assim, a conseqüência natural do erro cometido; são advertências que dão experiências ao homem, fazendo-o perceber a diferença entre praticar o bem e o mal; apontam-lhe a necessidade de se melhorar, de se emendar para não retardar o seu adiantamento e não comprometer a sua felicidade futura.

Se o homem não conseguir extrair experiências dos seus sofrimentos, perde a sua jornada evolutiva terrena e fica na dependência de Deus conceder-lhe outra oportunidade de reparar o tempo perdido em uma nova vida, onde possa aproveitar a experiência do passado e tomar boas resoluções para o seu futuro.

CAUSAS ANTERIORES DAS AFLIÇÕES

Alguns males parecem atingir o homem como que por fatalidade.

Assim, temos, por exemplo, a perda de seres queridos ou de arrimos de família; as crianças que morrem em tenra idade, conhecendo apenas sofrimentos; os acidentes que nenhuma providência consegue impedir; os reveses de fortuna que independem das medidas de prudência; os flagelos naturais; as enfermidades de nascimento, sobretudo as que dificultam o ganho da vida pelo trabalho, como a deformidade, a idiotia, o cretinismo, etc.

Nesses casos, o homem nada fez nesta vida para merecer tais males.

Além disso, o homem sofredor encontra ao seu lado, no mesmo teto, na mesma família, pessoas favorecidas sob todos os aspectos.

Como explicar esses fatos infelizes que induzem a negar a bondade, a justiça e a providência de Deus?

Como fugir dessa negação quando se admite que a alma foi criada no mesmo tempo do corpo material, com sua sorte irrevogavelmente fixada, a ponto de ter que suportar as misérias do mundo material sem a oportunidade de realizar o bem?

Entretanto, todo efeito tem uma causa. Então, esses males são efeitos de uma causa justa. Dessa forma, chega-se à justiça de Deus.

Ora, toda causa precede ao efeito. Se a causa não está na vida atual, deve estar necessariamente numa existência anterior ao efeito, isto é, numa existência corporal precedente.

Sendo perfeição, amor e justiça, Deus não pune ninguém pelo bem que fez, nem pelo mal que não fez. Assim, se alguém está sendo punido na vida presente é porque fez algum mal na vida passada.

Se a causa para o sofrimento não está nesta vida, ela está numa outra vida material anterior.

Nisso está a lógica da justiça de Deus.

Dessa forma, se um homem não é punido completamente na existência presente pelo mal que praticou, ele não escapa jamais às conseqüências das faltas cometidas.

Disso se deduz que a prosperidade do homem mau é apenas momentânea. Se ele não expiar na vida presente os erros cometidos, expiará na próxima existência.

Portanto, aquele que muito sofre hoje está expiando erros cometidos em vida passada.

Além disso, o homem, geralmente, suporta hoje o que fez os outros suportarem no passado. Se é tratado duramente e com desumanidade, é porque foi duro e desumano para com os outros; se enfrenta condição humilhante de vida, é porque foi orgulhoso; se vive privado do necessário, é porque foi avarento, egoísta ou fez mau uso da sua fortuna; se sofre com os próprios filhos, é porque foi mau filho; etc.

Portanto, com a pluralidade das existências materiais e com o conhecimento de que a Terra é um mundo expiatório, encontramos a explicação para muitos males que atormentam certos homens.

Com a série de existências materiais, cada Espírito recebe a parte que merece; isso sem prejuízo da parte que lhe é dada no mundo espiritual.

Dessa forma, a justiça de Deus jamais é interrompida.

Adicionalmente, o Espírito do homem está encarnado em um mundo inferior, pelas imperfeições que ainda detém.

Porém, se trabalhar pelo seu aperfeiçoamento intelectual e moral poderá ser promovido para um mundo mais elevado.

Como a Terra é um mundo de expiação, algumas tribulações da vida são impostas aos Espíritos endurecidos ou aos Espíritos muito ignorantes. Eles ainda não reúnem condições para escolherem com conhecimento de causa suas provas retificadoras.

Já os Espíritos arrependidos dos erros cometidos no passado escolhem e aceitam livremente certos males para repararem o mal que fizeram e tentarem fazer melhor.

Trata-se do recomeço de uma tarefa mal executada; de uma nova oportunidade para o aproveitamento do benefício que o novo trabalho vai produzir.

Portanto, as tribulações da vida material são, ao mesmo tempo, expiações do passado e provas para o futuro em preparação.

Deus, em sua bondade, concede ao homem a possibilidade da reparação dos erros cometidos no passado, não o condenando eterna e irrevogavelmente pelas faltas que cometeu.

Porém, nem todo sofrimento é necessariamente o resultado de uma falta praticada. Muitos Espíritos escolhem certas provas para acabar a sua depuração e apressar o seu adiantamento.

Assim, uma prova não é uma expiação.

Adicionalmente, um Espírito, após ter adquirido certo grau de elevação intelectual e moral, pode solicitar uma missão, uma tarefa a cumprir. Com isso, espera ser recompensado se sair vitorioso da luta penosa; se suportá-la com resignação e sem lamentação.

Portanto, é através das diversas existências corporais, enfrentando provas, missões ou expiações, que os Espíritos se despojam pouco a pouco de suas imperfeições; e realizam a completa purificação para encontrar a felicidade perfeita.

Dessa forma, as provas e missões da vida propiciam o adiantamento, quando bem suportadas; e as expiações apagam as faltas cometidas, além de promoverem a purificação do Espírito.

Em decorrência desse entendimento espírita da vida, aquele que sofre deve se regozijar com os benefícios que surgem com as vicissitudes, dores e tribulações suportadas com resignação e sem cair em lamentações; que torna o seu sofrimento proveitoso à evolução de sua alma, evitando ter que recomeçar.

ESQUECIMENTO DO PASSADO

Se Deus julgou conveniente que o homem não tenha a lembrança das existências materiais anteriores é porque isso é útil.

De fato, a lembrança das vidas passadas traria graves inconvenientes. Poderia causar humilhação ao homem ou mesmo exaltar o seu orgulho, entravando o livre-arbítrio ou trazendo perturbação nas suas relações sociais e familiares.

Adicionalmente, é comum o Espírito renascer no mesmo meio em que viveu e restabelecer a relação com as mesmas pessoas que conheceu para poder reparar algum mal que realizou.

Por exemplo, se o Espírito reencarnado reconhecesse seus inimigos ou as pessoas que odiou ou ofendeu, certamente sentiria um abalo.

Por isso, Deus tirou dele a lembrança do passado que poderia prejudicá-lo.

Além disso, Deus lhe concedeu a voz da consciência e as tendências instintivas para orientá-lo nas novas condições de vida.

Desse modo, o Espírito ao renascer traz as experiências que adquiriu nas vidas passadas, sem ter qualquer importância saber quem foi.

Importa-lhe observar as más tendências para tentar corrigi-las e, assim, conseguir progredir.

Ele tem a voz da consciência para orientar e advertir sobre o que é bom e o que é mau, estimulando-o a resistir às más tentações e a tomar as boas resoluções.

Além do mais, o esquecimento das existências passadas é temporário. Terminada a vida corporal e voltando à vida espiritual, o Espírito retoma as lembranças do passado.

Porém, mesmo antes disso, durante o sono do corpo material, o Espírito goza de certa liberdade para despertar na consciência os atos que praticou em vida passada.

Dessa forma, tem a intuição do por que sofre justamente, adquirindo novas forças para suportar as tribulações da vida.

MOTIVOS DE RESIGNAÇÃO

As palavras de Jesus “bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” indicam que há compensação na vida futura para os que sofrem as aflições com o mérito da resignação.

Essas palavras podem ser entendidas ainda que as dores da vida material são dívidas contraídas em vidas passadas e que, quando suportadas com paciência, eliminam sofrimentos na vida futura. Essas dores quitam dívidas passadas e asseguram a libertação e a tranquilidade para a alma na vida futura.

Por isso, enfrentando os males da vida, o Espírito encarnado deve ter submissão à vontade de Deus e aceitar com resignação, sem murmurar e sem achar que são injustos os sofrimentos que o libertam do passado em que contraiu dívidas.

Encarando a vida terrena dessa forma, abrandamos as amarguras das provas; vemos a vida sob o ponto de vista da vida espiritual; consideramos a prova da vida material como uma breve existência em que os momentos penosos passam bem depressa, abrindo as portas para um futuro feliz.

Portanto, ao invés de lamentar, devemos suportar com coragem e paciência os sofrimentos e agradecer as dores que nos fazem avançar.

Encarando a vida terrena sob esse ponto de vista espiritual, reduzimos a importância das coisas materiais e agimos com calma e resignação, beneficiando o corpo e a alma.

O SUICÍDIO E A LOUCURA

A calma e a resignação, decorrentes do ponto de vista espiritual de encarar a vida material, bem como a fé num futuro melhor, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra o suicídio e a loucura promovidos pelos abalos das vicissitudes mal suportadas.

O conhecimento dos fundamentos do Espiritismo permite que o homem suporte os reveses e as decepções da vida material sem desespero e com uma força íntima que o coloca acima dos maus acontecimentos. Isso preserva a sua razão dos estremecimentos e da perturbação.

