terça-feira, 26 de abril de 2011

"O LIVRO DOS MÉDIUNS": AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS MÉDIUNS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO I: AÇÃO DOS ESPÍRITOS SOBRE A MATÉRIA

IMAGEM: JESUS NA TRANSFIGURAÇÃO: “Jesus tomou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e subiu a um monte para orar. E enquanto orava, pareceu todo outro o seu rosto, e fez-se o seu vestido alvo e brilhante. E eis que falavam com Ele dois varões: Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade. E falavam da sua saída deste mundo, a se cumprir em Jerusalém.” (Lucas, Cap. IX, v. 28 a 32.)

Geziel Andrade

Pode a alma, após a morte do corpo material, manifestar-se aos homens e revelar-lhes a sua presença por algum meio?

A crença na manifestação da alma, após a morte do corpo material, tem a seu favor a aceitação de todos os povos, pois é encontrada em toda parte e em todas as épocas.

Essa crença é ainda sancionada pelos testemunhos contidos nos livros sagrados de todas as religiões e igrejas.

Mas, o Espiritismo, dando a conhecer a natureza dos Espíritos e os meios que eles dispõem para se manifestar aos homens, permite que esse fenômeno deixe de ser surpreendente, passando a pertencer à ordem dos fatos naturais.

O Espírito pode agir sobre a matéria, porque ele é um ser definido, limitado e circunscrito.

Quando a morte despoja a alma de seu corpo material, ela sai com um envoltório fluídico que conserva a forma e a aparência humana.

Por isso, quando um Espírito aparece ao homem, pode ser reconhecido pela mesma forma e aparência que tinha quando estava na vida material.

Quando a alma do homem, que é um Espírito encarnado, deixa o seu corpo material por imposição da morte, sente-se confusa e perturbada. Não compreende de imediato a sua separação do envoltório material e a sua nova situação. Vê a si mesma com a mesma forma humana e se sente tão viva, a ponto de ter a ilusão de que continua na vida material. Falta-lhe experiência do novo estado para se convencer da realidade.

Mas, passado esse período de perturbação, sente-se mais leve e livre de um fardo; não sofre mais dores físicas; e sente-se feliz por poder elevar-se e transpor o espaço.

Assim, constata a inteireza da sua personalidade e tem a consciência do seu eu e da sua individualidade.

As observações dos fatos espíritas comprovam a existência de três componentes no homem:
1. A alma ou Espírito, princípio inteligente em que se encontra o senso moral.
2. O corpo material, invólucro grosseiro que reveste a alma temporariamente para o cumprimento de alguns desígnios providenciais.
3. O perispírito, invólucro fluídico, semimaterial, que serve de ligação entre a alma e o corpo material.

A morte é a destruição e desagregação do corpo material, envoltório grosseiro que a alma abandona.

Com a morte, o perispírito, envoltório fluídico, semimaterial, etéreo, vaporoso e invisível para o homem em seu estado normal, desprende-se do corpo material. Então, segue a alma, servindo-lhe de instrumento de ação no mundo espiritual.

Esse envoltório da alma, chamado de perispírito, existe no homem durante a sua vida terrena. Ele é o intermediário que permite a alma sentir todas as impressões e sensações do corpo material.

Além disso, é através do perispírito que o Espírito exterioriza e transmite a sua vontade, agindo sobre os órgãos do corpo material.

O perispírito é ainda o agente de transmissão e de recepção do pensamento do Espírito.

Assim, no perispírito está a chave de uma infinidade de problemas nervosos, orgânicos, fisiológicos e patológicos ainda inexplicáveis para o homem.

Dessa forma, a alma jamais se separa do seu perispírito, seja durante a sua união a um corpo material, seja após a sua separação desse corpo, promovida pela morte.

O Espírito, isolado do perispírito, é detentor do princípio intelectual e moral, e não tem uma forma que pode ser apreciada pelo homem. Mas, ele está sempre revestido pelo seu perispírito. Este corpo fluídico, pela sua própria natureza, se eteriza à medida que o Espírito se purifica e se eleva na hierarquia espiritual.

Sendo o perispírito uma parte integrante do Espírito, ele tem uma forma, assim como o corpo material a tem, como outra parte integrante do Espírito encarnado.

Portanto, o perispírito é para o Espírito o que o corpo material é para o Espírito encarnado.

Esses dois instrumentos do Espírito (perispírito e corpo material) servem de instrumento para as suas atividades tanto na vida espiritual, quando na vida material.

O perispírito tem a forma humana. Todos os Espíritos dizem isso em suas comunicações com os homens, através dos médiuns.

Por isso, quando um Espírito aparece a um homem, ele é reconhecido por ter conservado a mesma forma e aparência que tinha na vida material.

Essa forma humana do perispírito foi retratada em todos os tempos, nas figuras que representam os Anjos ou Espíritos puros.

Mas, a matéria sutil que compõe o perispírito não tem a persistência e a rigidez da matéria compacta que compõe o corpo material.

A matéria sutil que forma o perispírito é flexível e expansível; pode ser moldada pela vontade do Espírito, que lhe dá a aparência que quiser. Assim, o perispírito se presta a transformações e modificações em função da vontade do Espírito que o dirige.

Dessa forma, quando um Espírito quer aparecer a um homem, ele molda o seu perispírito, o seu envoltório fluídico, de modo que possa ser facilmente reconhecido. Ele toma exatamente a mesma aparência que tinha na vida material, inclusive com os mesmos defeitos que podem servir de sinais para o reconhecimento.

Portanto, os Espíritos são seres semelhantes aos homens. Possuem o perispírito que é um corpo fluídico com a forma humana. Estão ao redor dos homens, formando uma população invisível.

Mas, essa invisibilidade do perispírito em seu estado normal não é absoluta. O Espírito que quer aparecer ao homem modifica o seu perispírito a ponto de tornar-se momentaneamente visível.

Embora a natureza sutil da matéria que forma o perispírito, o Espírito a pode transformar a ponto de promover uma aparição tangível.

Sob a influência de certos médiuns, verificou-se a aparição de mãos, com todas as propriedades das mãos vivas, dotadas de calor, podendo ser pegadas e apalpadas pelas pessoas, oferecendo a resistência dos corpos sólidos. Mas, de repente, se esvaneciam como sombras. Passavam rapidamente do estado sólido para o fluídico.

Constatou-se facilmente que uma inteligência invisível controlava a mão tangível, que obedecia a uma vontade, ao executar certos movimentos, como por exemplo, tocar músicas em um instrumento.

O Espírito, ser pensante e de natureza íntima inteiramente desconhecida pelos homens, usava o seu perispírito, seu intermediário semimaterial como instrumento para revelar sua presença aos homens, através de seus atos inteligentes.

O Espírito precisa sempre do seu perispírito para poder agir sobre a matéria. Ele é o seu instrumento direto de ação, assim como o Espírito encarnado dispõe do corpo material para poder agir sobre as coisas da vida material.

A matéria sutil que forma o perispírito é composta por elementos do fluido universal. Com essa matéria sutil do seu perispírito, o Espírito age sobre todos os outros tipos de matérias, que também são formadas com elementos do fluido universal, em diferentes graus de densidade ou condensação.

Dessa forma, o Espiritismo explica a ação do Espírito sobre a matéria.

Portanto, as manifestações dos Espíritos aos homens nada têm de sobrenatural. Elas estão na ordem dos fatos naturais.

Assim, o homem que conhece que a causa das manifestações dos Espíritos está nas propriedades semimateriais do perispírito as vê como um fenômeno natural.

Com isso, o Espiritismo descobriu e explicou novas leis e colocou os fatos espíritas dentro da ordem das coisas naturais.

Certas pessoas ficam surpresas com o fato de um Espírito poder, com a ajuda da matéria sutil de seu perispírito, agir sobre corpos pesados e compactos, como por exemplo, erguer uma mesa.

Mas basta observar que o homem, usando gases rarefeitos, fluidos imponderáveis e a eletricidade, consegue por em ação poderosas forças motrizes; usando a força de expansão do ar, consegue derrubar edifícios; empregando o vapor, consegue arrastar massas enormes; e usando os gases da pólvora, consegue destroçar rochedos, etc.

De forma semelhante, o Espírito usando os poderes de seu perispírito consegue manifestar-se ao homem, seja erguendo uma mesa, seja tornando o seu instrumento de ação tangível e visível como um corpo sólido.

CONSIDERAÇÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO

Allan Kardec, com a codificação do Espiritismo, permitiu-nos o entendimento:
• Da tríplice composição do homem e da verdadeira constituição: Espírito, perispírito e corpo material;
• Da encarnação do Espírito para a sua passagem temporária pela vida material, servindo-se de um corpo constituído de matéria densa, graças à lei da reprodução;
• Da continuidade da vida da alma na vida verdadeira, após a morte do envoltório material, podendo se manifestar aos homens graças as propriedades de seu corpo espiritual (perispírito);
• Do mundo invisível e complexo que cerca os homens, sem que percebam a ação dos Espíritos;
• E do modo que os Espíritos conseguem se manifestar aos homens, graças ao seu perispírito, que tem a forma e a aparência humana.

Assim, O Espiritismo nos possibilita um entendimento amplo de uma nova ordem de coisas naturais e nos revela a grandiosidade da Obra de Deus.

CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS MÉDIUNS”

As principais lições contidas nos Capítulos anteriores a este de “O Livro dos Médiuns” foram publicadas neste mesmo blog nas seguintes datas:
13/fevereiro/2009 = INTRODUÇÃO.
24/abril/2009 = CAP. I: EXISTEM ESPÍRITOS?
05/agosto/2009 = CAP II: O MARAVILHOSO E O SOBRENATURAL.
02/março/2010 = CAP. III: MÉTODO.
14/julho/2010 = CAP. IV: SISTEMAS.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS": DOS ESPÍRITOS

















PRINCIPAIS LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, SEGUNDA PARTE, CAPÍTULO I: DOS ESPÍRITOS

Geziel Andrade

ORIGEM E NATUREZA DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos são os seres inteligentes criados por Deus. São, portanto, filhos e criaturas de Deus, submetidos à Sua vontade.

Deus cria permanentemente os Espíritos, por um ato de Sua vontade, sem jamais cessar de criá-los.

Uma vez criados imateriais, porque a sua essência difere de tudo o que conhecemos por matéria, os Espíritos povoam o Universo, numa existência que não tem mais fim.

MUNDO NORMAL PRIMITIVO

Os Espíritos constituem o mundo dos Espíritos ou das inteligências incorpóreas.

O mundo dos Espíritos é preexistente e independente do mundo material. Sobrevive a tudo. Embora isso, o mundo dos Espíritos e o mundo dos homens ou dos Espíritos encarnados estão incessantemente reagindo um sobre o outro.

Os Espíritos povoam os espaços infinitos e estão em toda parte. Estão, sem cessar, ao lado dos homens, observando-os e atuando sobre eles, sem que sejam percebidos, porque o corpo material não tem sentido apropriado para percebê-los.

Os Espíritos são uma das forças da Natureza. Deus serve-se deles para o cumprimento de seus desígnios providenciais.

FORMA E UBIQUIDADE DOS ESPÍRITOS

A forma do Espírito, sem o perispírito, não pode ser percebida pelos olhos humanos. Mas pode ser comparada a uma flama, um clarão ou uma centelha etérea, cuja cor varia de acordo com a sua menor ou maior pureza.

O Espírito é quem pensa e tem como atributo o pensamento.

Ele pode deslocar-se no espaço com a rapidez do pensamento, dependendo de sua vontade e de sua natureza mais ou menos depurada. A matéria densa não lhe oferece obstáculo à locomoção.

O Espírito não tem o dom da ubiqüidade, isto é, ele não pode se dividir. É, portanto, uma unidade indivisível. O que ele pode fazer é irradiar-se para diferentes lados, o que faz parecer que está em muitos lugares ao mesmo tempo. Mas esse poder de irradiação depende do grau de pureza de cada Espírito.

PERISPÍRITO

O Espírito está sempre revestido por um envoltório semimaterial, chamado de perispírito.

O Espírito forma o seu perispírito com elementos do fluido universal existentes em cada globo. Assim, quando ele passar de um mundo para outro, precisa mudar o seu envoltório. Se um Espírito passar de um mundo superior para um mundo inferior, precisa assumir um perispírito mais grosseiro, revestindo-se da matéria existente neste mundo.

O Espírito pode alterar a forma de seu perispírito. Assim, pode aparecer ao homem, através dos sonhos ou mesmo no estado de vigília. Para isso, ele dá ao seu perispírito uma forma visível ou mesmo palpável.

DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS E ESCALA ESPÍRITA

A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento; nas qualidades que já adquiriram; e nas imperfeições de que ainda não se livraram.

Os Espíritos pertencem a três grandes ordens, de acordo com o grau de perfeição a que já tenham alcançado.

Observando essas ordens, podemos determinar o grau de superioridade ou de inferioridade dos Espíritos com os quais podemos nos comunicar, através dos médiuns, bem como o grau de confiança e de estima que merecem:

PRIMEIRA ORDEM: Espíritos puros, que já chegaram à perfeição por esforços próprios. Estes Espíritos pertencem a uma Classe Única, porque já percorreram todos os graus da evolução espiritual e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Não precisam mais sofrer provas ou expiações. Possuem a superioridade intelectual e moral. Tornaram-se em mensageiros e ministros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal. Desfrutam da felicidade na vida eterna ao lado de Deus. Dirigem os Espíritos que lhes são inferiores e os ajudam a se aperfeiçoar e a cumprir suas missões. Ajudam os homens e são designados por anjos, arcanjos ou serafins.

SEGUNDA ORDEM: Espíritos que já conseguiram o predomínio sobre a matéria; têm o desejo de praticar o bem; fazem o bem de acordo com o grau de perfeição, ciência, sabedoria e bondade que já conquistaram. Mas, ainda estão sujeitos às provas da vida. Esses bons Espíritos podem ser divididos em quatro grupos principais:

1. Benévolos: são bondosos; gostam de ajudar e proteger os homens; progrediram mais moralmente do que intelectualmente.

2. Sábios: têm amplo conhecimento das coisas e gostam mais das questões científicas do que das morais.

3. Prudentes: conquistaram qualidades morais elevadas e julgam as coisas com sabedoria e precisão;

4. E superiores: já reúnem a ciência, a sabedoria e a bondade; usam uma linguagem benevolente, digna, elevada e sublime; aliam-se aos homens que buscam a verdade, apreciam as coisas espirituais e praticam o bem; compreendem Deus e desfrutam da felicidade dos bons.

TERCEIRA ORDEM: Espíritos imperfeitos que ainda estão sob o predomínio da matéria; caracterizam-se pela ignorância, propensão à desvirtude, desejo de praticar o mal e ilusão com as más paixões que retardam o seu desenvolvimento. Entre os Espíritos imperfeitos existem os que não fazem o bem, nem o mal; os que se comprazem no mal; os que são mais travessos do que malignos; e os que se comprazem na malícia, mistificações e nas contrariedades que causam. Podem ser separados em cinco classes principais:

1. Impuros: tendem ao mal e aos vícios; insuflam a discórdia; gostam de enganar; influenciam os outros para as más condutas; usam uma linguagem trivial; e flagelam os homens.

2. Levianos: são ignorantes, malignos e zombeteiros; induzem ao erro com as suas espertezas; usam uma linguagem sem profundidade; e desprezam a verdade.

3. Pseudo-sábios: julgam que sabem mais do que realmente sabem; misturam a verdade com erros absurdos; têm presunção, orgulho, inveja e teimosia; usam uma linguagem séria para confundir e iludir.

4. Neutros: têm o mesmo grau intelectual e moral da humanidade; ora praticam o bem, ora o mal; são apegados às coisas materiais e agem de modo vulgar.

5. Perturbadores: revelam as características dos Espíritos imperfeitos; produzem manifestações físicas e inteligentes de modo intencional; são bastante apegados à matéria; são usados pelos Espíritos elevados para a produção de fenômenos materiais.

PROGRESSÃO DOS ESPÍRITOS

Os Espíritos não pertencem para sempre a uma determinada classe. Estão progredindo e se melhorando gradualmente. Então, passam de uma ordem inferior para uma superior.

Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem conhecimento. Mas, deu-lhes a missão de alcançarem a perfeição pelo esclarecimento, progresso e conhecimento da verdade. Assim, aproximam-se do Criador e conquistam a felicidade eterna.

Deus impõe as provas da vida material para que os Espíritos consigam adquirir as experiências e os conhecimentos necessários ao seu progresso intelectual e moral.

Os que aceitam essas provas com boa vontade e submissão às Leis chegam mais rapidamente ao destino estabelecido por Deus. Mas, todos os Espíritos chegam à perfeição espiritual pelos próprios esforços em progredir.

E após cada progresso intelectual e moral alcançado, o Espírito não retrocede. Apenas pode ficar temporariamente estacionado na posição em que já conquistou.

Deus concedeu ao Espírito o livre-arbítrio. Assim, pode escolher entre a prática do bem e a prática do mal, de acordo com a sua vontade.