O Espiritismo ainda preserva o homem do suicídio ao eliminar-lhe o descontentamento e ao fortalecer a sua paciência pelo conhecimento dos dias melhores no futuro. Isso inibe o desespero ante os sofrimentos, não o deixando se abater pelo desgosto e pelo infortúnio.

O Espiritismo revela-lhe ainda que a vida não se extingue com a morte do corpo material e lhe desvenda as realidades espirituais. Assim, adquire coragem moral, esperança e resignação para suportar as aflições terrenas.

O Espiritismo mostra-lhe ainda claramente a situação infeliz em que se encontram os Espíritos suicidas na vida espiritual, após terem violado a Lei de Deus, que proíbe ao homem abreviar a sua vida terrena. Alguns desses Espíritos experimentam grandes sofrimentos, embora temporários.

Esse conhecimento da vida espiritual leva o homem a refletir sobre as conseqüências de partir da Terra antes da ordem de Deus. Conscientiza-o de que o suicídio não atende a nenhum de seus interesses; que agrava os sofrimentos da alma e cria um obstáculo à reunião com as almas das pessoas de suas afeições.

Dessa forma, o espírita opõe à idéia do suicídio a certeza da imortalidade da alma e o conhecimento das melhores condições de vida existentes no além para as almas que souberem suportar com coragem e resignação os sofrimentos terrenos.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS
PRINCIPAIS LIÇÕES SOBRE “O BEM E O MAL SOFRER”, CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO LACORDAIRE, ESCRITAS EM HAVRE, EM 1863

Todos os homens sofrem na Terra, mas poucos sofrem bem.

O desânimo, a falta de coragem e a ausência da prece apoiada na fé viva na bondade de Deus impedem que os homens compreendam que as provas terrenas, quando bem suportadas, conduzem a alma ao reino de Deus.

Deus não coloca um fardo pesado sobre ombros fracos. O fardo é proporcional às forças; e a recompensa é proporcional à resignação e à coragem.

Além disso, a aflição penosa não se equipara à magnitude da recompensa que é merecida por aquele que suporta uma vida cheia de tribulações.

Por isso, o homem deve ser forte e enfrentar as lutas e as amarguras da vida com coragem; deve se esforçar para superar os motivos de dor e de contrariedade; e deve dominar os ímpetos da impaciência, da cólera ou do desespero.

Dessa forma, as palavras de Jesus “bem-aventurados os aflitos” devem ser entendidas como bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, firmeza, perseverança e submissão à vontade Deus. Terão centuplicadas as alegrias que faltaram na Terra.

PRINCIPAIS LIÇÕES SOBRE “O MAL E O REMÉDIO”, CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANTO AGOSTINHO, ESCRITAS EM PARIS, EM 1863

As lágrimas, penas e dores são provas impostas pelo Senhor.

Além disso, o choro e os sofrimentos pouco representam ante a eternidade de glória que está reservada para aquele que passar pelas provas com fé, amor e resignação.

Assim, a consolação para os males da vida terrena está na vida futura que Deus preparou para a alma.

Na realidade, as provas da vida material foram rogadas pelo próprio Espírito antes da encarnação, quando ele se julgava bastante forte para suportá-las.

Por exemplo, ele pediu a prova da fortuna e da glória para sustentar a luta contra a tentação e vencê-la. Então, a luta contra o mal moral e físico foi pedida por ele mesmo para tentar obter uma vitória gloriosa.

Se a prova for vencida, sua alma sairá do corpo material, após a morte, brilhante de brancura e purificada pela expiação e pelo sofrimento.

O homem, apoiado na fé, encontra o remédio infalível para os males e sofrimentos, pois ela mostra os horizontes do infinito, apaga os dias sombrios do presente e fortalece a alma nos dias de angústia e aflição.

O Cristo disse que a fé transporta montanhas. Assim, a alma que enfrenta as dores do mundo com fé planará nas regiões celestes, cantando com os anjos os hinos de reconhecimento e glória ao Senhor.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A FELICIDADE NÃO É DESTE MUNDO”, ESCRITAS PELO ESPÍRITO FRANÇOIS-NICOLAS-MADELEINE, CARDEAL MORLOT, EM PARIS, EM 1863

Nem a fortuna, o poder e a florescente juventude são condições essenciais da felicidade. Isso porque cada homem tem sua parte de trabalho e de miséria, de sofrimentos e de decepções nesta Terra de provas e expiações.

Por isso, o homem que não se guia pela prudência, após um período curto ou longo de completa satisfação, pode passar o resto de sua existência enfrentando uma série de amarguras e decepções.

Porém, além da morada terrestre, destinada às provas e expiações, existem moradas mais favoráveis ao Espírito. São belos planetas superiores que podem ser alcançados pelo Espírito com seus esforços, a purificação e o aperfeiçoamento.

Adicionalmente, a Terra está conquistando progressos, novos avanços e aprimoramentos sociais. E, auxiliado pela Doutrina Espírita, o homem tem condições de preparar as futuras gerações para um mundo onde reine a felicidade.

PRINCIPAIS LIÇÕES SOBRE “A PERDA DE PESSOAS AMADAS: MORTES PREMATURAS”, CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SANSON, ESCRITAS EM PARIS, EM 1863

O homem julga que Deus é injusto, quando vê a morte do corpo material atingir jovens fortes, ativos, úteis e plenos de futuro, eliminando as esperanças, acabando com a alegria no convívio familiar, partindo os corações maternos e deixando na vida material pessoas velhas e sofredoras.

Mas, Deus nada faz sem um objetivo inteligente e sem uma razão de ser.

A morte prematura, muitas vezes, é um grande benefício que Deus concede àquele que deixa a vida material, preservando sua alma das misérias e seduções. Deus julga útil que ele não permaneça mais tempo na Terra.

Porém, a visão estreita do homem impede que ele veja além da vida material. Assim, não leva em consideração as esperanças da vida espiritual, nem a posição que a alma vai ocupar entre os Espíritos bem-aventurados.

O espírita, todavia, sabe que a alma vive melhor desembaraçada de seu envoltório corporal; que ela está sempre perto de sua mãe, com seu corpo fluídico, transmitindo-lhe pensamentos, protegendo-a e alegrando-se com as lembranças. Sabe, também, que ela pode sofrer quando é atingida pelas dores despropositadas de quem ficou, pela falta de fé e pela revolta contra a vontade de Deus.

Essa compreensão da vida espiritual é uma poderosa consolação, pois seca as lágrimas e mostra o futuro prometido pelo soberano Senhor.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “SE FOSSE UM HOMEM DE BEM, TERIA MORRIDO”, ESCRITAS PELO ESPÍRITO FÉNELON, EM SENS, EM 1861

Quando se vê um homem mau escapar de um perigo, diz-se com freqüência: se fosse um homem de bem teria morrido.

Isso é verdadeiro, porque Deus, muitas vezes, dá a um Espírito jovem que percorre os caminhos do progresso uma prova mais longa.

O bom Espírito, por sua vez, tem a seu favor a recompensa de seu mérito, recebendo uma prova tão curta quanto seja possível.

Quando morre um homem de bem e sobrevive um homem mau, diz-se apressadamente: gostaria mais que este tivesse ido.

Essa afirmação é um erro, porque aquele que parte terminou a sua tarefa e não precisa ficar preso à gleba terrestre. Por outro lado, aquele que fica talvez nem tenha começado a sua tarefa e precisa de tempo para cumpri-la.

Sob o ponto de vista espiritual, a verdadeira liberdade está na libertação do Espírito dos laços do corpo material, livrando-o do cativeiro.

Ao homem falta a compreensão de que Deus é justo em todas as coisas, o que o leva frequentemente a ver um mal onde há um bem.

As faculdades humanas são tão limitadas que a grandiosidade da obra de Deus lhe escapa aos sentidos obtusos.

Porém, se o homem sair de sua esfera estreita de ação e se elevar pelo pensamento verá reduzida a importância da vida material, porque ela é um incidente na duração infinita da existência espiritual, que é a única existência verdadeira.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “OS TORMENTOS VOLUNTÁRIOS”, ESCRITAS PELO ESPÍRITO FÉNELON, EM LION, EM 1860

O homem busca sem cessar uma felicidade que lhe escapa, porque a felicidade pura não existe na Terra.

O homem pode apenas usufruir na Terra de uma felicidade relativa.

Ele a procura nas coisas perecíveis e nos prazeres materiais, que criam agitação, perturbação e tormentos evitáveis. Porém, ele deve procurá-la nos prazeres da alma que antecipam os prazeres celestes e perenes.

Na realidade, a paz no coração é a única felicidade real no mundo material. E o homem não a encontra na inveja, no ciúme, na cobiça e nas futilidades que atormentam a vida.

Assim, a máxima de Jesus “bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados”, aplica-se aos que compreendem as compensações que existem no céu para os sofrimentos.