Mas, o Espírito experimenta sempre as conseqüências de suas boas ou más obras. Assim, aprende a distinguir os efeitos de cada ação boa ou má.

Mas, o livre-arbítrio do Espírito se desenvolve à medida que ele adquire a consciência de si mesmo.

Se Deus tivesse criado os Espíritos perfeitos, eles não teriam o merecimento de gozar dos benefícios da perfeição espiritual. Não teriam os méritos decorrentes das lutas que enfrentaram para obter a ascensão ao topo da escala espírita ou hierarquia espiritual.

A sabedoria de Deus se revela na liberdade que deu aos Espíritos de determinarem os rumos de sua vida; de conquistarem os méritos pelas próprias obras; de progredirem por si mesmos mais ou menos rapidamente tanto em inteligência, quanto em moralidade.

ANJOS E DEMÔNIOS

Os anjos, arcanjos e serafins são Espíritos puros que já estão no mais alto grau da escala e reúnem em si todas as perfeições.

Eles já percorreram todos os graus da escala espírita. Os que aceitaram a sua missão sem lamentar chegaram à perfeição mais depressa. Outros precisaram de maior tempo para chegar à perfeição.

Como o planeta Terra não existe por toda a eternidade, e muitos Espíritos já haviam conquistado o grau supremo da perfeição e da felicidade muito antes da Terra existir, os homens acreditaram que eles haviam sido criados perfeitos por Deus e que existem desde toda a eternidade.

Os demônios não são Espíritos criados por Deus eternamente voltados à prática do mal, que os torna infelizes.

Deus não seria justo, nem bom, se os chamados demônios existissem em Sua obra, com a predisposição natural de praticarem eternamente o mal e serem, por isso, condenados pelas suas más propensões e obras.

Foram os homens que acreditaram que os demônios foram criados por Deus perpetuamente voltados ao mal.

Os Espíritos denominados de demônios, na verdade, são Espíritos ainda imperfeitos, que estão percorrendo a escala espírita e passando por um período transitório de provações, agindo com o livre-arbítrio que possuem. Mas, estão evoluindo e caminhando para a perfeição espiritual, impulsionados pela Lei do Progresso.

Como todos os Espíritos, foram criados por Deus simples e ignorantes, mas perfectíveis.

REFLEXÕES DO AUTOR DESTE ARTIGO SOBRE AS LIÇÕES ACIMA APRESENTADAS.

O Espiritismo promoveu um enorme salto no nosso entendimento a respeito de Deus e da Obra da Criação.

Conscientizou-nos acerca da grandiosidade dos atributos de Deus e da Sua incomensurável Obra da Criação, em que estamos inseridos; de nossa condição de Espíritos, filhos de Deus; de nossa verdadeira natureza, que é espiritual; e da missão que temos que cumprir na vida para alcançarmos a perfeição intelectual e moral.

Com isso, resolveu mistérios antes insondáveis acerca:

• Da amplitude e dimensão do Universo, criado por Deus, que serve de habitação para Seus filhos;

• Da pluralidade dos mundos habitados e dos seres que o habitam;

• Da existência dos Espíritos, criados simples e ignorantes, mas perfectíveis;

• Dos diferentes graus de evolução intelectual e moral em que os Espíritos se encontram, mas buscando a perfeição espiritual, pelas atividades incessantes que exercem no Universo;

• Da realidade acerca dos anjos e dos demônios;

• Do papel desempenhado pelo perispírito, tanto na vida do Espírito, quanto na do homem;

• Da necessidade do Espírito assumir um corpo material, pelas leis da reprodução, para evoluir, aclarando os fenômenos do nascimento e da morte;

• Das relações existentes entre a vida espiritual e a material, e entre os Espíritos e os homens;

• E da importância que a vida terrena desempenha na evolução intelectual e moral do Espírito, que, pelos desígnios de Deus, tem que alcançar a perfeição espiritual.

Dessa forma, com o Espiritismo, temos um Universo complexo, grandioso, repleto de mundos e seres animados e inanimados, visíveis e invisíveis, em constante atividade e evolução. Em outras palavras, não temos as severas limitações e restrições impostas pelas idéias materialistas, que só admitem a existência do universo material, a vida no planeta Terra e a singularidade no surgimento dos homens, constituídos apenas do corpo material, e únicos dotados de inteligência.

Esse é o contexto novo, amplo e complexo descortinado pelo Espiritismo, que nos dá um entendimento amplo das coisas: de Deus, do Universo, dos Espíritos, da matéria, dos mundos, dos seres, de nós mesmos; de nossas diferenças intelectuais e morais; das posições que os Espíritos ocupam na escala espírita; da hierarquia verdadeira, que é a espiritual; e das relações existentes entre nós e os Espíritos encarnados ou desencarnados, pautando-as na fraternidade e na solidariedade.

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CAPÍTULOS ANTERIORES DE “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

As principais lições contidas nos Capítulos anteriores de “O Livro dos Espíritos” foram publicadas e podem ser consultadas neste blog nas seguintes datas:

Introdução = 30/janeiro/2009.

Prolegômenos = 09/abril/2009.

Capítulo I: Deus = 07/julho/2009.

Capítulo II: Elementos Gerais do Universo = 08/fevereiro/2010.

Capítulo III: Criação = 18/junho/2010.

Capítulo IV: Princípio Vital = 09/setembro/2010.

terça-feira, 1 de março de 2011

DINHEIRO E RIQUEZAS MATERIAIS







DINHEIRO E RIQUEZAS MATERIAIS

Geziel Andrade

A conquista do dinheiro e a acumulação das riquezas materiais são assuntos que precisamos entender sob o ponto de vista religioso, moral e espiritual para que sejamos bem sucedidos nesta jornada evolutiva da alma.

Nas obras de Allan Kardec encontramos as respostas abaixo apresentadas que nos orientam acerca do ganho honesto do dinheiro e do bom uso dos bens materiais acumulados.

Essas respostas:
1. Ampliam o nosso entendimento do contexto amplo e complexo em que estamos inseridos na vida;
2. Levam-nos a fazer profundas reflexões sobre as nossas condutas perante as finanças e as conquistas das coisas materiais;
3. Modificam completamente as influências que as idéias materialistas exercem sobre o nosso modo de vida, de administrar as riquezas e de relacionar com os semelhantes:

POR QUE EXISTE A DESIGUALDADE NA POSSE DAS RIQUEZAS?

Na Questão 811 de “O Livro dos Espíritos”, os Espíritos superiores revelaram a Allan Kardec que:

“A igualdade absoluta das riquezas não é possível, porque a isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres dos homens.”

Além disso, evidentemente, outros fatores determinam a desigualdade na posse das riquezas: a herança familiar, a apropriação indébita, o roubo, os ganhos desonestos, a espoliação, etc.

Ainda sobre esse tema, Allan Kardec, no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, esclareceu:

“Os homens não são igualmente ricos, por uma razão muito simples: é que não são igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.”

Disso decorre que se a riqueza do mundo fosse dividida igualmente entre todos os homens, com o passar do tempo, essa situação estaria novamente desequilibrada e rompida em virtude da diversidade dos caracteres, aptidões e condutas humanas.

POR QUE DEUS CONCEDE A UNS A RIQUEZA E A OUTROS A POBREZA?

Allan Kardec perguntou aos Espíritos superiores: por que Deus concedeu a uns a riqueza e o poder, e a outros, a miséria?

A resposta revelou aspectos inusitados da vida dos homens:

“Para experimentá-los de modos diferentes. Além disso, como sabeis, essas provas foram escolhidas pelos próprios Espíritos, que nelas, entretanto, sucumbem com freqüência.” (Questão 814 de “O Livro dos Espíritos”.)

Portanto, antes da reencarnação, nós mesmos escolhemos as provas que precisamos passar na vida material para obter o desenvolvimento intelectual e moral e caminhar para a perfeição espiritual designada por Deus.

Assim, passamos pelas provas difíceis da abundância ou da escassez dos recursos materiais, nas quais podemos ser bem sucedidos ou sucumbir;
Testamos as nossas qualidades;
Exercitamos e desenvolvemos as nossas faculdades;
Adquirimos habilidades;
Acumulamos experiências;
desfrutamos da oportunidade de praticar as virtudes;
Ee revelamos o uso que fazemos da vontade e do livre-arbítrio em função das condições de vida de riqueza ou de pobreza em que nos situamos temporariamente na jornada terrena.

Se agirmos com elevação intelectual e moral e formos bem sucedidos nessas provas difíceis escolhidas por nós mesmos, obtemos a evolução e ascensão na hierarquia espiritual, que é a verdadeira.

QUAL A FORMA CORRETA DE CONQUISTARMOS O DINHEIRO E AS RIQUEZAS MATERIAIS?

Para a conquista das riquezas materiais, os Espíritos superiores indicaram a Allan Kardec a seguinte providência:

“O que, por meio do trabalho honesto, o homem junta constitui legítima propriedade sua, que ele tem o direito de defender, porque a propriedade que resulta do trabalho é um direito natural, tão sagrado quanto o de trabalhar e de viver.” (Questão 882 de “O Livro dos Espíritos”.)

Em complemento, afirmou o Espírito Protetor M., nas Instruções dos Espíritos, contidas no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Não há dúvida que, se há uma fortuna legítima, é a que foi adquirida honestamente, porque uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, para conquistá-la, não se prejudicou a ninguém.”

Assim, devemos trabalhar honestamente para obter o dinheiro que permite a acumulação dos tesouros materiais. Isso significa:
• Fazer o emprego útil da inteligência no trabalho;
• Trabalhar praticando o bem e não causando prejuízo a ninguém;
• Manter as condutas elevadas nas atividades para realizar boas obras;
E constituir um patrimônio material legítimo, que permita o desfrute, com paz na consciência, das boas condições de vida e do bem-estar.

A RIQUEZA MATERIAL É UM MEIO DE PERDIÇÃO PARA A ALMA?

Allan Kardec, no Capítulo XVI: Servir a Deus e a Mamon, do livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos ensinou que:

“Se a riqueza tivesse de ser um obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, Deus, que a distribui, teria posto nas mãos de alguns um instrumento fatal de perdição, o que repugna à razão.”

Assim, por mais difícil e arriscada que seja para a alma a prova da riqueza, (por prender o homem às coisas materiais; levá-lo a promover abusos e males com o mau uso; desviar a sua atenção das coisas espirituais; e facilitar os desvios morais), ela pode ser um meio de salvação nas mãos daquele que a sabe utilizar com abnegação para promover a expansão do bem.

Se Deus condenasse a riqueza material, e se ela fosse só fonte do mal, Ele não a teria posto na Terra.

Se Deus condenasse a acumulação dos bens materiais, o homem não estaria submetido à Lei do trabalho que a pode proporcionar.

Portanto, para a salvação de sua alma, o homem deve transformar a riqueza acumulada pelo trabalho honesto em:
• Fonte do bem;
• Meio de aumento da produção dos bens para melhorar as condições de vida no globo;
• Instrumento de aperfeiçoamento das relações entre as pessoas e os povos;
• Incentivo ao trabalho honesto, às atividades nobres e ao progresso da ciência e das pesquisas que geram a prosperidade e beneficiam a todos.

PORQUE DEUS PERMITE QUE A RIQUEZA ESTEJA CONCENTRADA NAS MÃOS DE ALGUNS HOMENS?

Allan Kardec respondeu a essa questão difícil no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, nos ensinando que:

“Se cada homem tivesse somente o necessário para viver, haveria o aniquilamento dos grandes trabalhos que concorrem para o progresso e o bem-estar da humanidade; desapareceria o estímulo que impulsiona as grandes descobertas e os empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em alguns lugares, é para que dos mesmos ela se expanda, em quantidades suficientes, segundo as necessidades.”

Porém, se as pessoas que detêm as riquezas usam-nas de forma inadequada, não as fazendo frutificar para o bem de todos, é porque fazem mau uso do livre arbítrio concedido pela sabedoria e bondade de Deus.

A prática do bem com a posse da fortuna depende do discernimento, das experiências, da distinção entre o bem e o mal, dos esforços e da vontade de cada homem.

O homem vence a provação moral da posse da fortuna se sabe:
• Exercitar bem as suas faculdades com o seu bom emprego no trabalho e nas atividades nobres;
• Agir sem egoísmo e orgulho na posição que desfruta;
• E usar bem esse poderoso meio de ação para o progresso de todos.

DEUS NÃO É INJUSTO SITUANDO UMA PESSOA NA RIQUEZA E OUTRA NA POBREZA?

Allan Kardec respondeu a essa pergunta complicada, da seguinte forma, no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“É claro que, se o homem só tivesse uma existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens terrenos. Mas, se, em lugar de limitar sua vida ao presente, se considerar o conjunto das existências, vê-se que tudo se equilibra com justiça. O pobre não tem, portanto, motivos para acusar a Providência, nem para invejar os ricos e estes não os têm para se vangloriarem do que possuem.”

“(...) Cada qual possui a fortuna por sua vez. Dessa maneira, o que hoje não a tem, já a teve no passado ou a terá no futuro, numa outra existência, e o que hoje a possui poderá não tê-la mais amanhã. Há ricos e pobres porque, Deus sendo justo, cada qual deve trabalhar por sua vez. A pobreza é para uns a prova da paciência e da resignação; a riqueza é para outros a prova da caridade e da abnegação.”

Portanto, com a Lei da reencarnação e com as provas terrenas a que os Espíritos estão submetidos para o seu aprimoramento intelectual e moral, entendemos a justiça de Deus aplicada à desigualdade na posse das riquezas materiais.

A SITUAÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO ESPIRITUAL DEPENDE DA QUANTIDADE DE BENS QUE CONSEGUIRAM ACUMULAR NA VIDA TERRENA?

O Espírito Pascal, na mensagem publicada por Allan Kardec nas Instruções dos Espíritos, contidas no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, respondeu a essa pergunta com sabedoria:

“O homem não possui como seu senão aquilo que pode levar deste mundo. O que ele encontra ao chegar, e o que deixa ao partir, goza durante sua permanência na Terra. Mas, desde que é forçado a deixá-los, é claro que só tem o usufruto e não a posse real. O que é, então, que ele possui? Nada do que se destina ao uso do corpo e tudo o que se refere ao uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Eis o que ele traz e leva consigo, o que ninguém tem o poder de tirar-lhe e o que ainda mais lhe servirá no outro mundo do que neste. Dele depende estar mais rico ao partir do que ao chegar neste mundo, porque a sua posição futura depende do que ele houver adquirido no bem.”

(...) “Quando o homem chega ao Mundo dos Espíritos não será computado o valor dos seus bens, nem dos seus títulos, mas serão contadas as suas virtudes e, nesse cálculo, o operário talvez seja considerado mais rico do que o príncipe.” (...) “As posições daqui não são compradas, mas ganhas pela prática do bem... aqui só valem as qualidades do coração. Sois rico dessas qualidades? Então, sede bem-vindo e vosso é o primeiro lugar, onde todas as venturas vos esperam. Sois pobre? Ide para o último, onde sereis tratado na razão de vossas posses.”

Portanto, em função dessas claras lições espirituais, nesta jornada evolutiva devemos ter em mente a preexistência da alma ao nascimento do corpo material e a sua sobrevivência à morte do envoltório material.

Assim, não devemos buscar, libertando-nos das influências das idéias materialistas sobre as finanças, apenas a acumulação desenfreada do dinheiro e das riquezas materiais, visando obter grande conforto e bem-estar material.

Devemos levar também em consideração a vida futura da alma, para que ela mereça desfrutar das boas condições de vida que existem no mundo espiritual. Para isto precisamos:
• Valorizar os conhecimentos úteis e elevados;
• Aprimorar a inteligência pelo seu bom uso;
• Acumular as virtudes pela sua prática em todas as circunstâncias da vida;
• E conquistar as qualidades morais pelo seu exercício nas relações humanas, permitindo a difusão do bem.

Em corroboração a isso, temos a oportuna indignação de um Espírito Protetor, contida nas Instruções dos Espíritos, do Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Quando considero a brevidade da vida, causa-me dolorosa impressão a vossa incessante preocupação com os bens materiais, enquanto dedicais tão pouca importância e consagrais tão reduzido tempo ao aperfeiçoamento moral, que vos será levado em conta na eternidade.”

COMO CONSEGUIRMOS SER BEM SUCEDIDOS NAS PROVAS DO GANHO E DO EMPREGO DO DINHEIRO E DAS RIQUEZAS MATERIAIS?

Com base nas lições de Allan Kardec e dos Espíritos superiores, contidas no Capítulo XVI de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, relacionamos abaixo os procedimentos que nos levam a vencer as provas difíceis do ganho honesto e do bom emprego do dinheiro e das riquezas materiais:

• No “amai-vos uns aos outros” está a solução para o melhor emprego da fortuna, pois evita a busca da satisfação pessoal; está o segredo da boa aplicação das riquezas, pois leva à prática da caridade plena de amor que elimina a desgraça com sabedoria e agrada a Deus.