A felicidade terrena é conquistada apenas por aquele que sabe contentar-se com o que tem; vê sem inveja o que não tem; não procura parecer mais do que é; olha para baixo para ver as pessoas que têm ainda menos; e mantém a calma em meio às tempestades, porque não cria para si necessidades quiméricas.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “A INFELICIDADE REAL”, ESCRITAS PELO ESPÍRITO DELPHINE DE GIRARDIN, EM PARIS, EM 1861

A infelicidade real não está na miséria, na chaminé sem fogo, no credor que ameaça, no berço vazio do anjo que sorria, nas lágrimas, no féretro, na angústia da traição, na vestimenta simples, e nem em muitas outras coisas.

A infelicidade está naqueles que não vêem além da vida material; não avaliam as conseqüências funestas das coisas ilusórias; e não produzem o bem.

Para o homem conseguir apreciar o que é realmente ser feliz ou infeliz precisa transportar-se além da vida material, pois, na vida espiritual, estão as conseqüências verdadeiras das coisas.

O que o homem chama de infelicidade, segundo a sua visão curta, cessa de existir com a morte e ele encontra sua compensação na vida futura.

Dessa forma, a infelicidade está na alegria tola, no prazer ilusório, na má fama, na agitação vã, na louca satisfação da vaidade, que calam a consciência, comprimem a ação do pensamento e confundem o homem sobre o seu futuro.

Quando a alma do homem está enfraquecida pela indiferença e pelo egoísmo, e tenta enganar a Deus, se vê ante o destino ruim que criou para si mesma; se vê ante as provas implacáveis que destroem o repouso ilusório e levam à beira da verdadeira infelicidade.

O Espiritismo, por sua vez, esclarece o homem sobre as coisas espirituais; ajuda-o a distinguir a verdade do erro; prepara-o para enfrentar as tribulações que lhe dão a vitória, a glória e o progresso; e lhe fortalece a fé no futuro que permite que a sua alma entre radiante no reino celeste.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES SOBRE “A MELANCOLIA”, ESCRITAS PELO ESPÍRITO FRANÇOIS DE GENÈVE, EM BORDEAUX

A tristeza que se apodera do coração do homem, fazendo-o achar amarga a vida, é resultado do desejo que sua alma sente de obter a liberdade e a felicidade.

Mas, como a alma está presa ao corpo material, seus esforços parecem inúteis, caindo no desânimo, na apatia e na infelicidade.

Assim, ante as aspirações de obter uma vida melhor no além, o homem precisa resistir com energia às impressões que enfraquecem sua vontade.

Para auxiliá-lo nisso, Deus enviou os Espíritos para instruí-lo acerca da felicidade que está reservada para a sua alma na vida espiritual.

Então, deve esperar pacientemente o anjo da libertação que o ajuda no rompimento dos laços que retém a alma cativa.

O Espírito encarnado tem prova e missão a cumprir na vida terrena, seja no devotamento à família, seja no atendimento dos diversos deveres que lhe foram confiados por Deus.

Portanto, deve ser forte e corajoso para cumprir suas provas e desempenhar suas tarefas; e para suportar o peso dos cuidados, das inquietações e dos pesares.

Suas lutas são de curta duração. Elas preparam a sua alma para o reencontro com os amigos que a vão conduzir para um lugar onde os pesares da Terra não têm acesso.

PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NAS INSTRUÇÕES “PROVAS VOLUNTÁRIAS. O VERDADEIRO CILÍCIO”, ESCRITAS POR UM ANJO GUARDIÃO, EM PARIS, EM 1863

As provas da vida material têm o objetivo de exercitar a inteligência do Espírito, bem como sua paciência e resignação.

Alguns Espíritos nascem em situação penosa e conturbada justamente para serem obrigados a encontrar os meios de vencer as dificuldades.

O mérito deles está em suportar a situação sem lamentar as conseqüências dos males inevitáveis; em perseverar na luta; e em não se desesperarem se não puderem superá-los.

Esse mérito é maior quando agravam suas provas com sofrimentos voluntários e privações que têm o objetivo de beneficiar o próximo, fazendo a caridade através de sacrifícios.

Portanto, ao enfrentar as provas impostas por Deus, o homem deve aceitá-las com fé e sem lamentações; não deve enfraquecer o corpo material com privações inúteis e macerações sem objetivo; deve preservar suas forças para cumprir a sua missão de trabalho na vida terrena; deve sustentar e fortificar seu corpo material, evitando cometer abusos, torturá-lo voluntariamente, martirizá-lo e enfraquecê-lo sem necessidade, pois isto é um verdadeiro suicídio.

Por outro lado, o homem será abençoado por Deus se enfrentar sofrimentos para aliviar os males do próximo, consolar os aflitos, curar as chagas dos enfermos, velar à cabeceira de um doente e praticar as boas ações.

Esse é o verdadeiro cilício de bênçãos, pois as alegrias do mundo, as volúpias debilitantes da fortuna não tornaram seco o coração. Converteram-no em um anjo consolador dos pobres deserdados.

O homem não deve também retirar-se do mundo para viver no isolamento e evitar as seduções, demonstrando não ter coragem de enfrentar as provas e fugindo da luta e do combate contra o orgulho, as humilhações, o amor próprio, a dor da injúria e da calúnia.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES CONTIDAS NA RESPOSTA DO ESPÍRITO PROTETOR BERNARDIN, DADA EM BORDEAUX, EM 1863, À PERGUNTA: “DEVE-SE POR UM TERMO ÀS PROVAS DE SEU PRÓXIMO QUANDO SE PODE, OU É PRECISO, POR RESPEITO AOS DESÍGNIOS DE DEUS, DEIXÁ-LAS SEGUIR SEU CURSO?”

A Terra é um planeta de provas e de expiações das conseqüências das existências anteriores.

Porém, ante as provas e expiações dos semelhantes, devemos dizer: “Vejamos que meios nosso Pai misericordioso pôs em meu poder para amenizar o sofrimento de meu irmão. Vejamos se minhas consolações morais, meu apoio material, meus conselhos não poderão ajudá-lo a superar essa prova com mais força, paciência e resignação. Vejamos se Deus não pôs em minhas mãos o meio de fazer cessar esse sofrimento. Se Ele não me incumbiu, também como provas, e talvez como expiação, de deter o mal e de substituí-lo pela paz.”

Portanto, devemos sempre ajudar aqueles que estão em provas e nunca ser instrumento de tortura; compreender a extensão infinita da bondade de Deus; pensar que a vida inteira deve ser um ato de amor e de abnegação; fazer todos os esforços para abrandar a amargura da expiação, sabendo que só Deus pode detê-la ou prolongá-la, conforme julgue necessário; e dirigir os esforços para amenizar a expiação dos irmãos, segundo a lei de amor e de caridade.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES CONTIDAS NA RESPOSTA DO ESPÍRITO SÃO LUÍS, DADA EM PARIS, EM 1860, À PERGUNTA: “UM HOMEM ESTÁ AGONIZANTE, VITIMADO POR SOFRIMENTOS CRUÉIS. SABE-SE QUE SEU ESTADO É SEM ESPERANÇA. É PERMITIDO POUPAR-LHE ALGUNS INSTANTES DE ANGÚSTIA, APRESSANDO SEU FIM?”

Seja qual for a situação extrema em que se encontre um moribundo, ninguém pode dizer com certeza que é chegada sua hora derradeira.

Há inúmeros exemplos de doentes que à vista de dar o último suspiro se reanima e recobra suas faculdades.

O espírita, de modo diferente do materialista que só leva em conta o corpo material, sabe o que se passa no além túmulo; sabe do valor das reflexões e dos pensamentos ante a morte.

Assim, qualquer sofrimento do moribundo deve ser amenizado, mas sem jamais lhe abreviar a vida.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES CONTIDAS NA RESPOSTA DO ESPÍRITO SÃO LUÍS, DADA EM 1860, À PERGUNTA: “AQUELE QUE ESTÁ DESGOTOSO DA VIDA, MAS NÃO QUER SUICIDAR-SE, É CULPADO POR BUSCAR A MORTE NUM CAMPO DE BATALHA, COM O PENSAMENTO DE TORNAR A SUA MORTE ÚTIL?”

Quer o homem se mate ou se faça matar, há a intenção de abreviar a vida e, em consequência, há suicídio em intenção.

A morte no campo de batalha é um pretexto para colorir a forma de morrer e de buscar desculpa para os próprios olhos. Quem quer servir o seu país, procura viver e defendê-lo, e não morrer.

A verdadeira abnegação está em ser útil ou enfrentar um perigo sem sacrificar a própria vida.

A intenção premeditada de buscar a morte ao se expor ao perigo anula o mérito da ação.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SÃO LUÍS CONTIDAS NA RESPOSTA, DADA EM 1860, À PERGUNTA: “UM HOMEM SE EXPÕE A UM PERIGO IMINENTE PARA SALVAR A VIDA DE UM DE SEUS SEMELHANTES, SABENDO ANTECIPADAMENTE QUE ELE PRÓPRIO SUCUMBIRÁ. ISSO PODE SER CONSIDERADO COMO UM SUICÍDIO?”

Não havendo a intenção de buscar a morte, não há suicídio, mas dedicação e abnegação.

Mas, a Providência pode salvar quem esteja em perigo no momento mais crítico. Ela pode, muitas vezes, provar a resignação até o derradeiro limite, e então uma circunstância inesperada desvia do homem o golpe fatal.

PRINCIPAIS INSTRUÇÕES DO ESPÍRITO SÃO LUÍS CONTIDAS NA RESPOSTA, DADA EM PARIS, EM 1860, À PERGUNTA: “AQUELES QUE ACEITAM SEUS SOFRIMENTOS COM RESIGNAÇÃO, POR SUBMISSÃO À VONTADE DE DEUS E VISANDO À SUA FELICIDADE FUTURA, NÃO TRABALHAM APENAS POR SI MESMOS? PODEM TORNAR SEUS SOFRIMENTOS PROVEITOSOS PARA OUTROS?”

Podem tornar os sofrimentos proveitosos para os outros, tanto material, quanto moralmente.

Materialmente, se o trabalho, as privações e os sacrifícios que impõem a si mesmos contribuem para o bem-estar material de seu próximo.

Moralmente, pelo exemplo que dão de sua submissão à vontade de Deus, estimulando a fé e a resignação nos infelizes, e salvando-os do desespero e das suas funestas conseqüências para o futuro.

REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO SOBRE AS LIÇÕES CONTIDAS NO CAPÍTULO V DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”

O Espiritismo, com a comunicação com os Espíritos, através dos médiuns, veio confirmar aos homens as promessas de Jesus sobre as bem-aventuranças existentes na vida espiritual para as almas que souberem enfrentar, suportar e vencer as tribulações, aflições, provas, missões e expiações da vida material com coragem, paciência, calma, resignação, fé e submissão à vontade de Deus.

O Espiritismo, com as revelações dos Espíritos superiores, veio explicar aos homens as causas atuais e passadas para as desigualdades existentes nas condições de vida no mundo material, orientando-os a bem cumprir suas tarefas e seus trabalhos visando acumular conhecimentos, experiências e qualidades intelectuais e morais, que propiciam o bem-estar e a felicidade no presente e no futuro.

O Espiritismo, ao esclarecer os homens acerca da pluralidade das existências materiais, leva-os a refletir sobre os reflexos dos atos praticados nas existências anteriores sobre a vida presente, bem como sobre os efeitos das causas atuais sobre as existências corporais futuras. Com isso, estimula-os a reunir os méritos intelectuais e morais que garantem boas condições de vida no mundo espiritual e na próxima existência corporal.

O Espiritismo elucida os homens a respeito dos esforços que precisam fazer para melhorar o caráter e a tornar as suas condutas virtuosas, de forma a evitar muitos males e preparar um futuro melhor. Conhecendo os bons resultados disso, encontram um motivo verdadeiro para buscar o aprimoramento intelectual e moral; combater as más tendências; adquirir as qualidades que os impedem de cair na imprevidência, ambição, vaidade, intemperança e falta de perseverança no bem; e os ajudam a vencer o orgulho, os vícios e os excessos que desencadeiam muitos sofrimentos.

O Espiritismo conscientiza os homens sobre a importância de não cometerem atos de loucura, nem de buscarem no suicídio a solução para os seus problemas, males e aflições. Ao dar-lhes provas da imortalidade da alma e das conseqüências desses atos infelizes na vida espiritual, bem como na próxima reencarnação, leva-os a viver a vida material sob o ponto de vista espiritual, suportando as tribulações da vida com coragem, paciência, resignação e confiança em Deus.

O Espiritismo dá aos homens uma compreensão dilatada da grandiosidade da Obra de Deus. Assim, volta-os a recorrer à fé, à prece e à prática do amor, do bem, da justiça e da caridade para construírem uma vida feliz tanto na existência material presente, quanto na vida futura.

DATAS DA PUBLICAÇÃO NESTE MESMO BLOG DOS ARTIGOS CONTENDO AS PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS NOS CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”:
• 27/fev/2009 = Prefácio e Introdução.
• 12/maio/2009 = Cap. I: Não vim destruir a Lei.
• 01/set/2009 = Cap. II: Meu reino não é deste mundo.
• 01/abril/2010 = Cap. III: Há muitas moradas na casa de meu Pai.
• 04/ago/2010 = Cap. IV: Ninguém pode ver o reino de Deus, se não nascer de novo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ALLAN KARDEC: O HOMEM QUE CONVERSOU COM OS ESPÍRITOS























ALLAN KARDEC: O HOMEM QUE CONVERSOU COM OS ESPÍRITOS

Geziel Andrade

O link abaixo apresentado leva ao artigo com o título acima, de minha autoria.

Esse artigo foi publicado pela Editora EME, de Capivari-SP, nas páginas 16 e 17 da REVISTA DE LIVROS EME, n. 10, de maio de 2011.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

EDUCAÇÃO PARA LIDAR COM OS CASCALHOS

















EDUCAÇÃO PARA LIDAR COM OS CASCALHOS

Geziel Andrade

Conta-se que Chico Xavier, certa vez, ouviu de um amigo a seguinte questão:

-Chico, como é difícil conciliarmos as coisas da vida material com as coisas espirituais. Todo dia, temos que realizar muitos trabalhos grosseiros; temos que suportar muita conversa sem proveito ou utilidade para a alma. O que fazer?

Chico Xavier, demonstrando compreensão e gentileza, respondeu:

-Emmanuel nos orienta que a vida é assim mesmo. Dela extraímos muita coisa boa, mas, para isto, precisamos lidar com sessenta por cento de cascalhos. Então, devemos ouvir as conversas julgadas sem proveito e realizar os trabalhos árduos com muita paciência e alegria.

Surpreendido com essa resposta sensata e com a alma imediatamente renovada com a orientação sábia, o amigo de Chico retornou aos seus afazeres, porém, agora, consciente de que precisava lidar, com paciência e alegria, com os cascalhos que surgem no trabalho diário de extrair o ouro da mina da vida material.

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA DESENVOLVENDO A PACIÊNCIA E A ALEGRIA

A educação espírita, com base nos ensinamentos de Allan Kardec e dos bons Espíritos, desenvolve em nossa alma as virtudes da paciência e da alegria.

Assim, conseguimos lidar com mais facilidade com os cascalhos que surgem no trabalho incessante de obter da vida material o ouro do conhecimento, da experiência, da sabedoria, do amor e da nobreza moral e espiritual.

LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

Com as lições contidas em “O Livro dos Espíritos”, questões 530, 707, 862 e 943, somos estimulados a exercitar a paciência ante os cascalhos que podem ser denominados de embaraços, contratempos, obstáculos, decepções, adversidades e vicissitudes da vida material.

Assim, mantemos a alegria, o autocontrole e demonstramos maturidade no cumprimento das obrigações familiares, profissionais e sociais, crescendo em méritos e conquistas pessoais.

LIÇÕES CONTIDAS EM “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”

Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo 9, aprendemos que devemos vencer a prova da paciência que surge a todo momento no convívio e no relacionamento com os semelhantes, praticando as virtudes ensinadas e exemplificadas por Jesus, notadamente a da caridade e a do perdão.

A caridade deve ser a nossa resposta àqueles que nos aborrecem e o perdão deve ser a nossa reação àqueles que aparecem em nosso caminho para servir de instrumento de contrariedade e de sofrimento.

Assim, não nos entregamos à cólera; e exemplificamos a prática da tolerância e do bem, preservando a saúde e a própria vida.

AS LIÇÕES DO ESPÍRITO EMMANUEL

O Espírito Emmanuel, em diversos livros psicografados por Chico Xavier, nos orienta a manter a paciência todo momento, demonstrando serenidade, calma, compreensão, entendimento, harmonização, tolerância e brandura.

Com a prática dessa virtude, conservamos o equilíbrio íntimo e a alegria, evitando o agravamento das dificuldades. Além disso, prosseguimos nos trabalhos difíceis; solucionamos os problemas do cotidiano; imunizamo-nos contra o suicídio, pois afastamos para longe a tentação da fuga; ouvimos as perguntas repetitivas e infelizes, respondendo-as com sabedoria e gentileza.

LIÇÕES DE DIVERSOS ESPÍRITOS

Diversos Espíritos, através de diferentes médiuns, orientam-nos sobre a importância de mantermos a paciência em todas as circunstâncias da vida, pois, com ela:
• Esperamos as respostas de Deus em nosso favor em atendimento às súplicas que Lhe dirigimos pela oração;
• Enfrentamos com tranqüilidade as adversidades naturais no caminho evolutivo;
• Alcançamos os objetivos da vida, que são o aprimoramento intelectual e moral;
• Vencemos os transes mais dolorosos;
• Triunfamos ante as situações mais complicadas e difíceis;
• Suportamos gentilmente as conversas enfadonhas, mantendo o bom humor e a alegria;
• Eliminamos a ansiedade geradora de inúmeras enfermidades e de vários distúrbios emocionais e mentais;
• Não agravamos o quadro dos acontecimentos que não podem ser alterados;
• E vivemos bem, fazendo bom aproveitamento dos séculos incontáveis de dos milênios que o nosso Espírito imortal tem que percorrer para atingir a perfeição espiritual.

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA FORTALECENDO A PACIÊNCIA E A ALEGRIA

Portanto, com as lições acima, ressaltadas no processo da educação da alma, conscientizamo-nos de que, usando a paciência e a alegria, podemos administrar com muito mais facilidade os cascalhos que surgem em nosso cotidiano.