• O emprego da riqueza deve estar assentado na base segura que garante grandes lucros: a das boas obras.

• Para a boa aplicação da riqueza, o homem que desfruta dos benefícios de uma vida social sustentada pela fortuna deve cumprir os seus deveres de solidariedade fraterna.

• O homem rico deve saber que é depositário, o administrador dos bens que Deus lhe depositou nas mãos. Então, severas contas lhe serão pedidas do emprego que fizer dos recursos, em virtude do seu livre-arbítrio. Assim, não deve utilizá-los na sua satisfação pessoal, nos gozos materiais do egoísmo, na prodigalidade em proveito próprio, na satisfação das fantasias, do orgulho e da sensualidade. Deve empregá-los no que resulta em algum bem para os outros.

• O homem que emprega a sua fortuna na beneficência que alivia a miséria, aplaca a fome, preserva do frio e dá asilo ao abandonado torna-se vitorioso na vida terrena.

• O homem que detém a grande fortuna tem a missão de prevenir a miséria com os trabalhos de toda espécie e o salário que pode oferecer para o próximo desenvolver a inteligência, exaltar a dignidade, ganhar o próprio pão e obter o bem-estar.

• O homem rico administra bem a sua fortuna, quando obtém o desapego dos bens materiais, que é um dos mais fortes entraves ao seu adiantamento moral e espiritual.

• O homem que conquistou a sua fortuna com um trabalho constante e honrado é digno de louvor e Deus aprova seu esforço. Mas, deve exercitar na sua posição o desapego aos bens acumulados, para não anular os bons sentimentos, cair na avareza sórdida e deixar de praticar a caridade.

• O homem rico administra bem suas posses quando está consciente de que tudo vem de Deus e tudo a Deus retorna; que é depositário e não proprietário; que Deus lhe emprestou os recursos para que, pelo menos, beneficie aquele que também é Seu filho e que não tem o necessário.

• O homem que acumula a sua fortuna pensando em deixá-la para os seus herdeiros, sem praticar a caridade, comete a falta grave do egoísmo, da cupidez e da avareza. Ao acumular ouro sobre ouro, esquecendo de ajudar seus irmãos perante Deus, e dizendo que é para deixar para os seus familiares, age de modo insensato, pois tenta justificar seu egoísmo, revela apego pessoal aos bens terrenos e se ilude ao ignorar que não vai fazer falta aos herdeiros o pouco a menos de supérfluo que vai lhes deixar, por beneficiar o próximo.

• O homem rico que trabalhou bastante e acumulou bens com o suor em seu rosto, deve fazer a caridade segundo as suas posses, aliviar as dores ocultas da miséria e socorrer os sofredores, para adquirir méritos morais e espirituais. Deve, ao mesmo tempo, combater o orgulho que o torna duro para com os pobres, leva a aturdir o infeliz que lhe pede assistência, venda os olhos e tampa os ouvidos para os sofrimentos alheios.

• O homem rico que desperdiça seus bens e a sua fortuna por descuido ou indiferença torna-se mau depositário dos bens, pois não tem o direito de dilapidá-los, nem de confiscá-los para beneficiar somente a si próprio e aos seus familiares. Ele deve administrar a fortuna que lhe foi confiada por Deus em proveito de todos com sabedoria e responsabilidade; empregá-la utilmente para espalhar o bem; prestar auxílio aos necessitados, para beneficiá-los exercitando a generosidade.

• O homem que é sensato descobre logo que a fortuna não é necessária à sua felicidade, nem na vida presente, nem na vida futura; que a felicidade duradoura é conquistada com a prática do amor e a expansão do bem; ao se tornar fiel depositário das riquezas que foram postas ao seu cuidado por empréstimo; ao agir com desprendimento dos bens terrenos; ao contentar-se com pouco e não ter inveja; ao estar sempre pronto a prestar contas da missão que tem que cumprir com a tutela e o emprego da fortuna.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

BOM DIA ESPÍRITA










BOM DIA ESPÍRITA

Geziel Andrade

“No livro da existência,
cada dia é uma página em branco
que confiarás ao tempo,
gravada com teus atos, palavras e
pensamentos.”
(Frase do Espírito José de Castro,
contida no livro “Cartas do Coração”,
psicografado por Chico Xavier).

Devemos considerar um bom dia, aquele em que:

1. Gravamos, na página em branco do livro que estamos escrevendo sobre a nossa existência terrena, o que há de melhor em emoções, sentimentos, pensamentos, palavras, realizações e atos de fraternidade, benevolência, paciência e compreensão.

2. Escrituramos, na nova página do livro da jornada terrena, o nosso esforço e a nossa boa vontade para o trabalho e o estudo, de forma a conquistarmos a ciência e a sabedoria, a moralidade e o amor, visando ser útil ao próximo e ajudar na realização da felicidade alheia.

3. Escrevemos, na página que se abre diariamente no livro da vida, as lições aprendidas, as experiências acumuladas, os trabalhos realizados e as vitórias conquistadas, embora enfrentando lutas, dificuldades, provas aflitivas e situações constrangedoras, mas demonstrando esperança, otimismo e confiança em Deus.

4. Registramos, na próxima página do livro que é a nossa biografia, o bom aproveitamento do tempo e o bom uso dos recursos colocados à nossa disposição, buscando os conhecimentos elevados, os feitos enobrecedores, as experiências engrandecedoras e o domínio das virtudes sublimes.

5. Contabilizamos, na página recém-aberta do diário pessoal, as boas ações realizadas em virtude das lições aprendidas com Jesus, Allan Kardec e Chico Xavier. Assim, acumulamos créditos espirituais pelo bom uso das faculdades e tesouros eternos no mundo íntimo.

6. Anotamos, com as próprias mãos, na nova página que o tempo nos confiou, os atos educativos que garantem acerto nas escolhas e decisões que semeiam o bem.

Cada dia, contamos com as lições filosóficas, morais e religiosas do Espiritismo para que possamos torná-lo um bom dia. Assim, escrevemos belas páginas no livro da nossa vida.

Mas, certamente, as melhores serão aquelas em que tivermos mantido a boa convivência e o bom relacionamento com os semelhantes no lar, no ambiente de trabalho e na vida em sociedade.

Dessa forma, teremos escriturado, nesse livro contábil, o que se passou de bom conosco, podendo, a qualquer momento, fazer um balanço de nós mesmos, numa visão panorâmica, retrospectiva e detalhada dos fatos registrados.

Que saibamos, portanto, a cada instante do dia, praticar as atitudes e os atos acima que retratam os ensinamentos da Doutrina Espírita.

Desse modo, podemos reler, com a paz na consciência, as páginas do valioso livro, preenchidas diariamente, constatando:
• Os bons rumos que demos à nossa história;
• Os méritos que acumulamos pelas boas obras realizadas;
• Os momentos de alegria que desfrutamos por termos feito o próximo feliz;
• E a satisfação de termos cumprido dignamente os nossos compromissos e deveres morais.

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Outros artigos desta série foram publicados neste blog em:
1. 24/out/2008 = Bom ânimo espírita.
2. 25/out/2008 = Bom combate espírita.
3. 01/Nov/2008 = Bom exemplo espírita.
4. 14/Nov/2008 = Bom senso espírita.
5. 15/mar/2009 = Bom humor espírita.
6. 11/jun/2010 = Bom tom espírita.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O HOMEM: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO












O HOMEM: LIÇÕES DE ALLAN KARDEC A RESPEITO

Geziel Andrade

Allan Kardec, em seus livros da codificação do Espiritismo, legou-nos lições valiosíssimas a respeito do homem.

Com elas, descortinou o contexto grandioso e complexo em que estamos inseridos na Obra de Deus, permitindo-nos conhecer e entender a nós mesmos.

Constate isso lendo a compilação de textos escritos por Allan Kardec, a seguir apresentada:

O HOMEM É CONSTITUÍDO DA ALMA, DO PERISPÍRITO E DO CORPO MATERIAL:

“A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito, separados do corpo material, constituem o ser a que chamamos Espírito. A alma é, assim, um ser simples. O Espírito é um ser duplo (alma e perispírito). E o homem é um ser triplo (alma, perispírito e corpo material).”

“Quando a alma está unida ao corpo material, durante a sua vida corporal, tem dois envoltórios. O corpo material é o envoltório pesado, grosseiro e destrutível. O perispírito é o envoltório fluídico, leve e indestrutível. O perispírito é o elo que une a alma ao corpo material.”

“A alma é o ser inteligente; nela está a sede de todas as faculdades, de todas as percepções, e de todas as sensações. Ela sente e pensa por si mesma; é individual, distinta, perfectível, preexistente e sobrevivente à morte do corpo material.”