Talvez, os cascalhos mais pontiagudos e perigosos sejam os que encontramos na mina da convivência e do relacionamento com o próximo.

Porém, praticando as virtudes da paciência e da alegria conseguimos extrair o ouro que tanto precisamos para atingirmos a prosperidade material e espiritual.

Lidando, com paciência e alegria, com os cascalhos nas atividades do dia a dia, afastamos os motivos para constrangimentos; evitamos, de imediato, as mágoas e os desequilíbrios íntimos.

Assim, os cascalhos passam, permitindo-nos extrair da vida material o ouro denominado de qualidades intelectuais e morais nobres, aprimoramento espiritual, atitudes e ações elevadas, com os quais abrimos as portas do sucesso, do bem-estar e da felicidade.

terça-feira, 26 de abril de 2011

"O LIVRO DOS MÉDIUNS": AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA

IMAGEM: JESUS NA TRANSFIGURAÇÃO: “Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e subiu a um monte para orar. E enquanto orava, pareceu todo outro o seu rosto, e fez-se o seu vestido alvo e brilhante. E eis que falavam com Ele dois varões: Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade. E falavam da sua saída deste mundo, a se cumprir em Jerusalém.” (Lucas, Cap. IX, v. 28 a 32.)

Geziel Andrade

Pode a alma, após a morte do corpo material, manifestar-se aos homens e revelar-lhes a sua presença por algum meio?

A crença na manifestação da alma, após a morte do corpo material, tem a seu favor a aceitação de todos os povos, pois é encontrada em toda parte e em todas as épocas.

Essa crença é ainda sancionada pelos testemunhos contidos nos livros sagrados de todas as religiões e igrejas.

Mas, o Espiritismo, dando a conhecer a natureza dos Espíritos e os meios que eles dispõem para se manifestar aos homens, permite que esse fenômeno deixe de ser surpreendente, passando a pertencer à ordem dos fatos naturais.

O Espírito pode agir sobre a matéria, porque ele é um ser definido, limitado e circunscrito.

Quando a morte despoja a alma de seu corpo material, ela sai com um envoltório fluídico que conserva a forma e a aparência humana.

Por isso, quando um Espírito aparece ao homem, pode ser reconhecido pela mesma forma e aparência que tinha quando estava na vida material.

Quando a alma do homem, que é um Espírito encarnado, deixa o seu corpo material por imposição da morte, sente-se confusa e perturbada. Não compreende de imediato a sua separação do envoltório material e a sua nova situação. Vê a si mesma com a mesma forma humana e se sente tão viva, a ponto de ter a ilusão de que continua na vida material. Falta-lhe experiência do novo estado para se convencer da realidade.

Mas, passado esse período de perturbação, sente-se mais leve e livre de um fardo; não sofre mais dores físicas; e sente-se feliz por poder elevar-se e transpor o espaço.

Assim, constata a inteireza da sua personalidade e tem a consciência do seu eu e da sua individualidade.

As observações dos fatos espíritas comprovam a existência de três componentes no homem:
1. A alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral.
2. O corpo material, invólucro grosseiro que reveste a alma temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais.
3. O perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo material.

A morte é a destruição e desagregação do corpo material, envoltório grosseiro que a alma abandona.

Com a morte, o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, etéreo, vaporoso e invisível para o homem em seu estado normal, desprende-se do corpo material. Então, segue a alma, servindo-lhe de instrumento de ação no mundo espiritual.

Esse envoltório da alma, chamado de perispírito, existe no homem durante a sua vida terrena. Ele é o intermediário que permite a alma sentir todas as impressões e sensações do corpo material.

Além disso, é através do perispírito que o Espírito exterioriza e transmite a sua vontade, agindo sobre os órgãos do corpo material.

O perispírito é ainda o agente de transmissão e de recepção do pensamento do Espírito.

Assim, no perispírito está a chave de uma infinidade de problemas nervosos, orgânicos, fisiológicos e patológicos ainda inexplicáveis para o homem.

Dessa forma, a alma jamais se separa do seu perispírito, seja durante a sua união a um corpo material, seja após a sua separação desse corpo, promovida pela morte.

O Espírito, isolado do perispírito, é detentor do princípio intelectual e moral, e não tem uma forma que pode ser apreciada pelo homem. Mas, ele está sempre revestido pelo seu perispírito. Este corpo fluídico, pela sua própria natureza, se eteriza à medida que o Espírito se purifica e se eleva na hierarquia espiritual.

Sendo o perispírito uma parte integrante do Espírito, ele tem uma forma, assim como o corpo material a tem, como outra parte integrante do Espírito encarnado.

Portanto, o perispírito é para o Espírito o que o corpo material é para o Espírito encarnado.

Esses dois instrumentos do Espírito (perispírito e corpo material) servem de instrumento para as suas atividades tanto na vida espiritual, quando na vida material.

O perispírito tem a forma humana. Todos os Espíritos dizem isso em suas comunicações com os homens, através dos médiuns.

Por isso, quando um Espírito aparece a um homem, ele é reconhecido por ter conservado a mesma forma e aparência que tinha na vida material.

Essa forma humana do perispírito foi retratada em todos os tempos, nas figuras que representam os Anjos ou Espíritos puros.

Mas, a matéria sutil que compõe o perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta que compõe o corpo material.

A matéria sutil que forma o perispírito é flexível e expansível; pode ser moldada pela vontade do Espírito, que lhe dá a aparência que quiser. Assim, o perispírito se presta a transformações e modificações em função da vontade do Espírito que o dirige.

Dessa forma, quando um Espírito quer aparecer a um homem, ele molda o seu perispírito, o seu envoltório fluídico, de modo que possa ser facilmente reconhecido. Ele toma exatamente a mesma aparência que tinha na vida material, inclusive com os mesmos defeitos que podem servir de sinais para o reconhecimento.

Portanto, os Espíritos são seres semelhantes aos homens. Possuem o perispírito que é um corpo fluídico com a forma humana. Estão ao redor dos homens, formando uma população invisível.

Mas, essa invisibilidade do perispírito em seu estado normal não é absoluta. O Espírito que quer aparecer ao homem modifica o seu perispírito a ponto de tornar-se momentaneamente visível.

Embora a natureza sutil da matéria que forma o perispírito, o Espírito a pode transformar a ponto de promover uma aparição tangível.

Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser pegadas e apalpadas pelas pessoas, oferecendo a resistência dos corpos sólidos. Mas, de repente, se esvaneciam como sombras. Passavam rapidamente do estado sólido para o fluídico.

Constatou-se facilmente que uma inteligência invisível controlava a mão tangível, que obedecia a uma vontade, ao executar certos movimentos, como por exemplo, tocar músicas em um instrumento.

O Espírito, ser pensante e de natureza íntima inteiramente desconhecida pelos homens, usava o seu perispírito, seu intermediário semimaterial como instrumento para revelar sua presença aos homens, através de seus atos inteligentes.

O Espírito precisa sempre do seu perispírito para poder agir sobre a matéria. Ele é o seu instrumento direto de ação, assim como o Espírito encarnado dispõe do corpo material para poder agir sobre as coisas da vida material.

A matéria sutil que forma o perispírito é composta por elementos do fluido universal. Com essa matéria sutil do seu perispírito, o Espírito age sobre todos os outros tipos de matérias, que também são formadas com elementos do fluido universal, em diferentes graus de densidade ou condensação.

Dessa forma, o Espiritismo explica a ação do Espírito sobre a matéria.

Portanto, as manifestações dos Espíritos aos homens nada têm de sobrenatural. Elas estão na ordem dos fatos naturais.

Assim, o homem que conhece que a causa das manifestações dos Espíritos está nas propriedades semimateriais do perispírito as vê como um fenômeno natural.

Com isso, o Espiritismo descobriu e explicou novas leis e colocou os fatos espíritas dentro da ordem das coisas naturais.

Certas pessoas ficam surpresas com o fato de um Espírito poder, com a ajuda da matéria sutil de seu perispírito, agir sobre corpos pesados e compactos, como por exemplo, erguer uma mesa.

Mas basta observar que o homem, usando gases rarefeitos, fluidos imponderáveis e a eletricidade, consegue por em ação poderosas forças motrizes; usando a força de expansão do ar, consegue derrubar edifícios; empregando o vapor, consegue arrastar massas enormes; e usando os gases da pólvora, consegue destroçar rochedos, etc.

De forma semelhante, o Espírito usando os poderes de seu perispírito consegue manifestar-se ao homem, seja erguendo uma mesa, seja tornando o seu instrumento de ação tangível e visível como um corpo sólido.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

Allan Kardec, com a codificação do Espiritismo, permitiu-nos o entendimento:
• Da tríplice composição do homem e da verdadeira constituição: Espírito, perispírito e corpo material;
• Da encarnação do Espírito para a sua passagem temporária pela vida material, servindo-se de um corpo constituído de matéria densa, graças à lei da reprodução;
• Da continuidade da vida da alma na vida verdadeira, após a morte do envoltório material, podendo se manifestar aos homens graças as propriedades de seu corpo espiritual (perispírito);
• Do mundo invisível e complexo que cerca os homens, sem que percebam a ação dos Espíritos;
• E do modo que os Espíritos conseguem se manifestar aos homens, graças ao seu perispírito, que tem a forma e a aparência humana.

Assim, O Espiritismo nos possibilita um entendimento amplo de uma nova ordem de coisas naturais e nos revela a grandiosidade da Obra de Deus.

CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

As principais lições contidas nos Capítulos anteriores a este de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": DOS ESPÍRITOS

















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO I: DOS ESPÍRITOS

Geziel Andrade

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos são os seres inteligentes criados por Deus. São, portanto, filhos e criaturas de Deus, submetidos à Sua vontade.

Deus cria permanentemente os Espíritos, por um ato de Sua vontade, sem jamais cessar de criá-los.

Uma vez criados imateriais, porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos por matéria, os Espíritos povoam o Universo, numa existência que não tem mais fim.

MUNDO NORMAL PRIMITIVO

Os Espíritos constituem o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

O mundo dos Espíritos é preexistente e independente do mundo material. Sobrevive a tudo. Embora isso, o mundo dos Espíritos e o mundo dos homens ou dos Espíritos encarnados estão incessantemente reagindo um sobre o outro.

Os Espíritos povoam os espaços infinitos e estão em toda parte. Estão, sem cessar, ao lado dos homens, observando-os e atuando sobre eles, sem que sejam percebidos, porque o corpo material não tem sentido apropriado para percebê-los.

Os Espíritos são uma das forças da Natureza. Deus serve-se deles para o cumprimento de seus desígnios providenciais.

FORMA E UBIQUIDADE DOS ESPÍRITOS

A forma do Espírito, sem o perispírito, não pode ser percebida pelos olhos humanos. Mas pode ser comparada a uma flama, um clarão ou uma centelha etérea, cuja cor varia de acordo com a sua menor ou maior pureza.

O Espírito é quem pensa e tem como atributo o pensamento.

Ele pode deslocar-se no espaço com a rapidez do pensamento, dependendo de sua vontade e de sua natureza mais ou menos depurada. A matéria densa não lhe oferece obstáculo à locomoção.

O Espírito não tem o dom da ubiqüidade, isto é, ele não pode se dividir. É, portanto, uma unidade indivisível. O que ele pode fazer é irradiar-se para diferentes lados, o que faz parecer que está em muitos lugares ao mesmo tempo. Mas esse poder de irradiação depende do grau de pureza de cada Espírito.

PERISPÍRITO

O Espírito está sempre revestido por um envoltório semimaterial, chamado de perispírito.

O Espírito forma o seu perispírito com elementos do fluido universal existentes em cada globo. Assim, quando ele passar de um mundo para outro, precisa mudar o seu envoltório. Se um Espírito passar de um mundo superior para um mundo inferior, precisa assumir um perispírito mais grosseiro, revestindo-se da matéria existente neste mundo.

O Espírito pode alterar a forma de seu perispírito. Assim, pode aparecer ao homem, através dos sonhos ou mesmo no estado de vigília. Para isso, ele dá ao seu perispírito uma forma visível ou mesmo palpável.

DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS E ESCALA ESPÍRITA

A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento; nas qualidades que já adquiriram; e nas imperfeições de que ainda não se livraram.

Os Espíritos pertencem a três grandes ordens, de acordo com o grau de perfeição a que já tenham alcançado.

Observando essas ordens, podemos determinar o grau de superioridade ou de inferioridade dos Espíritos com os quais podemos nos comunicar, através dos médiuns, bem como o grau de confiança e de estima que merecem:

PRIMEIRA ORDEM: Espíritos puros, que já chegaram à perfeição por esforços próprios. Estes Espíritos pertencem a uma Classe Única, porque já percorreram todos os graus da evolução espiritual e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Não precisam mais sofrer provas ou expiações. Possuem a superioridade intelectual e moral. Tornaram-se em mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Desfrutam da felicidade na vida eterna ao lado de Deus. Dirigem os Espíritos que lhes são inferiores e os ajudam a se aperfeiçoar e a cumprir suas missões. Ajudam os homens e são designados por anjos, arcanjos ou serafins.

SEGUNDA ORDEM: Espíritos que já conseguiram o predomínio sobre a matéria; têm o desejo de praticar o bem; fazem o bem de acordo com o grau de perfeição, ciência, sabedoria e bondade que já conquistaram. Mas, ainda estão sujeitos às provas da vida. Esses bons Espíritos podem ser divididos em quatro grupos principais:

1. Benévolos: são bondosos; gostam de ajudar e proteger os homens; progrediram mais moralmente do que intelectualmente.

2. Sábios: têm amplo conhecimento das coisas e gostam mais das questões científicas do que das morais.

3. Prudentes: conquistaram qualidades morais elevadas e julgam as coisas com sabedoria e precisão;

4. E superiores: já reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade; usam uma linguagem benevolente, digna, elevada e sublime; aliam-se aos homens que buscam a verdade, apreciam as coisas espirituais e praticam o bem; compreendem Deus e desfrutam da felicidade dos bons.

TERCEIRA ORDEM: Espíritos imperfeitos que ainda estão sob o predomínio da matéria; caracterizam-se pela ignorância, propensão à desvirtude, desejo de praticar o mal e ilusão com as más paixões que retardam o seu desenvolvimento. Entre os Espíritos imperfeitos existem os que não fazem o bem, nem o mal; os que se comprazem no mal; os que são mais travessos do que malignos; e os que se comprazem na malícia, mistificações e nas contrariedades que causam. Podem ser separados em cinco classes principais:

1. Impuros: tendem ao mal e aos vícios; insuflam a discórdia; gostam de enganar; influenciam os outros para as más condutas; usam uma linguagem trivial; e flagelam os homens.

2. Levianos: são ignorantes, malignos e zombeteiros; induzem ao erro com as suas espertezas; usam uma linguagem sem profundidade; e desprezam a verdade.

3. Pseudo-sábios: julgam que sabem mais do que realmente sabem; misturam a verdade com erros absurdos; têm presunção, orgulho, inveja e teimosia; usam uma linguagem séria para confundir e iludir.

4. Neutros: têm o mesmo grau intelectual e moral da humanidade; ora praticam o bem, ora o mal; são apegados às coisas materiais e agem de modo vulgar.

5. Perturbadores: revelam as características dos Espíritos imperfeitos; produzem manifestações físicas e inteligentes de modo intencional; são bastante apegados à matéria; são usados pelos Espíritos elevados para a produção de fenômenos materiais.

PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos não pertencem para sempre a uma determinada classe. Estão progredindo e se melhorando gradualmente. Então, passam de uma ordem inferior para uma superior.

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem conhecimento. Mas, deu-lhes a missão de alcançarem a perfeição pelo esclarecimento, progresso e conhecimento da verdade. Assim, aproximam-se do Criador e conquistam a felicidade eterna.

Deus impõe as provas da vida material para que os Espíritos consigam adquirir as experiências e os conhecimentos necessários ao seu progresso intelectual e moral.

Os que aceitam essas provas com boa vontade e submissão às Leis chegam mais rapidamente ao destino estabelecido por Deus. Mas, todos os Espíritos chegam à perfeição espiritual pelos próprios esforços em progredir.

E após cada progresso intelectual e moral alcançado, o Espírito não retrocede. Apenas pode ficar temporariamente estacionado na posição em que já conquistou.

Deus concedeu ao Espírito o livre-arbítrio. Assim, pode escolher entre a prática do bem e a prática do mal, de acordo com a sua vontade.

Mas, o Espírito experimenta sempre as conseqüências de suas boas ou más obras. Assim, aprende a distinguir os efeitos de cada ação boa ou má.

Mas, o livre-arbítrio do Espírito se desenvolve à medida que ele adquire a consciência de si mesmo.

Se Deus tivesse criado os Espíritos perfeitos, eles não teriam o merecimento de gozar dos benefícios da perfeição espiritual. Não teriam os méritos decorrentes das lutas que enfrentaram para obter a ascensão ao topo da escala espírita ou hierarquia espiritual.

A sabedoria de Deus se revela na liberdade que deu aos Espíritos de determinarem os rumos de sua vida; de conquistarem os méritos pelas próprias obras; de progredirem por si mesmos mais ou menos rapidamente tanto em inteligência, quanto em moralidade.

ANJOS E DEMÔNIOS

Os anjos, arcanjos e serafins são Espíritos puros que já estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições.

Eles já percorreram todos os graus da escala espírita. Os que aceitaram a sua missão sem lamentar chegaram à perfeição mais depressa. Outros precisaram de maior tempo para chegar à perfeição.

Como o planeta Terra não existe por toda a eternidade, e muitos Espíritos já haviam conquistado o grau supremo da perfeição e da felicidade muito antes da Terra existir, os homens acreditaram que eles haviam sido criados perfeitos por Deus e que existem desde toda a eternidade.

Os demônios não são Espíritos criados por Deus eternamente voltados à prática do mal, que os torna infelizes.

Deus não seria justo, nem bom, se os chamados demônios existissem em Sua obra, com a predisposição natural de praticarem eternamente o mal e serem, por isso, condenados pelas suas más propensões e obras.