“Por intermédio do perispírito, a alma faz o corpo material agir e ela percebe as sensações experimentadas pelo corpo material.”

A ALMA OU ESPÍRITO É A PARTE MAIS IMPORTANTE NO HOMEM:

“O Espírito é o ser principal no homem: é o ser racional; é o ser de razão; é o ser inteligente.”

“O Espírito é o artífice de seu próprio corpo material: modela-o, por assim dizer, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e à manifestação de suas tendências. O corpo material sem o Espírito é apenas matéria inerte. O Espírito é tudo: vida e inteligência.”

“Para o Espírito, ser espiritual, ser essencial e progressivo, o corpo é simples invólucro temporário.”

“No Espírito residem o pensamento, a vontade e o senso moral.”

O CORPO MATERIAL DO HOMEM É APENAS UM INSTRUMENTO DE MANIFESTAÇÃO E DE AÇÃO DO ESPÍRITO:

“O corpo material é instrumento de ação do princípio inteligente. Os órgãos do corpo material não são a causa das faculdades do homem. Eles são os instrumentos que permitem as manifestações das faculdades da alma.”

“O Espírito se reveste temporariamente do corpo material para o cumprimento da sua missão na Terra, permitindo-lhe executar os trabalhos necessários ao seu adiantamento. O corpo material não é mais do que um acessório do Espírito, um invólucro, uma roupagem que ele abandona depois de usar.”

“As faculdades humanas não são produto dos órgãos do corpo material, mas atributos da alma. Os órgãos do corpo material não passam de instrumentos a serviço da manifestação da alma.”

O HOMEM É UM ESPÍRITO ENCARNADO CONCORRENDO PARA O PRÓPRIO PROGRESSO INTELECTUAL E MORAL E O DO PLANETA:

“A encarnação do Espírito é necessária para o melhoramento material dos mundos. Como ele concorre por sua inteligência e sua atividade para a obra geral, ele é uma das engrenagens essenciais da criação feita por Deus.”

“A encarnação é necessária também para o Espírito conseguir o duplo progresso: intelectual e moral.”

“O Espírito, encarnando-se no corpo material do homem, transmite-lhe o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais.”

“O melhoramento dos Espíritos se verifica pela encarnação, que a uns é imposta como uma expiação e a outros como missão. A cada nova encarnação, a inteligência do Espírito se torna mais desenvolvida e ele compreende melhor o que é bom e o que é mal.”

“As encarnações do Espírito são sempre progressivas e jamais retrógradas, mas a rapidez do progresso depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição.”

A ALMA DO HOMEM ESTÁ EM PERMANENTE PROGRESSO INTELECTUAL E MORAL COM AS OBRIGAÇÕES QUE VEM CUMPRIR NA TERRA EM CADA NOVA ENCARNAÇÃO:

“Com a encarnação, a alma do homem concorre para o próprio progresso intelectual e moral e para o progresso material do mundo. O progresso intelectual do Espírito ocorre pela atividade que é obrigado a desenvolver no trabalho. O progresso moral ocorre pela necessidade que os homens têm uns dos outros.”

“A atividade que a alma do homem é obrigada a desenvolver, quer para a conservação da vida, quer à procura do bem-estar, auxilia-lhe o avanço intelectual e moral.”

“Cada existência corporal para o Espírito do homem é um passo à frente na via do progresso moral e intelectual; a menos que, pela preguiça, por sua despreocupação ou por sua obstinação no mal, não a aproveite, caso em que deve recomeçar.”

INDEPENDENTEMENTE DA POSIÇÃO TEMPORARIAMENTE OCUPADA NA VIDA MATERIAL, TODO HOMEM É UM ESPÍRITO ENCARNADO EM PERMANENTE PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL E MORAL, A CAMINHO DA PERFEIÇÃO ESPIRITUAL:

“O Espírito de um selvagem deve ficar eternamente na ignorância e na barbárie, privado dos prazeres que só o desenvolvimento das faculdades intelectuais e morais pode proporcionar? O simples bom senso repele tal suposição, que seria, ao mesmo tempo, a negação da justiça e da bondade de Deus, e a da lei progressiva da natureza.”

“As almas dos selvagens não estão destinadas a ficar perpetuamente nesse estado inferior, que as privaria para sempre da felicidade das almas mais adiantadas. Crescem em raciocínio; esclarecem-se, depuram-se, melhoram, instruem-se em existências materiais sucessivas.”

“As almas dos selvagens, chegadas a um certo grau, deixam esse meio para encarnar-se numa raça um pouco mais adiantada; desta a uma outra e assim por diante. Elas sobem em grau, em razão dos méritos que adquirem e das imperfeições de que se despojam, até atingirem o grau de perfeição de que é suscetível à criatura.”

“A via do progresso a nenhuma alma está fechada. A vida em sociedade e os homens civilizados ajudam o desenvolvimento do senso moral das almas atrasadas, durante a sua vida terrena.”

“O homem de gênio é um Espírito que viveu mais tempo, que tem, consequentemente, adquirido mais e progredido mais que os menos adiantados.”

“Há missões de todos os graus de importância, confiadas aos Espíritos de todas as ordens. Em cada encarnação, o Espírito tem a sua missão, isto é, deveres a cumprir para o bem de seus semelhantes, desde o pai de família, a quem incumbe o cuidado de fazer os filhos progredirem, até o homem de gênio, que lança na sociedade novos elementos de progresso. Os Espíritos estão submetidos à lei do progresso e todos podem chegar à perfeição.”

A ALMA DO HOMEM ESTÁ NUM DETERMINADO GRAU DE EVOLUÇÃO INTELECTUAL E MORAL, MAS SEMPRE EVOLUINDO RUMO À PERFEIÇÃO ESPIRITUAL:

“Numa nova encarnação, o Espírito trará o caráter e as inclinações que tinha como Espírito. Se for avançado, será um homem avançado; se for atrasado, será um homem atrasado.”

“O Espírito do homem traz o que adquiriu nas existências precedentes em aptidão, em conhecimentos intuitivos, em inteligência e em moralidade. As qualidades boas ou más e as aptidões de cada homem são inerentes ao grau de adiantamento ou de inferioridade do Espírito encarnado.”

“Os bons Espíritos, quando encarnados, são homens bons e benevolentes para com os semelhantes; não se deixam levar pelo orgulho, nem pelo egoísmo, nem pela ambição; não provam ódio, nem rancor, nem inveja ou ciúme, fazendo o bem pelo bem.”

“Uma única existência corporal ou material é manifestamente insuficiente para que o Espírito possa adquirir tudo o que lhe falta em bem e se desfazer de tudo o que em si é mau. O Espírito do selvagem, por exemplo, jamais poderia, numa só encarnação, atingir o nível moral e intelectual do mais adiantado europeu.”

OS ESPÍRITOS SE ENCARNAM EM CORPOS MATERIAIS MASCULINOS OU FEMININOS, DEPENDENDO DAS MISSÕES, PROVAS OU EXPIAÇÕES QUE VÊM CUMPRIR NA NOVA JORNADA TERRENA:

“O Espírito pode nascer homem ou mulher, à vontade, conforme o gênero de provas a que vem submeter-se para o seu adiantamento. A diferença está no corpo material ou invólucro exterior, que modifica suas aptidões. Da identidade na natureza do ser espiritual, necessariamente, há de concluir-se pela igualdade dos direitos.”

“Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes impõe provas e deveres especiais, no momento de adquirir experiências.”

“Os Espíritos se encarnam nos diferentes sexos, nascem como homem ou mulher a fim de realizar os deveres de cada uma dessas posições e sofrer-lhes as provas.”

“Pode acontecer que um Espírito percorra uma série de existências no mesmo sexo, o que faz que, durante muito tempo, possa conservar, no estado de Espírito, o caráter de homem ou de mulher, cuja marca nele ficou impressa. Mudando de sexo, em sua nova encarnação, o Espírito poderá então, sob essa impressão, conservar os gostos, as inclinações e o caráter inerente ao sexo que acaba de deixar. Assim se explicam certas anomalias aparentes, notadas no caráter de certos homens e de certas mulheres.”

OS HOMENS VIVEM RODEADOS PELOS ESPÍRITOS, QUE EXERCEM SOBRE ELES UMA GRANDE INFLUÊNCIA:

“Os Espíritos rodeiam os homens sem cessar; exercem sobre eles e sem os conhecimentos deles uma grande influência. Representam um papel muito ativo no mundo moral e até certo ponto no mundo físico.”