Foram os homens que acreditaram que os demônios foram criados por Deus perpetuamente voltados ao mal.

Os Espíritos denominados de demônios, na verdade, são Espíritos ainda imperfeitos, que estão percorrendo a escala espírita e passando por um período transitório de provações, agindo com o livre-arbítrio que possuem. Mas, estão evoluindo e caminhando para a perfeição espiritual, impulsionados pela Lei do Progresso.

Como todos os Espíritos, foram criados por Deus simples e ignorantes, mas perfectíveis.

REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO SOBRE AS LIÇÕES ACIMA APRESENTADAS.

O Espiritismo promoveu um enorme salto no nosso entendimento a respeito de Deus e da Obra da Criação.

Conscientizou-nos acerca da grandiosidade dos atributos de Deus e da Sua incomensurável Obra da Criação, em que estamos inseridos; de nossa condição de Espíritos, filhos de Deus; de nossa verdadeira natureza, que é espiritual; e da missão que temos que cumprir na vida para alcançarmos a perfeição intelectual e moral.

Com isso, resolveu mistérios antes insondáveis acerca:

• Da amplitude e dimensão do Universo, criado por Deus, que serve de habitação para Seus filhos;

• Da pluralidade dos mundos habitados e dos seres que o habitam;

• Da existência dos Espíritos, criados simples e ignorantes, mas perfectíveis;

• Dos diferentes graus de evolução intelectual e moral em que os Espíritos se encontram, mas buscando a perfeição espiritual, pelas atividades incessantes que exercem no Universo;

• Da realidade acerca dos anjos e dos demônios;

• Do papel desempenhado pelo perispírito, tanto na vida do Espírito, quanto na do homem;

• Da necessidade do Espírito assumir um corpo material, pelas leis da reprodução, para evoluir, aclarando os fenômenos do nascimento e da morte;

• Das relações existentes entre a vida espiritual e a material, e entre os Espíritos e os homens;

• E da importância que a vida terrena desempenha na evolução intelectual e moral do Espírito, que, pelos desígnios de Deus, tem que alcançar a perfeição espiritual.

Dessa forma, com o Espiritismo, temos um Universo complexo, grandioso, repleto de mundos e seres animados e inanimados, visíveis e invisíveis, em constante atividade e evolução. Em outras palavras, não temos as severas limitações e restrições impostas pelas idéias materialistas, que só admitem a existência do universo material, a vida no planeta Terra e a singularidade no surgimento dos homens, constituídos apenas do corpo material, e únicos dotados de inteligência.

Esse é o contexto novo, amplo e complexo descortinado pelo Espiritismo, que nos dá um entendimento amplo das coisas: de Deus, do Universo, dos Espíritos, da matéria, dos mundos, dos seres, de nós mesmos; de nossas diferenças intelectuais e morais; das posições que os Espíritos ocupam na escala espírita; da hierarquia verdadeira, que é a espiritual; e das relações existentes entre nós e os Espíritos encarnados ou desencarnados, pautando-as na fraternidade e na solidariedade.

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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Espíritos” foram publicadas e podem ser consultadas neste blog nas seguintes datas:

Introdução = 30/janeiro/2009.

Prolegômenos = 09/abril/2009.

Capítulo I: Deus = 07/julho/2009.

Capítulo II: Elementos Gerais do Universo = 08/fevereiro/2010.

Capítulo III: Criação = 18/junho/2010.

Capítulo IV: Princípio Vital = 09/setembro/2010.

terça-feira, 1 de março de 2011

DINHEIRO E RIQUEZAS MATERIAIS







DINHEIRO E RIQUEZAS MATERIAIS

Geziel Andrade

A conquista do dinheiro e a acumulação das riquezas materiais são assuntos que precisamos entender sob o ponto de vista religioso, moral e espiritual para que sejamos bem sucedidos nesta jornada evolutiva da alma.

Nas obras de Allan Kardec encontramos as respostas abaixo apresentadas que nos orientam acerca do ganho honesto do dinheiro e do bom uso dos bens materiais acumulados.

Essas respostas:
1. Ampliam o nosso entendimento do contexto amplo e complexo em que estamos inseridos na vida;
2. Levam-nos a fazer profundas reflexões sobre as nossas condutas perante as finanças e as conquistas das coisas materiais;
3. Modificam completamente as influências que as idéias materialistas exercem sobre o nosso modo de vida, de administrar as riquezas e de relacionar com os semelhantes:

POR QUE EXISTE A DESIGUALDADE NA POSSE DAS RIQUEZAS?

Na Questão 811 de “O Livro dos Espíritos”, os Espíritos superiores revelaram a Allan Kardec que:

“A igualdade absoluta das riquezas não é possível, porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres dos homens.”

Além disso, evidentemente, outros fatores determinam a desigualdade na posse das riquezas: a herança familiar, a apropriação indébita, o roubo, os ganhos desonestos, a espoliação, etc.

Ainda sobre esse tema, Allan Kardec, no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, esclareceu:

“Os homens não são igualmente ricos, por uma razão muito simples: é que não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.”

Disso decorre que se a riqueza do mundo fosse dividida igualmente entre todos os homens, com o passar do tempo, essa situação estaria novamente desequilibrada e rompida em virtude da diversidade dos caracteres, aptidões e condutas humanas.

POR QUE DEUS CONCEDE A UNS A RIQUEZA E A OUTROS A POBREZA?

Allan Kardec perguntou aos Espíritos superiores: por que Deus concedeu a uns a riqueza e o poder, e a outros, a miséria?

A resposta revelou aspectos inusitados da vida dos homens:

“Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.” (Questão 814 de “O Livro dos Espíritos”.)

Portanto, antes da reencarnação, nós mesmos escolhemos as provas que precisamos passar na vida material para obter o desenvolvimento intelectual e moral e caminhar para a perfeição espiritual designada por Deus.

Assim, passamos pelas provas difíceis da abundância ou da escassez dos recursos materiais, nas quais podemos ser bem sucedidos ou sucumbir;
Testamos as nossas qualidades;
Exercitamos e desenvolvemos as nossas faculdades;
Adquirimos habilidades;
Acumulamos experiências;
desfrutamos da oportunidade de praticar as virtudes;
Ee revelamos o uso que fazemos da vontade e do livre-arbítrio em função das condições de vida de riqueza ou de pobreza em que nos situamos temporariamente na jornada terrena.

Se agirmos com elevação intelectual e moral e formos bem sucedidos nessas provas difíceis escolhidas por nós mesmos, obtemos a evolução e ascensão na hierarquia espiritual, que é a verdadeira.

QUAL A FORMA CORRETA DE CONQUISTARMOS O DINHEIRO E AS RIQUEZAS MATERIAIS?

Para a conquista das riquezas materiais, os Espíritos superiores indicaram a Allan Kardec a seguinte providência:

“O que, por meio do trabalho honesto, o homem junta constitui legítima propriedade sua, que ele tem o direito de defender, porque a propriedade que resulta do trabalho é um direito natural, tão sagrado quanto o de trabalhar e de viver.” (Questão 882 de “O Livro dos Espíritos”.)

Em complemento, afirmou o Espírito Protetor M., nas Instruções dos Espíritos, contidas no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Não há dúvida que, se há uma fortuna legítima, é a que foi adquirida honestamente, porque uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, para conquistá-la, não se prejudicou a ninguém.”

Assim, devemos trabalhar honestamente para obter o dinheiro que permite a acumulação dos tesouros materiais. Isso significa:
• Fazer o emprego útil da inteligência no trabalho;
• Trabalhar praticando o bem e não causando prejuízo a ninguém;
• Manter as condutas elevadas nas atividades para realizar boas obras;
E constituir um patrimônio material legítimo, que permita o desfrute, com paz na consciência, das boas condições de vida e do bem-estar.

A RIQUEZA MATERIAL É UM MEIO DE PERDIÇÃO PARA A ALMA?

Allan Kardec, no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos ensinou que:

“Se a riqueza tivesse de ser um obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, Deus, que a distribui, teria posto nas mãos de alguns um instrumento fatal de perdição, o que repugna à razão.”

Assim, por mais difícil e arriscada que seja para a alma a prova da riqueza, (por prender o homem às coisas materiais; levá-lo a promover abusos e males com o mau uso; desviar a sua atenção das coisas espirituais; e facilitar os desvios morais), ela pode ser um meio de salvação nas mãos daquele que a sabe utilizar com abnegação para promover a expansão do bem.

Se Deus condenasse a riqueza material, e se ela fosse só fonte do mal, Ele não a teria posto na Terra.

Se Deus condenasse a acumulação dos bens materiais, o homem não estaria submetido à Lei do trabalho que a pode proporcionar.

Portanto, para a salvação de sua alma, o homem deve transformar a riqueza acumulada pelo trabalho honesto em:
• Fonte do bem;
• Meio de aumento da produção dos bens para melhorar as condições de vida no globo;
• Instrumento de aperfeiçoamento das relações entre as pessoas e os povos;
• Incentivo ao trabalho honesto, às atividades nobres e ao progresso da ciência e das pesquisas que geram a prosperidade e beneficiam a todos.

PORQUE DEUS PERMITE QUE A RIQUEZA ESTEJA CONCENTRADA NAS MÃOS DE ALGUNS HOMENS?