“Os Espíritos estão em meio a nós; rodeiam-nos, vêem-nos, escutam-nos e participam, em certa medida, das ações dos homens.”

“Os Espíritos constituem a população invisível do globo; estão no espaço e entre nós, vendo-nos e nos acotovelando incessantemente, de tal sorte que, quando nos julgamos sós, constantemente temos testemunhas secretas de nossas ações e de nossos pensamentos. Isto pode parecer aborrecido para certas pessoas, mas desde que assim é, não se pode impedir que assim seja.”

“Temos Espíritos constantemente ao nosso lado, observando-nos e muitas vezes se misturando às nossas ocupações e aos nossos prazeres, conforme o seu caráter. Os bons Espíritos suscitam bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem durante a vida aqueles que se tornam dignos e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não se comprazem no mal. Os bons Espíritos reerguem a nossa coragem, no interesse do nosso futuro. Se, em dado momento, o véu que no-los oculta fosse levantado, veríamos uma imensa população agitar-se em volta de nós e percorrer os ares.”

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REFLEXÕES DO AUTOR DESTA COMPILAÇÃO
As lições de Allan Kardec sobre o homem, obtidas com as comunicações com os Espíritos, através de diferentes médiuns, revolucionaram a maneira de:
1. Vermos a incomensurável Obra de Deus;

2. Conhecermos a complexidade de nós mesmos;

3. Entendermos o objetivo da vida material e a continuidade da vida da alma no universo espiritual;

4. Percebermos as relações dos homens com os Espíritos, bem como as influências destes sobre aqueles, as quais contribuem para os rumos e progressos da humanidade;

5. Agirmos de forma mais adequada perante os semelhantes e a humanidade, tendo em vista a Paternidade Divina, o contexto de fraternidade e solidariedade em que estamos inseridos, por levar em consideração vida do Espírito, suas características e faculdades, bem como suas sucessivas reencarnações, com vistas ao progresso intelectual e moral.

Nada se compara, na história da humanidade, aos princípios inovadores e revolucionários estabelecidos pelo Espiritismo. Como vimos acima, eles descortinam uma nova era para a humanidade, ao iluminar o saber a respeito do homem, da finalidade da vida terrena e do destino da alma.

Os conhecimentos espíritas, estabelecidos de maneira inusitada por Allan Kardec, não têm paralelo na história da Humanidade. Eles falam por si, dispensando considerações adicionais. Mas, de modo evidente, promovem um enorme salto no saber humano ao:
1. Corroborar os ensinos de Jesus de que Deus está acima de tudo, por ser o Criador de tudo o que existe e por tudo estar subordinado às Suas Vontades, Seus Desígnios e Suas Leis sábias, justas e perfeitas;

2. Desvendar a tríplice composição do homem - espírito, perispírito e corpo material -, contestando, com as provas sobre a imortalidade da alma, as teorias materialistas que enfocam apenas o corpo material e não explicam o objetivo da vida, nem as relações do homem na sociedade, nem o seu destino, nem o que existe além do restrito universo material;

3. Valorizar o progresso intelectual e moral da alma, visando a sua ascensão na hierarquia espiritual, que é a verdadeira;

4. Abrir a era do Espírito para a humanidade, por ter desvendado o contexto grandioso a que ele está submetido, renovando as crenças estabelecidas por religiosos, filósofos, cientistas e pensadores que vivem preocupados em entender a origem, a finalidade e o destino do Universo, da vida material, do ser humano e da alma no reino dos céus.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

REFLEXÕES SOBRE O NATAL






REFLEXÕES SOBRE O NATAL

Geziel Andrade

“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, nos permite ter uma visão ampliada sobre a vinda de Jesus à Terra, para trazer aos homens, por ordem do Pai Eterno, a sua maravilhosa Doutrina de amor a Deus e ao próximo.

Allan Kardec nos ensina no Capítulo XV desse livro que:

“Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho.”

“Em todos os ensinamentos, ele mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna.”

“Bem-aventurados, diz ele, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque é deles o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm coração puro. Bem-aventurados os que são dóceis e pacíficos. Bem-aventurados os que são misericordiosos. Amai vosso próximo como a vós mesmos. Fazei aos outros o que quereis que vos façam. Amai vossos inimigos. Perdoai as ofensas, se quereis serdes perdoados. Fazei o bem sem ostentação. Julgai-vos antes de julgar os outros.”

“Humildade e caridade, eis o que ele não cessa de recomendar, e cujo exemplo ele próprio dá.”

Portanto, praticando no dia a dia essa Doutrina sublime de Jesus:

• Convivemos e nos relacionamos melhor com os semelhantes pelas qualidades nobres que exteriorizamos;

• Acumulamos e administramos adequadamente, isto é, sem egoísmo e com o espírito de humildade e caridade, os bens materiais transitórios, que nos foram confiados por Deus em usufruto para o progresso intelectual e moral;

• E cultivamos a nobreza moral e os tesouros espirituais que engrandecem o uso das faculdades da alma e possibilitam a conquista das boas condições de vida.

Além disso, tendo por guia as lições maravilhosas de Jesus, contidas no Evangelho:

• Adquirimos a pureza nos sentimentos;

• Preservamos a elevação nos pensamentos;

• Mantemos as atitudes condizentes com a moral cristã;

• Realizamos as ações virtuosas, em todas as circunstâncias da vida, produzindo o engrandecimento pessoal e gerando o clima de fraternidade e de solidariedade que beneficia as pessoas que nos cercam na família, no ambiente de trabalho e na vida em sociedade.

Com isso, conquistamos a paz na consciência e o bem-estar e desfrutamos da saúde, alegria e felicidade nesta jornada terrena. Também preparamos a alma para usufruir das bem-aventuranças que Jesus ensinou existir na vida futura no reino dos céus.

Portanto, além das comemorações materiais típicas do Natal, que saibamos:

1. Refletir sempre sobre a grandeza dos ensinamentos religiosos, morais e espirituais que o Divino Mestre Jesus veio trazer à Terra.

2. Sustentar a firme intenção de exemplificar as condutas morais evangélicas que melhoram as condições de vida de todos e constroem o mundo melhor que almejamos.

3. Estar comprometidos com a aplicação, no cotidiano, do amor a Deus e aos semelhantes e das virtudes da humildade e da caridade, que difundem a fraternidade e a solidariedade.

4. Renovar permanentemente os propósitos de praticar e difundir os ensinamentos de Jesus, para beneficiar a nós mesmos e ao próximo e disseminar o progresso, a paz, a alegria e a felicidade.

Este espírito cristão verdadeiro não pode faltar nem no Natal, nem durante todos os dias do ano.

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PREZADOS AMIGOS E LEITORES DESTE BLOG,

APÓS ESSAS REFLEXÕES, DESEJO A TODOS UM NATAL CHEIO DE PAZ E ALEGRIA E UM ANO NOVO REPLETO DAS BOAS REALIZAÇÕES QUE PROMOVEM A PROSPERIDADE MATERIAL E ESPIRITUAL.

Estes são os votos de Geziel Andrade.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

EDUCAÇÃO PARA A PAZ





EDUCAÇÃO PARA A PAZ

Geziel Andrade

A História nos mostra que a paz sempre foi difícil de ser mantida entre os homens.

Mesmo com todo o progresso material havido, correm soltas as notícias de concorrência abusiva, condutas desleais, ações violentas, lutas e guerras em busca dos interesses materiais, financeiros e econômicos.

Assim, a convivência e o relacionamento pacíficos estão ainda na dependência do predomínio de uma educação que atenda as necessidades humanas, sem que estimule a desigualdade, a acumulação desenfreada e egoística dos bens materiais, as disputas e tentativas de dominação pela violência.

Em outras palavras, o fim da violência e o predomínio da paz dependem da preponderância de uma educação em que o progresso material e a melhoria do bem-estar sejam conquistados com amor e respeito aos semelhantes, pondo fim aos confrontos nefastos, e com base no entendimento, na fraternidade e na solidariedade.

Nos dias atuais, a esperança de paz parece ser um sonho difícil de ser concretizado. A violência parece estar generalizada, descontrolada e assustadora, principalmente pelo uso de armas poderosas e sofisticadas que alguns homens criaram com o mau uso que fizeram da ciência e da tecnologia visando o lucro pelo seu livre comércio.

Hoje em dia, há carência de paz em todas as áreas humanas. Os ataques ao próximo assustam; as lutas urbanas revelam ações agressivas de todas as ordens, principalmente para a apropriação do dinheiro alheio de forma ardilosa; as fraudes são descobertas nas instituições públicas e privadas; as agressões atingem o feto, as criancinhas, as mulheres, os jovens, os adultos e os idosos; as transgressões ocorrem no trânsito, no esporte, na escola, na política, na economia, na vida social, etc.