Allan Kardec respondeu a essa questão difícil no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos ensinando que:

“Se cada homem tivesse somente o necessário para viver, haveria o aniquilamento dos grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da humanidade; desapareceria o estímulo que impulsiona as grandes descobertas e os empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em alguns lugares, é para que dos mesmos ela se expanda, em quantidades suficientes, segundo as necessidades.”

Porém, se as pessoas que detêm as riquezas usam-nas de forma inadequada, não as fazendo frutificar para o bem de todos, é porque fazem mau uso do livre arbítrio concedido pela sabedoria e bondade de Deus.

A prática do bem com a posse da fortuna depende do discernimento, das experiências, da distinção entre o bem e o mal, dos esforços e da vontade de cada homem.

O homem vence a provação moral da posse da fortuna se sabe:
• Exercitar bem as suas faculdades com o seu bom emprego no trabalho e nas atividades nobres;
• Agir sem egoísmo e orgulho na posição que desfruta;
• E usar bem esse poderoso meio de ação para o progresso de todos.

DEUS NÃO É INJUSTO SITUANDO UMA PESSOA NA RIQUEZA E OUTRA NA POBREZA?

Allan Kardec respondeu a essa pergunta complicada, da seguinte forma, no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“É claro que, se o homem só tivesse uma existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens terrenos. Mas, se, em lugar de limitar sua vida ao presente, se considerar o conjunto das existências, vê-se que tudo se equilibra com justiça. O pobre não tem, portanto, motivos para acusar a Providência, nem para invejar os ricos e estes não os têm para se vangloriarem do que possuem.”

“(...) Cada qual possui a fortuna por sua vez. Dessa maneira, o que hoje não a tem, já a teve no passado ou a terá no futuro, numa outra existência, e o que hoje a possui poderá não tê-la mais amanhã. Há ricos e pobres porque, Deus sendo justo, cada qual deve trabalhar por sua vez. A pobreza é para uns a prova da paciência e da resignação; a riqueza é para outros a prova da caridade e da abnegação.”

Portanto, com a Lei da reencarnação e com as provas terrenas a que os Espíritos estão submetidos para o seu aprimoramento intelectual e moral, entendemos a justiça de Deus aplicada à desigualdade na posse das riquezas materiais.

A SITUAÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO ESPIRITUAL DEPENDE DA QUANTIDADE DE BENS QUE CONSEGUIRAM ACUMULAR NA VIDA TERRENA?

O Espírito Pascal, na mensagem publicada por Allan Kardec nas Instruções dos Espíritos, contidas no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, respondeu a essa pergunta com sabedoria:

“O homem não possui como seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar, e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na Terra. Mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste. Dele depende estar mais rico ao partir do que ao chegar neste mundo, porque a sua posição futura depende do que ele houver adquirido no bem.”

(...) “Quando o homem chega ao Mundo dos Espíritos não será computado o valor dos seus bens, nem dos seus títulos, mas serão contadas as suas virtudes e, nesse cálculo, o operário talvez seja considerado mais rico do que o príncipe.” (...) “As posições daqui não são compradas, mas ganhas pela prática do bem... aqui só valem as qualidades do coração. Sois rico dessas qualidades? Então, sede bem-vindo e vosso é o primeiro lugar, onde todas as venturas vos esperam. Sois pobre? Ide para o último, onde sereis tratado na razão de vossas posses.”

Portanto, em função dessas claras lições espirituais, nesta jornada evolutiva devemos ter em mente a preexistência da alma ao nascimento do corpo material e a sua sobrevivência à morte do envoltório material.

Assim, não devemos buscar, libertando-nos das influências das idéias materialistas sobre as finanças, apenas a acumulação desenfreada do dinheiro e das riquezas materiais, visando obter grande conforto e bem-estar material.

Devemos levar também em consideração a vida futura da alma, para que ela mereça desfrutar das boas condições de vida que existem no mundo espiritual. Para isto precisamos:
• Valorizar os conhecimentos úteis e elevados;
• Aprimorar a inteligência pelo seu bom uso;
• Acumular as virtudes pela sua prática em todas as circunstâncias da vida;
• E conquistar as qualidades morais pelo seu exercício nas relações humanas, permitindo a difusão do bem.

Em corroboração a isso, temos a oportuna indignação de um Espírito Protetor, contida nas Instruções dos Espíritos, do Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Quando considero a brevidade da vida, causa-me dolorosa impressão a vossa incessante preocupação com os bens materiais, enquanto dedicais tão pouca importância e consagrais tão reduzido tempo ao aperfeiçoamento moral, que vos será levado em conta na eternidade.”

COMO CONSEGUIRMOS SER BEM SUCEDIDOS NAS PROVAS DO GANHO E DO EMPREGO DO DINHEIRO E DAS RIQUEZAS MATERIAIS?

Com base nas lições de Allan Kardec e dos Espíritos superiores, contidas no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, relacionamos abaixo os procedimentos que nos levam a vencer as provas difíceis do ganho honesto e do bom emprego do dinheiro e das riquezas materiais:

• No “amai-vos uns aos outros” está a solução para o melhor emprego da fortuna, pois evita a busca da satisfação pessoal; está o segredo da boa aplicação das riquezas, pois leva à prática da caridade plena de amor que elimina a desgraça com sabedoria e agrada a Deus.

• O emprego da riqueza deve estar assentado na base segura que garante grandes lucros: a das boas obras.

• Para a boa aplicação da riqueza, o homem que desfruta dos benefícios de uma vida social sustentada pela fortuna deve cumprir os seus deveres de solidariedade fraterna.

• O homem rico deve saber que é depositário, o administrador dos bens que Deus lhe depositou nas mãos. Então, severas contas lhe serão pedidas do emprego que fizer dos recursos, em virtude do seu livre-arbítrio. Assim, não deve utilizá-los na sua satisfação pessoal, nos gozos materiais do egoísmo, na prodigalidade em proveito próprio, na satisfação das fantasias, do orgulho e da sensualidade. Deve empregá-los no que resulta em algum bem para os outros.

• O homem que emprega a sua fortuna na beneficência que alivia a miséria, aplaca a fome, preserva do frio e dá asilo ao abandonado torna-se vitorioso na vida terrena.

• O homem que detém a grande fortuna tem a missão de prevenir a miséria com os trabalhos de toda espécie e o salário que pode oferecer para o próximo desenvolver a inteligência, exaltar a dignidade, ganhar o próprio pão e obter o bem-estar.

• O homem rico administra bem a sua fortuna, quando obtém o desapego dos bens materiais, que é um dos mais fortes entraves ao seu adiantamento moral e espiritual.

• O homem que conquistou a sua fortuna com um trabalho constante e honrado é digno de louvor e Deus aprova seu esforço. Mas, deve exercitar na sua posição o desapego aos bens acumulados, para não anular os bons sentimentos, cair na avareza sórdida e deixar de praticar a caridade.

• O homem rico administra bem suas posses quando está consciente de que tudo vem de Deus e tudo a Deus retorna; que é depositário e não proprietário; que Deus lhe emprestou os recursos para que, pelo menos, beneficie aquele que também é Seu filho e que não tem o necessário.

• O homem que acumula a sua fortuna pensando em deixá-la para os seus herdeiros, sem praticar a caridade, comete a falta grave do egoísmo, da cupidez e da avareza. Ao acumular ouro sobre ouro, esquecendo de ajudar seus irmãos perante Deus, e dizendo que é para deixar para os seus familiares, age de modo insensato, pois tenta justificar seu egoísmo, revela apego pessoal aos bens terrenos e se ilude ao ignorar que não vai fazer falta aos herdeiros o pouco a menos de supérfluo que vai lhes deixar, por beneficiar o próximo.

• O homem rico que trabalhou bastante e acumulou bens com o suor em seu rosto, deve fazer a caridade segundo as suas posses, aliviar as dores ocultas da miséria e socorrer os sofredores, para adquirir méritos morais e espirituais. Deve, ao mesmo tempo, combater o orgulho que o torna duro para com os pobres, leva a aturdir o infeliz que lhe pede assistência, venda os olhos e tampa os ouvidos para os sofrimentos alheios.

• O homem rico que desperdiça seus bens e a sua fortuna por descuido ou indiferença torna-se mau depositário dos bens, pois não tem o direito de dilapidá-los, nem de confiscá-los para beneficiar somente a si próprio e aos seus familiares. Ele deve administrar a fortuna que lhe foi confiada por Deus em proveito de todos com sabedoria e responsabilidade; empregá-la utilmente para espalhar o bem; prestar auxílio aos necessitados, para beneficiá-los exercitando a generosidade.

• O homem que é sensato descobre logo que a fortuna não é necessária à sua felicidade, nem na vida presente, nem na vida futura; que a felicidade duradoura é conquistada com a prática do amor e a expansão do bem; ao se tornar fiel depositário das riquezas que foram postas ao seu cuidado por empréstimo; ao agir com desprendimento dos bens terrenos; ao contentar-se com pouco e não ter inveja; ao estar sempre pronto a prestar contas da missão que tem que cumprir com a tutela e o emprego da fortuna.