A educação tradicional mostra-se incapaz de produzir a paz. Ela preocupa-se apenas com o preparo do homem para o progresso intelectual e o enriquecimento pelo sucesso na vida profissional. Então estimula a forte concorrência depredatória entre as pessoas na vida pessoal e empresarial; exacerba visivelmente as desigualdades, o egoísmo, a ambição, o orgulho e os confrontos distributivos.

Em suma, a educação predominante não tem preparado os homens para a conquista e manutenção de uma vida próspera, harmoniosa e pacífica, dedicada à conquista do bem estar individual e coletivo.

Como conseqüência disso, temos que, apenas no Brasil, bilhões de Reais são gastos anualmente na repressão aos crimes; nos aparatos militares, policiais e judiciários; nas prisões e penitenciárias; nos serviços de segurança particular nas famílias e nas instituições públicas e privadas.

De forma evidente, esse dinheiro poderia estar sendo melhor usado nos investimentos em saúde, habitação e infra-estrutura econômica e social, melhorando as condições de vida de milhões de brasileiros.

LIÇÕES CONTIDAS EM “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”

Em “O Livro dos Espíritos”, na Questão 789, encontramos:

“Quando a lei de Deus constituir por toda parte a base da lei humana, os povos praticarão a caridade de um para o outro, como os indivíduos de homem para homem, vivendo felizes e em paz”.

Além disso, nas Questões 745 a 754 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec e os Espíritos superiores nos revelaram as seguintes causas para a violência:
1. Senso moral ainda pouco desenvolvido.
2. Regozijo na ambição, no egoísmo e no orgulho, que são as causas de atos de violência e de muitos males e sofrimentos.
3. Falta de educação para a prática da Lei de justiça, amor e caridade, que melhora as condições de vida, produz a paz e promove a Terra à categoria de um mundo melhor e mais feliz.

Portanto, enquanto a educação tradicional continuar preocupando-se apenas com a educação intelectual e a profissionalização do homem, e deixando de lado a educação moral, que aprimora as condutas e ações, as verdadeiras causas da violência não são combatidas, impedindo que a paz reine soberana entre os homens.

A EDUCAÇÃO ESPÍRITA

A educação espírita, sem jamais descuidar da educação intelectual, do preparo do homem para o trabalho honesto e o progresso material, vai além disso:
1. Estimula-nos ao relacionamento fraterno e a convivência harmoniosa e pacífica com os semelhantes, por aprendermos que somos Espíritos encarnados, filhos de Deus, em temporário processo de evolução intelectual e moral na escola da vida terrena.

A educação espírita revela-nos que a verdadeira finalidade da vida material é a conquista do progresso intelectual, junto com o progresso moral.

Com eles, obtemos boas condições de vida, tanto na vida presente, quanto na vida futura, quando do retorno da alma ao mundo espiritual.

A educação espírita leva-nos, ao mesmo tempo:
1. À prosperidade material, moral e espiritual;
2. Aprimora o uso que fazemos de todas as faculdades da alma;
3. Desenvolve a intelectualidade aliada ao senso moral;
4. Promove a aliança entre a sabedoria e o amor;
5. Ensina a prática das condutas amorosas, justas, bondosas, caridosas e fraternas, alicerçadas nos ensinos e exemplos de Jesus.

A educação espírita permite-nos concretizar os sonhos de liberdade, igualdade, fraternidade, benevolência, indulgência e justiça.

Para isso, trabalha para conquistarmos simultaneamente o progresso material, moral e espiritual, numa nova ordem de harmonia e paz, que eleva a Terra na categoria dos mundos habitados.

OUTRAS LIÇÕES DE ALLAN KARDEC

A educação moral espírita está alicerçada na prática dos ensinamentos de Jesus, explicados por Allan Kardec em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”.

Dessa forma, aprendemos:
1. A praticar o amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos;
2. A difundir a benevolência;
3. A realizar o bem de todos;
4. A fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam;
5. E a pôr em prática as virtudes cristãs que geram a prosperidade, com harmonia e paz.

Consta o seguinte no Capítulo IX de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:

“Jesus estabeleceu como lei a doçura, a moderação, a mansuetude, a afabilidade e a paciência. E, por conseqüência, condenou a violência, a cólera e até mesmo toda expressão descortês para com os semelhantes”.

Portanto, praticando os ensinamentos de Jesus, como nos ensina a educação espírita, melhoramos as relações humanas, promovemos o bem-estar de todos e estabelecemos a prosperidade material, moral e espiritual, conquistando a paz, a alegria e a felicidade duradoura.

Além disso, consta nas Instruções dos Espíritos, contidas no Capítulo I desse mesmo livro:

“Cristo foi o iniciador da moral mais pura, mais sublime. Da moral evangélica cristã que deve renovar o mundo, reaproximar os homens e torná-los irmãos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade, e o amor ao próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum. Enfim, de uma moral que deve transformar a Terra, e fazer dela uma morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam”.

RECEITA DE CHICO XAVIER

Certo dia, perguntaram a Chico Xavier o que ele achava a respeito do avanço da violência. Suas palavras foram sábias:

“Necessitamos das condutas morais ensinadas por Jesus, para que consigamos domar as nossas más tendências que podem nos levar aos atos de violência”.

Assim, reafirmou a receita espírita-cristã para a conquista da paz.

ENSINAMENTOS DO ESPÍRITO EMMANUEL

O Espírito Emmanuel, na mensagem “O Caminho da Paz”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e publicada no livro “Religião dos Espíritos”, de edição FEB, nos aponta a seguinte rota para a paz:

“Nem a política, nem o comércio, nem a ciência, nem a indústria, nem a imprensa, nem a aproximação entre os povos, nem a exaltação do trabalho, nem a evolução do direito individual e nem a higiene conseguem resolver o problema da paz.”

“A guerra – monstro de mil faces, que começa no egoísmo de cada um, que se corporifica na discórdia do lar, e se prolonga na intolerância da fé, na vaidade da inteligência e no orgulho das raças, alimentando-se de sangue e lágrimas, violência e desespero, ódio e rapina, tão cruel entre as nações supercivilizadas do século XX, quanto já o era na corte obscurantista de Ramsés II – somente desaparecerá quando o Evangelho de Jesus iluminar o coração humano, fazendo que os habitantes da Terra se amem como irmãos”.

Assim, a educação espírita trabalha para a implantação do Evangelho de Jesus no coração do homem, visando a melhoria das condutas morais, pela prática do amor, da caridade e da fraternidade, e permitindo a conquista do verdadeiro progresso, do bem-estar e da paz tão almejada.

LIÇÃO DO ESPÍRITO BATUÍRA

O Espírito Batuíra, em mensagem psicografada por Chico Xavier, e publicada no livro “Mais Luz”, de edição GEEM, nos recomenda o contato permanente com os ensinamentos de Jesus. Neles encontramos a fonte de alegria e bênçãos; o meio de transformamos o lar em celeiro de compreensão e solidariedade; e o caminho luminoso de ascensão à paz e à felicidade real.

A EDUCAÇÃO MORAL MINISTRADA NO CENTRO ESPÍRITA QUE LEVA AO PROGRESSO JUNTO COM A PAZ

O Centro Espírita é a escola onde a educação moral é ministrada visando:
1. A purificação dos Espíritos encarnados;
2. A prática do amor, da caridade, da justiça, da fraternidade e da solidariedade com base na crença raciocinada de que todos somos Espíritos encarnados, filhos do mesmo Pai Eterno, em processo contínuo de evolução, através das reencarnações;
3. A evangelização e a aplicação no cotidiano dos ensinamentos de Jesus;
4. A prática das lições evangélicas e das virtudes cristãs como o único caminho para o progresso de todos e para a conquista da paz, da alegria e da felicidade duradouras;
5. O desenvolvimento do senso moral, que melhora as relações humanas;
6. A renovação moral do homem e o reajustamento de seus valores, desde a infância, pautando-os na Lei de justiça, amor e caridade;
7. O fortalecimento da vontade no exercício do bem, do ser útil aos semelhantes, do servir o próximo de forma desinteressada e da edificação das boas obras que propiciam o progresso de todos;
8. A melhoria das condutas morais, aprimorando as formas de convivência e de relacionamento no lar, no ambiente de trabalho e na vida em sociedade, para que o clima de paz ensinado por Jesus seja o padrão da sociedade;
9. E a elevação da Terra na hierarquia dos mundos habitados, pela evangelização, espiritualização e moralização da humanidade.